sábado, 31 de maio de 2008
Chesnut Tree
O castanheiro de Winston é o mesmo de Roquentin. Ambos revelam a revelação terrível da ruína e da traição das crenças outrora inabaláveis.
quarta-feira, 28 de maio de 2008
Bingo deprê
==================================================
depressão | ansiedade | pesar | abandono |
==================================================
angústia | desespero | dor | desânimo |
==================================================
tristeza | pânico | sofrimento | desamparo |
==================================================
suicídio | angústia | agonia | desistência |
==================================================
Imprima a cartela acima e passe aos seus amiguinhos de trabalho.
Cada um vai completando com os sentimentos durante o dia.
Quem completar grita bingo! e comete suicídio.
Divirta-se.
depressão | ansiedade | pesar | abandono |
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angústia | desespero | dor | desânimo |
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tristeza | pânico | sofrimento | desamparo |
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suicídio | angústia | agonia | desistência |
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Imprima a cartela acima e passe aos seus amiguinhos de trabalho.
Cada um vai completando com os sentimentos durante o dia.
Quem completar grita bingo! e comete suicídio.
Divirta-se.
segunda-feira, 26 de maio de 2008
Sei que às vezes uso palavras repetidas.
"Por favor, o que falta para o mundo acordar em relação a tudo? Acordem! Acordem! Acordem! A evolução científica é barrada pela ignorância religiosa, a evolução do Brasil é barrada pela vagabundagem universal. Nas escolas ninguém quer ensinar e ninguém quer aprender. Ninguém quer ler um livro, ninguém gosta de ter que pensar... é o FIM.
As notícias me envergonham, os desocupados de corpo e alma querem linchamento público, pedem a proibiçao do aborto e depois a pena de morte para os sobreviventes ao aborto. O mundo está ao contrário e quase ninguém reparou. Guerra para quem não precisa de guerra e paz para os que precisam de uma sacudida geral?"
As notícias me envergonham, os desocupados de corpo e alma querem linchamento público, pedem a proibiçao do aborto e depois a pena de morte para os sobreviventes ao aborto. O mundo está ao contrário e quase ninguém reparou. Guerra para quem não precisa de guerra e paz para os que precisam de uma sacudida geral?"
domingo, 11 de maio de 2008
Se duvidar, eu tenho mais de um mar de provas.
Ruim não foi, longe disso. Um show que abre com Mil Acasos não pode ser ruim. Um show que tem Dois Rios, Canção Noturna e Zé Trindade não pode ser ruim. Um show que fecha com Tão Seu não pode ser ruim. Tudo tocado com extrema competência, total entrosamento e nenhuma má-vontade. E o público ainda estava surpreendentemente comportado para uma apresentação gratuita – sem falar que a cervejinha e as boas companhias garantiriam a diversão, mesmo naquele fim-de-mundo que é São Bernardo do Campo –, então qual foi o problema?
Samuel é um excelente compositor, um frontman razoável, uma ótima voz, que nunca falha, mesmo nas canções com notas altas – ainda que em Dois Rios a terça abaixo em relação ao disco deixe a música caidaça –, mas sua egotrip de guitar hero já encheu o saco, e não é de hoje. Ele não é virtuoso, não é a dele, nem são suas influências. Aqueles interlúdios com solos bobos, ligados de três notas e riffs desconexos, que em nada se conectam com as músicas que vêm as seguir – me senti ouvindo os interlúdios renascentistas dos discos do Rhapsody (Of Fire). E ainda ontem houve até vinhetas de teclado.
Sem falar que – e agora chegamos ao grande problema – a falta de culhões, a bunda-molice, o acomodamento da banda ao vivo chega a ser irritante. A abertura, com o tema de Três Homens Em Conflito (filme de Sergio Leone, trilha de Ennio Morricone), além de ser chupinhação do Metallica, que usa outro tema do mesmo filme, não muda desde o Cosmotron (2003). As vinhetinhas guitarrísticas de Três Lados e Uma Partida De Futebol são da época do MTV Ao Vivo (2001). E o repertório praticamente não muda, parece que eles realmente querem ser uma banda genérica, sem fãs de verdade, apenas com um público “baladeiro”, porque é difícil de aturar sempre a mesma coisa, aquele lance sem surpresas: você já sabe exatamente o que vai e o que não vai ouvir, não tem aquela expectativa de “será que vai rolar um lado B?”, pois isso nunca acontece. E não é porque ontem foi um show de graça, patrocinado pela Toyota, portanto atípico, etc. Essa postura se mantém até em abertura de turnê. Ontem foi o cúmulo: um show só com DUAS músicas do Carrossel (2006), o disco mais recente.
Tocar covers, quando relevantes, também é legal: mesmo a toque de caixa, visto que é o mesmo arranjo de Canção Noturna, a versão de Vamos Fugir, do Gil, salvou a canção; e a de Beleza Pura, do Caê, além de ter ficado com a cara da banda (incluindo a malandra e manjadíssima cozinha de Taxman, dos Beatles), tornou uma música chatíssima algo agradável. Mas ontem, além dessas duas, ouve uma totalmente dispensável cover de Loirinha Bombril, d'Os Paralamas, que, por sua vez, além de ser muito chata, é versão de Parate Y Mira, do Los Pericos. Ou seja: se fossem homenagear a banda – o que já é estranho, já que, embora fosse uma óbvia influência tanto na sonoridade geral da banda quanto na guitarra do Samuel (Samuel influenciado por Herbert, influenciado por Lulu), era sempre negada nas entrevistas –, que escolhessem uma das tantas canções maravilhosas da melhor banda brasileira de todos os tempos.
E até quando eles vão insistir (eles, já tiozões tocando de terno – sério!) nas early songs? Pra que ficar insistindo em Jackie Tequila, Pacato Cidadão, Garota Nacional e Esmola, se já há hits do mesmo calibre na fase adulta, como as recepções calorosas a, por exemplo, Vou Deixar e Acima Do Sol, provam isso?
Eles já demoraram para ousar no estúdio: a desprodução de Dudu Marote no Calango (1994) já foi um passo atrás do epônimo, de 1993. O Samba Poconé continuou sem muitas inovações. Mesmo com o jogo mais que ganho, milhões e cópias vendidas graças à chuva de hits e o mercado em chamas por causa da fase idílica do Plano Real, o disco Siderado (1998) – o primeiro com uma produção decente, a cargo de Paul Ralphes, o mesmo do excelente Escuta Aqui (1999), do Biquíni Cavadão – ousou pouco, com Resposta e No Meio Do Mar, pois o resto é mais do mesmo. Só em Maquinarama (2000) a carroça começou a andar de verdade, e eles começaram a virar a banda incrível que são hoje.
Então é praticamente obrigação artística deles, após tanto dinheiro e sucesso, com tudo extremamente consolidado em mais de 15 anos de carreira, de três excelentes discos adultos debaixo do braço, começarem a se impor perante o público.
Eles não são a melhor banda do país – o trono ainda é do Pato Fu, pela extrema coragem e pelo talento ímpar –, justamente por esse medo de arriscar. E eu digo isso com a certeza de quem era o único lá, ontem, a comprar os discos na época, desde o primeiro, e ver shows deles há mais de 12 anos.
Samuel é um excelente compositor, um frontman razoável, uma ótima voz, que nunca falha, mesmo nas canções com notas altas – ainda que em Dois Rios a terça abaixo em relação ao disco deixe a música caidaça –, mas sua egotrip de guitar hero já encheu o saco, e não é de hoje. Ele não é virtuoso, não é a dele, nem são suas influências. Aqueles interlúdios com solos bobos, ligados de três notas e riffs desconexos, que em nada se conectam com as músicas que vêm as seguir – me senti ouvindo os interlúdios renascentistas dos discos do Rhapsody (Of Fire). E ainda ontem houve até vinhetas de teclado.
Sem falar que – e agora chegamos ao grande problema – a falta de culhões, a bunda-molice, o acomodamento da banda ao vivo chega a ser irritante. A abertura, com o tema de Três Homens Em Conflito (filme de Sergio Leone, trilha de Ennio Morricone), além de ser chupinhação do Metallica, que usa outro tema do mesmo filme, não muda desde o Cosmotron (2003). As vinhetinhas guitarrísticas de Três Lados e Uma Partida De Futebol são da época do MTV Ao Vivo (2001). E o repertório praticamente não muda, parece que eles realmente querem ser uma banda genérica, sem fãs de verdade, apenas com um público “baladeiro”, porque é difícil de aturar sempre a mesma coisa, aquele lance sem surpresas: você já sabe exatamente o que vai e o que não vai ouvir, não tem aquela expectativa de “será que vai rolar um lado B?”, pois isso nunca acontece. E não é porque ontem foi um show de graça, patrocinado pela Toyota, portanto atípico, etc. Essa postura se mantém até em abertura de turnê. Ontem foi o cúmulo: um show só com DUAS músicas do Carrossel (2006), o disco mais recente.
Tocar covers, quando relevantes, também é legal: mesmo a toque de caixa, visto que é o mesmo arranjo de Canção Noturna, a versão de Vamos Fugir, do Gil, salvou a canção; e a de Beleza Pura, do Caê, além de ter ficado com a cara da banda (incluindo a malandra e manjadíssima cozinha de Taxman, dos Beatles), tornou uma música chatíssima algo agradável. Mas ontem, além dessas duas, ouve uma totalmente dispensável cover de Loirinha Bombril, d'Os Paralamas, que, por sua vez, além de ser muito chata, é versão de Parate Y Mira, do Los Pericos. Ou seja: se fossem homenagear a banda – o que já é estranho, já que, embora fosse uma óbvia influência tanto na sonoridade geral da banda quanto na guitarra do Samuel (Samuel influenciado por Herbert, influenciado por Lulu), era sempre negada nas entrevistas –, que escolhessem uma das tantas canções maravilhosas da melhor banda brasileira de todos os tempos.
E até quando eles vão insistir (eles, já tiozões tocando de terno – sério!) nas early songs? Pra que ficar insistindo em Jackie Tequila, Pacato Cidadão, Garota Nacional e Esmola, se já há hits do mesmo calibre na fase adulta, como as recepções calorosas a, por exemplo, Vou Deixar e Acima Do Sol, provam isso?
Eles já demoraram para ousar no estúdio: a desprodução de Dudu Marote no Calango (1994) já foi um passo atrás do epônimo, de 1993. O Samba Poconé continuou sem muitas inovações. Mesmo com o jogo mais que ganho, milhões e cópias vendidas graças à chuva de hits e o mercado em chamas por causa da fase idílica do Plano Real, o disco Siderado (1998) – o primeiro com uma produção decente, a cargo de Paul Ralphes, o mesmo do excelente Escuta Aqui (1999), do Biquíni Cavadão – ousou pouco, com Resposta e No Meio Do Mar, pois o resto é mais do mesmo. Só em Maquinarama (2000) a carroça começou a andar de verdade, e eles começaram a virar a banda incrível que são hoje.
Então é praticamente obrigação artística deles, após tanto dinheiro e sucesso, com tudo extremamente consolidado em mais de 15 anos de carreira, de três excelentes discos adultos debaixo do braço, começarem a se impor perante o público.
Eles não são a melhor banda do país – o trono ainda é do Pato Fu, pela extrema coragem e pelo talento ímpar –, justamente por esse medo de arriscar. E eu digo isso com a certeza de quem era o único lá, ontem, a comprar os discos na época, desde o primeiro, e ver shows deles há mais de 12 anos.
sexta-feira, 9 de maio de 2008
A certeza da certeza.
[Faxina existencial. Volte mais tarde. Estamos trabalhando para melhor servi-lo.]
Só dizem o que dizem: o bem e o mal.
[“Talvez não exista nada no mundo que seja tão importante para mim como esse sentimento de aventura. Mas ele vem quando quer; desaparece tão rapidamente! Como fico seco quando ele me deixa. Far-me-á essas curtas visitas irônicas para me mostrar que minha vida é um fracasso?”] [Jean-Paul Sartre, A Náusea]
E então de quem você nem espera nada te decepciona. Mas o que leva as pessoas a uma vida tão vazia a ponto de a razão de ser delas tornar-se a conspiração e a maledicência. Gente esquisita / Normalmente incompetente / Normalmente inconsistente / Normalmente inconseqüente / Fica pelos cantos / Fala mal de todo mundo. Gente que faz da tristeza dos outros a própria alegria, pensando que usa os outros impunemente, sem que estes percebam. Pessoas de alma bem pequena / Remoendo pequenos problemas / Querendo sempre aquilo que não têm. Mais que injustiçados pela vida, que não lhes concede a plena felicidade e os sonhos realizados, e pela História, que não lhes absolve como pessoas geniais e incompreendidas pela massa medíocre, eles se acham mais espertos, mais correto, mais diretos. Eis que eles sabem o dia de amanhã / Eles sempre falam num dia de amanhã / Eles têm cuidado com o dia de amanhã / Eles cantam os hinos no dia de amanhã / Eles tomam bonde no dia de amanhã / Eles amam os filhos no dia de amanhã / É que eles têm medo do dia de amanhã. Seguram escorpiões nas mãos e acham que não serão envenenados. É de dar pena, e isso é pior que a morte – ser digno tão-somente de dó, sequer escárnio, apenas compaixão, de tão patéticos que são esses pobres-diabos ricos.
E então de quem você nem espera nada te decepciona. Mas o que leva as pessoas a uma vida tão vazia a ponto de a razão de ser delas tornar-se a conspiração e a maledicência. Gente esquisita / Normalmente incompetente / Normalmente inconsistente / Normalmente inconseqüente / Fica pelos cantos / Fala mal de todo mundo. Gente que faz da tristeza dos outros a própria alegria, pensando que usa os outros impunemente, sem que estes percebam. Pessoas de alma bem pequena / Remoendo pequenos problemas / Querendo sempre aquilo que não têm. Mais que injustiçados pela vida, que não lhes concede a plena felicidade e os sonhos realizados, e pela História, que não lhes absolve como pessoas geniais e incompreendidas pela massa medíocre, eles se acham mais espertos, mais correto, mais diretos. Eis que eles sabem o dia de amanhã / Eles sempre falam num dia de amanhã / Eles têm cuidado com o dia de amanhã / Eles cantam os hinos no dia de amanhã / Eles tomam bonde no dia de amanhã / Eles amam os filhos no dia de amanhã / É que eles têm medo do dia de amanhã. Seguram escorpiões nas mãos e acham que não serão envenenados. É de dar pena, e isso é pior que a morte – ser digno tão-somente de dó, sequer escárnio, apenas compaixão, de tão patéticos que são esses pobres-diabos ricos.
quinta-feira, 8 de maio de 2008
Esse olhar terrível, como se fosse um muro.
[Pequena epifania de alguém: "amar e odiar são o mesmo inferno".]
O melhor caminho para extinguir um amor (ou um ódio) é a Decepção com D maiúsculo, de Derrelição, que leva à surpresa horrível depois ao desprezo, e, por fim, para pôr fim, ao esquecimento. E ser esquecido e pior do que estar morto, Palavra de quem já morreu e já foi esquecido – e já matou e esqueceu.
O melhor caminho para extinguir um amor (ou um ódio) é a Decepção com D maiúsculo, de Derrelição, que leva à surpresa horrível depois ao desprezo, e, por fim, para pôr fim, ao esquecimento. E ser esquecido e pior do que estar morto, Palavra de quem já morreu e já foi esquecido – e já matou e esqueceu.
terça-feira, 6 de maio de 2008
Interlúdio
"Todo o problema, repito-o, estava em matar o tempo. Por último, acabei por já não me massar, a partir do instante em que aprendi a recordar. Punha-me às vezes a pensar no meu quarto e, em imaginação, partia de um canto e dava a volta ao quarto, enumerando mentalmente tudo o que encontrava pelo caminho. Ao princípio, isto durava pouco. Mas, cada vez que recomeçava, ia durando mais, pois lembrava-me de cada móvel e, para cada móvel, de cada objeto que lá havia e, para cada objeto, de todos os pormenores e, para os próprios pormenores, de uma incrustação, de uma racha, de um bordo quebrado, da cor que tinham, ou da qualidade de que eram feitos. Tentava ao mesmo tempo não perder o fio a este inventário e fazer uma enumeração completa. De tal forma que, ao fim de algumas semanas, passava horas, só a catalogar tudo o que havia no meu quarto. Assim, quanto mais pensava, mais coisas esquecidas ia tirando da memória. Compreendi então que um homem que houvesse vivido um único dia poderia sem custo passar cem anos numa prisão. Teria recordações suficientes para não se maçar. De certo modo, isto era uma vantagem." (Albert Camus, O Estrangeiro)
segunda-feira, 5 de maio de 2008
Foolish and weak is any human love, but my bride not this.
[De.cep.ção, s.f. (l. deceptione). 1. Frustração de uma esperança; deslusão, desengano. 2. Surpresa desagradável.]
In extremis tu percebes quem te importas contigo e quem preocupa-se somente consigo. De que lado tu ficas, que que lado tu estás? É o instante de revelação, tão claro, certo e evidente que dá vergonha de tanta covardia e má-fé. Separam-se, então, as crianças dos adultos, pois os fracos não têm vez. Os fracos morrerão sós. Quem é confiável e sincero, quem está do seu lado, de mãos dadas na mesma marcha, e quem só fica à tua sombra, esperando para te usar como apoio enquanto for interessante. Enquanto os fracos em desalento ficam pulando de solidão em solidão, o amor se fortalece, metade a metade. É por um triz, à beira do abismo, olhando fundo nos olhos do Nada, que o amor se separa da carência e da conveniência. In extremis.
In extremis tu percebes quem te importas contigo e quem preocupa-se somente consigo. De que lado tu ficas, que que lado tu estás? É o instante de revelação, tão claro, certo e evidente que dá vergonha de tanta covardia e má-fé. Separam-se, então, as crianças dos adultos, pois os fracos não têm vez. Os fracos morrerão sós. Quem é confiável e sincero, quem está do seu lado, de mãos dadas na mesma marcha, e quem só fica à tua sombra, esperando para te usar como apoio enquanto for interessante. Enquanto os fracos em desalento ficam pulando de solidão em solidão, o amor se fortalece, metade a metade. É por um triz, à beira do abismo, olhando fundo nos olhos do Nada, que o amor se separa da carência e da conveniência. In extremis.
sexta-feira, 2 de maio de 2008
Faça uma lista de grandes compositores clássicos.
01. Vitezlav Novak
02. Antonin Dvorák
03. Wolfgang Amadeus Mozart
04. Antonio Lucio Vivaldi
05. Louis Hector Berlioz
06. Sergei Vasilievich Rachmaninoff
07. Piotr Ílitch Tchaikóvski
08. Arcangelo Corelli
09. Jacob Ludwig Felix Mendelssohn Bartholdy
10. Georg Friedrich Händel
02. Antonin Dvorák
03. Wolfgang Amadeus Mozart
04. Antonio Lucio Vivaldi
05. Louis Hector Berlioz
06. Sergei Vasilievich Rachmaninoff
07. Piotr Ílitch Tchaikóvski
08. Arcangelo Corelli
09. Jacob Ludwig Felix Mendelssohn Bartholdy
10. Georg Friedrich Händel
quinta-feira, 1 de maio de 2008
Ser corinthiano é ir além.
"Goiás é Brasil", disseram, na brincadeira de costume. E talvez fosse. Mas ontem a Nação Fiel, com 35 milhões de pessoas, se fez soberana. O Brasil ficou pequeno para o Sporte Club Corinthians Paulista. Nada é maior, nada! (E que venha a Série B.)
quarta-feira, 30 de abril de 2008
So many ways to drown a man.
Tela preta, créditos, sirene. Rosto ensangüentado. Chefe de polícia recebe a notícia. Investigação + hospital + formatura dos policiais. To be a police officer means to believe in the law / and to enforce it impartially / respecting the equality of all men / and the dignity and worth / of every individual. / Every day, your life / will be on the line / and also your character. You'll need integrity, / courage, honesty, / compassion, courtesy / and perseverance / and patience. Chefe segura na mão. No primeiro dia de trabalho, ele vê o furuto chefe como "policial do mês". Trabalha com um vagabundo preguiçoso. Prende o estuprador, mas se negá a torturá-lo – ao contrário, conversa com ele. Talk to me. Save yourself. "Little Italy", música italiana, uma pessoa muito considerada na região. Musica italiana ao fundo. Passa o tempo: bigode, costeletas, cabelo grande. Lembro de Falcões Da Noite, aquele totalmente decalcado deste. Sempre reclamam do preciosismo dele. A mãe, só só fala italiano, dá a entender que ele lutyou na Guerra Da Coréia. Sai dirigindo pelas estradas cantando (mal) árias da terra-avó. Compra um sheep-dog na rua por cinco pratas. É uma pessoa tão boa-boba, desajeitada de tão ideal-idealista. [Lembra-me alguém, mas não me lembro quem.] Vai a uma palestra sobre Cervantes, ou uma aula de Espanhol. Encanta uma moça: é divertido. Ela é "bailarira, atriz, budista". Dançam balé na chuva. O colega tira sarro porque ele está lendo a biogafria de uma coreógrafa. Ele tem brilho nos olhos. Fica uma tempão mostrando ele pop-cult descolado com a loira entre os hippies. Ninguém nem acredita que ele é policial. Vira detetive, muda duas vezes de DP. Só um amigo – ambos dando bandeira e com larica na estação de trem, após aula de "degustação" na Academia. Chega a primeira propipna nas mãos, do "judeu Max". Ele pega, fica em casa, aturdido. Cresce o cão, cresce a barba. Todos o aconselham a aceitar o dinheiro, a fi mde não trazer problemas. Vai perdendo a graça e a iridescência do olhar. Conhece a namorada, vizinha, ouvindo Di Stéfano no quintal. Quer mudar de distrito. Ninguém o quer porque anda à paisana. Alguém já me disse que você tem tendências para a auto-piedade? Policiais mais velhos escondem tudo fingindo ajudar; os mais novos se indignam. Quem confia num policial que não aceita dinheiro? Mãos trêmulas, tensão, crises de culpa. Did you ever hear the story of the wise king? Well, there was this king, and he ruled over his kingdom. Right in the middle of the kingdom there was a well. That's where everybody drank. One night, this witch came along... and she poisoned the well. And the next day, everybody drank from it except the king... and they all went crazy. They got together in the street and they said... "We got to get rid of the king, 'cause the king is mad." And then that night, he went down and he drank from the well. And the next day all the people rejoiced... because their king had regained his reason. [Ele tem um piercing igual ao meu. Ele tem uma figura belíssima. Em comum, acho que só a bebedeira, os olhos caídos envoltos por olheiras e o agir bobo.] Um amigo, um cão, uma mulher. Ele insiste, é meio Carlos Lopes. Frank, você está se comportando como criança. Começa a descontar os problemas nas únicas pessoas que tem. Se eu pudesse trabalhar sozinho... ele surta, sua, seus olhos apagam. Prende um agiota; quando volta, o cara não só está solto, mas conversando com os outros detetives. Num simbolismo – figura de Jesus, roupa branca manchada de sangue – tem praticamente um amok, espanca o bandido, quebra tudo, xinga todos. Não interessa quem sofrerá, mesmo eu. A mulher vai embora. Encontro no café. Continue se torturando! / Fique comigo! / Não, não! Corrida na rua, desespero, a música vem num crescendo – o único momento com trilha sonora que não é na colônia italiana – It's finished! Tomadas inusitadas o tempo todo, misturando cortes bruscos com longos planos-seqüência. O processo é uma farsa, os superiores não dão a mínima. Muda de distrito, briga logo na chegada, é hostilizado, mas o chefe ajuda: ele consegue mais um amigo! Vão à imprensa. Transferido de novo, para ficar só. Scared, miserable, dreading to go to work. Vai para Narcóticos, muito mais dinheiro, propinas de 40 mil dólares. Armam para cima dele. Omitem-se quando ele precisa de cobertura. A mão presa na porta, cortada, o sangue o desespero. Não devemos falar com ele, pois ele não presta. No hospital, despreza o distintivo-de-ouro. What's this for? For being an honest cop? Or for being stupid enough to get shot in the face? Estado deplorável. Quase-choro. Angústia. Tem alta: paralisia do lado esquerdo, surdez de um dos ouvidos, vertigem. Imprensa novamente. Pequena-Itália novamente. Ele e o cão. Sentando à calçada. Sísifo triste. Créditos.
segunda-feira, 28 de abril de 2008
Estou por aí sempre pensando nela.
Depois da mulher da minha vida é a mulher da minha vida. E dela nem a mulher da minha vida tem ciúme, pois é a mulher da vida dela também. E meu texto que ia ser postado aqui sobre o show da Fernanda Takai ontem na Virada Cultural estava tão cheio de metáforas de fã apaixonado e com tantas referências ao trabalho-solo e ao Pato Fu que resolvi fazer logo uma poesia.
sábado, 26 de abril de 2008
Um Zero
Não sei como é para quem não escreve, ou escreve só por lazer. Mas para mim, que faço disso profissão-de-fé, há livros que são simplesmente bons, ótimos, marcantes, e aqueles que influenciam no estilo de escrever para o resto da vida, ainda que com oscilações de intensidade conforme as épocas, até que ela se cristalize e seja agregada ao estilo próprio.
Assim foi com os poemas de Augusto dos Anjos ("Ah, então a poesia pode ser podre, grotesca e horrenda, e, ainda assim, magnífica?"), Álvaro de Campos ("Ah, então além de não precisar de nenhuma rigidez formal, dá pra dizer o indizível, dá pra descrever o indescritível?"), Cecília Meireles ("Ah, então eu posso dizer o indizível com a tristeza delicada da impermanência da vida ante a eternidade da natureza, e ainda com músicalidade mesmo sem rima?") e Arthur Rimbaud ("Ah, então além de escrever sobre coisas horrendas, posso fazer poesia sem versos?", além dos romances de Graciliano Ramos & Albert Camus ("Ah, então eu posso escrever romances curtos, sem muito desenvolvimento de personagens além da sondagem psicológica, e fazer algo ao mesmo tempo sólido, denso, tenso e rápido?"), Jean-Paul Sartre ("Ah, então dá pra transformar o indizível num romance em prosa normal?"), Clarice Lispector ("Ah, então pode fazer romance sem história e só com rascunhos de personagens?") e Mário Benedetti ("Então eu posso usar recursos batidos, como escrever como num diário, usar um final impactante, e tudo isso sem parecer clichê?").
E aos 28 anos, depois de tanto livro lido, vem, no fundo, um pensamento bobo de que, mesmo com tanta coisa ainda por ler, tanto clássico e tanta jóia rara, eu dificilmente seria impactado por alguma coisa, ainda que eu leia para ter vontade de escrever, para ter vontade de tocar, para ter vontade de fotogafrar, para ter vontade de desenhar para ter vontade de... escrever. Jamais deixo de manter toda essa interação entre tudo que sou e faço.
Por sorte esse pensamento pálido foi demolido recentemente pel'As Palavras, do Sartre ("Ah, então eu posso fazer uma autobiografia sem nenhuma fato relevante e ainda assim ficar lindo pela própria linguagem?") e, é claro, pelo Zero, do Ignácio de Loyola Brandão. ("Ah, então eu posso misturar tudo isso que eu disse durante este texto?")
Assim foi com os poemas de Augusto dos Anjos ("Ah, então a poesia pode ser podre, grotesca e horrenda, e, ainda assim, magnífica?"), Álvaro de Campos ("Ah, então além de não precisar de nenhuma rigidez formal, dá pra dizer o indizível, dá pra descrever o indescritível?"), Cecília Meireles ("Ah, então eu posso dizer o indizível com a tristeza delicada da impermanência da vida ante a eternidade da natureza, e ainda com músicalidade mesmo sem rima?") e Arthur Rimbaud ("Ah, então além de escrever sobre coisas horrendas, posso fazer poesia sem versos?", além dos romances de Graciliano Ramos & Albert Camus ("Ah, então eu posso escrever romances curtos, sem muito desenvolvimento de personagens além da sondagem psicológica, e fazer algo ao mesmo tempo sólido, denso, tenso e rápido?"), Jean-Paul Sartre ("Ah, então dá pra transformar o indizível num romance em prosa normal?"), Clarice Lispector ("Ah, então pode fazer romance sem história e só com rascunhos de personagens?") e Mário Benedetti ("Então eu posso usar recursos batidos, como escrever como num diário, usar um final impactante, e tudo isso sem parecer clichê?").
E aos 28 anos, depois de tanto livro lido, vem, no fundo, um pensamento bobo de que, mesmo com tanta coisa ainda por ler, tanto clássico e tanta jóia rara, eu dificilmente seria impactado por alguma coisa, ainda que eu leia para ter vontade de escrever, para ter vontade de tocar, para ter vontade de fotogafrar, para ter vontade de desenhar para ter vontade de... escrever. Jamais deixo de manter toda essa interação entre tudo que sou e faço.
Por sorte esse pensamento pálido foi demolido recentemente pel'As Palavras, do Sartre ("Ah, então eu posso fazer uma autobiografia sem nenhuma fato relevante e ainda assim ficar lindo pela própria linguagem?") e, é claro, pelo Zero, do Ignácio de Loyola Brandão. ("Ah, então eu posso misturar tudo isso que eu disse durante este texto?")
quinta-feira, 24 de abril de 2008
Zero Zero
UMA ODISSÉIA NO ESPAÇO
Carlos Lopes subiu escadas, tomou elevadores, andou pelos saguões cheios de bancos cheios de gente dos institutos, bateu em guichês, perguntou, pediu, correu. Em dois anos, se esqueceu de tudo, não voltou mais para casa, se esqueceu do trabalho, da vida, querendo salvar o filho nos braços. A roupa do corpo foi se esgarçando, a camisa se acabou, o terno estava fino, foi se rompendo. Mas Carlos Lopes era antes de tudo, um forte. Tinha esperança e sabia que iria reencontrar o guichê certo.
. No 177.
. No 178.
. No 175.
. No 179.
. No 174.
. No 1774.
Se enganava com os números, voltava ao 174.
. No 177.
. O senhor esteve aqui faz cinco minutos. Vá ao 1111.
[LIVRE ASSOCIAÇÃO: eu dei o disco
do jorge e a
gente se gostava mas você queria um
rico e a sua vida
bem aranjada você dizia vochê
? porque sumiu]
. Este é o 11111.
No 1111 mandavam ao 2222.
Carlos Lopes prossegue. É um inabalável. Acredita na natureza humana, tem esperanças de um 'novo provir'. Sobe as escadas embalado por visões de triunfo. Quer o seu guichê, quer salvar o filho. E grita e o seu é um grito soberbo de fé. O guichê, o guichê há de se abrir sobre ele, abra suas portinholas sobre nos! Das lutas na tempestade dá que eu ouça tua voz.
Numa madrugada, ao rubro lampejo da aurora, um homem nu subiu as escadas do instituto.
Não mão, levava um esqueletinho branco.
. Guiche 9.
? Está morto. Então é o guichê 7.
. Que mania de mandarem mortos para mim. Guichê 14.
Que neste instituto eu ache irmãos, nbão tiranos hostis.
. 12.
. 1.
. 22.
. É aqui. Deixe-o ver.
Mas nas guerras bos transes supremos eis de ver-nos lutarc e vencer.
? Ver o menino.
. Não sua documentação.
A maleta cheia foi passada, o funcionário examinou.
. Tem um problema.
? Qual.
. O senhor não tem mais direito a nada.
? Por quê.
. O senhor abandonou o emprego, faz dois anos.
. Tinha que cuidar do menino.
? Mas o menino não está morto.
. Mas estava vivo.
. O senhor matou.
. Não, é que demorou.
. O senhor matou. Matou seu filho.
Chamou os guardas e prendeu Carlos Lopes. Será julgado no dia 7 de dezembro e há poucas probabilidades de não pegar prisão perpétua.
[Ignácio de Loyola Brandão, Zero.]
Carlos Lopes subiu escadas, tomou elevadores, andou pelos saguões cheios de bancos cheios de gente dos institutos, bateu em guichês, perguntou, pediu, correu. Em dois anos, se esqueceu de tudo, não voltou mais para casa, se esqueceu do trabalho, da vida, querendo salvar o filho nos braços. A roupa do corpo foi se esgarçando, a camisa se acabou, o terno estava fino, foi se rompendo. Mas Carlos Lopes era antes de tudo, um forte. Tinha esperança e sabia que iria reencontrar o guichê certo.
. No 177.
. No 178.
. No 175.
. No 179.
. No 174.
. No 1774.
Se enganava com os números, voltava ao 174.
. No 177.
. O senhor esteve aqui faz cinco minutos. Vá ao 1111.
[LIVRE ASSOCIAÇÃO: eu dei o disco
do jorge e a
gente se gostava mas você queria um
rico e a sua vida
bem aranjada você dizia vochê
? porque sumiu]
. Este é o 11111.
No 1111 mandavam ao 2222.
Carlos Lopes prossegue. É um inabalável. Acredita na natureza humana, tem esperanças de um 'novo provir'. Sobe as escadas embalado por visões de triunfo. Quer o seu guichê, quer salvar o filho. E grita e o seu é um grito soberbo de fé. O guichê, o guichê há de se abrir sobre ele, abra suas portinholas sobre nos! Das lutas na tempestade dá que eu ouça tua voz.
Numa madrugada, ao rubro lampejo da aurora, um homem nu subiu as escadas do instituto.
Não mão, levava um esqueletinho branco.
. Guiche 9.
? Está morto. Então é o guichê 7.
. Que mania de mandarem mortos para mim. Guichê 14.
Que neste instituto eu ache irmãos, nbão tiranos hostis.
. 12.
. 1.
. 22.
. É aqui. Deixe-o ver.
Mas nas guerras bos transes supremos eis de ver-nos lutarc e vencer.
? Ver o menino.
. Não sua documentação.
A maleta cheia foi passada, o funcionário examinou.
. Tem um problema.
? Qual.
. O senhor não tem mais direito a nada.
? Por quê.
. O senhor abandonou o emprego, faz dois anos.
. Tinha que cuidar do menino.
? Mas o menino não está morto.
. Mas estava vivo.
. O senhor matou.
. Não, é que demorou.
. O senhor matou. Matou seu filho.
Chamou os guardas e prendeu Carlos Lopes. Será julgado no dia 7 de dezembro e há poucas probabilidades de não pegar prisão perpétua.
[Ignácio de Loyola Brandão, Zero.]
quarta-feira, 23 de abril de 2008
Zero Um
----- Original Message -----
From: Fábio Vanzo
To: loyolabrandao@xxxxxxx
Sent: Wednesday, April 02, 2008 4:29 PM
Subject: Zero
Olá Ignácio, tudo bem?
Vim aqui pra falar do Zero.
Nem espero que você responda, talvez esteja ocupado demais, talvez não se interesse... não tem problema; é só uma necessidade minha de dizer o indizível.
Li teu livro no início deste ano, na pior fase da minha vida tão repleta de momentos ruins; num velho exemplar – comprado em sebo por R$ 4, com dedicatória e marcas de biblioteca – aos farrapos; gastei mais em cola do que comprando um livro novo.
Estava tudo um caos ao meu redor e dentro de mim – um puta puteiro do caralho, como costumo dizer – e, a cada caco, cada tijolinho do teu livro em desconstrução eu ia revendo conceitos literários que jamais havia pesado serem possíveis.
Percebi que o que parecia um rolo-compressor era mais ou menos o método de escrita para meus contos e romances, num acúmulo de citações, papeizinhos e papelões, recortes e anotações, fichamentos... coisa que confirmei quando ganhei de presente da Karla, irmã da Jéssika, cuja mãe dançou com sua veia-bailarina), minha grande amiga, O Não Verás País Nenhum, que eu havia pedido de amigo-secreto, a edição comemorativa, o qual estou lendo atualmente, daquele jeito lento (tão contrário a mim) que a gente faz quando está gostando tanto da leitura que fica com dó de terminá-la.
[Aliás este seu endereço de e-mail pessoal eu peguei sem o consentimento delas.]
Pois lá pude, até agora, confirmar minhas impressões imprecisas a respeito do Zero. Aliás, voltemos a ele. Li-o sentindo-me um zero, um oceânico, abissal, vastíssimo zero. Fui José com seus ratos, Carlos Lopes com seus filhos mortos e as roupas em farrapos; conspirei, enganei, fui torturado.
Quando acabou, fiquei triste. Livro roubado de biblioteca, com aquele envelopinho pardo na última página e carimbos, depois dado de presente a alguém como se fosse novo (ou teria sido o contrário), para então ser desprezada a lembrança de quem o ofertou e vir ao meu encontro num sebo do centro de São Paulo.
Faz uns três meses que estou tentando digeri-lo, até dá medo de relê-lo: tomo-o nas mãos, folheio, ameaço escrever algo, mas sempre aquele turbilhão de sensações, slogans, desassociações, tudo me invade sem permissão e eu fecho o livro, aturdido. Hoje, além das outras marcas-de-guerra, ele também está manchado de Smirnoff Frutas Vermelhas, qual o sangue ébrio que derramei no pior dos piores dias.
Vim, vi e perdi tantos trechos, é uma obra indefinível, que faz frente às leituras que definiram meu estilo de escrever e viver. Como quando li Água Viva, da Clarice, pura dissolução das formas do romance, mas ainda com graça, leveza. Já teu número-zero foi uma sessão de tortura com intenções purificadoras como Alan Moore engendrou em V De Vingança.
Aumentou a responsabilidade para eu escrever meus romances, contos e poemas urbanamente imundos. Estou enchendo minha escrivaninha de trechos caóticos para fazer um conto em homenagem ao teu estilo, que entrará no meu próximo livro (tenho três não publicados, este será o quarto).
Desculpe-me se este e-mail está meio confuso. É que eu só sei ser impossível.
Eternamente grato pela opressiva influência, maldição literária recém-chegada e já permanente,
Fábio Vanzo
From: Fábio Vanzo
To: loyolabrandao@xxxxxxx
Sent: Wednesday, April 02, 2008 4:29 PM
Subject: Zero
Olá Ignácio, tudo bem?
Vim aqui pra falar do Zero.
Nem espero que você responda, talvez esteja ocupado demais, talvez não se interesse... não tem problema; é só uma necessidade minha de dizer o indizível.
Li teu livro no início deste ano, na pior fase da minha vida tão repleta de momentos ruins; num velho exemplar – comprado em sebo por R$ 4, com dedicatória e marcas de biblioteca – aos farrapos; gastei mais em cola do que comprando um livro novo.
Estava tudo um caos ao meu redor e dentro de mim – um puta puteiro do caralho, como costumo dizer – e, a cada caco, cada tijolinho do teu livro em desconstrução eu ia revendo conceitos literários que jamais havia pesado serem possíveis.
Percebi que o que parecia um rolo-compressor era mais ou menos o método de escrita para meus contos e romances, num acúmulo de citações, papeizinhos e papelões, recortes e anotações, fichamentos... coisa que confirmei quando ganhei de presente da Karla, irmã da Jéssika, cuja mãe dançou com sua veia-bailarina), minha grande amiga, O Não Verás País Nenhum, que eu havia pedido de amigo-secreto, a edição comemorativa, o qual estou lendo atualmente, daquele jeito lento (tão contrário a mim) que a gente faz quando está gostando tanto da leitura que fica com dó de terminá-la.
[Aliás este seu endereço de e-mail pessoal eu peguei sem o consentimento delas.]
Pois lá pude, até agora, confirmar minhas impressões imprecisas a respeito do Zero. Aliás, voltemos a ele. Li-o sentindo-me um zero, um oceânico, abissal, vastíssimo zero. Fui José com seus ratos, Carlos Lopes com seus filhos mortos e as roupas em farrapos; conspirei, enganei, fui torturado.
Quando acabou, fiquei triste. Livro roubado de biblioteca, com aquele envelopinho pardo na última página e carimbos, depois dado de presente a alguém como se fosse novo (ou teria sido o contrário), para então ser desprezada a lembrança de quem o ofertou e vir ao meu encontro num sebo do centro de São Paulo.
Faz uns três meses que estou tentando digeri-lo, até dá medo de relê-lo: tomo-o nas mãos, folheio, ameaço escrever algo, mas sempre aquele turbilhão de sensações, slogans, desassociações, tudo me invade sem permissão e eu fecho o livro, aturdido. Hoje, além das outras marcas-de-guerra, ele também está manchado de Smirnoff Frutas Vermelhas, qual o sangue ébrio que derramei no pior dos piores dias.
Vim, vi e perdi tantos trechos, é uma obra indefinível, que faz frente às leituras que definiram meu estilo de escrever e viver. Como quando li Água Viva, da Clarice, pura dissolução das formas do romance, mas ainda com graça, leveza. Já teu número-zero foi uma sessão de tortura com intenções purificadoras como Alan Moore engendrou em V De Vingança.
Aumentou a responsabilidade para eu escrever meus romances, contos e poemas urbanamente imundos. Estou enchendo minha escrivaninha de trechos caóticos para fazer um conto em homenagem ao teu estilo, que entrará no meu próximo livro (tenho três não publicados, este será o quarto).
Desculpe-me se este e-mail está meio confuso. É que eu só sei ser impossível.
Eternamente grato pela opressiva influência, maldição literária recém-chegada e já permanente,
Fábio Vanzo
segunda-feira, 21 de abril de 2008
O paraíso na outra esquina
Wong-kar Wai. O chinês que faz filmes que devem ser obrigatoriamente vistos em tela grande, na maior tela possível, na mais impenetrável das escuridões, com o som mais cristalino (nada escandaloso). O diretor que concebe e concede cada cena, cada frame, cada plano como se fosse uma pintura, uma poesia, uma canção, uma escultura. Deixar-se levar por sua obra e deleitar-se nas belas-artes com poucos e sutis diálogos, a câmera "voyeurística" muito além de DePalma ou Hitchcock; é a direção que se deixa fluir, que permite a fluidez dos enredos fugidios – à primeira vista, aturdida, quase frouxos – e ser levado a um pequeno universo de grandes amores, tão desencontrados quanto o inevitável afastamento dos astros no vazio celeste. É o dificílimo equilíbrio entre deslumbre estético e concisão de roteiro, entre pretensão artística e entretenimento, num ritmo de águas calmas que, no entanto, jamais cai na maresia. É tudo que a nouvelle vague, o cinema-novo, enfim, todo autor pretensioso quis fazer, mas careceu de talento onde abundava o pedantismo. Quanto ao filme? Ah, a sinopse você pode ler em qualquer lugar. O elenco é irrepreensível – além da grata surpresa Norah Jones e de um tiozinho que desconheço (desculpa, tiozão), Jude Law, Natalie Portman e Rachel Weisz desfilam suas belezas (exceto o tiozinho) e destilam seus talentos de sempre, como nunca. Há elementos de road-movie, de desilusões típicas da Hollywood setentista, além de, é claro, o pós-impressionismo das cores tão diletas ao diretor: o verde, o azul, o vermelho. Caso fosse possível – bom, eu decido que é possível – é um estilo noir-colorido. Wong-kar Wai soube adequar bem a essência de seu estilo a Hollywood – a história é mais consistente, o visual menos estupefaciente e o ritmo é mais linear – mas toda a beleza, aquela de vir a vontade de fazer genuflexão durante a projeção e pensar “caralho, é por isso que eu amo cinema”, toda a magia e a poesia mantêm-se e manter-se-ão incólumes, para sempre, se os deuses assim quiserem. Deixo aqui, pois, minha reverência a essa pequena obra-prima sobre desencontros, vícios e perdição. Sabe, às vezes o encontro tão esperado, a virtude quase inatingível e a redenção tão martirizada estão ali, do outro lado da rua, num pedação de torta de blueberry.
terça-feira, 15 de abril de 2008
E tudo vai se aprofundando na retórica.
Política (Athalyba e a Firma)
Politica
Nossa vida mais e mais ficando crítica
Basta olhar que você vê que a vida cívica
Deteriora tanto quanto a coisa pública
Quanto choro, quanta fome, quanta súplica
Quanto nojo de saber que gente estúpida
De mamatas vai vivendo na república
Joga o jogo de enganar postura física
De enganar figura lá postura cênica
Vem política estúpida e anêmica
Vem política raquítica, cínica
Choque vai, inflação vem de forma cíclica
Nem precisa consultar a estatística
Pois de fato a gente sente a vida rústica
Que não há como mudar o tom da música
Pois vai mudar, vai melhorar, vai ficar nítida
Sua alegria de viver será explícita
Nos palanques bem montados, boa acústica
São patéticas promessas de política
De política em política
De política em política
De política em política
Essa política gerando gente cínica
povo mais cada vez ficando cético
Gabiru será um dia milimétrico
São escândalos, processos quilométricos
São seqüestros, falcatruas sem inquéritos
Ser parente se promove pelo mérito
Superfaturada a compra, coisa ilícita
Divulgado o resultado da balística
Só se tinha um tiro certo para o céfalo
Deram dois na inflação, efeito ínfimo
Galopante volta a fera, segue o ritmo
Qual doença degradando o corpo aidético
Então o político declara ser o médico
Diagnostica que a cura é pelo empréstimo
Com certeza vai querer morder o dízimo
E ao problema ele receita um analgésico
E toda verba vai pro bolso dos corruptos
E todo o povo ajoelhado ante o púlpito
Ora a deus, pede luz para o facínora
Encarnado na figura do publícola
De política em política
De política em política
De política em política
Avanço no futuro, cibernética
Com videogame, disc-laser, informática
Milidados vão na fita magnética
E essa política atrasando o sul da América
Demagogia se tornando vida prática
Recessão na economia mais estática
A gente não sabemos nem uma gramática
E na saúde como a coisa está dramática
Se ganho vinte: noves-fora, matemática
Lá vai imposto numa construção lunática
Teve debate na TV caiu na sátira
Lobbies lobos lambem lá de forma sádica
Outros bobos querem resolver na mágica
Alguns acharam a solução compondo máximas
Outros já preferem agir de forma tácita
E tudo vai se aprofundando na retórica
E de política o povo está com cólicas
E vai levando na sua vidinha módica
Quando o que dá risadas, sente cócegas
Do salário de miséria, coisa cômica
Parlamentarismo, monarquia ou república
Muda o nome e terão todos forma única
Se não mudar a mentalidade lúdica,
modo de se encarar a coisa pública
Enquanto isso a esperança mais umbrícola
Secando a roupa no varal ainda úmida
sol batendo numa gota d'água fúlgida,
Que será de nós e de nosso habitat
Suando as mãos nós limparemos a política
A inflação é conseqüência desse cólera
E todo mal que nos assola é uma alíquota
Cujo montante principal é a política
Essa política sem lógica, sem nexo
Essa política do próprio paradoxo
Essa política larica mais que tóxico
Essa política do fight bem no plexo
Essa política que não respeita sexo
Essa política perdida em circunflexo
Essa política mentiras em anexo
Essa política do choque heterodoxo
De política em política
De política em política
De política em política.
[ Veja e ouça. ]
Politica
Nossa vida mais e mais ficando crítica
Basta olhar que você vê que a vida cívica
Deteriora tanto quanto a coisa pública
Quanto choro, quanta fome, quanta súplica
Quanto nojo de saber que gente estúpida
De mamatas vai vivendo na república
Joga o jogo de enganar postura física
De enganar figura lá postura cênica
Vem política estúpida e anêmica
Vem política raquítica, cínica
Choque vai, inflação vem de forma cíclica
Nem precisa consultar a estatística
Pois de fato a gente sente a vida rústica
Que não há como mudar o tom da música
Pois vai mudar, vai melhorar, vai ficar nítida
Sua alegria de viver será explícita
Nos palanques bem montados, boa acústica
São patéticas promessas de política
De política em política
De política em política
De política em política
Essa política gerando gente cínica
povo mais cada vez ficando cético
Gabiru será um dia milimétrico
São escândalos, processos quilométricos
São seqüestros, falcatruas sem inquéritos
Ser parente se promove pelo mérito
Superfaturada a compra, coisa ilícita
Divulgado o resultado da balística
Só se tinha um tiro certo para o céfalo
Deram dois na inflação, efeito ínfimo
Galopante volta a fera, segue o ritmo
Qual doença degradando o corpo aidético
Então o político declara ser o médico
Diagnostica que a cura é pelo empréstimo
Com certeza vai querer morder o dízimo
E ao problema ele receita um analgésico
E toda verba vai pro bolso dos corruptos
E todo o povo ajoelhado ante o púlpito
Ora a deus, pede luz para o facínora
Encarnado na figura do publícola
De política em política
De política em política
De política em política
Avanço no futuro, cibernética
Com videogame, disc-laser, informática
Milidados vão na fita magnética
E essa política atrasando o sul da América
Demagogia se tornando vida prática
Recessão na economia mais estática
A gente não sabemos nem uma gramática
E na saúde como a coisa está dramática
Se ganho vinte: noves-fora, matemática
Lá vai imposto numa construção lunática
Teve debate na TV caiu na sátira
Lobbies lobos lambem lá de forma sádica
Outros bobos querem resolver na mágica
Alguns acharam a solução compondo máximas
Outros já preferem agir de forma tácita
E tudo vai se aprofundando na retórica
E de política o povo está com cólicas
E vai levando na sua vidinha módica
Quando o que dá risadas, sente cócegas
Do salário de miséria, coisa cômica
Parlamentarismo, monarquia ou república
Muda o nome e terão todos forma única
Se não mudar a mentalidade lúdica,
modo de se encarar a coisa pública
Enquanto isso a esperança mais umbrícola
Secando a roupa no varal ainda úmida
sol batendo numa gota d'água fúlgida,
Que será de nós e de nosso habitat
Suando as mãos nós limparemos a política
A inflação é conseqüência desse cólera
E todo mal que nos assola é uma alíquota
Cujo montante principal é a política
Essa política sem lógica, sem nexo
Essa política do próprio paradoxo
Essa política larica mais que tóxico
Essa política do fight bem no plexo
Essa política que não respeita sexo
Essa política perdida em circunflexo
Essa política mentiras em anexo
Essa política do choque heterodoxo
De política em política
De política em política
De política em política.
[ Veja e ouça. ]
Essa política gerando gente cínica.
A mesma imprensa que inventou o factóide do terceiro mandato agora reclama da incompetência da oposição. É cobra picando cobra. Sem falar quer a história do tal dossiê só serviu pra deixar a Dilma famosa e vinculá-la ao Lula.
No Estadão:
"Defender mais um mandato para um presidente que chega a ter mais de 70% de avaliação positiva traz evidentes benefícios políticos e eleitorais a quem monta nessa proposta. Ter um terceiro mandato defendido por inúmeras vozes traz notórios benefícios políticos ao presidente Lula. Esses benefícios ficam ainda mais avolumados se o presidente recusar a prebenda que lhe oferecem, dando uma demonstração de humildade, coerência e desapego ao poder.
Os benefícios serão ainda maiores se a oposição morder a isca, cair na armadilha e ficar batendo contra o terceiro mandato. Estará ocupada com um nada, com uma não-realidade política, enquanto o governo navega num oceano calmo, sem enfrentar os percalços de uma oposição efetiva - seja porque ela se ocupa do nada, seja porque ela empunha os esfarrapados estandartes de um embate moralista improdutivo.
No projeto de sua autodanificação, a oposição tem a ajuda de uma poderosa armada: analistas e colunistas políticos que a munem com as teses desidratadas de substância política e programática. Na medida em que não estamos mais numa era de conspirações militares, como foi no passado, quando o embate político se decidia pela arbitragem militar, a oposição moralista se tornou inócua e uma espécie de bênção para o governo. As pesquisas mostram que parte minoritária da sociedade julga que a corrupção é um dos principais problemas do País. Ao conferir-lhe centralidade no combate ao governo, a oposição faz política para uma minoria já oposicionista e não consegue ganhar dividendos políticos e eleitorais. O embate moral só tem alguma eficácia quando secunda uma disputa em torno de programas e projetos.
Nessa história de terceiro mandato, a oposição está perdida num labirinto sem saber em quem atirar. Não consegue enfraquecer Lula, porque o presidente a secunda no repúdio ao terceiro mandato. Não consegue alvejar o PT, porque o partido também não alimenta a tese. E não consegue abater os propositores da idéia porque estes, individualmente, não expressam uma força política real." (Aldo Fornazeri, doutor em ciência política)
Na Folha:
FOLHA - O sr. é favorável ao terceiro mandato para o presidente Lula?
LAWRENCE PIH (empresário, presidente do grupo Moinho Pacífico) - Na conjuntura atual, seria bom para o país. Pelo menos para que o programa do presidente seja prolongado: distribuição de renda, resgate da população mais carente do país, universo importante que o governo conseguiu. O país está crescendo num ritmo maior.
FOLHA - Como o sr. vê as críticas ao terceiro mandato?
PIH - Algumas pessoas dizem que seria um golpe. É um processo democrático. Até sugeriram um plebiscito. Se houver consulta à sociedade e a sociedade aprovar, seria a vontade da maioria. Se a sociedade aprova que o presidente Lula merece um terceiro mandato, porque o projeto dele não está completo, e a sociedade está satisfeita com a forma de governo que Lula vem conduzindo o país durante oito anos, é democracia, meu Deus.
FOLHA - O governo está articulando o terceiro mandato?
PIH - Não. Quando a economia vai bem, quando a popularidade do presidente está alta, o assunto vem à tona. Por que o ex-presidente FHC e seu governo articularam o segundo mandato? Porque a popularidade dele permitia, e não houve consulta à sociedade. O Legislativo tomou para si a responsabilidade e com gestões pouco elogiosas, como as acusações de compra de voto para mudar a Constituição. Essa conversa de golpe é uma questão de conveniência.
FOLHA - Essa vontade resulta de projetos como o Bolsa Família ou é disseminada em toda a sociedade?
PIH - O Bolsa Família tem um aspecto importante, o crescimento econômico também. Hoje a população sente que está melhor do que oito anos atrás. Você não pode dizer que o governo usou o Bolsa Família para tentar cooptar o eleitor. O eleitor se sente bem ou não.
No Estadão:
"Defender mais um mandato para um presidente que chega a ter mais de 70% de avaliação positiva traz evidentes benefícios políticos e eleitorais a quem monta nessa proposta. Ter um terceiro mandato defendido por inúmeras vozes traz notórios benefícios políticos ao presidente Lula. Esses benefícios ficam ainda mais avolumados se o presidente recusar a prebenda que lhe oferecem, dando uma demonstração de humildade, coerência e desapego ao poder.
Os benefícios serão ainda maiores se a oposição morder a isca, cair na armadilha e ficar batendo contra o terceiro mandato. Estará ocupada com um nada, com uma não-realidade política, enquanto o governo navega num oceano calmo, sem enfrentar os percalços de uma oposição efetiva - seja porque ela se ocupa do nada, seja porque ela empunha os esfarrapados estandartes de um embate moralista improdutivo.
No projeto de sua autodanificação, a oposição tem a ajuda de uma poderosa armada: analistas e colunistas políticos que a munem com as teses desidratadas de substância política e programática. Na medida em que não estamos mais numa era de conspirações militares, como foi no passado, quando o embate político se decidia pela arbitragem militar, a oposição moralista se tornou inócua e uma espécie de bênção para o governo. As pesquisas mostram que parte minoritária da sociedade julga que a corrupção é um dos principais problemas do País. Ao conferir-lhe centralidade no combate ao governo, a oposição faz política para uma minoria já oposicionista e não consegue ganhar dividendos políticos e eleitorais. O embate moral só tem alguma eficácia quando secunda uma disputa em torno de programas e projetos.
Nessa história de terceiro mandato, a oposição está perdida num labirinto sem saber em quem atirar. Não consegue enfraquecer Lula, porque o presidente a secunda no repúdio ao terceiro mandato. Não consegue alvejar o PT, porque o partido também não alimenta a tese. E não consegue abater os propositores da idéia porque estes, individualmente, não expressam uma força política real." (Aldo Fornazeri, doutor em ciência política)
Na Folha:
FOLHA - O sr. é favorável ao terceiro mandato para o presidente Lula?
LAWRENCE PIH (empresário, presidente do grupo Moinho Pacífico) - Na conjuntura atual, seria bom para o país. Pelo menos para que o programa do presidente seja prolongado: distribuição de renda, resgate da população mais carente do país, universo importante que o governo conseguiu. O país está crescendo num ritmo maior.
FOLHA - Como o sr. vê as críticas ao terceiro mandato?
PIH - Algumas pessoas dizem que seria um golpe. É um processo democrático. Até sugeriram um plebiscito. Se houver consulta à sociedade e a sociedade aprovar, seria a vontade da maioria. Se a sociedade aprova que o presidente Lula merece um terceiro mandato, porque o projeto dele não está completo, e a sociedade está satisfeita com a forma de governo que Lula vem conduzindo o país durante oito anos, é democracia, meu Deus.
FOLHA - O governo está articulando o terceiro mandato?
PIH - Não. Quando a economia vai bem, quando a popularidade do presidente está alta, o assunto vem à tona. Por que o ex-presidente FHC e seu governo articularam o segundo mandato? Porque a popularidade dele permitia, e não houve consulta à sociedade. O Legislativo tomou para si a responsabilidade e com gestões pouco elogiosas, como as acusações de compra de voto para mudar a Constituição. Essa conversa de golpe é uma questão de conveniência.
FOLHA - Essa vontade resulta de projetos como o Bolsa Família ou é disseminada em toda a sociedade?
PIH - O Bolsa Família tem um aspecto importante, o crescimento econômico também. Hoje a população sente que está melhor do que oito anos atrás. Você não pode dizer que o governo usou o Bolsa Família para tentar cooptar o eleitor. O eleitor se sente bem ou não.
sexta-feira, 11 de abril de 2008
Interlúdio
O' mighty Lady of the Night. Mistress of beasts. Bringer of awe and derision. Thou whose spirit lieth upon every act of oppression, hatred and strife. Thou whose presence dwelleth in every shadow. Thou who strengthen the power of every quietus. Thou who sway every plague and storm. Harkee. Thou art the Queen of Loveliness. Thou art the queen of purring cats. Thou hath the power to force any light in wane. Sans mercy. Sans compassion. nor will to answer whosoever asketh the why. Thy path is capricious but yet so wide. With no such thing as an impediment to strong. Every time thou consecrate me to another secret of Thine, I take another step towards Thy Pantheon. Thou whose presence dwelleth in every shadow. Thou who strengthen the power of every quietus. Thou who sweep every plague and storm. Harkee. Forever wilt I bleed for Thee. Forever wilt I praise Thy beloved name. Forever wilt I serve Thee. Thou shalt shalt forever prevail.
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