sexta-feira, 19 de março de 2010

De susto, de bala ou vício

Vocês são tão frouxos, vamos, vamos logo, quais seriam seus últimos pedidos, quais seriam suas últimas atitudes, a sério, caso o mundo ou a vida fosse acabar hoje? Quero conduzir um estudo sobre o tema. Se você soubesse que, dentro em pouco, seu corpo seria devorado pelos vermes das moscas bicheiras enquanto sua alma ascendesse a NSJC, ou simplesmente deixasse de existir como se nunca tivesse havido. Ah, ignorem, jovens sempre acham que vão viver pra sempre. E os velhos fingem aceitar a Morte como algo corriqueiro como um convidado para o chá quando estão todos se mijando e cagando por mais alguns minutos de existência patética. Ei, me desculpem por delatá-los, mas é que foi engraçado. O vento frio da Velha Senhora fez pó de todas as suas convicções e sua alegada serenidade ante o fim. Que estudo, que nada, só quero rir da cara de vocês.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Reflexões vespertinas

Não gosto de inverno, faz muito frio.
Não gosto de verão, faz muito calor.
Não gosto de outono, o tempo é muito seco.
Não gosto de primavera, chove demais.

terça-feira, 9 de março de 2010

A fine day to die

_Maria, vem aqui, me dá um álcool pr’eu passar no peito, não estou me sentindo bem.

Ele era vidraceiro e morava nos fundos do mercadinho Nossa Senhora De Fátima. Palmeirense, cinéfilo, alcoólatra, levava o neto postiço pra soltar pipa onde antes era um campinho e hoje é uma merda de escola de samba. Morreu digno, sem resgate, oitenta e oito anos.

Descansa tranqüilo, velho Quim. A gente fica por aqui. Espera-nos aí.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Eternidades da semana

01. Kassab cassado? Ah, isso nem vai dar em nada, o processo vai se arrastar e, cajo ele seja mesmo condenado, o mandato terá se encerrado, tal como foi com Celso Pitta.

02. Antônio Rascista Carlos no Palmeiras, com a torcida protestando? Demonstração de civilidade de quem na mesma semana se matou na porrada contra a Independente? É, não dá pra esperar coerência de bandido.

03. Botafogo campeão de alguma coisa (mesmo que seja esse ridículo primeiro turno)? E com gol do Fábio Pinguço Ferreira? Esta foi uma semana realmente atípica para o futebol. E o Ricardo Gomes quase teve um AVC. Calma, moço, foi só um jogo.

04. Nada a ver o Elton John dizer que Jesus Cristo foi um "gay superinteligente" (pelas lições de tolerância, etc.), mas é lindo ver a direitalha carola esperneando.

05. A Libertadores começa quarta-feira e o Corinthians não está nem um pouco engrenado. E após 91, 96, 99, 00, 03 e 06 (em 77 eu não era nascido) meu pobre coração alvinegro não agüenta outra eliminação.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Suicide is painless

O suicídio, especialmente para os homens, e isso é comprovado, é mais letal e ritualístico, menos impulsivo e desesperado. Enquanto mulheres normalmente se entopem de remédios, homens se enforcam, dão tiro na cabeça ou se jogam na frente do trem. E esse maior poder de decisão muitas vezes faz com que haja certa preparação, como um testamento, além do costumeiro bilhete de suicídio, e um ritual. Ian Curtis, por exemplo, bebeu uma garrafa de uísque, ouviu The Idiot, do Iggy Pop, assistiu a Stroszek, de Werner Herzog, para então se enforcar. E você, quando for cometer suicídio, que método irá usar, de quem irá se despedir, a quem deixará suas coisas, o que irá ver, ler ou ouvir pela última vez?

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Nowhere, no-one, nothing

É difícil escrever algo quando você tem o sentimento de precisar dizer aquilo, mas está cansado, sem vontade, ou simplesmente não aparece nenhuma idéia boa. O texto que sai nesses casos é invariavelmente de pouca consistência, emoção demais, porém com pouco cuidado na forma. Já escrevi um livro inteiro assim há meia década, em condições físicas e mentais deploráveis, e o resultado não me agrada, nunca agradou. Embora haja lampejos bem criativos, em que a forma consegue dar luz ao conteúdo, e aí se criam imagens realmente de impacto, que trazem o leitor para o Inferno das palavras que ali estão, o resto é frágil, sem rumo, como um grito desesperado. E a arte sempre necessita de cuidado. Por isso às vezes o melhor é manter o silêncio, ou simplesmente condenar certas expressões de dor ao calabouço de uma gaveta qualquer.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Ficções do interlúdio

Não chorei, serei sempre insensível.
Digo palavras duras, sou insensível.
Já menti, jamais direi a verdade.
Já errei, jamais serei perdoado.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A inveja é companheira da glória.

Conversando com uma amiga no MSN, veio a pergunta: qual dos sete pecados capitais você mais comete. Além da óbvia ira, visto que não sou exatamente a pessoa mais paciente do mundo, veio à mente e à palavra algo de que eu já sabia, porém nunca havia admitido a ninguém: sou invejoso. E ela também admitiu o mesmo. Talvez todos sejamos. Mas não daquele tipo ruim, de querer arrancar o que a pessoa tem, de torcer contra (não que isso faça diferença na prática, visto que olho-gordo é bobagem), mas sim o desejo de também querer aquilo que outrem conseguiu e que você não tem por azar, incompetência ou qualquer outro motivo. Lembre-se: não existe sentimento bom ou ruim; cada um tem sua hora e seu lugar, todos são perfeitamente naturais. A diferença é que a inveja “benéfica” faz com que você deseje algo igual ao que o outro conseguiu, enquanto que a “maléfica” te leva a querer o próprio objeto de conquista da pessoa, seja qual for, arrancando-o dela. Em vez de se espelhar na vitória alheia, você quer tomar o lugar do vitorioso, sê-lo, vivê-lo. Essa é a diferença. Quem nunca desejou ser outro alguém, ter o que não tem? Ah, o resto é hipocrisia.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Vemachiti et kol hayekum asher asiti me'al pney ha'adama.

Tá, sempre choveu em São Paulo, a cidade cresceu desordenadamente, invadindo encostas, e hoje temos uma metrópole impermeável de tanto concreto e asfalto. Assim como sempre teve terremoto em Tóquio.

O que os japoneses fizeram? Adaptaram a cidade para conviver com essa particularidade geológica. Já por aqui, nos desgovernos e nas desprefeituras demo-tucanas, nada se faz. É culpa da Mãe Natureza e pronto. Nós que reclamemos com ela, talvez chutando uma árvore ou deixando de fazer doações ao Greenpeace. E a única coisa boa que o Alckmin fez, o aprofundamento da calha do Tietê, foi abandonado e faz três anos que nosso belo rio não sofre uma limpeza.

Hoje faz 37 dias que chove direto em São Paulo e tudo que o Aquassab diz é que “tudo está sob controle” enquanto passeia de helicóptero sobre o pobre Jardim Romano, alagado direto desde o ano passado.

O que a população pode fazer além de xingar o Aquassab? Parar de votar no PSDB-DEMo e não jogar garrafa PET e sofá vermelho nos terrenos baldios, que entope as galerias pluviais e bueiros.

Saneamento na serve só pra lixo, serve pra políticos também.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Do egocentrismo, da megalomania e de outros desvios de caráter na internet.

Mais do que no “mundo real”, a internet é o verdadeiro Estige das subcelebridades, onde elas se mordem, se xingam e se debatem o tempo todo, em moto-contínuo. Polêmicas vazias, troca de farpas, autopromoção a todo custo e uma vontade desesperada de se fazer notar, de mostrar que “venceu na vida digital”. Vale usar script pra adicionar um monte de gente, aparecer em reality show, chamar a si mesmo de “empresário” porque ganha dinheiro com o blog, arrumar briga com a subcelebridade que usou script e foi ao reality show, receber jabaculê para fazer textos mequetrefes sobre viagens na vasca ou traquitanas moderninhas... as possibilidades infinitas. A glória dessa espécie internética é posar de “early-adopter” (sim, os malditos termos em inglês) com jeito blasê de quem usou Orkut/Facebook/Twitter/Blog quando não havia a “maldita inclusão digital”. É a orkutização do Facebook, a facebookização do Twitter, a twitterzação do blog. Medem a felicidade pelo número de seguidores ou comentários. Matam a mãe por uma conexão de 10Mb na Campus Party, mas, uma vez lá, dizem que “já foi melhor”, e que hoje “todo mundo posa de geek". Escrevem pouco, o conteúdo de seus blog é quase inteiro de press-releases, vídeos velhos do YouTube e imagens “kibadas” de outros sites. Enfim é a gentalha do cibermundo, daqueles que você só não chuta a bunda porque nunca saem da frente do computador.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sad wings of destiny

[17h40min] A tristeza é contagiante, empolga nossos inimigos. Contagiosa,e entristece junto as pessoas que nos amam. A tristeza é leal, jamais nos abandona e está conosco especialmente quando não precisamos dela, para dar aquele conforto tanto de quem sente falta da auto-indulgência quanto de quem não se contenta com o riso horrível do idiota. A tristeza é fiel, sempre retorna ao nosso lar, por vias direitas e avessas, retas e tortas, por nossa própria boca ou pela das outras pessoas. A tristeza é linguagem indizível. Indivisível. Mesmo assim há para todos, cada um com a sua, mas interagindo com a de outrem. A tristeza é democrática, não discrimina, muito embora trate com mínimo desdém quem finge que ela não existe, somente para se apossar da alma estúpida. Não é parasita, nós é que insistimos em habitar seus domínios pretendendo passar incólumes. A tristeza é acolhedora num abraço de engolir infinitos na escuridão à luz do dia. No início era o verbo, e esse era entristecer(-se). E viu Deus que a tristeza era maior. [17h49min]

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A linguagem sempre foi meu último refúgio.

Um bom texto abre portas. Abre pernas. Abre o céu cheio de nuvens. O chão para que tudo desabe. Abre os olhos para a verdade, a boca para um beijo. Abre as mãos, abre até o coração. Um bom texto abre os braços para um abraço e caminhos para a vida.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O processo de criação vai de 10 até 100.000

[Sete de outubro de dois mil e nove]

Toloi diz (20:25):
ô senhor compositor, ve se tua aprova tua letra...
na sexta, eu mostro como ela ficou pra vcs

Toloi diz (20:26):
vc escreve rapido e eu componho melodias rapido , heeheheh, fiz essa em 1 hora

Fábio Vanzo diz (20:27):
nussa

Fábio Vanzo diz (20:27):
levo séculos hahaha

Toloi diz (20:29):
uma duvida na escrita do acorde: esse F#m/A qual dos dois que se refere a nota do baixo?

Toloi diz (20:29):
ta, quando vc abrir e ler me avisa

Toloi diz (20:31):
pensei em voce fazendo umas pitadas na guitarra a la dois rios do skank

Fábio Vanzo diz (20:31):
pensando no que seria um fá sustenido menor com baixo em lá

Fábio Vanzo diz (20:32):
acho que fazendo sem pestana dá

Fábio Vanzo diz (20:32):
corneta
1. não gostei do nome, muito direto. vou futucar.

Fábio Vanzo diz (20:33):
2. vou mudar umas coisas na letra, tem palavras que acho que num ficam legais em letra
3. coube tudo na metrica direitinho?

Toloi diz (20:37):
mas é isso mesmo, o A mantem só na baixo e entra o fa sustenido menor numa casa acima, antes de entrar no fa sustenido inteiro

Toloi diz (20:38):
fa sustenido menor

Toloi diz (20:39):
pensei de ultima hora, nao consegui pensar num nome melhor, ia fazer uma homenagem e colocar uma frase da muisca do dimmu borgir pra colocar de titulo, ja que eu que a citaçao era pra eles, mas achei as letras deles uma bosta, hahaha

Toloi diz (20:39):
coube tudo na metrica

Fábio Vanzo diz (20:39):
dimmu boga?

Fábio Vanzo diz (20:39):
as letras deles são uma merda

Toloi diz (20:40):
depois só me diz quais palavras, porque aí pode atrapalhar na metrica, assim como está, ficou perfeita cantando

Fábio Vanzo diz (20:41):
1. "nefando" acho que num rola
2. "Vestindo loucas e roupas escuras" esse "loucas" ficou esquisito
 
Toloi diz (20:42):
1 - o que é nefando? vem de nefasto? achei melhor nao tirar, hahaha

Toloi diz (20:43):
2 - então, ainda nao senti firmeza, queria fazer uma associaçao de que eles estivesse usando mulheres (se aproveitando de) e roupas escuras, sacou?

Toloi diz (20:43):
jogando com a frase, sabe

Fábio Vanzo diz (20:43):
1. é igual nefasto.
2. hmmmm

Fábio Vanzo diz (20:44):
"Despindo tuas roupas escuras"?

Toloi diz (20:48):
pode ser, mas aí hão de ter dois problemas
1 - vc ja usa a palavra despindo antes - se referindo ao pranto
2 - e principalmente, a letra deixa de ser um relato geral em 1 pessoa, como tava, pra ser referente a uma segunda pessoa, despindo as roupas escuras dela, tendeu?
COMUNIDADE DO ORKUT - ANALISANDO LETRAS: BRESSER
HAUAHUAHUAHUAA

Fábio Vanzo diz (20:51):
hahahahahahhahaha

Fábio Vanzo diz (20:51):
preciso ler essa buceta inteira, peraí

Toloi diz (20:52):
hahaha, ele escreve e nao lembra, heheh

Fábio Vanzo diz (20:53):
hahahahahaha
de um caminho tão PROFANO
rima até melhor

Toloi diz (20:54):
aprovado

Fábio Vanzo diz (20:54):
vejamos o outro verso

Fábio Vanzo diz (20:59):
Caído em outras desventuras OK
Corpos em roupas escuras ( ) sim ( ) não
Hoje, qual será meu gosto? OK
Quem me saberá o rosto? ( ) sim ( ) não

Toloi diz (21:01):
Caído em outras desventuras OK
Corpos em roupas escuras ( ) sim ( x ) não
Hoje, qual será meu gosto? OK
Quem me saberá o rosto? ( x ) sim ( ) não

Fábio Vanzo diz (21:01):
te mando à merda? ( x ) sim ( ) não

Toloi diz (21:03):
ninguem tem paciencia comigo sim ( ) não

Toloi diz (21:04):
que tal PROVANDO loucas e roupas escuras ?

Fábio Vanzo diz (21:06):
:/ o cara tá na butique gay? provando roupas loucas?

Toloi diz (21:06):
huauauhauahuaha

Fábio Vanzo diz (21:07):
trocando di bikini sem parar

Toloi diz (21:08):
PROVANDO LOUCAS EM RUAS ESCURAS

Fábio Vanzo diz (21:08):
:/ nhão
esse loucas aí que tá foda
como era o original que já nem lembro?

Toloi diz (21:09):
NUM LEMBRO, TEM Q PEGAR DO BLOG DE NOVO

Fábio Vanzo diz (21:10):
é velha ou nova essa poesia?

Toloi diz (21:18):
aparentemente nova, ta na sua pagina de mais recentes ainda

Toloi diz (21:18):
tu deve ter escrito esse mes ainda, seu lesado

Fábio Vanzo diz (21:19):
linka, caraio

Fábio Vanzo diz (21:20):
http://fabiovanzo.blogspot.com/2009/07/ingen-tarer-skal-fylle-dine-netter.html


Fábio Vanzo diz (21:22):
NAS MESMAS RUAS ESCURAS
fechô?

Toloi diz (21:25):
tá bom, nao ficou um primor, mas nao comprometeu, ficou uma rima BALBUENA

Fábio Vanzo diz (21:26):
o verso do dimmu boga significa "Não haverá fraqueza na tua alma "
como a gente pode usar no nome da música?

Fábio Vanzo diz (21:31):
ooou aumentando a influência, o título do post é sempre um link
no caso é http://www.fotolog.com.br/fvanzo/39112591 os versos são do bigode, olha

Toloi diz (21:37):
gostei da frase do bigode

Toloi diz (21:37):
mas qual seria o titulo da musica?

Fábio Vanzo diz (21:39):
"comum no seu tempo"?
"no seu tempo"?

Toloi diz (21:41):
COMUM NO SEU TEMPO , eu gostei bastante

Fábio Vanzo diz (21:41):
BigodeFeelings

Fábio Vanzo diz (21:42):
fechô?
vou guardar esta conversa como exemplo de Lennon & McCartney com absinto

Toloi diz (21:42):
fecho a balada

Toloi diz (21:42):
MARAVILHA

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

'Till Ten Years

Imagine um disco que tome todas as influências essenciais do black metal norueguês – a última coisa realmente nova que apareceu no metal, e faça um disco único, maravilhoso, transcendental, antes de embarcar numa viagem, altamente válida e recomendável, aliás, de sujeira das ruas. Um Travis Bickle de corpse-paint, por aí. Voltando ao disco, é uma mistura de Dark medieval Times, Vikingr Veldi, In The Nightside Eclipse e De Mysteriis Dom Sathanas. Resumindo, só coisa foda. Imagine. Sentimento nórdico, frio, gélido, com influências folk, teclados, linhas criativas de guitarra, produção OK. Pra quem gosta de boa música. http://www.myspace.com/decemberwolves

Meus is não têm ponto, eu não peço desculpa, escrevo deus com letra minúscula.

Não invento palavras. Não escrevo palavrão. Quase. Não sai senão de Deus o ovo de Satã. Não pretendo chocar gratuitamente, preciso ser pago. Trago o horror com um punhado de palavras comuns. Amor e morte, mil vezes. Azar e sorte. Sem invencionices, nem modismos. Além das críticas recalcadas e das incompreensões. A escrita é tensão, é tesão. Espírito feito arco retesado, quase a arrebentar. Pois sem mim o existir não há.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Vastas emoções e pensamentos imperfeitos

[14h34min] Os ursos estão cada vez mais canibais. O céu desaba como temia Abracurcix. Automóveis se amontoam, subindo até nas paredes, feito baratas saindo do esgoto e invadindo o ralo de casa. Ai, odeio baratas. E automóveis. Nessa ordem, eu acho. Vias nasais e marginais congestionadas. As mentiras transbordam feito a lama do Tietê, trazendo expelindo a miséria que a classe média finge não ver quando confirma o voto na urna eletrônica, coisa de Primeiro Mundo, aliás, até melhor. Que bom se pudéssemos ensiná-los a votar também. Mas estamos no mesmo barco poluído de idéias ruins e pensamentos imperfeitos. Canibais católicos pedem desculpas por terem comido o missionário. O temporal desaba ácido enquanto ecoam os gritos do Datena na televisão. Ele vibra, indignado, contra tudo e todos. A justiça que ninguém quer, mas todos aplaudem. E a chuva, ah, a chuva traz mais baratas. E ratos. Pensamentos também se amontoam e desabam feito barranco sobre os barracos e sonhos. O voto é nulo feito o meu existir. Desistir. Resistir. Preciso beber alguma coisa rapidamente. Na versão do Fagner, por favor. [14h38min]

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O futebol é uma Configuração-Dos-Lamentos de surpresas

Final atípica de campeonato. Quatro finais ao mesmo tempo, luta pela Libertadores, luta pra fugir do rebaixamento, resultados que iam mudando durante as partidas e fazendo com que os times se alternassem nas primeiras e últimas posições. Estádios lotados (exceto Engenhão e Morumbi, mas aí é normal, né), porrada no campo, porrada fora dele. Inter campeão, Flamengo campeão, Inter campeão, Flamengo campeão. Palmeiras fora-dentro-dentro-fora. Fora mesmo, até da Libertadores. São Paulo e Inter chorando, pra variar. E nós, corinthianos, só tirando sarro. Atlético Mineiro amargando uma posição medíocre, Cruzeiro chegando no final. Times cariocas a salvo, inclusive com o retorno do Vasco. Isso é ótimo para o futebol, e espero que venha um período de ausência de hegemonia paulista, a fim de que a coisa toda tenha mais graça do que nos últimos anos.

Ah, já ia me esquecendo do mais impressionante: Souza e Bill fizeram golaços.

Quem disse que pontos corridos não é pura emoção?

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Só uma única servidão voluntária

O Amor é honesto, não diz as coisas pelas costas, não veste máscaras para agradar ninguém. O Amor é sincero, diz a verdade ainda que ela seja dolorosa, mas sempre oferecendo os braços abertos para o consolo de uma nova atitude da pessoa amada. Não existe imperdoável para o Amor: ele está sempre pronto para dar uma nova chance, pois acredita que as coisas podem sempre melhorar. O Amor se sacrifica, abdica das próprias vontades e esconde suas dores, às vezes se anula, só para cuidar da pessoa amada, ressurgindo com ainda mais fulgor em qualquer martírio.

O Amor sabe que não depende apenas de si, mas que sua existência está atrelada à pessoa amada, esteja esta próxima ou distante. O Amor tem início incerto, porém jamais acaba. O Amor luta as maiores batalhas sem nunca ser derrotado. O amor é caridoso, corajoso, altruísta, invejável, às vezes até ingênuo. Por mais maduro, sempre conserva a graça do primeiro encontro e dos sentimentos de uma nova primavera. O Amor nunca desiste, mas conhece o seu lugar. O Amor é intransitivo.

Enfim o amor é um idiota que só se fode.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Cinema transcendental

Desqualificar um adversário, sobretudo um que não pode ser desprezado com facilidade, por pura preguiça de ler a crítica ou por ser desafeto do crítico ou pelo objeto dessa ter sido algo de que você gosta, é um despreparo de quem se deixa levar demais pelo ego.

No caso estou falando de uma crítica que Caetano Veloso fez sobre Woody Allen.

Sou confesso idólatra do primeiro e acho o segundo um pé-no-saco.

Apesar da sabida veia provocadora, a qual, muito além de “só querer aparecer”, está intimamente ligada ao conceito tropicalista, a crítica é feita por alguém extremamente culto, conhecedor de cinema, e, veja só, fã de Woody Allen! Nada de não-ouvi-e-não-gostei: ele embasou muito bem suas opiniões (e estas são inalienáveis), e quem não concorde, que ignore ou mostre argumentos contra.

Porém tudo que as magoadetes fãs do cineasta fizeram foi tentar desqualificar o baiano com os batidos bordões “ele só quer chamar a atenção”, “Woody Allen nem sabe quem ele é”, “devia ter morrido em 1979”, “ele é gaydacu enrustido”, entre outros do mesmo nível abissal. Pouquíssima gente se deu ao trabalho de, a despeito de não gostar do Caetano, ler atentamente as críticas e tentar rebatê-las.

As pessoas se melindram por muito pouco. E assim o nível do debate cultural segue péssimo no país com o pior cinema do mundo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Gente esquisita, normalmente inconsistente

Em alguns lugares você é, digamos, obrigado a ser falso às vezes. No ambiente de trabalho, por exemplo. É questão de sobrevivência profissional. Ou num ambiente familiar, como numa festa, cumprimentar até parentes com quem você não simpatiza (para dizer o mínimo). Mas ser falso por opção deve ser quase um vício. E, como todo vício, acaba trazendo prejuízos. A pessoa acaba criando um panteão mitômano de falsos amigos, de idéias distorcidas, de ilusões desfeitas.