segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Eternidades da semana

01. Kassab cassado? Ah, isso nem vai dar em nada, o processo vai se arrastar e, cajo ele seja mesmo condenado, o mandato terá se encerrado, tal como foi com Celso Pitta.

02. Antônio Rascista Carlos no Palmeiras, com a torcida protestando? Demonstração de civilidade de quem na mesma semana se matou na porrada contra a Independente? É, não dá pra esperar coerência de bandido.

03. Botafogo campeão de alguma coisa (mesmo que seja esse ridículo primeiro turno)? E com gol do Fábio Pinguço Ferreira? Esta foi uma semana realmente atípica para o futebol. E o Ricardo Gomes quase teve um AVC. Calma, moço, foi só um jogo.

04. Nada a ver o Elton John dizer que Jesus Cristo foi um "gay superinteligente" (pelas lições de tolerância, etc.), mas é lindo ver a direitalha carola esperneando.

05. A Libertadores começa quarta-feira e o Corinthians não está nem um pouco engrenado. E após 91, 96, 99, 00, 03 e 06 (em 77 eu não era nascido) meu pobre coração alvinegro não agüenta outra eliminação.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Suicide is painless

O suicídio, especialmente para os homens, e isso é comprovado, é mais letal e ritualístico, menos impulsivo e desesperado. Enquanto mulheres normalmente se entopem de remédios, homens se enforcam, dão tiro na cabeça ou se jogam na frente do trem. E esse maior poder de decisão muitas vezes faz com que haja certa preparação, como um testamento, além do costumeiro bilhete de suicídio, e um ritual. Ian Curtis, por exemplo, bebeu uma garrafa de uísque, ouviu The Idiot, do Iggy Pop, assistiu a Stroszek, de Werner Herzog, para então se enforcar. E você, quando for cometer suicídio, que método irá usar, de quem irá se despedir, a quem deixará suas coisas, o que irá ver, ler ou ouvir pela última vez?

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Nowhere, no-one, nothing

É difícil escrever algo quando você tem o sentimento de precisar dizer aquilo, mas está cansado, sem vontade, ou simplesmente não aparece nenhuma idéia boa. O texto que sai nesses casos é invariavelmente de pouca consistência, emoção demais, porém com pouco cuidado na forma. Já escrevi um livro inteiro assim há meia década, em condições físicas e mentais deploráveis, e o resultado não me agrada, nunca agradou. Embora haja lampejos bem criativos, em que a forma consegue dar luz ao conteúdo, e aí se criam imagens realmente de impacto, que trazem o leitor para o Inferno das palavras que ali estão, o resto é frágil, sem rumo, como um grito desesperado. E a arte sempre necessita de cuidado. Por isso às vezes o melhor é manter o silêncio, ou simplesmente condenar certas expressões de dor ao calabouço de uma gaveta qualquer.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Ficções do interlúdio

Não chorei, serei sempre insensível.
Digo palavras duras, sou insensível.
Já menti, jamais direi a verdade.
Já errei, jamais serei perdoado.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A inveja é companheira da glória.

Conversando com uma amiga no MSN, veio a pergunta: qual dos sete pecados capitais você mais comete. Além da óbvia ira, visto que não sou exatamente a pessoa mais paciente do mundo, veio à mente e à palavra algo de que eu já sabia, porém nunca havia admitido a ninguém: sou invejoso. E ela também admitiu o mesmo. Talvez todos sejamos. Mas não daquele tipo ruim, de querer arrancar o que a pessoa tem, de torcer contra (não que isso faça diferença na prática, visto que olho-gordo é bobagem), mas sim o desejo de também querer aquilo que outrem conseguiu e que você não tem por azar, incompetência ou qualquer outro motivo. Lembre-se: não existe sentimento bom ou ruim; cada um tem sua hora e seu lugar, todos são perfeitamente naturais. A diferença é que a inveja “benéfica” faz com que você deseje algo igual ao que o outro conseguiu, enquanto que a “maléfica” te leva a querer o próprio objeto de conquista da pessoa, seja qual for, arrancando-o dela. Em vez de se espelhar na vitória alheia, você quer tomar o lugar do vitorioso, sê-lo, vivê-lo. Essa é a diferença. Quem nunca desejou ser outro alguém, ter o que não tem? Ah, o resto é hipocrisia.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Vemachiti et kol hayekum asher asiti me'al pney ha'adama.

Tá, sempre choveu em São Paulo, a cidade cresceu desordenadamente, invadindo encostas, e hoje temos uma metrópole impermeável de tanto concreto e asfalto. Assim como sempre teve terremoto em Tóquio.

O que os japoneses fizeram? Adaptaram a cidade para conviver com essa particularidade geológica. Já por aqui, nos desgovernos e nas desprefeituras demo-tucanas, nada se faz. É culpa da Mãe Natureza e pronto. Nós que reclamemos com ela, talvez chutando uma árvore ou deixando de fazer doações ao Greenpeace. E a única coisa boa que o Alckmin fez, o aprofundamento da calha do Tietê, foi abandonado e faz três anos que nosso belo rio não sofre uma limpeza.

Hoje faz 37 dias que chove direto em São Paulo e tudo que o Aquassab diz é que “tudo está sob controle” enquanto passeia de helicóptero sobre o pobre Jardim Romano, alagado direto desde o ano passado.

O que a população pode fazer além de xingar o Aquassab? Parar de votar no PSDB-DEMo e não jogar garrafa PET e sofá vermelho nos terrenos baldios, que entope as galerias pluviais e bueiros.

Saneamento na serve só pra lixo, serve pra políticos também.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Do egocentrismo, da megalomania e de outros desvios de caráter na internet.

Mais do que no “mundo real”, a internet é o verdadeiro Estige das subcelebridades, onde elas se mordem, se xingam e se debatem o tempo todo, em moto-contínuo. Polêmicas vazias, troca de farpas, autopromoção a todo custo e uma vontade desesperada de se fazer notar, de mostrar que “venceu na vida digital”. Vale usar script pra adicionar um monte de gente, aparecer em reality show, chamar a si mesmo de “empresário” porque ganha dinheiro com o blog, arrumar briga com a subcelebridade que usou script e foi ao reality show, receber jabaculê para fazer textos mequetrefes sobre viagens na vasca ou traquitanas moderninhas... as possibilidades infinitas. A glória dessa espécie internética é posar de “early-adopter” (sim, os malditos termos em inglês) com jeito blasê de quem usou Orkut/Facebook/Twitter/Blog quando não havia a “maldita inclusão digital”. É a orkutização do Facebook, a facebookização do Twitter, a twitterzação do blog. Medem a felicidade pelo número de seguidores ou comentários. Matam a mãe por uma conexão de 10Mb na Campus Party, mas, uma vez lá, dizem que “já foi melhor”, e que hoje “todo mundo posa de geek". Escrevem pouco, o conteúdo de seus blog é quase inteiro de press-releases, vídeos velhos do YouTube e imagens “kibadas” de outros sites. Enfim é a gentalha do cibermundo, daqueles que você só não chuta a bunda porque nunca saem da frente do computador.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sad wings of destiny

[17h40min] A tristeza é contagiante, empolga nossos inimigos. Contagiosa,e entristece junto as pessoas que nos amam. A tristeza é leal, jamais nos abandona e está conosco especialmente quando não precisamos dela, para dar aquele conforto tanto de quem sente falta da auto-indulgência quanto de quem não se contenta com o riso horrível do idiota. A tristeza é fiel, sempre retorna ao nosso lar, por vias direitas e avessas, retas e tortas, por nossa própria boca ou pela das outras pessoas. A tristeza é linguagem indizível. Indivisível. Mesmo assim há para todos, cada um com a sua, mas interagindo com a de outrem. A tristeza é democrática, não discrimina, muito embora trate com mínimo desdém quem finge que ela não existe, somente para se apossar da alma estúpida. Não é parasita, nós é que insistimos em habitar seus domínios pretendendo passar incólumes. A tristeza é acolhedora num abraço de engolir infinitos na escuridão à luz do dia. No início era o verbo, e esse era entristecer(-se). E viu Deus que a tristeza era maior. [17h49min]

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A linguagem sempre foi meu último refúgio.

Um bom texto abre portas. Abre pernas. Abre o céu cheio de nuvens. O chão para que tudo desabe. Abre os olhos para a verdade, a boca para um beijo. Abre as mãos, abre até o coração. Um bom texto abre os braços para um abraço e caminhos para a vida.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O processo de criação vai de 10 até 100.000

[Sete de outubro de dois mil e nove]

Toloi diz (20:25):
ô senhor compositor, ve se tua aprova tua letra...
na sexta, eu mostro como ela ficou pra vcs

Toloi diz (20:26):
vc escreve rapido e eu componho melodias rapido , heeheheh, fiz essa em 1 hora

Fábio Vanzo diz (20:27):
nussa

Fábio Vanzo diz (20:27):
levo séculos hahaha

Toloi diz (20:29):
uma duvida na escrita do acorde: esse F#m/A qual dos dois que se refere a nota do baixo?

Toloi diz (20:29):
ta, quando vc abrir e ler me avisa

Toloi diz (20:31):
pensei em voce fazendo umas pitadas na guitarra a la dois rios do skank

Fábio Vanzo diz (20:31):
pensando no que seria um fá sustenido menor com baixo em lá

Fábio Vanzo diz (20:32):
acho que fazendo sem pestana dá

Fábio Vanzo diz (20:32):
corneta
1. não gostei do nome, muito direto. vou futucar.

Fábio Vanzo diz (20:33):
2. vou mudar umas coisas na letra, tem palavras que acho que num ficam legais em letra
3. coube tudo na metrica direitinho?

Toloi diz (20:37):
mas é isso mesmo, o A mantem só na baixo e entra o fa sustenido menor numa casa acima, antes de entrar no fa sustenido inteiro

Toloi diz (20:38):
fa sustenido menor

Toloi diz (20:39):
pensei de ultima hora, nao consegui pensar num nome melhor, ia fazer uma homenagem e colocar uma frase da muisca do dimmu borgir pra colocar de titulo, ja que eu que a citaçao era pra eles, mas achei as letras deles uma bosta, hahaha

Toloi diz (20:39):
coube tudo na metrica

Fábio Vanzo diz (20:39):
dimmu boga?

Fábio Vanzo diz (20:39):
as letras deles são uma merda

Toloi diz (20:40):
depois só me diz quais palavras, porque aí pode atrapalhar na metrica, assim como está, ficou perfeita cantando

Fábio Vanzo diz (20:41):
1. "nefando" acho que num rola
2. "Vestindo loucas e roupas escuras" esse "loucas" ficou esquisito
 
Toloi diz (20:42):
1 - o que é nefando? vem de nefasto? achei melhor nao tirar, hahaha

Toloi diz (20:43):
2 - então, ainda nao senti firmeza, queria fazer uma associaçao de que eles estivesse usando mulheres (se aproveitando de) e roupas escuras, sacou?

Toloi diz (20:43):
jogando com a frase, sabe

Fábio Vanzo diz (20:43):
1. é igual nefasto.
2. hmmmm

Fábio Vanzo diz (20:44):
"Despindo tuas roupas escuras"?

Toloi diz (20:48):
pode ser, mas aí hão de ter dois problemas
1 - vc ja usa a palavra despindo antes - se referindo ao pranto
2 - e principalmente, a letra deixa de ser um relato geral em 1 pessoa, como tava, pra ser referente a uma segunda pessoa, despindo as roupas escuras dela, tendeu?
COMUNIDADE DO ORKUT - ANALISANDO LETRAS: BRESSER
HAUAHUAHUAHUAA

Fábio Vanzo diz (20:51):
hahahahahahhahaha

Fábio Vanzo diz (20:51):
preciso ler essa buceta inteira, peraí

Toloi diz (20:52):
hahaha, ele escreve e nao lembra, heheh

Fábio Vanzo diz (20:53):
hahahahahaha
de um caminho tão PROFANO
rima até melhor

Toloi diz (20:54):
aprovado

Fábio Vanzo diz (20:54):
vejamos o outro verso

Fábio Vanzo diz (20:59):
Caído em outras desventuras OK
Corpos em roupas escuras ( ) sim ( ) não
Hoje, qual será meu gosto? OK
Quem me saberá o rosto? ( ) sim ( ) não

Toloi diz (21:01):
Caído em outras desventuras OK
Corpos em roupas escuras ( ) sim ( x ) não
Hoje, qual será meu gosto? OK
Quem me saberá o rosto? ( x ) sim ( ) não

Fábio Vanzo diz (21:01):
te mando à merda? ( x ) sim ( ) não

Toloi diz (21:03):
ninguem tem paciencia comigo sim ( ) não

Toloi diz (21:04):
que tal PROVANDO loucas e roupas escuras ?

Fábio Vanzo diz (21:06):
:/ o cara tá na butique gay? provando roupas loucas?

Toloi diz (21:06):
huauauhauahuaha

Fábio Vanzo diz (21:07):
trocando di bikini sem parar

Toloi diz (21:08):
PROVANDO LOUCAS EM RUAS ESCURAS

Fábio Vanzo diz (21:08):
:/ nhão
esse loucas aí que tá foda
como era o original que já nem lembro?

Toloi diz (21:09):
NUM LEMBRO, TEM Q PEGAR DO BLOG DE NOVO

Fábio Vanzo diz (21:10):
é velha ou nova essa poesia?

Toloi diz (21:18):
aparentemente nova, ta na sua pagina de mais recentes ainda

Toloi diz (21:18):
tu deve ter escrito esse mes ainda, seu lesado

Fábio Vanzo diz (21:19):
linka, caraio

Fábio Vanzo diz (21:20):
http://fabiovanzo.blogspot.com/2009/07/ingen-tarer-skal-fylle-dine-netter.html


Fábio Vanzo diz (21:22):
NAS MESMAS RUAS ESCURAS
fechô?

Toloi diz (21:25):
tá bom, nao ficou um primor, mas nao comprometeu, ficou uma rima BALBUENA

Fábio Vanzo diz (21:26):
o verso do dimmu boga significa "Não haverá fraqueza na tua alma "
como a gente pode usar no nome da música?

Fábio Vanzo diz (21:31):
ooou aumentando a influência, o título do post é sempre um link
no caso é http://www.fotolog.com.br/fvanzo/39112591 os versos são do bigode, olha

Toloi diz (21:37):
gostei da frase do bigode

Toloi diz (21:37):
mas qual seria o titulo da musica?

Fábio Vanzo diz (21:39):
"comum no seu tempo"?
"no seu tempo"?

Toloi diz (21:41):
COMUM NO SEU TEMPO , eu gostei bastante

Fábio Vanzo diz (21:41):
BigodeFeelings

Fábio Vanzo diz (21:42):
fechô?
vou guardar esta conversa como exemplo de Lennon & McCartney com absinto

Toloi diz (21:42):
fecho a balada

Toloi diz (21:42):
MARAVILHA

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

'Till Ten Years

Imagine um disco que tome todas as influências essenciais do black metal norueguês – a última coisa realmente nova que apareceu no metal, e faça um disco único, maravilhoso, transcendental, antes de embarcar numa viagem, altamente válida e recomendável, aliás, de sujeira das ruas. Um Travis Bickle de corpse-paint, por aí. Voltando ao disco, é uma mistura de Dark medieval Times, Vikingr Veldi, In The Nightside Eclipse e De Mysteriis Dom Sathanas. Resumindo, só coisa foda. Imagine. Sentimento nórdico, frio, gélido, com influências folk, teclados, linhas criativas de guitarra, produção OK. Pra quem gosta de boa música. http://www.myspace.com/decemberwolves

Meus is não têm ponto, eu não peço desculpa, escrevo deus com letra minúscula.

Não invento palavras. Não escrevo palavrão. Quase. Não sai senão de Deus o ovo de Satã. Não pretendo chocar gratuitamente, preciso ser pago. Trago o horror com um punhado de palavras comuns. Amor e morte, mil vezes. Azar e sorte. Sem invencionices, nem modismos. Além das críticas recalcadas e das incompreensões. A escrita é tensão, é tesão. Espírito feito arco retesado, quase a arrebentar. Pois sem mim o existir não há.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Vastas emoções e pensamentos imperfeitos

[14h34min] Os ursos estão cada vez mais canibais. O céu desaba como temia Abracurcix. Automóveis se amontoam, subindo até nas paredes, feito baratas saindo do esgoto e invadindo o ralo de casa. Ai, odeio baratas. E automóveis. Nessa ordem, eu acho. Vias nasais e marginais congestionadas. As mentiras transbordam feito a lama do Tietê, trazendo expelindo a miséria que a classe média finge não ver quando confirma o voto na urna eletrônica, coisa de Primeiro Mundo, aliás, até melhor. Que bom se pudéssemos ensiná-los a votar também. Mas estamos no mesmo barco poluído de idéias ruins e pensamentos imperfeitos. Canibais católicos pedem desculpas por terem comido o missionário. O temporal desaba ácido enquanto ecoam os gritos do Datena na televisão. Ele vibra, indignado, contra tudo e todos. A justiça que ninguém quer, mas todos aplaudem. E a chuva, ah, a chuva traz mais baratas. E ratos. Pensamentos também se amontoam e desabam feito barranco sobre os barracos e sonhos. O voto é nulo feito o meu existir. Desistir. Resistir. Preciso beber alguma coisa rapidamente. Na versão do Fagner, por favor. [14h38min]

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O futebol é uma Configuração-Dos-Lamentos de surpresas

Final atípica de campeonato. Quatro finais ao mesmo tempo, luta pela Libertadores, luta pra fugir do rebaixamento, resultados que iam mudando durante as partidas e fazendo com que os times se alternassem nas primeiras e últimas posições. Estádios lotados (exceto Engenhão e Morumbi, mas aí é normal, né), porrada no campo, porrada fora dele. Inter campeão, Flamengo campeão, Inter campeão, Flamengo campeão. Palmeiras fora-dentro-dentro-fora. Fora mesmo, até da Libertadores. São Paulo e Inter chorando, pra variar. E nós, corinthianos, só tirando sarro. Atlético Mineiro amargando uma posição medíocre, Cruzeiro chegando no final. Times cariocas a salvo, inclusive com o retorno do Vasco. Isso é ótimo para o futebol, e espero que venha um período de ausência de hegemonia paulista, a fim de que a coisa toda tenha mais graça do que nos últimos anos.

Ah, já ia me esquecendo do mais impressionante: Souza e Bill fizeram golaços.

Quem disse que pontos corridos não é pura emoção?

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Só uma única servidão voluntária

O Amor é honesto, não diz as coisas pelas costas, não veste máscaras para agradar ninguém. O Amor é sincero, diz a verdade ainda que ela seja dolorosa, mas sempre oferecendo os braços abertos para o consolo de uma nova atitude da pessoa amada. Não existe imperdoável para o Amor: ele está sempre pronto para dar uma nova chance, pois acredita que as coisas podem sempre melhorar. O Amor se sacrifica, abdica das próprias vontades e esconde suas dores, às vezes se anula, só para cuidar da pessoa amada, ressurgindo com ainda mais fulgor em qualquer martírio.

O Amor sabe que não depende apenas de si, mas que sua existência está atrelada à pessoa amada, esteja esta próxima ou distante. O Amor tem início incerto, porém jamais acaba. O Amor luta as maiores batalhas sem nunca ser derrotado. O amor é caridoso, corajoso, altruísta, invejável, às vezes até ingênuo. Por mais maduro, sempre conserva a graça do primeiro encontro e dos sentimentos de uma nova primavera. O Amor nunca desiste, mas conhece o seu lugar. O Amor é intransitivo.

Enfim o amor é um idiota que só se fode.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Cinema transcendental

Desqualificar um adversário, sobretudo um que não pode ser desprezado com facilidade, por pura preguiça de ler a crítica ou por ser desafeto do crítico ou pelo objeto dessa ter sido algo de que você gosta, é um despreparo de quem se deixa levar demais pelo ego.

No caso estou falando de uma crítica que Caetano Veloso fez sobre Woody Allen.

Sou confesso idólatra do primeiro e acho o segundo um pé-no-saco.

Apesar da sabida veia provocadora, a qual, muito além de “só querer aparecer”, está intimamente ligada ao conceito tropicalista, a crítica é feita por alguém extremamente culto, conhecedor de cinema, e, veja só, fã de Woody Allen! Nada de não-ouvi-e-não-gostei: ele embasou muito bem suas opiniões (e estas são inalienáveis), e quem não concorde, que ignore ou mostre argumentos contra.

Porém tudo que as magoadetes fãs do cineasta fizeram foi tentar desqualificar o baiano com os batidos bordões “ele só quer chamar a atenção”, “Woody Allen nem sabe quem ele é”, “devia ter morrido em 1979”, “ele é gaydacu enrustido”, entre outros do mesmo nível abissal. Pouquíssima gente se deu ao trabalho de, a despeito de não gostar do Caetano, ler atentamente as críticas e tentar rebatê-las.

As pessoas se melindram por muito pouco. E assim o nível do debate cultural segue péssimo no país com o pior cinema do mundo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Gente esquisita, normalmente inconsistente

Em alguns lugares você é, digamos, obrigado a ser falso às vezes. No ambiente de trabalho, por exemplo. É questão de sobrevivência profissional. Ou num ambiente familiar, como numa festa, cumprimentar até parentes com quem você não simpatiza (para dizer o mínimo). Mas ser falso por opção deve ser quase um vício. E, como todo vício, acaba trazendo prejuízos. A pessoa acaba criando um panteão mitômano de falsos amigos, de idéias distorcidas, de ilusões desfeitas.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

I owe a favor to a friend; my friends, they always come through for me.

[ “Onde foi que me perdi? Faria qualquer coisa para recuperar minha paixão pela vida, aquele fogo que me moveu e movia as pessoas na minha direção. A minha fúria era só um tempero naquela irresistível exuberância, não foi ela que afastou os outros de mim, mas a minha morte. Todos os dias me levanto, engulo uma xícara de café e vou para o túmulo. Estou me decompondo miseravelmente diante das pessoas.” ]

Na maioria das vezes as pessoas se machucam por pura fraqueza, por medo de elas mesmas se ferirem. Falta empatia, sobra temor. Porém não devemos deixar que isso - e é um caramujo convicto que está aos poucos aprendendo a sair da casca – nos endureça tanto a ponto de a gente não perceber nem dar valor às pessoas que, perto ou longe, nos querem realmente bem, fazem de tudo por nós. Sim, há gente com coragem, gente que não está interessada só em parasitismo, gente com sorriso sincero e brilho nos olhos. É por elas (e elas sabem quem são e conhecem a importância que têm na minha vida) que eu dedico esta postagem. Obrigado por estarem na minha vida e por me fazerem ainda crer em “gente, espelho da vida, doce mistério”.


[ "If you could only live my life | You could see the difference you make to me." ]

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Só vão te dar algum caixão sem alças

Nada mais triste que a fila do pronto-socorro. O pronto atendimento no Brasil é uma piada. Não existe, é só acaso, descaso, desentendimento. É feito amor de ilusão, de má retribuição, que nunca existiu. Mau atendimento pelo funcionário cujo salário é pago com seus impostos, não é nada de favor. Se você não estrebucha, não espirra sangue, na tem direito a exame, sequer ao olhar exangue do “doutor”. Não lhe cabe o leito apertado no velho quarto, mesmo que a dor que nem a de um parto. Então só lhe resta o peito apertado, sem jeito, com os olhos fundos e vazios da espera sem fim. Há um fim?

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A solidão agora é sólida

É complicado conviver com outras pessoas. Às vezes desejamos viver a vida inteira sozinhos, sem interferências, outras, imploramos por alguém que ouça nossas histórias. O homem não é um ser social, como diziam os livros do Ginásio, e sim um ser solitário, cheio e traumas e neuroses, com os quais não sabe lidar. Por isso busca unir sua solidão com a dos outros, não por empatia, não por amor ou paixão, mas só para poder comparar um sofrimento que não pode ser medido. Sou pior que esse, melhor que aquele, igual àquele outro. E adoramos despejar nossas angústias sobre os outros, que parecem culpados por não nos fazer mais felizes. Clamamos aos pais, amigos, deuses, amigos, qualquer coisa, e tudo permanece igual. No final estamos sós, como sempre estivemos. Não quer dizer que isso seja bom ou ruim, simplesmente é. Porque é. Duro de aceitar / difícil de engolir? Paciência. Todo o resto é wishful thinking.