quinta-feira, 22 de abril de 2010
All apologies
A todos que amei e fingir amar, minha desculpa. Enganei a todos por tanto tempo que até eu devo te acreditado. É a essência da mentira, não? Acreditar na mitomania. Apaixonei-me de mentira, fiz se apaixonarem-me por mim de verdade. Enganei pessoas escrevendo, trabalhando, vivendo como filho, irmão, namorado, amigo. Fui uma farsa constante. Um embuste elevado a estado de arte. O que eu deveria fazer? Quem eu deveria ser? Limpo o suor nas vestes e espero o veredito que já sei qual é: culpado! Mereço. Fiz tão mal a tanta gente, só me resta a morte. A todos que enganei, peguei as pedras e me dilapidem, por favor. Foi um legítimo adultério de confiança. Só não houve nenhum messias, nem haverá, para me salvar. Que venham as rochas que serão meu merecido túmulo sem piedade ou redenção. Que não tiver pecado, quem tiver um monte de falha, está todo mundo liberado para me apedrejar. Crucificar. Sem túmulo vazio.
sexta-feira, 19 de março de 2010
De susto, de bala ou vício
Vocês são tão frouxos, vamos, vamos logo, quais seriam seus últimos pedidos, quais seriam suas últimas atitudes, a sério, caso o mundo ou a vida fosse acabar hoje? Quero conduzir um estudo sobre o tema. Se você soubesse que, dentro em pouco, seu corpo seria devorado pelos vermes das moscas bicheiras enquanto sua alma ascendesse a NSJC, ou simplesmente deixasse de existir como se nunca tivesse havido. Ah, ignorem, jovens sempre acham que vão viver pra sempre. E os velhos fingem aceitar a Morte como algo corriqueiro como um convidado para o chá quando estão todos se mijando e cagando por mais alguns minutos de existência patética. Ei, me desculpem por delatá-los, mas é que foi engraçado. O vento frio da Velha Senhora fez pó de todas as suas convicções e sua alegada serenidade ante o fim. Que estudo, que nada, só quero rir da cara de vocês.
quinta-feira, 11 de março de 2010
Reflexões vespertinas
Não gosto de inverno, faz muito frio.
Não gosto de verão, faz muito calor.
Não gosto de outono, o tempo é muito seco.
Não gosto de primavera, chove demais.
Não gosto de verão, faz muito calor.
Não gosto de outono, o tempo é muito seco.
Não gosto de primavera, chove demais.
terça-feira, 9 de março de 2010
A fine day to die
_Maria, vem aqui, me dá um álcool pr’eu passar no peito, não estou me sentindo bem.
Ele era vidraceiro e morava nos fundos do mercadinho Nossa Senhora De Fátima. Palmeirense, cinéfilo, alcoólatra, levava o neto postiço pra soltar pipa onde antes era um campinho e hoje é uma merda de escola de samba. Morreu digno, sem resgate, oitenta e oito anos.
Descansa tranqüilo, velho Quim. A gente fica por aqui. Espera-nos aí.
Ele era vidraceiro e morava nos fundos do mercadinho Nossa Senhora De Fátima. Palmeirense, cinéfilo, alcoólatra, levava o neto postiço pra soltar pipa onde antes era um campinho e hoje é uma merda de escola de samba. Morreu digno, sem resgate, oitenta e oito anos.
Descansa tranqüilo, velho Quim. A gente fica por aqui. Espera-nos aí.
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010
Eternidades da semana
01. Kassab cassado? Ah, isso nem vai dar em nada, o processo vai se arrastar e, cajo ele seja mesmo condenado, o mandato terá se encerrado, tal como foi com Celso Pitta.
02. Antônio Rascista Carlos no Palmeiras, com a torcida protestando? Demonstração de civilidade de quem na mesma semana se matou na porrada contra a Independente? É, não dá pra esperar coerência de bandido.
03. Botafogo campeão de alguma coisa (mesmo que seja esse ridículo primeiro turno)? E com gol do Fábio Pinguço Ferreira? Esta foi uma semana realmente atípica para o futebol. E o Ricardo Gomes quase teve um AVC. Calma, moço, foi só um jogo.
04. Nada a ver o Elton John dizer que Jesus Cristo foi um "gay superinteligente" (pelas lições de tolerância, etc.), mas é lindo ver a direitalha carola esperneando.
05. A Libertadores começa quarta-feira e o Corinthians não está nem um pouco engrenado. E após 91, 96, 99, 00, 03 e 06 (em 77 eu não era nascido) meu pobre coração alvinegro não agüenta outra eliminação.
02. Antônio Rascista Carlos no Palmeiras, com a torcida protestando? Demonstração de civilidade de quem na mesma semana se matou na porrada contra a Independente? É, não dá pra esperar coerência de bandido.
03. Botafogo campeão de alguma coisa (mesmo que seja esse ridículo primeiro turno)? E com gol do Fábio Pinguço Ferreira? Esta foi uma semana realmente atípica para o futebol. E o Ricardo Gomes quase teve um AVC. Calma, moço, foi só um jogo.
04. Nada a ver o Elton John dizer que Jesus Cristo foi um "gay superinteligente" (pelas lições de tolerância, etc.), mas é lindo ver a direitalha carola esperneando.
05. A Libertadores começa quarta-feira e o Corinthians não está nem um pouco engrenado. E após 91, 96, 99, 00, 03 e 06 (em 77 eu não era nascido) meu pobre coração alvinegro não agüenta outra eliminação.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2010
Suicide is painless
O suicídio, especialmente para os homens, e isso é comprovado, é mais letal e ritualístico, menos impulsivo e desesperado. Enquanto mulheres normalmente se entopem de remédios, homens se enforcam, dão tiro na cabeça ou se jogam na frente do trem. E esse maior poder de decisão muitas vezes faz com que haja certa preparação, como um testamento, além do costumeiro bilhete de suicídio, e um ritual. Ian Curtis, por exemplo, bebeu uma garrafa de uísque, ouviu The Idiot, do Iggy Pop, assistiu a Stroszek, de Werner Herzog, para então se enforcar. E você, quando for cometer suicídio, que método irá usar, de quem irá se despedir, a quem deixará suas coisas, o que irá ver, ler ou ouvir pela última vez?
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010
Nowhere, no-one, nothing
É difícil escrever algo quando você tem o sentimento de precisar dizer aquilo, mas está cansado, sem vontade, ou simplesmente não aparece nenhuma idéia boa. O texto que sai nesses casos é invariavelmente de pouca consistência, emoção demais, porém com pouco cuidado na forma. Já escrevi um livro inteiro assim há meia década, em condições físicas e mentais deploráveis, e o resultado não me agrada, nunca agradou. Embora haja lampejos bem criativos, em que a forma consegue dar luz ao conteúdo, e aí se criam imagens realmente de impacto, que trazem o leitor para o Inferno das palavras que ali estão, o resto é frágil, sem rumo, como um grito desesperado. E a arte sempre necessita de cuidado. Por isso às vezes o melhor é manter o silêncio, ou simplesmente condenar certas expressões de dor ao calabouço de uma gaveta qualquer.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010
Ficções do interlúdio
Não chorei, serei sempre insensível.
Digo palavras duras, sou insensível.
Já menti, jamais direi a verdade.
Já errei, jamais serei perdoado.
Digo palavras duras, sou insensível.
Já menti, jamais direi a verdade.
Já errei, jamais serei perdoado.
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
A inveja é companheira da glória.
Conversando com uma amiga no MSN, veio a pergunta: qual dos sete pecados capitais você mais comete. Além da óbvia ira, visto que não sou exatamente a pessoa mais paciente do mundo, veio à mente e à palavra algo de que eu já sabia, porém nunca havia admitido a ninguém: sou invejoso. E ela também admitiu o mesmo. Talvez todos sejamos. Mas não daquele tipo ruim, de querer arrancar o que a pessoa tem, de torcer contra (não que isso faça diferença na prática, visto que olho-gordo é bobagem), mas sim o desejo de também querer aquilo que outrem conseguiu e que você não tem por azar, incompetência ou qualquer outro motivo. Lembre-se: não existe sentimento bom ou ruim; cada um tem sua hora e seu lugar, todos são perfeitamente naturais. A diferença é que a inveja “benéfica” faz com que você deseje algo igual ao que o outro conseguiu, enquanto que a “maléfica” te leva a querer o próprio objeto de conquista da pessoa, seja qual for, arrancando-o dela. Em vez de se espelhar na vitória alheia, você quer tomar o lugar do vitorioso, sê-lo, vivê-lo. Essa é a diferença. Quem nunca desejou ser outro alguém, ter o que não tem? Ah, o resto é hipocrisia.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Vemachiti et kol hayekum asher asiti me'al pney ha'adama.
Tá, sempre choveu em São Paulo, a cidade cresceu desordenadamente, invadindo encostas, e hoje temos uma metrópole impermeável de tanto concreto e asfalto. Assim como sempre teve terremoto em Tóquio.
O que os japoneses fizeram? Adaptaram a cidade para conviver com essa particularidade geológica. Já por aqui, nos desgovernos e nas desprefeituras demo-tucanas, nada se faz. É culpa da Mãe Natureza e pronto. Nós que reclamemos com ela, talvez chutando uma árvore ou deixando de fazer doações ao Greenpeace. E a única coisa boa que o Alckmin fez, o aprofundamento da calha do Tietê, foi abandonado e faz três anos que nosso belo rio não sofre uma limpeza.
Hoje faz 37 dias que chove direto em São Paulo e tudo que o Aquassab diz é que “tudo está sob controle” enquanto passeia de helicóptero sobre o pobre Jardim Romano, alagado direto desde o ano passado.
O que a população pode fazer além de xingar o Aquassab? Parar de votar no PSDB-DEMo e não jogar garrafa PET e sofá vermelho nos terrenos baldios, que entope as galerias pluviais e bueiros.
Saneamento na serve só pra lixo, serve pra políticos também.
O que os japoneses fizeram? Adaptaram a cidade para conviver com essa particularidade geológica. Já por aqui, nos desgovernos e nas desprefeituras demo-tucanas, nada se faz. É culpa da Mãe Natureza e pronto. Nós que reclamemos com ela, talvez chutando uma árvore ou deixando de fazer doações ao Greenpeace. E a única coisa boa que o Alckmin fez, o aprofundamento da calha do Tietê, foi abandonado e faz três anos que nosso belo rio não sofre uma limpeza.
Hoje faz 37 dias que chove direto em São Paulo e tudo que o Aquassab diz é que “tudo está sob controle” enquanto passeia de helicóptero sobre o pobre Jardim Romano, alagado direto desde o ano passado.
O que a população pode fazer além de xingar o Aquassab? Parar de votar no PSDB-DEMo e não jogar garrafa PET e sofá vermelho nos terrenos baldios, que entope as galerias pluviais e bueiros.
Saneamento na serve só pra lixo, serve pra políticos também.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Do egocentrismo, da megalomania e de outros desvios de caráter na internet.
Mais do que no “mundo real”, a internet é o verdadeiro Estige das subcelebridades, onde elas se mordem, se xingam e se debatem o tempo todo, em moto-contínuo. Polêmicas vazias, troca de farpas, autopromoção a todo custo e uma vontade desesperada de se fazer notar, de mostrar que “venceu na vida digital”. Vale usar script pra adicionar um monte de gente, aparecer em reality show, chamar a si mesmo de “empresário” porque ganha dinheiro com o blog, arrumar briga com a subcelebridade que usou script e foi ao reality show, receber jabaculê para fazer textos mequetrefes sobre viagens na vasca ou traquitanas moderninhas... as possibilidades infinitas. A glória dessa espécie internética é posar de “early-adopter” (sim, os malditos termos em inglês) com jeito blasê de quem usou Orkut/Facebook/Twitter/Blog quando não havia a “maldita inclusão digital”. É a orkutização do Facebook, a facebookização do Twitter, a twitterzação do blog. Medem a felicidade pelo número de seguidores ou comentários. Matam a mãe por uma conexão de 10Mb na Campus Party, mas, uma vez lá, dizem que “já foi melhor”, e que hoje “todo mundo posa de geek". Escrevem pouco, o conteúdo de seus blog é quase inteiro de press-releases, vídeos velhos do YouTube e imagens “kibadas” de outros sites. Enfim é a gentalha do cibermundo, daqueles que você só não chuta a bunda porque nunca saem da frente do computador.
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
Sad wings of destiny
[17h40min] A tristeza é contagiante, empolga nossos inimigos. Contagiosa,e entristece junto as pessoas que nos amam. A tristeza é leal, jamais nos abandona e está conosco especialmente quando não precisamos dela, para dar aquele conforto tanto de quem sente falta da auto-indulgência quanto de quem não se contenta com o riso horrível do idiota. A tristeza é fiel, sempre retorna ao nosso lar, por vias direitas e avessas, retas e tortas, por nossa própria boca ou pela das outras pessoas. A tristeza é linguagem indizível. Indivisível. Mesmo assim há para todos, cada um com a sua, mas interagindo com a de outrem. A tristeza é democrática, não discrimina, muito embora trate com mínimo desdém quem finge que ela não existe, somente para se apossar da alma estúpida. Não é parasita, nós é que insistimos em habitar seus domínios pretendendo passar incólumes. A tristeza é acolhedora num abraço de engolir infinitos na escuridão à luz do dia. No início era o verbo, e esse era entristecer(-se). E viu Deus que a tristeza era maior. [17h49min]
segunda-feira, 18 de janeiro de 2010
A linguagem sempre foi meu último refúgio.
Um bom texto abre portas. Abre pernas. Abre o céu cheio de nuvens. O chão para que tudo desabe. Abre os olhos para a verdade, a boca para um beijo. Abre as mãos, abre até o coração. Um bom texto abre os braços para um abraço e caminhos para a vida.
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
O processo de criação vai de 10 até 100.000
[Sete de outubro de dois mil e nove]
Toloi diz (20:25):
ô senhor compositor, ve se tua aprova tua letra...
na sexta, eu mostro como ela ficou pra vcs
Toloi diz (20:26):
vc escreve rapido e eu componho melodias rapido , heeheheh, fiz essa em 1 hora
Fábio Vanzo diz (20:27):
nussa
Fábio Vanzo diz (20:27):
levo séculos hahaha
Toloi diz (20:29):
uma duvida na escrita do acorde: esse F#m/A qual dos dois que se refere a nota do baixo?
Toloi diz (20:29):
ta, quando vc abrir e ler me avisa
Toloi diz (20:31):
pensei em voce fazendo umas pitadas na guitarra a la dois rios do skank
Fábio Vanzo diz (20:31):
pensando no que seria um fá sustenido menor com baixo em lá
Fábio Vanzo diz (20:32):
acho que fazendo sem pestana dá
Fábio Vanzo diz (20:32):
corneta
1. não gostei do nome, muito direto. vou futucar.
Fábio Vanzo diz (20:33):
2. vou mudar umas coisas na letra, tem palavras que acho que num ficam legais em letra
3. coube tudo na metrica direitinho?
Toloi diz (20:37):
mas é isso mesmo, o A mantem só na baixo e entra o fa sustenido menor numa casa acima, antes de entrar no fa sustenido inteiro
Toloi diz (20:38):
fa sustenido menor
Toloi diz (20:39):
pensei de ultima hora, nao consegui pensar num nome melhor, ia fazer uma homenagem e colocar uma frase da muisca do dimmu borgir pra colocar de titulo, ja que eu que a citaçao era pra eles, mas achei as letras deles uma bosta, hahaha
Toloi diz (20:39):
coube tudo na metrica
Fábio Vanzo diz (20:39):
dimmu boga?
Fábio Vanzo diz (20:39):
as letras deles são uma merda
Toloi diz (20:40):
depois só me diz quais palavras, porque aí pode atrapalhar na metrica, assim como está, ficou perfeita cantando
Fábio Vanzo diz (20:41):
1. "nefando" acho que num rola
2. "Vestindo loucas e roupas escuras" esse "loucas" ficou esquisito
Toloi diz (20:42):
1 - o que é nefando? vem de nefasto? achei melhor nao tirar, hahaha
Toloi diz (20:43):
2 - então, ainda nao senti firmeza, queria fazer uma associaçao de que eles estivesse usando mulheres (se aproveitando de) e roupas escuras, sacou?
Toloi diz (20:43):
jogando com a frase, sabe
Fábio Vanzo diz (20:43):
1. é igual nefasto.
2. hmmmm
Fábio Vanzo diz (20:44):
"Despindo tuas roupas escuras"?
Toloi diz (20:48):
pode ser, mas aí hão de ter dois problemas
1 - vc ja usa a palavra despindo antes - se referindo ao pranto
2 - e principalmente, a letra deixa de ser um relato geral em 1 pessoa, como tava, pra ser referente a uma segunda pessoa, despindo as roupas escuras dela, tendeu?
COMUNIDADE DO ORKUT - ANALISANDO LETRAS: BRESSER
HAUAHUAHUAHUAA
Fábio Vanzo diz (20:51):
hahahahahahhahaha
Fábio Vanzo diz (20:51):
preciso ler essa buceta inteira, peraí
Toloi diz (20:52):
hahaha, ele escreve e nao lembra, heheh
Fábio Vanzo diz (20:53):
hahahahahaha
de um caminho tão PROFANO
rima até melhor
Toloi diz (20:54):
aprovado
Fábio Vanzo diz (20:54):
vejamos o outro verso
Fábio Vanzo diz (20:59):
Caído em outras desventuras OK
Corpos em roupas escuras ( ) sim ( ) não
Hoje, qual será meu gosto? OK
Quem me saberá o rosto? ( ) sim ( ) não
Toloi diz (21:01):
Caído em outras desventuras OK
Corpos em roupas escuras ( ) sim ( x ) não
Hoje, qual será meu gosto? OK
Quem me saberá o rosto? ( x ) sim ( ) não
Fábio Vanzo diz (21:01):
te mando à merda? ( x ) sim ( ) não
Toloi diz (21:03):
ninguem tem paciencia comigo sim ( ) não
Toloi diz (21:04):
que tal PROVANDO loucas e roupas escuras ?
Fábio Vanzo diz (21:06):
:/ o cara tá na butique gay? provando roupas loucas?
Toloi diz (21:06):
huauauhauahuaha
Fábio Vanzo diz (21:07):
trocando di bikini sem parar
Toloi diz (21:08):
PROVANDO LOUCAS EM RUAS ESCURAS
Fábio Vanzo diz (21:08):
:/ nhão
esse loucas aí que tá foda
como era o original que já nem lembro?
Toloi diz (21:09):
NUM LEMBRO, TEM Q PEGAR DO BLOG DE NOVO
Fábio Vanzo diz (21:10):
é velha ou nova essa poesia?
Toloi diz (21:18):
aparentemente nova, ta na sua pagina de mais recentes ainda
Toloi diz (21:18):
tu deve ter escrito esse mes ainda, seu lesado
Fábio Vanzo diz (21:19):
linka, caraio
Fábio Vanzo diz (21:20):
http://fabiovanzo.blogspot.com/2009/07/ingen-tarer-skal-fylle-dine-netter.html
Fábio Vanzo diz (21:22):
NAS MESMAS RUAS ESCURAS
fechô?
Toloi diz (21:25):
tá bom, nao ficou um primor, mas nao comprometeu, ficou uma rima BALBUENA
Fábio Vanzo diz (21:26):
o verso do dimmu boga significa "Não haverá fraqueza na tua alma "
como a gente pode usar no nome da música?
Fábio Vanzo diz (21:31):
ooou aumentando a influência, o título do post é sempre um link
no caso é http://www.fotolog.com.br/fvanzo/39112591 os versos são do bigode, olha
Toloi diz (21:37):
gostei da frase do bigode
Toloi diz (21:37):
mas qual seria o titulo da musica?
Fábio Vanzo diz (21:39):
"comum no seu tempo"?
"no seu tempo"?
Toloi diz (21:41):
COMUM NO SEU TEMPO , eu gostei bastante
Fábio Vanzo diz (21:41):
BigodeFeelings
Fábio Vanzo diz (21:42):
fechô?
vou guardar esta conversa como exemplo de Lennon & McCartney com absinto
Toloi diz (21:42):
fecho a balada
Toloi diz (21:42):
MARAVILHA
Toloi diz (20:25):
ô senhor compositor, ve se tua aprova tua letra...
na sexta, eu mostro como ela ficou pra vcs
Toloi diz (20:26):
vc escreve rapido e eu componho melodias rapido , heeheheh, fiz essa em 1 hora
Fábio Vanzo diz (20:27):
nussa
Fábio Vanzo diz (20:27):
levo séculos hahaha
Toloi diz (20:29):
uma duvida na escrita do acorde: esse F#m/A qual dos dois que se refere a nota do baixo?
Toloi diz (20:29):
ta, quando vc abrir e ler me avisa
Toloi diz (20:31):
pensei em voce fazendo umas pitadas na guitarra a la dois rios do skank
Fábio Vanzo diz (20:31):
pensando no que seria um fá sustenido menor com baixo em lá
Fábio Vanzo diz (20:32):
acho que fazendo sem pestana dá
Fábio Vanzo diz (20:32):
corneta
1. não gostei do nome, muito direto. vou futucar.
Fábio Vanzo diz (20:33):
2. vou mudar umas coisas na letra, tem palavras que acho que num ficam legais em letra
3. coube tudo na metrica direitinho?
Toloi diz (20:37):
mas é isso mesmo, o A mantem só na baixo e entra o fa sustenido menor numa casa acima, antes de entrar no fa sustenido inteiro
Toloi diz (20:38):
fa sustenido menor
Toloi diz (20:39):
pensei de ultima hora, nao consegui pensar num nome melhor, ia fazer uma homenagem e colocar uma frase da muisca do dimmu borgir pra colocar de titulo, ja que eu que a citaçao era pra eles, mas achei as letras deles uma bosta, hahaha
Toloi diz (20:39):
coube tudo na metrica
Fábio Vanzo diz (20:39):
dimmu boga?
Fábio Vanzo diz (20:39):
as letras deles são uma merda
Toloi diz (20:40):
depois só me diz quais palavras, porque aí pode atrapalhar na metrica, assim como está, ficou perfeita cantando
Fábio Vanzo diz (20:41):
1. "nefando" acho que num rola
2. "Vestindo loucas e roupas escuras" esse "loucas" ficou esquisito
Toloi diz (20:42):
1 - o que é nefando? vem de nefasto? achei melhor nao tirar, hahaha
Toloi diz (20:43):
2 - então, ainda nao senti firmeza, queria fazer uma associaçao de que eles estivesse usando mulheres (se aproveitando de) e roupas escuras, sacou?
Toloi diz (20:43):
jogando com a frase, sabe
Fábio Vanzo diz (20:43):
1. é igual nefasto.
2. hmmmm
Fábio Vanzo diz (20:44):
"Despindo tuas roupas escuras"?
Toloi diz (20:48):
pode ser, mas aí hão de ter dois problemas
1 - vc ja usa a palavra despindo antes - se referindo ao pranto
2 - e principalmente, a letra deixa de ser um relato geral em 1 pessoa, como tava, pra ser referente a uma segunda pessoa, despindo as roupas escuras dela, tendeu?
COMUNIDADE DO ORKUT - ANALISANDO LETRAS: BRESSER
HAUAHUAHUAHUAA
Fábio Vanzo diz (20:51):
hahahahahahhahaha
Fábio Vanzo diz (20:51):
preciso ler essa buceta inteira, peraí
Toloi diz (20:52):
hahaha, ele escreve e nao lembra, heheh
Fábio Vanzo diz (20:53):
hahahahahaha
de um caminho tão PROFANO
rima até melhor
Toloi diz (20:54):
aprovado
Fábio Vanzo diz (20:54):
vejamos o outro verso
Fábio Vanzo diz (20:59):
Caído em outras desventuras OK
Corpos em roupas escuras ( ) sim ( ) não
Hoje, qual será meu gosto? OK
Quem me saberá o rosto? ( ) sim ( ) não
Toloi diz (21:01):
Caído em outras desventuras OK
Corpos em roupas escuras ( ) sim ( x ) não
Hoje, qual será meu gosto? OK
Quem me saberá o rosto? ( x ) sim ( ) não
Fábio Vanzo diz (21:01):
te mando à merda? ( x ) sim ( ) não
Toloi diz (21:03):
ninguem tem paciencia comigo sim ( ) não
Toloi diz (21:04):
que tal PROVANDO loucas e roupas escuras ?
Fábio Vanzo diz (21:06):
:/ o cara tá na butique gay? provando roupas loucas?
Toloi diz (21:06):
huauauhauahuaha
Fábio Vanzo diz (21:07):
trocando di bikini sem parar
Toloi diz (21:08):
PROVANDO LOUCAS EM RUAS ESCURAS
Fábio Vanzo diz (21:08):
:/ nhão
esse loucas aí que tá foda
como era o original que já nem lembro?
Toloi diz (21:09):
NUM LEMBRO, TEM Q PEGAR DO BLOG DE NOVO
Fábio Vanzo diz (21:10):
é velha ou nova essa poesia?
Toloi diz (21:18):
aparentemente nova, ta na sua pagina de mais recentes ainda
Toloi diz (21:18):
tu deve ter escrito esse mes ainda, seu lesado
Fábio Vanzo diz (21:19):
linka, caraio
Fábio Vanzo diz (21:20):
http://fabiovanzo.blogspot.com/2009/07/ingen-tarer-skal-fylle-dine-netter.html
Fábio Vanzo diz (21:22):
NAS MESMAS RUAS ESCURAS
fechô?
Toloi diz (21:25):
tá bom, nao ficou um primor, mas nao comprometeu, ficou uma rima BALBUENA
Fábio Vanzo diz (21:26):
o verso do dimmu boga significa "Não haverá fraqueza na tua alma "
como a gente pode usar no nome da música?
Fábio Vanzo diz (21:31):
ooou aumentando a influência, o título do post é sempre um link
no caso é http://www.fotolog.com.br/fvanzo/39112591 os versos são do bigode, olha
Toloi diz (21:37):
gostei da frase do bigode
Toloi diz (21:37):
mas qual seria o titulo da musica?
Fábio Vanzo diz (21:39):
"comum no seu tempo"?
"no seu tempo"?
Toloi diz (21:41):
COMUM NO SEU TEMPO , eu gostei bastante
Fábio Vanzo diz (21:41):
BigodeFeelings
Fábio Vanzo diz (21:42):
fechô?
vou guardar esta conversa como exemplo de Lennon & McCartney com absinto
Toloi diz (21:42):
fecho a balada
Toloi diz (21:42):
MARAVILHA
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
'Till Ten Years
Imagine um disco que tome todas as influências essenciais do black metal norueguês – a última coisa realmente nova que apareceu no metal, e faça um disco único, maravilhoso, transcendental, antes de embarcar numa viagem, altamente válida e recomendável, aliás, de sujeira das ruas. Um Travis Bickle de corpse-paint, por aí. Voltando ao disco, é uma mistura de Dark medieval Times, Vikingr Veldi, In The Nightside Eclipse e De Mysteriis Dom Sathanas. Resumindo, só coisa foda. Imagine. Sentimento nórdico, frio, gélido, com influências folk, teclados, linhas criativas de guitarra, produção OK. Pra quem gosta de boa música. http://www.myspace.com/decemberwolves
Meus is não têm ponto, eu não peço desculpa, escrevo deus com letra minúscula.
Não invento palavras. Não escrevo palavrão. Quase. Não sai senão de Deus o ovo de Satã. Não pretendo chocar gratuitamente, preciso ser pago. Trago o horror com um punhado de palavras comuns. Amor e morte, mil vezes. Azar e sorte. Sem invencionices, nem modismos. Além das críticas recalcadas e das incompreensões. A escrita é tensão, é tesão. Espírito feito arco retesado, quase a arrebentar. Pois sem mim o existir não há.
terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Vastas emoções e pensamentos imperfeitos
[14h34min] Os ursos estão cada vez mais canibais. O céu desaba como temia Abracurcix. Automóveis se amontoam, subindo até nas paredes, feito baratas saindo do esgoto e invadindo o ralo de casa. Ai, odeio baratas. E automóveis. Nessa ordem, eu acho. Vias nasais e marginais congestionadas. As mentiras transbordam feito a lama do Tietê, trazendo expelindo a miséria que a classe média finge não ver quando confirma o voto na urna eletrônica, coisa de Primeiro Mundo, aliás, até melhor. Que bom se pudéssemos ensiná-los a votar também. Mas estamos no mesmo barco poluído de idéias ruins e pensamentos imperfeitos. Canibais católicos pedem desculpas por terem comido o missionário. O temporal desaba ácido enquanto ecoam os gritos do Datena na televisão. Ele vibra, indignado, contra tudo e todos. A justiça que ninguém quer, mas todos aplaudem. E a chuva, ah, a chuva traz mais baratas. E ratos. Pensamentos também se amontoam e desabam feito barranco sobre os barracos e sonhos. O voto é nulo feito o meu existir. Desistir. Resistir. Preciso beber alguma coisa rapidamente. Na versão do Fagner, por favor. [14h38min]
segunda-feira, 7 de dezembro de 2009
O futebol é uma Configuração-Dos-Lamentos de surpresas
Final atípica de campeonato. Quatro finais ao mesmo tempo, luta pela Libertadores, luta pra fugir do rebaixamento, resultados que iam mudando durante as partidas e fazendo com que os times se alternassem nas primeiras e últimas posições. Estádios lotados (exceto Engenhão e Morumbi, mas aí é normal, né), porrada no campo, porrada fora dele. Inter campeão, Flamengo campeão, Inter campeão, Flamengo campeão. Palmeiras fora-dentro-dentro-fora. Fora mesmo, até da Libertadores. São Paulo e Inter chorando, pra variar. E nós, corinthianos, só tirando sarro. Atlético Mineiro amargando uma posição medíocre, Cruzeiro chegando no final. Times cariocas a salvo, inclusive com o retorno do Vasco. Isso é ótimo para o futebol, e espero que venha um período de ausência de hegemonia paulista, a fim de que a coisa toda tenha mais graça do que nos últimos anos.
Ah, já ia me esquecendo do mais impressionante: Souza e Bill fizeram golaços.
Quem disse que pontos corridos não é pura emoção?
Ah, já ia me esquecendo do mais impressionante: Souza e Bill fizeram golaços.
Quem disse que pontos corridos não é pura emoção?
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Só uma única servidão voluntária
O Amor é honesto, não diz as coisas pelas costas, não veste máscaras para agradar ninguém. O Amor é sincero, diz a verdade ainda que ela seja dolorosa, mas sempre oferecendo os braços abertos para o consolo de uma nova atitude da pessoa amada. Não existe imperdoável para o Amor: ele está sempre pronto para dar uma nova chance, pois acredita que as coisas podem sempre melhorar. O Amor se sacrifica, abdica das próprias vontades e esconde suas dores, às vezes se anula, só para cuidar da pessoa amada, ressurgindo com ainda mais fulgor em qualquer martírio.
O Amor sabe que não depende apenas de si, mas que sua existência está atrelada à pessoa amada, esteja esta próxima ou distante. O Amor tem início incerto, porém jamais acaba. O Amor luta as maiores batalhas sem nunca ser derrotado. O amor é caridoso, corajoso, altruísta, invejável, às vezes até ingênuo. Por mais maduro, sempre conserva a graça do primeiro encontro e dos sentimentos de uma nova primavera. O Amor nunca desiste, mas conhece o seu lugar. O Amor é intransitivo.
Enfim o amor é um idiota que só se fode.
O Amor sabe que não depende apenas de si, mas que sua existência está atrelada à pessoa amada, esteja esta próxima ou distante. O Amor tem início incerto, porém jamais acaba. O Amor luta as maiores batalhas sem nunca ser derrotado. O amor é caridoso, corajoso, altruísta, invejável, às vezes até ingênuo. Por mais maduro, sempre conserva a graça do primeiro encontro e dos sentimentos de uma nova primavera. O Amor nunca desiste, mas conhece o seu lugar. O Amor é intransitivo.
Enfim o amor é um idiota que só se fode.
segunda-feira, 19 de outubro de 2009
Cinema transcendental
Desqualificar um adversário, sobretudo um que não pode ser desprezado com facilidade, por pura preguiça de ler a crítica ou por ser desafeto do crítico ou pelo objeto dessa ter sido algo de que você gosta, é um despreparo de quem se deixa levar demais pelo ego.
No caso estou falando de uma crítica que Caetano Veloso fez sobre Woody Allen.
Sou confesso idólatra do primeiro e acho o segundo um pé-no-saco.
Apesar da sabida veia provocadora, a qual, muito além de “só querer aparecer”, está intimamente ligada ao conceito tropicalista, a crítica é feita por alguém extremamente culto, conhecedor de cinema, e, veja só, fã de Woody Allen! Nada de não-ouvi-e-não-gostei: ele embasou muito bem suas opiniões (e estas são inalienáveis), e quem não concorde, que ignore ou mostre argumentos contra.
Porém tudo que as magoadetes fãs do cineasta fizeram foi tentar desqualificar o baiano com os batidos bordões “ele só quer chamar a atenção”, “Woody Allen nem sabe quem ele é”, “devia ter morrido em 1979”, “ele é gaydacu enrustido”, entre outros do mesmo nível abissal. Pouquíssima gente se deu ao trabalho de, a despeito de não gostar do Caetano, ler atentamente as críticas e tentar rebatê-las.
As pessoas se melindram por muito pouco. E assim o nível do debate cultural segue péssimo no país com o pior cinema do mundo.
No caso estou falando de uma crítica que Caetano Veloso fez sobre Woody Allen.
Sou confesso idólatra do primeiro e acho o segundo um pé-no-saco.
Apesar da sabida veia provocadora, a qual, muito além de “só querer aparecer”, está intimamente ligada ao conceito tropicalista, a crítica é feita por alguém extremamente culto, conhecedor de cinema, e, veja só, fã de Woody Allen! Nada de não-ouvi-e-não-gostei: ele embasou muito bem suas opiniões (e estas são inalienáveis), e quem não concorde, que ignore ou mostre argumentos contra.
Porém tudo que as magoadetes fãs do cineasta fizeram foi tentar desqualificar o baiano com os batidos bordões “ele só quer chamar a atenção”, “Woody Allen nem sabe quem ele é”, “devia ter morrido em 1979”, “ele é gaydacu enrustido”, entre outros do mesmo nível abissal. Pouquíssima gente se deu ao trabalho de, a despeito de não gostar do Caetano, ler atentamente as críticas e tentar rebatê-las.
As pessoas se melindram por muito pouco. E assim o nível do debate cultural segue péssimo no país com o pior cinema do mundo.
quinta-feira, 17 de setembro de 2009
Gente esquisita, normalmente inconsistente
Em alguns lugares você é, digamos, obrigado a ser falso às vezes. No ambiente de trabalho, por exemplo. É questão de sobrevivência profissional. Ou num ambiente familiar, como numa festa, cumprimentar até parentes com quem você não simpatiza (para dizer o mínimo). Mas ser falso por opção deve ser quase um vício. E, como todo vício, acaba trazendo prejuízos. A pessoa acaba criando um panteão mitômano de falsos amigos, de idéias distorcidas, de ilusões desfeitas.
quinta-feira, 3 de setembro de 2009
I owe a favor to a friend; my friends, they always come through for me.
[ “Onde foi que me perdi? Faria qualquer coisa para recuperar minha paixão pela vida, aquele fogo que me moveu e movia as pessoas na minha direção. A minha fúria era só um tempero naquela irresistível exuberância, não foi ela que afastou os outros de mim, mas a minha morte. Todos os dias me levanto, engulo uma xícara de café e vou para o túmulo. Estou me decompondo miseravelmente diante das pessoas.” ]
Na maioria das vezes as pessoas se machucam por pura fraqueza, por medo de elas mesmas se ferirem. Falta empatia, sobra temor. Porém não devemos deixar que isso - e é um caramujo convicto que está aos poucos aprendendo a sair da casca – nos endureça tanto a ponto de a gente não perceber nem dar valor às pessoas que, perto ou longe, nos querem realmente bem, fazem de tudo por nós. Sim, há gente com coragem, gente que não está interessada só em parasitismo, gente com sorriso sincero e brilho nos olhos. É por elas (e elas sabem quem são e conhecem a importância que têm na minha vida) que eu dedico esta postagem. Obrigado por estarem na minha vida e por me fazerem ainda crer em “gente, espelho da vida, doce mistério”.
[ "If you could only live my life | You could see the difference you make to me." ]
Na maioria das vezes as pessoas se machucam por pura fraqueza, por medo de elas mesmas se ferirem. Falta empatia, sobra temor. Porém não devemos deixar que isso - e é um caramujo convicto que está aos poucos aprendendo a sair da casca – nos endureça tanto a ponto de a gente não perceber nem dar valor às pessoas que, perto ou longe, nos querem realmente bem, fazem de tudo por nós. Sim, há gente com coragem, gente que não está interessada só em parasitismo, gente com sorriso sincero e brilho nos olhos. É por elas (e elas sabem quem são e conhecem a importância que têm na minha vida) que eu dedico esta postagem. Obrigado por estarem na minha vida e por me fazerem ainda crer em “gente, espelho da vida, doce mistério”.
[ "If you could only live my life | You could see the difference you make to me." ]
terça-feira, 25 de agosto de 2009
Só vão te dar algum caixão sem alças
Nada mais triste que a fila do pronto-socorro. O pronto atendimento no Brasil é uma piada. Não existe, é só acaso, descaso, desentendimento. É feito amor de ilusão, de má retribuição, que nunca existiu. Mau atendimento pelo funcionário cujo salário é pago com seus impostos, não é nada de favor. Se você não estrebucha, não espirra sangue, na tem direito a exame, sequer ao olhar exangue do “doutor”. Não lhe cabe o leito apertado no velho quarto, mesmo que a dor que nem a de um parto. Então só lhe resta o peito apertado, sem jeito, com os olhos fundos e vazios da espera sem fim. Há um fim?
segunda-feira, 10 de agosto de 2009
A solidão agora é sólida
É complicado conviver com outras pessoas. Às vezes desejamos viver a vida inteira sozinhos, sem interferências, outras, imploramos por alguém que ouça nossas histórias. O homem não é um ser social, como diziam os livros do Ginásio, e sim um ser solitário, cheio e traumas e neuroses, com os quais não sabe lidar. Por isso busca unir sua solidão com a dos outros, não por empatia, não por amor ou paixão, mas só para poder comparar um sofrimento que não pode ser medido. Sou pior que esse, melhor que aquele, igual àquele outro. E adoramos despejar nossas angústias sobre os outros, que parecem culpados por não nos fazer mais felizes. Clamamos aos pais, amigos, deuses, amigos, qualquer coisa, e tudo permanece igual. No final estamos sós, como sempre estivemos. Não quer dizer que isso seja bom ou ruim, simplesmente é. Porque é. Duro de aceitar / difícil de engolir? Paciência. Todo o resto é wishful thinking.
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Não acredita no que vê, não daquela maneira.
Joãozinho acorda de manhã bem cedo
Com as costelas tremendo de frio e medo
E vai até a porta de seu barraco de madeira
Olha com desdém onde jaz ali à beira
Seu padrasto desmaiado de aguardente
Naquela cena tão comum e deprimente
E vai olhar o sol se levantar dos destroços
Pedindo com os olhos a companhia dos moços
Que saem logo bem cedo para trabalhar
Em obras, lixões, em balcões de bar.
A luz da manhã lhe arde os olhos pequenos
Com o cheiro do esgoto e seus tantos venenos
Ratos passando pelo chão batido de terra
Todos animais, vivendo na mesma guerra
Não tem nada para comer ou beber na mesa
Não há nada senão confiar na mesma reza
Que a mãe faz para as coisas melhorarem na vida
Para que a desventura resolva dar partida
Na carroça de miséria que puxa aquelas almas
Para tão longe de onde vem a calma.
Longe do grande estereótipo de preto
Mais longe ainda do caminho mais correto
Ele é seguido pela sombra criminosa
A saída, creia em mim, mais honrosa
Do que passar fome ou esperar ajuda
Do que ouvir o ronco da barriga muda
Que grita sozinha por uma intervenção
Da política que jamais traz solução
E das propagandas que anunciam promoções
Que requerem dinheiro aos borbotões.
Joãozinho fecha os olhos, imaginando
Outro mundo se lhe desvendando
Com a mesa posta, a família unida
Seus quatorze irmãos e muita comida
Seu pai fora da cadeia, com ele no colo
Verdes plantas nascendo num fértil solo
O perfume das flores, brinquedos de verdade
Nada de imaginar mais mortes e maldade
Mas os olhos se abrem, cheio de lágrima
E o livro da sua vida ainda está na mesma página.
Com as costelas tremendo de frio e medo
E vai até a porta de seu barraco de madeira
Olha com desdém onde jaz ali à beira
Seu padrasto desmaiado de aguardente
Naquela cena tão comum e deprimente
E vai olhar o sol se levantar dos destroços
Pedindo com os olhos a companhia dos moços
Que saem logo bem cedo para trabalhar
Em obras, lixões, em balcões de bar.
A luz da manhã lhe arde os olhos pequenos
Com o cheiro do esgoto e seus tantos venenos
Ratos passando pelo chão batido de terra
Todos animais, vivendo na mesma guerra
Não tem nada para comer ou beber na mesa
Não há nada senão confiar na mesma reza
Que a mãe faz para as coisas melhorarem na vida
Para que a desventura resolva dar partida
Na carroça de miséria que puxa aquelas almas
Para tão longe de onde vem a calma.
Longe do grande estereótipo de preto
Mais longe ainda do caminho mais correto
Ele é seguido pela sombra criminosa
A saída, creia em mim, mais honrosa
Do que passar fome ou esperar ajuda
Do que ouvir o ronco da barriga muda
Que grita sozinha por uma intervenção
Da política que jamais traz solução
E das propagandas que anunciam promoções
Que requerem dinheiro aos borbotões.
Joãozinho fecha os olhos, imaginando
Outro mundo se lhe desvendando
Com a mesa posta, a família unida
Seus quatorze irmãos e muita comida
Seu pai fora da cadeia, com ele no colo
Verdes plantas nascendo num fértil solo
O perfume das flores, brinquedos de verdade
Nada de imaginar mais mortes e maldade
Mas os olhos se abrem, cheio de lágrima
E o livro da sua vida ainda está na mesma página.
segunda-feira, 20 de julho de 2009
Goodbye... and it's emotional.
Momento corneta: faz uns dez minutos que recebi a notícia de que André Santos (que já estava a fim de sair desde o meio do ano passado), lateral titular da seleção de Dunga, e o gladiador e mata-bambi Cristian, foram negociados com o pífio Fenerbahçe, da Turquia.
O mais legal é comprar o inútil do Morais por R$ 6 milhões, pagar R$ 175 mensais ao Souza, e, enquanto isso, vender dois jogadorzaços e ainda menosprezar Herrera, que custaria módicos R$ 2 milhões.
Não é à toa que Andres Sanchez, a despeito de ter mandado muitíssimo bem ao contratar Mano Menezes, não nega seu passado incompetente de vice- do nefasto Dualibi e quer fazer dinheiro vendendo jogador bom e comprando cabeça-de-bagre.
Agora é ver como o Mano vai repor essas duas importantíssimas peças. E, no mais, valeu André Seleção, valeu Cristian Gladiador.
O mais legal é comprar o inútil do Morais por R$ 6 milhões, pagar R$ 175 mensais ao Souza, e, enquanto isso, vender dois jogadorzaços e ainda menosprezar Herrera, que custaria módicos R$ 2 milhões.
Não é à toa que Andres Sanchez, a despeito de ter mandado muitíssimo bem ao contratar Mano Menezes, não nega seu passado incompetente de vice- do nefasto Dualibi e quer fazer dinheiro vendendo jogador bom e comprando cabeça-de-bagre.
Agora é ver como o Mano vai repor essas duas importantíssimas peças. E, no mais, valeu André Seleção, valeu Cristian Gladiador.
quarta-feira, 15 de julho de 2009
Wake up: time to die!
Uma das poucas coisas nas quais Sartre e Freud concordavam era sobre o fato de as relações humanas serem impossíveis, pois, cada um ao seu modo, os sexos idealizavam a si mesmos. Ainda que mais do que a outrem que os completassem, e, por isso, nada se acertava jamais. Estaríamos todos fadados ao fracasso pelo instintivo egoísmo de procurar-nos outros nós mesmos, e não o que nos completasse.
Vou falar sobre suicídio, Sísifo à parte, que é um tema caro (vendido barato) a toda nossa sociedade ocidental. Todo mundo tem medo, receio, tabu justamente por ser um ato que de nunca que as pessoas fazem apostas indevidas umas sobre as outras, e se decepcionam e carregam pessoas inexistentes quando tudo falha. O inferno é a monotonia, por isso todos se arriscam pateticamente em empreitadas fracassadas, como pusessem pular as chamas eternas e justas da condenação. Abismo que atrai sempre outro abismo.
Investimos nas pessoas e elas se matam, como assim? Que fracasso, que ingratidão!
Dói-nos saber e todo o esforço em enquadrar tais pessoas na sociedade fracassou. Por isso transformamos tudo em tabu: quem abdica da própria existência é proscrito, maldito, desdito tampouco merece menção em qualquer sufrágio; aos suicidas, um círculo infernal terrível, sem esperança de redenção, muito menos reabilitação em terra com os pertences e valores deixados. Matar-se e covardia, derrota, desterro. O certo é saber que o certo é certo.
Vou falar sobre suicídio, Sísifo à parte, que é um tema caro (vendido barato) a toda nossa sociedade ocidental. Todo mundo tem medo, receio, tabu justamente por ser um ato que de nunca que as pessoas fazem apostas indevidas umas sobre as outras, e se decepcionam e carregam pessoas inexistentes quando tudo falha. O inferno é a monotonia, por isso todos se arriscam pateticamente em empreitadas fracassadas, como pusessem pular as chamas eternas e justas da condenação. Abismo que atrai sempre outro abismo.
Investimos nas pessoas e elas se matam, como assim? Que fracasso, que ingratidão!
Dói-nos saber e todo o esforço em enquadrar tais pessoas na sociedade fracassou. Por isso transformamos tudo em tabu: quem abdica da própria existência é proscrito, maldito, desdito tampouco merece menção em qualquer sufrágio; aos suicidas, um círculo infernal terrível, sem esperança de redenção, muito menos reabilitação em terra com os pertences e valores deixados. Matar-se e covardia, derrota, desterro. O certo é saber que o certo é certo.
segunda-feira, 13 de julho de 2009
Eternidades da semana
Como naquele infame verso do último disco do Frejat, “dar um photoshop na realidade” é o que a imprensa resolveu fazer. É o New New Journalism: sob a desculpa de que “sabia que ia desafiar as convenções do jornalismo“, o repórter ignorou, isso sim, a ética, a vergonha na cara e o bom senso, no afã de querer “dar furo” numa época em que a internet engole os impressos na questão da velocidade. Que tal os assinantes ganharem um aplicativo NoticeYourself!, com temas-chave, daqueles “de gaveta” e umas fotos para serem editadas no PaintBrush?
Eu queria morar numa favela: Serra e Kassab, sempre antenados com as incríveis políticas sociais do PSDB/DEMo, não satisfeitos com as rampas antimendigo, o extermínio de moradores de rua por policiais (lembram?), o sucateamento dos albergues, agora os moradores de rua são expulsos da cracolândia original, sob a pretensa revitalização da região, apenas para instalarem suas carcaças umas quadras acima, com os mesmos problemas. Com a direita brasileira, e a bela classe média que a elege, é assim: se não estou vendo, não é mais problema meu. E o Haiti não é só aqui: todo reduto de viaduto tem um muito de campo de concentração. Ser notícia velha embrulhada no jornal.
No Brasil, 11,5% das crianças são analfabetas. E o pessoal preocupado em legalizar a maconha.
Júlio de Mesquita Filho, o mesmo do infame editorial “Basta!”, anti-Jango e pró-ditadura, é celebrado como modelo de caráter.
Vendo televisão, descobri que a dignidade vale uns R$ 200 para fingir que namora alguém, que você dá dinheiro ao pastor, e, num passe de mágica, fica com mais dinheiro, e que a felicidade é uma mão de tinta numa parede descascada. Ah, e que todas as operadoras de telefonia funcionam direito, os diretores de arte das agências são extremamente criativos nos conceitos, que, com dinheiro, uma cópia barata vira uma cópia cara.
Eu queria morar numa favela: Serra e Kassab, sempre antenados com as incríveis políticas sociais do PSDB/DEMo, não satisfeitos com as rampas antimendigo, o extermínio de moradores de rua por policiais (lembram?), o sucateamento dos albergues, agora os moradores de rua são expulsos da cracolândia original, sob a pretensa revitalização da região, apenas para instalarem suas carcaças umas quadras acima, com os mesmos problemas. Com a direita brasileira, e a bela classe média que a elege, é assim: se não estou vendo, não é mais problema meu. E o Haiti não é só aqui: todo reduto de viaduto tem um muito de campo de concentração. Ser notícia velha embrulhada no jornal.
No Brasil, 11,5% das crianças são analfabetas. E o pessoal preocupado em legalizar a maconha.
Júlio de Mesquita Filho, o mesmo do infame editorial “Basta!”, anti-Jango e pró-ditadura, é celebrado como modelo de caráter.
Vendo televisão, descobri que a dignidade vale uns R$ 200 para fingir que namora alguém, que você dá dinheiro ao pastor, e, num passe de mágica, fica com mais dinheiro, e que a felicidade é uma mão de tinta numa parede descascada. Ah, e que todas as operadoras de telefonia funcionam direito, os diretores de arte das agências são extremamente criativos nos conceitos, que, com dinheiro, uma cópia barata vira uma cópia cara.
terça-feira, 30 de junho de 2009
Pra fazer sucesso, pra vender disco de protesto, todo mundo tem que reclamar
Escrito com Shepones
Não interessa contra o que ou contra quem. Com razão ou sem razão, sabendo do que se fala ou não, o negócio é reclamar geral. Eis as melhores músicas de protesto já feitas:
Até Quando Esperar? (Plebe Rude)
Capitulo 4, Versículo 3 (Racionais MCs)
How Many Tears (Helloween)
Like A Song (U2)
Masters Of War (Bob Dylan)
Perfeição (Legião Urbana)
Redemption Song (Bob Marley)
Selvagem? (Os Paralamas Do Sucesso)
Todas do Rage Against The Machine
War Pigs (Black Sabbath)
Não gostou? Protesta, ué.
Não interessa contra o que ou contra quem. Com razão ou sem razão, sabendo do que se fala ou não, o negócio é reclamar geral. Eis as melhores músicas de protesto já feitas:
Até Quando Esperar? (Plebe Rude)
Capitulo 4, Versículo 3 (Racionais MCs)
How Many Tears (Helloween)
Like A Song (U2)
Masters Of War (Bob Dylan)
Perfeição (Legião Urbana)
Redemption Song (Bob Marley)
Selvagem? (Os Paralamas Do Sucesso)
Todas do Rage Against The Machine
War Pigs (Black Sabbath)
Não gostou? Protesta, ué.
quinta-feira, 18 de junho de 2009
I was looking for a job and then I found a job and Heaven knows I'm miserable now.
Onze sugestões de empreendimento para os recém-desprofissionalizados jornalistas
Escrito com Shepones
01. Vender Avon
02. Fazer malabares no semáforo
03. Agenciar prostituição infantil no Ceasa
04. Plantar maconha no litoral da Bahia
05. Ser porteiro de bordel na Augusta
06. Revender tele-sena vencida
07. Ser homem-sanduíche de "Compro Ouro" no Centrão
08. Vender pomada da banha do peixe-boi da amazônia no trem
09. Fingir-se de mudo e vender adesivo do Piu-Piu no bumba
10. Oferecer-se como cobaia para teste de novos medicamentos
11. Preparar tapiocas no Centro De Tradições Nordestinas (CTN)
Escrito com Shepones
01. Vender Avon
02. Fazer malabares no semáforo
03. Agenciar prostituição infantil no Ceasa
04. Plantar maconha no litoral da Bahia
05. Ser porteiro de bordel na Augusta
06. Revender tele-sena vencida
07. Ser homem-sanduíche de "Compro Ouro" no Centrão
08. Vender pomada da banha do peixe-boi da amazônia no trem
09. Fingir-se de mudo e vender adesivo do Piu-Piu no bumba
10. Oferecer-se como cobaia para teste de novos medicamentos
11. Preparar tapiocas no Centro De Tradições Nordestinas (CTN)
terça-feira, 16 de junho de 2009
No fim da tarde, a sensação da missão cumprida
Engraçado como as pessoas se interessam mais pelas eleições do Irã do que pelas do Brasil. Vide os escroques que temos elegido, especialmente em São Paulo.
Lembrou-me 1999, no primeiro ano da faculdade, quando uma mina me abordou no corredor pedindo uma doação para os refugiados de Kosovo. Respondi: ah, legal, mas por que antes vocês não arrecadam alguns mantimentos para aquelas famílias que moram no viaduto que fica a 100 metros daqui?
Exceto quando se trata da África (porque aí ninguém liga mesmo) as pessoas parecem ficar com a consciência mais tranqüila quando “ajudam” sem se envolver.
E vale notar que esses supostos interesses vão e vêm ao sabor da mídia. Cada semana é uma comoção diferente que assola essa “gente honesta, boa e comovida”. Aposto um picolé de limão que os persas serão esquecidos, em prol de um novo assunto (seja um moleque arrastado pelas ruas ou uma cantora gorda internada por estresse) mais rapidamente do que você consegue dizer “Mahmoud Ahmadinejad”.
Ah, vou doar roupas velhas pra Santa Catarina, adotar financeiramente um moleque da LBV que nunca precisarei ver na vida e colocar no Orkut um avatar “Free Palestina” (mesmo que eu sequer saiba apontá-la no mapa).
Porém, quando o pivete da esquina aparece, fecho o vidro. Quando vejo o mendigo dormindo sob uma marquise, viro o rosto.
Dou minhas ofertas na igreja, mas não sei amar o próximo. Só o distante.
Lembrou-me 1999, no primeiro ano da faculdade, quando uma mina me abordou no corredor pedindo uma doação para os refugiados de Kosovo. Respondi: ah, legal, mas por que antes vocês não arrecadam alguns mantimentos para aquelas famílias que moram no viaduto que fica a 100 metros daqui?
Exceto quando se trata da África (porque aí ninguém liga mesmo) as pessoas parecem ficar com a consciência mais tranqüila quando “ajudam” sem se envolver.
E vale notar que esses supostos interesses vão e vêm ao sabor da mídia. Cada semana é uma comoção diferente que assola essa “gente honesta, boa e comovida”. Aposto um picolé de limão que os persas serão esquecidos, em prol de um novo assunto (seja um moleque arrastado pelas ruas ou uma cantora gorda internada por estresse) mais rapidamente do que você consegue dizer “Mahmoud Ahmadinejad”.
Ah, vou doar roupas velhas pra Santa Catarina, adotar financeiramente um moleque da LBV que nunca precisarei ver na vida e colocar no Orkut um avatar “Free Palestina” (mesmo que eu sequer saiba apontá-la no mapa).
Porém, quando o pivete da esquina aparece, fecho o vidro. Quando vejo o mendigo dormindo sob uma marquise, viro o rosto.
Dou minhas ofertas na igreja, mas não sei amar o próximo. Só o distante.
segunda-feira, 8 de junho de 2009
The dark side of the meal
Manual De (Má) Conduta Para Funcionários do Mc Habob's
01. Tire esse sorriso do rosto já! Um funcionário do Mc Habob’s jamais sorri. Ele não tem motivos para isso.
02. Treine olhares impassíveis, cheios de blasê, para atender os clientes.
03. Não preste muita atenção nos pedidos: faz parte do charme do lugar receber lanches errados, e, ao reclamar, ouvir algo como “tenho certeza de que você pediu isso”.
04. Treine uma cara de hiena faminta para quando o cliente ameaçar não pagar os 10%, ainda que seu atendimento seja do nível de Auschwitz.
05. Quando alguém reclamar que o pedido está errado, como um refri com pedras de gelo o qual o cliente alega ter pedido sem elas, insista silenciosa e obstinadamente empurrando o copo para ele. Mostre sua força de vontade.
06. Treine lutinha com esfirras na cozinha, acertando os outros funcionários (acintosamente, pra que os clientes vejam) e arremesso de beirute com ovo gosmento no prato do freguês, de modo que o lanche dê uma dropada tipo half-pipe nas bordas.
07. Use o tratamento “senhor” a cada três palavras, ainda que não faça sentido, só para irritar o cliente e fazê-lo se sentir um número sem importância.
08. Desconte sua insatisfação com o trabalho escravo e o salário de fome despejando fluidos corporais nos lanches e nunca lavando as mãos após coçar a bunda.
09. A primeira regra do Mc Habob’s é que você não sabe do que é feita a carne do Mc Habob’s.
10. O queijo eu te conto: é feito do mesmo material da caixinha em que vêm os lanches.
01. Tire esse sorriso do rosto já! Um funcionário do Mc Habob’s jamais sorri. Ele não tem motivos para isso.
02. Treine olhares impassíveis, cheios de blasê, para atender os clientes.
03. Não preste muita atenção nos pedidos: faz parte do charme do lugar receber lanches errados, e, ao reclamar, ouvir algo como “tenho certeza de que você pediu isso”.
04. Treine uma cara de hiena faminta para quando o cliente ameaçar não pagar os 10%, ainda que seu atendimento seja do nível de Auschwitz.
05. Quando alguém reclamar que o pedido está errado, como um refri com pedras de gelo o qual o cliente alega ter pedido sem elas, insista silenciosa e obstinadamente empurrando o copo para ele. Mostre sua força de vontade.
06. Treine lutinha com esfirras na cozinha, acertando os outros funcionários (acintosamente, pra que os clientes vejam) e arremesso de beirute com ovo gosmento no prato do freguês, de modo que o lanche dê uma dropada tipo half-pipe nas bordas.
07. Use o tratamento “senhor” a cada três palavras, ainda que não faça sentido, só para irritar o cliente e fazê-lo se sentir um número sem importância.
08. Desconte sua insatisfação com o trabalho escravo e o salário de fome despejando fluidos corporais nos lanches e nunca lavando as mãos após coçar a bunda.
09. A primeira regra do Mc Habob’s é que você não sabe do que é feita a carne do Mc Habob’s.
10. O queijo eu te conto: é feito do mesmo material da caixinha em que vêm os lanches.
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Quem vê caramujo, não vê coração.
Uma noite com o caramujinho guitarrista (II)
Após o ensaio de sábado à noite, o caramujinho foi convidado pelos outros integrantes, as lesmas, para curtir uma balada. Gastrópode que é, tem preguiça de ficar fora do casulo a noite toda. Mas insistiram tanto que acabou aceitando. Foram a um pico que, diziam, teria open-bar.
_Open-bar? Por que não disseram antes, vamos, suas lesmas!
Tá certo que esse termo é sinônimo de roubada, visto que espanta as caramujinhas, atrai caracóis bêbados e só contêm bebidas que nem um visigodo que levou fora da concumbina aceitaria.
Mas aquilo era demais pro caramujinho.
O interior parecia que havia pegado fogo, sido atingido por um aerólito e depredado por hordas de ETs belicosos.
O banheiro era o círculo infernal ao qual Virgílio não teve coragem de levar Dante, com medo de perder a amizade. Devia haver ali cepas de todas as doenças mais mortíferas, de varíola a ebola, passando por peste negra e gripe espanhola.
O open-bar era composto de bebidas altamente nocivas, certamente aparentadas do zyklon-B, do BHC e do ácido muriático. Achou que o bar só estava open porque o Conselho de Segurança da ONU não teve coragem de ir até lá verificar as armas de destruição em massa.
Desejou que aquelas lesmas secassem num cimentado em dia de sol.
No palco, em meio a um calor que deixava o ar mefítico irrespirável com seus miasmas, uma banda cover assassinava Stone Temple Pilots com solos fora de escala e vocal fraquinho embromando no ingrêis.
_Vou embora.
(Leia com sotaque bêbado)
_Vai nada, caramujinho, fica aí, vai ter mais bandas, tem bebida de graça.
_Suas lesmas, eu não vou beber esses venenos. Tô indo, é sério.
Foi embora.
Tinha um caracol em coma alcoólico, tentando ser reanimado pelos amigos. Outro vomitado na escada, perto da porta.
E não era nem uma da madrugada.
Após o ensaio de sábado à noite, o caramujinho foi convidado pelos outros integrantes, as lesmas, para curtir uma balada. Gastrópode que é, tem preguiça de ficar fora do casulo a noite toda. Mas insistiram tanto que acabou aceitando. Foram a um pico que, diziam, teria open-bar.
_Open-bar? Por que não disseram antes, vamos, suas lesmas!
Tá certo que esse termo é sinônimo de roubada, visto que espanta as caramujinhas, atrai caracóis bêbados e só contêm bebidas que nem um visigodo que levou fora da concumbina aceitaria.
Mas aquilo era demais pro caramujinho.
O interior parecia que havia pegado fogo, sido atingido por um aerólito e depredado por hordas de ETs belicosos.
O banheiro era o círculo infernal ao qual Virgílio não teve coragem de levar Dante, com medo de perder a amizade. Devia haver ali cepas de todas as doenças mais mortíferas, de varíola a ebola, passando por peste negra e gripe espanhola.
O open-bar era composto de bebidas altamente nocivas, certamente aparentadas do zyklon-B, do BHC e do ácido muriático. Achou que o bar só estava open porque o Conselho de Segurança da ONU não teve coragem de ir até lá verificar as armas de destruição em massa.
Desejou que aquelas lesmas secassem num cimentado em dia de sol.
No palco, em meio a um calor que deixava o ar mefítico irrespirável com seus miasmas, uma banda cover assassinava Stone Temple Pilots com solos fora de escala e vocal fraquinho embromando no ingrêis.
_Vou embora.
(Leia com sotaque bêbado)
_Vai nada, caramujinho, fica aí, vai ter mais bandas, tem bebida de graça.
_Suas lesmas, eu não vou beber esses venenos. Tô indo, é sério.
Foi embora.
Tinha um caracol em coma alcoólico, tentando ser reanimado pelos amigos. Outro vomitado na escada, perto da porta.
E não era nem uma da madrugada.
Diga-me o que comes, e eu te direi que estás fudido.
As piores coisas que já passaram pelo meu combalido estômago:
05. Dogão do Sesc Itaquera: no geral os rangos do Sesc são bons e baratos, mas o hot-morte dessa unidade é feito com o pão que o Diabo amassou e salsicha de pneu e gato atropelado. E ainda deu dor de barriga no dia seguinte.
04. “Cerveja” Liber no Pacaembu: embora nos arredores você possa comer um incrível e tradicional sanduba de pernil, um suspeito sanduga de lingüiça feita com algum animal ainda não registrado pelo Ibama, e tomar de cerveja a rabo-de-galo, dentro do estádio a hipocrisia reina: vendem-se hambúrgueres horríveis, sorvetes semiderretidos, refrigerantes genéricos do tipo Carrefour-Cola (vendida como “Pepsi”) e a temível Liber, que tem gosto de pão velho molhado. Pior que isso só o Corinthians de 2006-2007.
03. Hambúrguer do Lulu: para um domingão frio e aziago no Pacaembu, durante um (ótimo) show mal divulgado do Lulu Santos, um hambúrguer frio e aziago, saboroso como o isopor no qual estava acondicionado.
02. Coxinha do Oldboy: devia estar sem sal. Deve ter sido de propósito, coisa de funcionário que pretende ferrar a imagem da empresa. O salgado ingerido na Uno & Due da Galeria Gemini, antes da sessão de Oldboy, foi como mastigar um saco de cimentcola.
01. Dogão do U2: não foi um dia fácil. Para ver a melhor banda do mundo pela segunda vez, enfrentei trampo o dia todo, maratona num puta calor até o Morumbi, grandes filas para entrar e sair, chuva na hora de ir embora e uma lotação cheirando a hiena velha. Mas nada supera do cachorro-quente deglutido na porta de entrada: uma salsicha feita provavelmente com garrafas PET recicladas num um pão ázimo que sobrou da Santa Ceia. E custou caro.
05. Dogão do Sesc Itaquera: no geral os rangos do Sesc são bons e baratos, mas o hot-morte dessa unidade é feito com o pão que o Diabo amassou e salsicha de pneu e gato atropelado. E ainda deu dor de barriga no dia seguinte.
04. “Cerveja” Liber no Pacaembu: embora nos arredores você possa comer um incrível e tradicional sanduba de pernil, um suspeito sanduga de lingüiça feita com algum animal ainda não registrado pelo Ibama, e tomar de cerveja a rabo-de-galo, dentro do estádio a hipocrisia reina: vendem-se hambúrgueres horríveis, sorvetes semiderretidos, refrigerantes genéricos do tipo Carrefour-Cola (vendida como “Pepsi”) e a temível Liber, que tem gosto de pão velho molhado. Pior que isso só o Corinthians de 2006-2007.
03. Hambúrguer do Lulu: para um domingão frio e aziago no Pacaembu, durante um (ótimo) show mal divulgado do Lulu Santos, um hambúrguer frio e aziago, saboroso como o isopor no qual estava acondicionado.
02. Coxinha do Oldboy: devia estar sem sal. Deve ter sido de propósito, coisa de funcionário que pretende ferrar a imagem da empresa. O salgado ingerido na Uno & Due da Galeria Gemini, antes da sessão de Oldboy, foi como mastigar um saco de cimentcola.
01. Dogão do U2: não foi um dia fácil. Para ver a melhor banda do mundo pela segunda vez, enfrentei trampo o dia todo, maratona num puta calor até o Morumbi, grandes filas para entrar e sair, chuva na hora de ir embora e uma lotação cheirando a hiena velha. Mas nada supera do cachorro-quente deglutido na porta de entrada: uma salsicha feita provavelmente com garrafas PET recicladas num um pão ázimo que sobrou da Santa Ceia. E custou caro.
Quem disse que caramujo não tem coração?
As aventuras do caramujinho jornalista (I)
Era uma vez um caramujinho que fazia frilas.
Um dia uma borboletinha, aconselhada por outra borboleta, ligou para o caramujo e lhe ofereceu um freelance que ela não conseguiria fazer a tempo.
_Olá caramujinho, tudo bem?
_Tudo bem, borboletinha, e você?
E, numa cordial conversa, os termos do trabalho ficaram acertados, com todos os contatos e todas as coordenadas.
Faltava falar com o cliente, o besouro rola-bosta.
_Olá rola-bosta, tudo bem?
_Tudo bem, caramujinho, e você?
O besouro explicou que era um trabalho insano, muita coisa em pouco tempo. “Pelo menos poderei cobrar bastante”, pensou o ressabiado caramujinho.
No dia seguinte o caramujinho, mesmo tendo acordado com uma forte dor de barriga, vômito e enxaqueca, decidiu cumprir seus compromissos. Deslizou até o médico, onde tinha consulta marcada havia tempos. Sendo um molusco pobre, com casca de segunda mão, que utiliza o SUS, ficou esperando um tempão, mesmo com hora marcada. De lá, escorregou até o terminal de ônibus, onde engoliu a segunda pior coxinha de sua vida (fez até uma nota mental de listar depois os piores rangos que já comera), e seguiu para o longínquo cliente.
E o caramujinho foi. E foi. E foi. O lugar parecia nunca chegar. Que jardim distante! De terminal em terminal, de ônibus em ônibus, o pequeno molusco morria de calor dentro de sua carapaça que ardia sob o sol daquela tarde abafada. Desceu já atrasado, às pressas, quando viu que o enésimo ônibus que pegara não chegaria onde deveria. E o caramujinho andou. Andou. Andou. Mal havia muco suficiente para se arrastar por aquele caminho imenso, desconhecido, cheio de perigos. Resolveu perguntar a todos que apareciam
_Olá centopéia, onde fica este endereço?
_Não sei, caramujinho. Por que não pergunta àqueles cupins?
_Olá cupins, onde fica este endereço?
_Não sabemos, caramujinho. Por que não pergunta àquele louva-a-deus?
_Olá louva-a-deus, onde fica este endereço?
_Não sei, caramujinho. Por que não pergunta àquela aranha?
O caramujinho se sentiu perdido num imenso formigueiro, sem saber aonde ir. Por sorte sua joaninha-madrinha lhe telefonou, procurou o endereço na internet e corrigiu a rota do pequeno caramujo, já tão cansado e apreensivo.
_Olá caramujinho, você já andou tanto, mas agora nem está tão longe. Continue à direita, naqueles arbustos.
_Obrigado fada-joaninha. Serei eternamente grato.
Mas o pior estava pior vir: quando chegou à esquina do jardim, viu um imenso vale que deveria atravessar. Era tão colossal, e o caramujinho já estava tão cansado e atrasado, que só conseguiu pensar no Ice Blue, dos Racionais MCs, falando, em A Vítima:
“MANO, FOI UM ARREGAÇO!...”
E o caramujinho desceu o vale infindável.
Desceu.
Desceu.
Desceu.
No ponto mais fundo, sentiu o ar faltando como se estivesse no fundo do oceano.
Subiu.
Subiu.
Subiu.
O vento quente lhe ardia nos pulmões, o suor deixava seu corpo ainda mais escorregadio dentro do casco. Achou que ia infartar, de tanto que o coração palpitava.
Chegou ao local, com saudade de um banho relaxante em seu cogumelo, na companhia de sua caramujinha.
Suou de derramar cascatas enquanto esperava o cliente, sob os olhares enviesados da secretária taturana.
Quando finalmente foi atendido, naquele ambiente impessoal de grande fábrica, e foi formalmente apresentado pelo rola-bosta ao décimo terceiro trabalho de Hércules, aquele que ele recusou porque não ia dar tempo.
_Quanto você cobra por isso?
_Dez flores murchas.
_Tudo isso? Só posso pagar três.
_Esse preço é ridículo.
_O outro caramujo fez por duas flores. E nem estavam murchas.
_É, e o trabalho ficou uma merda.
_Ah, faz um desconto, vai. Quatro flores, ta bom?
O caramujinho pensou em torturar aquele ganancioso rola-bosta e todos os seus familiares. Mas havia viajado tanto até ali, o dia havia sido tão cansativo, que acabou aceitando.
Na saída, tentando minimizar seu prejuízo pessoal, inquiriu o besouro pão-duro:
_Pô seu rola-bosta, você me ensinou o caminho errado, não é possível. Tive que deslizar tanto que até me faltou muco pra voltar agora. Atravessei um longo jardim, canteiros estranhos e um vale gigantesco... e ontem você disse que era pertinho!...
_Ah, você veio de ônibus? O caminho era pra vir de carro! De ônibus tem um ponto ali pertinho, na esquina.
¬¬
Sentindo-se um caramujo prostituído, passou num boteco para comprar uma cerveja e dar uma conferida no final da Champions League.
Achou um velho com uma camisa do Corinthians na esquina. Perguntou a ele se o ônibus desejado passava ali, para então emendar:
_Hoje tem Coringão, hein? Dois a zero no Vasquinho?
_Opa, hoje a gente ganha fácil.
Ele jamais havia puxado conversa com um estranho, em toda a sua lenta vida. Alguma coisa havia mudado naquela tarde baça, e era a expressão estóica de um caramujinho que acreditava mais em si.
E a noite chegou como um manto alvinegro, pousando suavemente sobre aquele coração exausto.
Era uma vez um caramujinho que fazia frilas.
Um dia uma borboletinha, aconselhada por outra borboleta, ligou para o caramujo e lhe ofereceu um freelance que ela não conseguiria fazer a tempo.
_Olá caramujinho, tudo bem?
_Tudo bem, borboletinha, e você?
E, numa cordial conversa, os termos do trabalho ficaram acertados, com todos os contatos e todas as coordenadas.
Faltava falar com o cliente, o besouro rola-bosta.
_Olá rola-bosta, tudo bem?
_Tudo bem, caramujinho, e você?
O besouro explicou que era um trabalho insano, muita coisa em pouco tempo. “Pelo menos poderei cobrar bastante”, pensou o ressabiado caramujinho.
No dia seguinte o caramujinho, mesmo tendo acordado com uma forte dor de barriga, vômito e enxaqueca, decidiu cumprir seus compromissos. Deslizou até o médico, onde tinha consulta marcada havia tempos. Sendo um molusco pobre, com casca de segunda mão, que utiliza o SUS, ficou esperando um tempão, mesmo com hora marcada. De lá, escorregou até o terminal de ônibus, onde engoliu a segunda pior coxinha de sua vida (fez até uma nota mental de listar depois os piores rangos que já comera), e seguiu para o longínquo cliente.
E o caramujinho foi. E foi. E foi. O lugar parecia nunca chegar. Que jardim distante! De terminal em terminal, de ônibus em ônibus, o pequeno molusco morria de calor dentro de sua carapaça que ardia sob o sol daquela tarde abafada. Desceu já atrasado, às pressas, quando viu que o enésimo ônibus que pegara não chegaria onde deveria. E o caramujinho andou. Andou. Andou. Mal havia muco suficiente para se arrastar por aquele caminho imenso, desconhecido, cheio de perigos. Resolveu perguntar a todos que apareciam
_Olá centopéia, onde fica este endereço?
_Não sei, caramujinho. Por que não pergunta àqueles cupins?
_Olá cupins, onde fica este endereço?
_Não sabemos, caramujinho. Por que não pergunta àquele louva-a-deus?
_Olá louva-a-deus, onde fica este endereço?
_Não sei, caramujinho. Por que não pergunta àquela aranha?
O caramujinho se sentiu perdido num imenso formigueiro, sem saber aonde ir. Por sorte sua joaninha-madrinha lhe telefonou, procurou o endereço na internet e corrigiu a rota do pequeno caramujo, já tão cansado e apreensivo.
_Olá caramujinho, você já andou tanto, mas agora nem está tão longe. Continue à direita, naqueles arbustos.
_Obrigado fada-joaninha. Serei eternamente grato.
Mas o pior estava pior vir: quando chegou à esquina do jardim, viu um imenso vale que deveria atravessar. Era tão colossal, e o caramujinho já estava tão cansado e atrasado, que só conseguiu pensar no Ice Blue, dos Racionais MCs, falando, em A Vítima:
“MANO, FOI UM ARREGAÇO!...”
E o caramujinho desceu o vale infindável.
Desceu.
Desceu.
Desceu.
No ponto mais fundo, sentiu o ar faltando como se estivesse no fundo do oceano.
Subiu.
Subiu.
Subiu.
O vento quente lhe ardia nos pulmões, o suor deixava seu corpo ainda mais escorregadio dentro do casco. Achou que ia infartar, de tanto que o coração palpitava.
Chegou ao local, com saudade de um banho relaxante em seu cogumelo, na companhia de sua caramujinha.
Suou de derramar cascatas enquanto esperava o cliente, sob os olhares enviesados da secretária taturana.
Quando finalmente foi atendido, naquele ambiente impessoal de grande fábrica, e foi formalmente apresentado pelo rola-bosta ao décimo terceiro trabalho de Hércules, aquele que ele recusou porque não ia dar tempo.
_Quanto você cobra por isso?
_Dez flores murchas.
_Tudo isso? Só posso pagar três.
_Esse preço é ridículo.
_O outro caramujo fez por duas flores. E nem estavam murchas.
_É, e o trabalho ficou uma merda.
_Ah, faz um desconto, vai. Quatro flores, ta bom?
O caramujinho pensou em torturar aquele ganancioso rola-bosta e todos os seus familiares. Mas havia viajado tanto até ali, o dia havia sido tão cansativo, que acabou aceitando.
Na saída, tentando minimizar seu prejuízo pessoal, inquiriu o besouro pão-duro:
_Pô seu rola-bosta, você me ensinou o caminho errado, não é possível. Tive que deslizar tanto que até me faltou muco pra voltar agora. Atravessei um longo jardim, canteiros estranhos e um vale gigantesco... e ontem você disse que era pertinho!...
_Ah, você veio de ônibus? O caminho era pra vir de carro! De ônibus tem um ponto ali pertinho, na esquina.
¬¬
Sentindo-se um caramujo prostituído, passou num boteco para comprar uma cerveja e dar uma conferida no final da Champions League.
Achou um velho com uma camisa do Corinthians na esquina. Perguntou a ele se o ônibus desejado passava ali, para então emendar:
_Hoje tem Coringão, hein? Dois a zero no Vasquinho?
_Opa, hoje a gente ganha fácil.
Ele jamais havia puxado conversa com um estranho, em toda a sua lenta vida. Alguma coisa havia mudado naquela tarde baça, e era a expressão estóica de um caramujinho que acreditava mais em si.
E a noite chegou como um manto alvinegro, pousando suavemente sobre aquele coração exausto.
terça-feira, 26 de maio de 2009
Tr00 be or no tr00 be (II)
Após o sucesso da minha franquia profana e blasfema da loja tr00, aguardem o lançamento da minha plataforma tr00 para o microbblogin’ e a comunicação entre os reais guerreiros pagãos satânicos misantrópicos niilistas: o Tr00witter.
Em vez daquele passarinho boiola e cristão que remete ao Espírito Santo, teremos um corvo de Odin (ainda não decidi entre Hugin ou Munin) envolto nas chamas e sob a escuridão das planícies desoladas do Hades.
As funções:
[Tomb] Porque tr00 não tem “Home”, e sim perambula pelos cemitérios a fim de misantropicar e tirar fotos posando entre as cruzes.
[Artefato] porque “twitt” é um som nada tr00; um blackmettaler manda artefatos contra os fracos cristãos e poseurs que infestam a cena.
[Hail] guerreiros de Lúcifer saúdam outros guerreiros, não dão “reply”.
[FanzineMimeografado] RT não, pô. Tr00 que é tr00 só passa som via fanzines tranqueira que só ele e o primo lêem.
[Quest] É mais épico que “Search”, combinando mais com as buscas solitárias dos guerreiros pelas vast paganlands.
[TrendTopics] Você não é nada kvlt, hein? Preciso citar Behemoth (encarte do Grom): “Black metal is not a trend, it's a cult”. E o fato de eles mesmo terem migrado para o death metal no disco seguinte não vem ao caso.
[Stalking_Me] Porque reais da cena profana não seguem ninguém, são misantrópicos e individualistas, esqueceu?
[Hatred tr00wits] Tr00 não favorita, porra!
[Direct scourges] Tr00 vai direto ao ponto, dando tiro na cabeça e facada nas costas. Sem frescura.
A pergunta será: What are you profanating?
Exemplo de possíveis postagens:
@ImpalerSodomizer #follow @SatanicLust666
@Euronymous #unfollow @VargVikernes
@ChristCrusher: alguém aí tem dicas para um bom corpse-paint? hipoglós ou minâncora?
“This account no longer exists (tr00wittercídio)”: vale para @Dead @JonNödtveidt @Cernunnos @Grim
@Sventevith: hail warriors! Quem vai ao #TOC (tr00witteiro on cimita) hoje?
@Hellhammer_90: Tô indo pro Inner Circle. #beijosmeempala
Venha destruir a civilização judaico-cristã em 140 caracteres você também!
Em vez daquele passarinho boiola e cristão que remete ao Espírito Santo, teremos um corvo de Odin (ainda não decidi entre Hugin ou Munin) envolto nas chamas e sob a escuridão das planícies desoladas do Hades.
As funções:
[Tomb] Porque tr00 não tem “Home”, e sim perambula pelos cemitérios a fim de misantropicar e tirar fotos posando entre as cruzes.
[Artefato] porque “twitt” é um som nada tr00; um blackmettaler manda artefatos contra os fracos cristãos e poseurs que infestam a cena.
[Hail] guerreiros de Lúcifer saúdam outros guerreiros, não dão “reply”.
[FanzineMimeografado] RT não, pô. Tr00 que é tr00 só passa som via fanzines tranqueira que só ele e o primo lêem.
[Quest] É mais épico que “Search”, combinando mais com as buscas solitárias dos guerreiros pelas vast paganlands.
[TrendTopics] Você não é nada kvlt, hein? Preciso citar Behemoth (encarte do Grom): “Black metal is not a trend, it's a cult”. E o fato de eles mesmo terem migrado para o death metal no disco seguinte não vem ao caso.
[Stalking_Me] Porque reais da cena profana não seguem ninguém, são misantrópicos e individualistas, esqueceu?
[Hatred tr00wits] Tr00 não favorita, porra!
[Direct scourges] Tr00 vai direto ao ponto, dando tiro na cabeça e facada nas costas. Sem frescura.
A pergunta será: What are you profanating?
Exemplo de possíveis postagens:
@ImpalerSodomizer #follow @SatanicLust666
@Euronymous #unfollow @VargVikernes
@ChristCrusher: alguém aí tem dicas para um bom corpse-paint? hipoglós ou minâncora?
“This account no longer exists (tr00wittercídio)”: vale para @Dead @JonNödtveidt @Cernunnos @Grim
@Sventevith: hail warriors! Quem vai ao #TOC (tr00witteiro on cimita) hoje?
@Hellhammer_90: Tô indo pro Inner Circle. #beijosmeempala
Venha destruir a civilização judaico-cristã em 140 caracteres você também!
segunda-feira, 25 de maio de 2009
And thus, we shall cheat Deah.
Ontem passou no Domingo Legal (OK, não riam) uma matéria sobre corpos incorruptos, múmias e igrejas ossudas, com catacumbas repletas de ossadas que formam desenhos lúgubres. Tem uma matéria que a Globo fez sei lá quando, e colocou ontem no site do Fantástico porque, provavelmente, ficou incomodada com a audiência do concorrente. Por ele, dá para ter uma idéia. À parte da morbidez fascinante das múmias, que mostram nossa impermanência, jogando-a em nossa cara da forma mais rude. Mas o que chamou a atenção é que, nesse espetáculo mortuário que a Igreja fez desse montante de cadáveres, num gigantesco memento mori, é que o sentido original daquelas mumificações foi subvertido. À parte dos corpos de santos, que entram numa questão de fé versus ciência do qual não pretendo falar no momento, pois configuram outro aspecto do necrocristianismo, chama a atenção que todas aquelas ex-pessoas pretendiam se perpetuar por meio da mumificação, e hoje são justamente prova do contrário: a de que seremos inevitavelmente esquecidos. Hoje ninguém mais conhece aquelas pessoas, nenhum contemporâneo existe mais, estão todos igualmente mortos. Ninguém engana a existência, tão pouco o limite dela. Carpe noctem.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
E sei que a poesia está para a prosa assim como o amor está para a amizade, e quem há de negar que esta lhe é superior?
Poesia é mais fácil que prosa: tem, ao mesmo tempo, mais e menos regras. Comporta mais formatos, permitem-se imagens livres, deixa livre qualquer interpretação. Escrevo versos como quem vive, como quem se cura de uma loucura qualquer. Já a prosa é doida, doída, densa, tensa. Ainda que possam se confundir, se tocar, se lamber e se beijar, numa cópula incestuosa, visto que são irmãs. Versificar me faz bem, prosear me faz mal. No entanto acendo velas a ambos, deus e diabo, numa comunhão profana do mesmo altar literário. Versos brancos, negros, livres, cativos; sonetos, odes, elegias, rondós. Tudo cabe na imensidão da poesia. Todas as imagens (im)possíveis já estão (d)escritas nas entrelinhas das estrelas em cada rima. A prosa já exige uma exposição maior, não permite a insinuação da poesia, desnuda logo, à vestes rasgadas com sofreguidão, o corpo envergonhado dos desejos inconfessáveis. Ainda não esqueci a promessa horrível. Sabia que a música é a entrega que mais se aproxima da literatura? Você poetiza nas canções e proseia nos interstícios. Agride a língua, como numa mordida léxica que arranca sangue dos significados, enquanto arranha as cordas em sons inexistentes. Êxtase blasfemo: quem possui a arte não precisa de nenhum deus. Quem é possuído por ela, torna-se o próprio demônio. A Queda se renova em cada criação.
terça-feira, 28 de abril de 2009
Under Jolly Roger
Tentei vender minh’alma
Mas Deus não quis comprar
Já estava pirateada
Era só downloadear
Meus sonhos de toda a vida
À venda no camelô
Nos iPods, sem saída
Nem sei mais onde estou
Confesso que foi vacilo
O Diabo já ia comprar
Mas, bem fiel ao meu estilo
Demorei pra entregar
Quem sabe no eBay
Eu consiga um bom preço
Se bem que até já sei
O pouquinho que mereço
Pois ninguém vai dar dinheiro
Por uma alma na metade
Pelo que já está inteiro
Em qualquer canto da cidade.
Mas Deus não quis comprar
Já estava pirateada
Era só downloadear
Meus sonhos de toda a vida
À venda no camelô
Nos iPods, sem saída
Nem sei mais onde estou
Confesso que foi vacilo
O Diabo já ia comprar
Mas, bem fiel ao meu estilo
Demorei pra entregar
Quem sabe no eBay
Eu consiga um bom preço
Se bem que até já sei
O pouquinho que mereço
Pois ninguém vai dar dinheiro
Por uma alma na metade
Pelo que já está inteiro
Em qualquer canto da cidade.
quarta-feira, 15 de abril de 2009
¿Where do they all belong?
Corredor do posto de saúde: atendimento atrasado em algumas dezenas de minutos, vaivém de pacientes e impacientes, todos misturados em doenças e especialidades médicas, entre portas fechadas e cadeiras desconfortáveis para a espera. Uma senhora de sessenta e tantos anos, vestido marrom, cabelos brancos e mau cheiro que denunciava a falta de banho havia alguns dias, adentrou o ambiente. Nervosa, transtornada, perturbada, disse à recepcionista, com ânsia, que precisava falar com a psiquiatra. Indicaram-na um banco para esperar, junto à porta de Saúde Mental. Quando a sala ficou aberta, mal o paciente que lá estava saiu e a senhora entrou falando que o marido havia morrido no dia anterior, o neto havia roubado seu carro, o banco, cancelado sua conta, e não dormia ou comia desde o enterro. Com um papel que, segundo ela, era a certidão de óbito do marido, pediu à médica algo que não consegui entender, dada a confusão da fala da senhora. A psiquiatra, consternada, indicou-a a assistente social, que, supostamente, ajudá-la-ia. Antes disso, contou a mesma história meio sem nexo a um senhor que esperava atendimento, acrescentando, entre outros aparentes devaneios, que não saía de casa com medo de a roubarem, e que havia perdido um brinco quando se inclinou no caixão à cova. Ao entrar na sala da assistente social, que pedia à psiquiatra que prescrevesse algum calmante para aquele caso, a mulher cujo odor já ocupava todo o posto virou-se para mim e disse: “Você vê? A vida tem dessas coisas”.
quinta-feira, 19 de março de 2009
Vamos Tesouro, não se misture com essa gentalha.
Síndrome de indie é uma coisa que enche o saco. Antes se restringia à música, com os filhotes de Álvaro Pereira Júnior se regozijando em proclamar como salvação do rock a mais recente banda do interior da Islândia, para, meses depois, com falso blasê, mostrar desinteresse só porque não é mais só ele e seus dois amigos nerds rancorosos que ouvem o que ele mesmo divulgou.
Como agora, devido à mp3, fica muito mais fácil para todos ouvirem de tudo, sem a necessidade de gurus, o câncer de indie melindrado se arrastou para a internet: as redes sociais têm, freqüentemente, chororô dos chamados early adopters (nome frufru para nerds/geeks) ante a popularização do Orkut, do Facebook, do MySpace, do Twitter, etc., não sem completar a mensagem com os bordões “isto aqui era melhor há dois anos, quando não havia muitos brasileiros” e “maldita inclusão digital”.
Cada vez que a empregada sai do quartinho dela e passa em frente à sala de estar dos patrões, é um chilique, um incômodo, uma coceira que revela todos os preconceitos dos caboclos que desejam ser ingleses, para usar mais ou menos um termo do Cazuza.
A vocação de jeca que acompanha a classe média brasileira não decepciona jamais.
Como agora, devido à mp3, fica muito mais fácil para todos ouvirem de tudo, sem a necessidade de gurus, o câncer de indie melindrado se arrastou para a internet: as redes sociais têm, freqüentemente, chororô dos chamados early adopters (nome frufru para nerds/geeks) ante a popularização do Orkut, do Facebook, do MySpace, do Twitter, etc., não sem completar a mensagem com os bordões “isto aqui era melhor há dois anos, quando não havia muitos brasileiros” e “maldita inclusão digital”.
Cada vez que a empregada sai do quartinho dela e passa em frente à sala de estar dos patrões, é um chilique, um incômodo, uma coceira que revela todos os preconceitos dos caboclos que desejam ser ingleses, para usar mais ou menos um termo do Cazuza.
A vocação de jeca que acompanha a classe média brasileira não decepciona jamais.
terça-feira, 10 de março de 2009
Eternidades da semana
1. O arcebispo de Olinda foi estúpido em externar à imprensa as convicções da religião que representa e escroto em tentar levar o caso à Justiça. Mas foi coerente com os preceitos do catolicismo. Os católicos, ou os que se dizem assim, é que definitivamente precisam rever seus conceitos ante à modernidade. A Igreja não.
2. O nível do futebol atual está tão baixo que um moleque de 20 anos, um gorducho baladeiro e um encrenqueiro que joga partida sim, partida não são os destaques do esporte nacional. Definitivamente o Brasil não dá mais conta de exportar craques. Série A na Itália e Espanha, série B na Alemanha e Rússia, série C aqui. Desafio Ao Galo no Qatar.
3. O brasileiro se identifica com Ronaldo porque ele é batalhador, meio burrinho, gente-boa, humilde, faz umas merdas com dinheiro na mão mas não perde a sensibilidade. Eu mesmo havia decretado seu fim antes da Copa de 2002, estava cético com esta volta aos campos no meu time, mas, com a bola no pé, ele é fenomenal.
4. Otávio Frias Filho, apesar do falso mea culpa quanto ao termo ditabranda, insiste em comparar ditaduras com base no número de vítimas do regime. É a velha tática direitista da contagem de corpos. Mais ridículo que isso, só a cobertura insípida do próprio jornal quanto ao protesto em frente a Folha. Um quarto de página perto do ombundsman, bem ali onde ninguém lê, embaixo de outras notícias irrelevantes.
5. As matérias da grande mídia sobre os fenômenos da internet são constrangedoras. Sempre com enorme atraso, sempre entrevistando as mesmas pessoas que não sabem nada, sempre com aquele jeito Folhateen de falar coisas óbvias sem se aprofundar em nada, e sem jamais compreender realmente o objeto das matérias. Os cadernos de informática dos jornais, por exemplo, deviam parar de encher as páginas de matérias pagas e releases e contratar jornalistas antenados que corram atrás das novidades antes que estas morram de velhice.
2. O nível do futebol atual está tão baixo que um moleque de 20 anos, um gorducho baladeiro e um encrenqueiro que joga partida sim, partida não são os destaques do esporte nacional. Definitivamente o Brasil não dá mais conta de exportar craques. Série A na Itália e Espanha, série B na Alemanha e Rússia, série C aqui. Desafio Ao Galo no Qatar.
3. O brasileiro se identifica com Ronaldo porque ele é batalhador, meio burrinho, gente-boa, humilde, faz umas merdas com dinheiro na mão mas não perde a sensibilidade. Eu mesmo havia decretado seu fim antes da Copa de 2002, estava cético com esta volta aos campos no meu time, mas, com a bola no pé, ele é fenomenal.
4. Otávio Frias Filho, apesar do falso mea culpa quanto ao termo ditabranda, insiste em comparar ditaduras com base no número de vítimas do regime. É a velha tática direitista da contagem de corpos. Mais ridículo que isso, só a cobertura insípida do próprio jornal quanto ao protesto em frente a Folha. Um quarto de página perto do ombundsman, bem ali onde ninguém lê, embaixo de outras notícias irrelevantes.
5. As matérias da grande mídia sobre os fenômenos da internet são constrangedoras. Sempre com enorme atraso, sempre entrevistando as mesmas pessoas que não sabem nada, sempre com aquele jeito Folhateen de falar coisas óbvias sem se aprofundar em nada, e sem jamais compreender realmente o objeto das matérias. Os cadernos de informática dos jornais, por exemplo, deviam parar de encher as páginas de matérias pagas e releases e contratar jornalistas antenados que corram atrás das novidades antes que estas morram de velhice.
quarta-feira, 4 de março de 2009
Half a person
Esta semana, por ter ido à balada com o Femônemo, da qual este voltou para a concentração bêbado, atrasado e chiliquento, o diretor técnico do Timão, o ex-jogador Antônio Carlos Zago não agüentou a pressão e pediu demissão. Dei graças a Zeus, afinal nunca quis que esse racista filho-da-puta pusesse os pés no glorioso Parque São Jorge, muito menos dirigisse alguma coisa no meu Sport Club Corinthians Paulista de Glórias Mil.
Assim que a imprensa deixou de achar interessante divulgar o racismo do Antônio Carlos, isso perdeu a importância. Quando ele veio trabalhar no Timão, ano passado, ninguém na imprensa comentou sobre sua procedência, algo imperdoável, ainda mais num meio no qual o racismo vem crescendo.
Não posso esquecer seu passado negro (ops) por, além de isso não ter feito tanto tempo assim (foi em 2006), ele nem pagou pelo crime fora do âmbito futebolístico (pegou apenas 60 dias de suspensão), nem demonstrou arrependimento. Pior: em vez de um mea culpa, veio com o aquele papinho de “vocês me interpretaram mal”. Cazzo, não é mais digno dizer “fiz merda, estava de cabeça quente, foi mal”? Só se desculpou quando acuado pelo Ministério Público.
Enquanto isso, aposto que meio mundo releva tudo isso com base no pensamento popular que cria um dualismo entre o pessoal e o profissional. Sabe aquele lance de “ah, ele é um chefe cuzão, mas como pessoa ele é legal”? Não, ‘tá errado! Se ele é torpe 8h/dia, não pode ser boa pessoa. O caráter de alguém é posto à prova o tempo todo, não só em determinadas circunstâncias. Valores não podem ser relativos (“Vamos ver, sou ser gente-boa com meus amigos e um carrasco com minha família.”). Isso é um afrouxamento estúpido, uma permissão que a sociedade se dá para poder gostar de gente que não presta e poder dormir sem peso na consciência.
Mas o pior de tudo isso é quando dizem “Mas fulano, enquanto pessoa”... ah, e enquanto latinha de cerveja, enquanto mula-sem-cabeça, enquanto batata-doce, ele é o quê? Quando ele deixa de ser uma pessoa?
Hmmm... talvez quando seja racista, né.
Assim que a imprensa deixou de achar interessante divulgar o racismo do Antônio Carlos, isso perdeu a importância. Quando ele veio trabalhar no Timão, ano passado, ninguém na imprensa comentou sobre sua procedência, algo imperdoável, ainda mais num meio no qual o racismo vem crescendo.
Não posso esquecer seu passado negro (ops) por, além de isso não ter feito tanto tempo assim (foi em 2006), ele nem pagou pelo crime fora do âmbito futebolístico (pegou apenas 60 dias de suspensão), nem demonstrou arrependimento. Pior: em vez de um mea culpa, veio com o aquele papinho de “vocês me interpretaram mal”. Cazzo, não é mais digno dizer “fiz merda, estava de cabeça quente, foi mal”? Só se desculpou quando acuado pelo Ministério Público.
Enquanto isso, aposto que meio mundo releva tudo isso com base no pensamento popular que cria um dualismo entre o pessoal e o profissional. Sabe aquele lance de “ah, ele é um chefe cuzão, mas como pessoa ele é legal”? Não, ‘tá errado! Se ele é torpe 8h/dia, não pode ser boa pessoa. O caráter de alguém é posto à prova o tempo todo, não só em determinadas circunstâncias. Valores não podem ser relativos (“Vamos ver, sou ser gente-boa com meus amigos e um carrasco com minha família.”). Isso é um afrouxamento estúpido, uma permissão que a sociedade se dá para poder gostar de gente que não presta e poder dormir sem peso na consciência.
Mas o pior de tudo isso é quando dizem “Mas fulano, enquanto pessoa”... ah, e enquanto latinha de cerveja, enquanto mula-sem-cabeça, enquanto batata-doce, ele é o quê? Quando ele deixa de ser uma pessoa?
Hmmm... talvez quando seja racista, né.
Gone
Comenta-se hoje aqui no meu bairro que um conhecido senhor da rua de cima, de 95 anos, inclusive amigo do meu pai, daqueles vovôs bonachões, de bem com a vida, de grande família e muitos amigos, foi informado esses dias pelo médico de que estava com um câncer na próstata em estágio terminal. Recebeu a notícia placidamente, chegou em casa, colocou algumas roupas em uma bolsa, redigiu um bilhete dizendo que não queria dar trabalho a ninguém, deixando-o à mesa junto com os cartões de crédito e o do banco (com R$ 2.000 na conta) e saiu. Mesmo com os cartazes nos postes de toda a região estampando sua foto e pedindo informações, ainda não se sabe o paradeiro dele.
segunda-feira, 2 de março de 2009
To live is to die
Nunca perdi ninguém realmente próximo e querido. Já perdi colegas, parentes, animais de estimação, já vi gente morrendo tragicamente na minha frente, já escapei eu mesmo da morte rente aos calcanhares, mas não sei o que é a morte. A morte de verdade, não a nossa própria. Porque, como disse Epicuro, essa não vale, porque só chega depois que a gente vai embora, não há um encontro. Ou, como disse Schopenhauer, é o mesmo que antes de termos nascido; simplesmente um grande nada com o qual não precisamos nos preocupar. Mas nenhum filósofo lidou decentemente com o luto: morrer de verdade é senti-la enquanto ainda estamos vivos. É o imponderável de a pessoa amada definhar e morrer sem que possamos fazer nada. Quando se ama a dor do outro é muito pior que a nossa própria. A pior dor é perder algo/alguém e ter a certeza de aquilo ser para sempre. Mas agüenta-se, e, cedo ou tarde, percebemos que a vida continuou sem que percebêssemos. Suportamos toda dor, menos a última. Até lá, é carregar a pedra.
sábado, 28 de fevereiro de 2009
Dia Anterior
A vida sempre acaba, e não é uma vez só. É como se tudo que fizessemos embolorasse logo depois, fazendo que com esquecêssemos do gosto do que comemos. Fica só a lembrança daquele cheiro de mofo e aquela aparência decrépita, de coisa passada do ponto, de oportunidade perdida, coisa mal aproveitada. Por que eu bebo a vida mesmo? Afasta de mim! A vida acaba ficando meio janta requentada, café de vó (muito doce, fraco e escaldante), pão amanhecido. Você já não sentiu ressaca da existência? Os dias vão passando e parece que a cerveja sempre acaba, e nas horas improváveis, quando a adega do bairro já fechou. A esperança é um engradado vazio, só decepção e inutilidade. Você está faminto, pega o pão e não há fatias o bastante de salaminho para preencher o sanduíche. Coito interrompido, banheiro sem papel, festa só com vodca barata, visita da sogra. A existência é o óbvio desagradável, a surpresa de má-fé, a surpresa perversa. É despertar continuamente dos sonhos bons. Ano inteiro de quarta-feira-de-cinzas. A vida é sempre o dia anterior.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Tr00 be or not tr00 be
O mundo, definitivamente, não é mais tr00. Foi-se o tempo em que se trocavam fitas K7 (cópias das cópias das cópias), camisas de manga longa de bandas desconhecidas eram feitas sob encomenda, fanzines eram mandados pelos Correios, contatos eram feitos por carta-social, moleques eram intimados por vestir determinadas bandas e a Galeria do Rock era um antro de podridão onde metaleiros fedegosos arrumavam briga, consumiam drogas (e não estou me referindo às coxinhas peludas e esverdeadas do boteco) e corriam risco de morte nas escadas rolantes quebradas.
Hoje o mundo é outro: não adianta dizer “não passo som pra prego”, pois tudo está disponível na internet. Cartas, fanzines e fitas K7 são relíquias de passadistas. A Galeria tem elevadores, um bar novo, ambiente familiar, seguranças, plantas e lugar pra sentar.
Se você for intimar alguém, vai ter que pedir pra mãe dele, que provavelmente estará ao lado. Os emos são maioria. Os headbangers devem até tomar banho. Tem saldão de CDs do Burzum e do Emperor.
Alguém precisa tomar uma atitude.
Como ficam os valorosos guerreiros do metal que fizeram amizades pela seção de correio da Rock Brigade, gastaram fortunas em CDs importados da Noruega, têm bootlegs do Amen Corner e vinis do Bathory, fizeram uma força danada pra tentar gostar dos blips, tóins e teclados de churrascaria do H418ov21.C,do Beherit, ou de qualquer coisa do Neptune Towers, e passaram horas tentando distinguir se aquele som de besouro era chiado da fita ou a guitarra da primeira música no split Darkthrone & Mayhem (o inacreditável The True Legends In Black)?
Pois eu vou comprar uma daquelas lojas de peruca da Galeria e fazer a inefável The Tr00 Store, uma loja para os verdadeiros bárbaros pagãos do metal negro. Uma catacumba musical que fará a Helvete, do Euronymous, parecer a Daslu.
Os funcionários, que serão recrutados com base no histórico de profanação de cemitérios e queima de igrejas de cada um, deverão usar corpse-paint + couro + tachas + armas medievais, e usar pseudônimos como Necroskullchruser ou ImpalerBlasphemerMutilator, dividir-se-ão nas tarefas “ficar na porta intimando os passantes” (“Vai comprar ou não? ‘Cê conhece esse som ou é um falso que vai sujar a cena underground? Qual o nome da mãe do Nocturno Culto?") e ficar de braços cruzados atrás do balcão, com cenho franzido, fingindo que está lendo Nietzsche ou algumas runas vikings (o máximo que os funcionários devem dizer uns aos outros é “Hail!”), com o som ambiente tocando remixes de 90min para músicas do Abruptum e do MZ-412 em loop, no último volume, inviabilizando qualquer tentativa de conversa e causando náusea, dor de cabeça e convulsões em qualquer falso que permanecer mais de três minutos na loja. Só serão vendidos K7s ("Artefatos!"), camisetas de bandas ("Hordas!") do interior da Transilvânia e fanzines mimeografados, a preços escorchantes. O logotipo deverá usar letras horrorosas e disformes, acrescido de quantos pentagramas e quantas cruzes invertidas forem necessárias até que o conjunto seja absolutamente incompreensível.
E as perucas da loja antiga? “Escalpos de cristãos”, ora.
Será que meu empreendimento terá sucesso?
Stay tr00.
Hoje o mundo é outro: não adianta dizer “não passo som pra prego”, pois tudo está disponível na internet. Cartas, fanzines e fitas K7 são relíquias de passadistas. A Galeria tem elevadores, um bar novo, ambiente familiar, seguranças, plantas e lugar pra sentar.
Se você for intimar alguém, vai ter que pedir pra mãe dele, que provavelmente estará ao lado. Os emos são maioria. Os headbangers devem até tomar banho. Tem saldão de CDs do Burzum e do Emperor.
Alguém precisa tomar uma atitude.
Como ficam os valorosos guerreiros do metal que fizeram amizades pela seção de correio da Rock Brigade, gastaram fortunas em CDs importados da Noruega, têm bootlegs do Amen Corner e vinis do Bathory, fizeram uma força danada pra tentar gostar dos blips, tóins e teclados de churrascaria do H418ov21.C,do Beherit, ou de qualquer coisa do Neptune Towers, e passaram horas tentando distinguir se aquele som de besouro era chiado da fita ou a guitarra da primeira música no split Darkthrone & Mayhem (o inacreditável The True Legends In Black)?
Pois eu vou comprar uma daquelas lojas de peruca da Galeria e fazer a inefável The Tr00 Store, uma loja para os verdadeiros bárbaros pagãos do metal negro. Uma catacumba musical que fará a Helvete, do Euronymous, parecer a Daslu.
Os funcionários, que serão recrutados com base no histórico de profanação de cemitérios e queima de igrejas de cada um, deverão usar corpse-paint + couro + tachas + armas medievais, e usar pseudônimos como Necroskullchruser ou ImpalerBlasphemerMutilator, dividir-se-ão nas tarefas “ficar na porta intimando os passantes” (“Vai comprar ou não? ‘Cê conhece esse som ou é um falso que vai sujar a cena underground? Qual o nome da mãe do Nocturno Culto?") e ficar de braços cruzados atrás do balcão, com cenho franzido, fingindo que está lendo Nietzsche ou algumas runas vikings (o máximo que os funcionários devem dizer uns aos outros é “Hail!”), com o som ambiente tocando remixes de 90min para músicas do Abruptum e do MZ-412 em loop, no último volume, inviabilizando qualquer tentativa de conversa e causando náusea, dor de cabeça e convulsões em qualquer falso que permanecer mais de três minutos na loja. Só serão vendidos K7s ("Artefatos!"), camisetas de bandas ("Hordas!") do interior da Transilvânia e fanzines mimeografados, a preços escorchantes. O logotipo deverá usar letras horrorosas e disformes, acrescido de quantos pentagramas e quantas cruzes invertidas forem necessárias até que o conjunto seja absolutamente incompreensível.
E as perucas da loja antiga? “Escalpos de cristãos”, ora.
Será que meu empreendimento terá sucesso?
Stay tr00.
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009
O unfollow é a serventia da casa
A moda agora são posts de "blogueiros formadores de opinião" (leia “palpiteiros almost famous”) dizendo o que é certo e errado na twittosfera (inventei agora): siga fulano, não siga beltrano, não prolongue as conversas, linque isso, não linque aquilo, aumente seus seguidores assim, não saia adicionando todo mundo por isso ou aquilo, preencha seu profile, coloque uma imagem estilosa, veja quem são os twitteiros influentes, saiba tudo sobre a Campus Party (“eu vou e você não”),vejam como tem um monte de gente me seguindo e não sigo ninguém, acessem meus linques para posts pagos e notícias de segunda mão, e por aí, infelizmente, vai.
Isso aconteceu com os e-mails, com os blogs, com os flogs, com o orkut; sempre tem alguém querendo ditar regras, criar tendências, decidir (pelos outros) quem é legal e quem não é.
Além de ser uma coisa extremamente jeca (pior que as dicas que ninguém pediu, só as mensagens blasê indefinidas do tipo “tem gente que pede um unfollow”), isso é a antítese da liberdade que a internet traz. Cada um que faça o que quer, sem esse tipo de patrulhamento ridículo que acaba sendo bem pior do que o comportamento supostamente impróprio das pessoas que são alvo das críticas.
Usei BBS em 1995 e navego na internet desde 1996; tenho blog desde 2001 e nunca segui nenhuma tendência, fosse de moda ou de antimoda (que dá na mesma); nunca utilizei imagens, por achar que minha prioridade é o texto, e jamais quis ser uma pseudocelebridade virtual ou blogueiro profissional. Quem gosta, que me acompanhe; quem não gosta, ou quem enjoa, simplesmente me deixa.
É assim que faço, sem alardes tolos.
Servimos mal para servir sempre.
Isso aconteceu com os e-mails, com os blogs, com os flogs, com o orkut; sempre tem alguém querendo ditar regras, criar tendências, decidir (pelos outros) quem é legal e quem não é.
Além de ser uma coisa extremamente jeca (pior que as dicas que ninguém pediu, só as mensagens blasê indefinidas do tipo “tem gente que pede um unfollow”), isso é a antítese da liberdade que a internet traz. Cada um que faça o que quer, sem esse tipo de patrulhamento ridículo que acaba sendo bem pior do que o comportamento supostamente impróprio das pessoas que são alvo das críticas.
Usei BBS em 1995 e navego na internet desde 1996; tenho blog desde 2001 e nunca segui nenhuma tendência, fosse de moda ou de antimoda (que dá na mesma); nunca utilizei imagens, por achar que minha prioridade é o texto, e jamais quis ser uma pseudocelebridade virtual ou blogueiro profissional. Quem gosta, que me acompanhe; quem não gosta, ou quem enjoa, simplesmente me deixa.
É assim que faço, sem alardes tolos.
Servimos mal para servir sempre.
segunda-feira, 26 de janeiro de 2009
Reflexões impopulares nada eclesiásticas
Faz algum tempo que pensei nesta hipótese, chegando até a discuti-la com algumas pessoas, mas só agora deu mesmo vontade de escrevê-la. Outro dia estava por aí e passei uma daquelas indefectíveis igrejas de garagem com cadeiras de praia, da qual estava saindo uma música gospel horrível (pleonasmo vicioso?), um pop rock furreca na qual o refrão “E Jesus ressuscitou” parecia ser repetido uma centena de vezes. Letra óbvia, instrumental chato, enfim, um atentado à boa música (e aos ouvidos do Nazareno, caso ele exista). Pensei no porquê de escolher uma forma tão desagradável e pouco criativa de louvar o objeto da crença deles, e concluí que (com o auxílio luxuoso das pessoas já citadas) que eles deixam estar a primeira porcaria que vem, sem lapidar, por acreditar que é inspiração divina, obra do Espírito Santo; logo, sendo o compositor mero instrumento de revelação, decide não interferir em nada e o brainstorming vai a seco pra canção. Ou talvez os crentes tenham o cérebro embotado mesmo a ponto de não saberem fazer boa música.
quarta-feira, 14 de janeiro de 2009
terça-feira, 13 de janeiro de 2009
quinta-feira, 8 de janeiro de 2009
So don’t let the bastards ground you down.
Imagine que cada dia seu tenha um valor a ser gasto, como naquelas promoções de celular em que você pode falar tantos minutos diários, e, se não usufruí-los, perde-se a cota daquele dia, reiniciando com o mesmo valor na manhã seguinte. Você compra um plano desses para dar valor à sua vida com as escolhas que faz: se decidir que seu dia vale pouco, digamos, R$ 1, a auto-estima se esvai por qualquer coisa, tudo é motivo para o dia ser estragado, afinal você nem vale muito mesmo... qualquer derrota será mera confirmação do fracasso que você é. Em vez disso, se você decidir que sua vida vale, diariamente, uns R$ 1.000, vai ser preciso muito para que seu dia seja considerado perdido, não é mesmo? Valorize-se. A cada dia você tem muito a gastar.
terça-feira, 30 de dezembro de 2008
Quem é ateu
Uma queria amiga me deu de Miguxo Secreto (confraternização do pessoal d'A Doze Mãos) o livro Serial Killer: Louco Ou Cruel, da Ilana Casoy. Até aí, tudo ótimo, eu já estava começando a ler outro livro dela, Serial Killers Made In Brazil. O mais engraçado é que os dois marcadores têm propaganda de livros espíritas. E um deles é tão impagável que vou reproduzir aqui.
***
O ATEU
Romance do Espírito
Antônio Carlos
Psicografa (sic) da médium
Vera Lúcia Marinzeck de Carvalho
O que leva alguém a não acreditar em Deus? Jean Marie, o Ateu, e seus amigos (sic, sem vírgula mesmo) são farristas que vivem apenas para o presente. Residentes na Toca – outrora conhecida como a Fazenda São Francisco –, transformaram o lugar em palco de festejadas reuniões, onde reinam o vício e a chantagem. Jean Marie reserva-se o direito de não apenas descrer do Criador, mas também de influenciar os outros com seus escritos. Perseguido por um espírito que deseja vingar-se, pressente o perigo: uma terrível ameaça ronda a Toca...
***
Preciso comentar? Depois, quando os ateus reclamam de perseguição e discriminação, os crentes contemporizam...
terça-feira, 23 de dezembro de 2008
City of blinding lights
Morar em São Paulo é uma experiência engraçada: enquanto 80% da população aprova do governo Lula, aqui vivemos em um reduo tucano/pefelista, cheio de “cidadãos de bem” que lêem Veja, vêem Jornal Nacional, cursam Direito, Medicina ou Economia, acham que “direitos humanos são para humanos direitos”, São Paulo é a locomotiva do Brasil” e “o problema aqui são os nordestinos”. Temos bairros de baladas caras, bairros de cafonas prédios neoclássicos, bairros de publicitários descolados. Temos academias cheias de marombados e esticadas, com seus pitbulls mal educados e suas crianças gordas educadas pela TV. Os prédios da Berrini são todos espelhados e modernosos, o trem que passa por lá é melhor do que os outros e tem aé uma ponte lá perto que deve ter custado uns três eurotúneis. São Paulo mais pára, no trânsito e nas idéias, do que anda. Como diz nosso governador, “finge que funciona”.
segunda-feira, 15 de dezembro de 2008
Hollow-hearted, heart-depart
[Texto escrito de supetão, e, logo, passível de incongruências, inverdades... e de ser uma porcaria mesmo.]
Pensando em um amigo e no pai de outro amigo que morreram (coincidentemente, ambos de infarto) no final-de-semana frio e chuvoso, revendo a solidão de Travis Bickle em Taxi Driver, os desencontros e a tristeza dos personagens de Dolls, lutando contra meus males do corpo e do espírito, e fazendo um check-up desajeitado das pessoas que entraram na minha vida e saíram dela este ano – algumas fizeram ambas as coisas em 2008 mesmo – pensei em como todo mundo idealiza a vida como um dom sagrado ou se faz de mártir com ela servindo de cruz, o que é a mesma coisa, só que com o sinal trocado; obrigação de ser feliz ou tentativa contínua de ficar triste, ou de parecer um ou outro. Não faz diferença, na verdade, sena nos entregando as pessoas ou apenas as usando – e todo mundo usa enquanto finge se entregar. Qual personagens de Genet ou Caio Fernando Abreu, estamos à deriva, e muito pouco podemos fazer ante às contingências. E, mesmo assim, infelizmente, somos responsáveis por nossos inevitáveis fracassos. Todo mundo é parecido quando sente dor; depois, se julga individual.
[É, ficou uma porcaria mesmo.]
Pensando em um amigo e no pai de outro amigo que morreram (coincidentemente, ambos de infarto) no final-de-semana frio e chuvoso, revendo a solidão de Travis Bickle em Taxi Driver, os desencontros e a tristeza dos personagens de Dolls, lutando contra meus males do corpo e do espírito, e fazendo um check-up desajeitado das pessoas que entraram na minha vida e saíram dela este ano – algumas fizeram ambas as coisas em 2008 mesmo – pensei em como todo mundo idealiza a vida como um dom sagrado ou se faz de mártir com ela servindo de cruz, o que é a mesma coisa, só que com o sinal trocado; obrigação de ser feliz ou tentativa contínua de ficar triste, ou de parecer um ou outro. Não faz diferença, na verdade, sena nos entregando as pessoas ou apenas as usando – e todo mundo usa enquanto finge se entregar. Qual personagens de Genet ou Caio Fernando Abreu, estamos à deriva, e muito pouco podemos fazer ante às contingências. E, mesmo assim, infelizmente, somos responsáveis por nossos inevitáveis fracassos. Todo mundo é parecido quando sente dor; depois, se julga individual.
[É, ficou uma porcaria mesmo.]
terça-feira, 2 de dezembro de 2008
Te alcanço em cheio o mel e a ferida.
Escrever bem é sexy. Não sei se é com todo mundo, mas, para mim, poucas coisas ('tá, não tão poucas) são sensuais como textos redigidos com estilo e correção, com aquele algo mais apaixonante que mostra o igual tesão da pessoa que emite as palavras.
.
Ênclises no início das sentenças, travessões separando apostos mais longos, mesóclises oportunas como um bom sexo oral, hifenes que são verdadeiras carícias, e até o trema, ah, que delícia, que pretendem tirar de nós como se fosse uma perversão para a sociedade.
.
O cidadão comum, do dia-a-dia, tem agora patrulhado até seu prazer mais íntimo, o de se perder no gozo da linguagem. Logo estaremos todos insatisfeitos sexualmente com ditongos separados, lugares-comuns, letras maiúsculas depois de reticências.
.
O papel é um infinito de possibilidades prazerosas no qual a única regra é a de você fazer o que tem vontade, mesmo que seja o de realizar seu desejo mais inconfessável.
.
Particularmente não gosto de construções pretensiosas e prolixas como posições de kama-sutra. Não são necessárias invencionices para o texto levar ao orgasmo intenso.
.
Tal como no sexo, o segredo na literatura é entrega.
sexta-feira, 28 de novembro de 2008
I read the news today, oh boy.
http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI3356615-EI8139,00-SC+isolada+dona+de+casa+enterra+marido+no+quintal.html
E por causa dessa enchente
Esse restolho de gente
Precisou ser enterrado
Sob o quintal cimentado
Por sua triste consorte
Que se enganou tão forte
Em sua própria morada
– Eis que a escuridão lhe aguarda.
***
http://maeducacao.blogspot.com/2008/07/morte-nossa-de-todos-os-dias.html
“Pegue seu filhinho morto!”
Estivesse numa feira
O coveiro só gritava
“Cada caixãozinho torto
Desses anjinhos à beira
D’uma cova tão barata"
Em nosso Estado que mata
Não valia quem cavava.
***
http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI2903937-EI306,00.html
Mora lá no cemitério
Além da filosofia
Sem ninguém na vida inteira
Sem lugar na superfície
Recolheu-se à imundície
Com a morte sempre à beira
Como ninguém já dizia
A morte é não haver mistério.
E por causa dessa enchente
Esse restolho de gente
Precisou ser enterrado
Sob o quintal cimentado
Por sua triste consorte
Que se enganou tão forte
Em sua própria morada
– Eis que a escuridão lhe aguarda.
***
http://maeducacao.blogspot.com/2008/07/morte-nossa-de-todos-os-dias.html
“Pegue seu filhinho morto!”
Estivesse numa feira
O coveiro só gritava
“Cada caixãozinho torto
Desses anjinhos à beira
D’uma cova tão barata"
Em nosso Estado que mata
Não valia quem cavava.
***
http://noticias.terra.com.br/brasil/interna/0,,OI2903937-EI306,00.html
Mora lá no cemitério
Além da filosofia
Sem ninguém na vida inteira
Sem lugar na superfície
Recolheu-se à imundície
Com a morte sempre à beira
Como ninguém já dizia
A morte é não haver mistério.
quarta-feira, 26 de novembro de 2008
Faça outra lista de grandes solos de guitarra
793 – Slaget Om Lindisfarne (Enslaved)
All Because Of You (U2)
Cancer Of The Heart (Skyclad)
Ciranda (Uns & Outros)
Invejo Os Bichos (Barão Vermelho)
Liberdade/Guerra Fria (RPM)
Máquinas Macias (Lulu Santos)
Master Of Puppets (Metallica)
Mistério Do Planeta (Novos Baianos)
Storms Of The Elder (Einherjer)
All Because Of You (U2)
Cancer Of The Heart (Skyclad)
Ciranda (Uns & Outros)
Invejo Os Bichos (Barão Vermelho)
Liberdade/Guerra Fria (RPM)
Máquinas Macias (Lulu Santos)
Master Of Puppets (Metallica)
Mistério Do Planeta (Novos Baianos)
Storms Of The Elder (Einherjer)
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Reflexões impopulares nada eclesiásticas
"O homem é a única criatura que se recusa a ser o que é." (Albert Camus)
1. Jesus, levando chibatada e bebendo vinagre, é um ícone sadomasô.
2. A Bíblia é o maior compêndio sobre violência já feito.
3. Religiões são a institucionalização da esquizofrenia.
4. Não acredito em Deus, ele é muito mentiroso.
5. Deus é o Papai Noel dos adultos.
1. Jesus, levando chibatada e bebendo vinagre, é um ícone sadomasô.
2. A Bíblia é o maior compêndio sobre violência já feito.
3. Religiões são a institucionalização da esquizofrenia.
4. Não acredito em Deus, ele é muito mentiroso.
5. Deus é o Papai Noel dos adultos.
sexta-feira, 7 de novembro de 2008
Faça uma lista de canções sobre velocidade para você acelerar junto e acabar como James Dean ou Albert Camus
120...150... 200 Km Por Hora (Roberto Carlos)
Fuel (Metallica)
Highway Star (Deep Purple)
It's So Easy (Guns N' Roses)
Machinehead (Bush)
Wheels Of Fire (Manowar)
Fuel (Metallica)
Highway Star (Deep Purple)
It's So Easy (Guns N' Roses)
Machinehead (Bush)
Wheels Of Fire (Manowar)
terça-feira, 4 de novembro de 2008
E não importam se os olhos do mundo inteiro possam estar voltados...
“Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos / Dando porrada na nuca de malandros pretos / De ladrões mulatos / E outros quase brancos / Tratados como pretos / Só pra mostrar aos outros quase pretos / (E são quase todos pretos) / E aos quase brancos pobres como pretos / Como é que pretos, pobres e mulatos / E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados.” (Caetano Veloso & Gilberto Gil, Haiti)
Primeiramente, reproduzirei a matéria inteira que deu na Folha de domingo último.
São Paulo, domingo, 02 de novembro de 2008
Tensão no Congo reaviva espectro de Ruanda
Eclosão do atual conflito foi precedida pela chegada de levas de refugiados, piora da pobreza e violência étnica intermitente
Epicentro é Goma, cidade miserável no leste cercada por campos de deslocados; situação ecoa traumas do genocídio no país vizinho
FÁBIO ZANINI
EM GOMA
(REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO)
Muhindo, 28, tem marcas de queimadura pelo corpo; Joseph, 32, teve o irmão de 14 anos morto a machadadas; Hélène, 45, foi vítima de estupros.
No leste da República Democrática do Congo, cenas semelhantes às do genocídio da vizinha Ruanda, em 1994, continuam nos dias hoje.
Na última semana, um confronto de quase 15 anos, com alguns intervalos de calma, reacendeu-se de forma especialmente intensa numa região rica em minérios, disputada por vários grupos armados.
Dessa vez, o estopim foi o avanço do general rebelde congolês Laurent Nkunda, que controla 5.000 homens, sobre Goma, uma cidade miserável, já congestionada com refugiados de outras ondas de violência e semidestruída por lava vulcânica. É lá que se baseiam a ONU e várias ONGs.
Nkunda diz perseguir remanescentes da etnia hutu que se refugiaram na mata congolesa após comandarem o massacre de quase 1 milhão de pessoas, grande parte da minoria tutsi, durante o genocídio de Ruanda. Seu discurso é o de proteger os tutsi de mais uma matança -e suspeita-se que ele receba apoio do governo tutsi ruandês.
Nem o Exército do Congo, uma força desmoralizada e corrupta, nem os 17 mil soldados da ONU na região têm conseguido deter o avanço de Nkunda. Na semana passada, ele, unilateralmente, declarou um cessar-fogo às portas de Goma, definido como uma "chantagem política" pela ONU, provocando pânico na cidade.
O Alto Comissariado das Nações Unidas (Acnur) estima em 20 mil o número de refugiados internos procurando abrigo numa cidade que já abriga precariamente 100 mil pessoas.
"A situação é crítica. Nosso pessoal na região está impossibilitado de visitar os campos de refugiados para ajudar as pessoas", disse por telefone o vice-diretor do Acnur no Congo, o moçambicano Antônio José Canhandula.
Revolta latente
O último intervalo de paz já durava desde janeiro, quando foi assinada uma trégua entre as facções armadas. No final de maio, a Folha passou três dias em Goma e percebeu uma cidade sem violência, mas em ponto de ebulição. Uma dezena de campos de refugiados, muitos abrigando etnias rivais, rodeiam uma cidade de 600 mil habitantes que tem apenas uma avenida asfaltada, um punhado de lojas, praticamente nenhum serviço de saúde e desemprego de 90%.
Um destes campos é Mugunga 2, a 12 km do centro de Goma. São 9.000 pessoas morando em cabanas de madeira e palha, cobertas com a característica lona branca do Acnur.
O chão é de lava solidificada, herança das erupções do monte Nyiragongo, presença ameaçadora sobre a região. Por isso, caminhar é difícil, e o espaço para cultivo é limitado. Pequenas hortas de mandioca e feijão se espremem entre as cabanas.
Ao meio-dia, pequenas fogueiras começam a aparecer. Numa delas, uma mulher destampa a panela para mostrar uma pasta verde. É uma espécie de purê de mandioca, que, acompanhado de banana e farinha, será o almoço dos filhos.
Carne ou frango na refeição são raros. Crianças de menos de dez anos dobram o corpo para carregar nas costas vasilhames alaranjados com água. "Temos problemas de malária, infecção respiratória, doenças sexualmente transmissíveis e, no caso das crianças, má nutrição", diz Felix Mirindi, enfermeiro do posto de saúde local. Há um médico que passa duas vezes por semana.
Os refugiados de Mugunga 2 formam um panorama abrangente dos grupos que disputam o leste do Congo.
Ismail, 25, fugiu das FDLR (Forças Democráticas de Libertação de Ruanda), sigla que identifica os hutus ruandeses que escaparam após o genocídio, muitos procurados por participação ativa na matança.
Segundo a ONU, esse grupo se financia controlando o acesso a minas de ouro e cobalto. Calcula-se que tenha de 6.000 a 20 mil homens armados, um fator permanente de ameaça para o governo de Ruanda, que, por isso, estaria ajudando o general Nkunda.
"A FDLR invadiu minhas terras. Tive que fugir para não ser morto", diz Ismail, que caminhou os 300 km de sua cidade, Walikale, até Goma.
Nkunda, que teve um aliado indiciado pelo Tribunal Penal Internacional no início deste ano, também tem sua cota de atrocidades. "Eles castram os homens e estupram as mulheres", diz um morador do campo, exibindo marca de uma machadada que levou no pescoço.
Há ainda dezenas de grupo locais de autodefesa que surgiram também para resistir aos hutus, chamados genericamente de "mai-mai", mas que acabaram descambando para o banditismo. Seu tamanho real é desconhecido.
A ONU e o Exército do Congo estabeleceram como prioridade repatriar os hutus para Ruanda -por convencimento se possível, pela força das armas caso não seja. Na prática, não têm conseguido sucessos militares e tiveram de recuar de suas posições frente ao avanço dos rebeldes.
Enquanto o conflito se prolonga, os campos vão se tornando permanentes. Em Mugunga 2, já há uma escola primária, uma feira livre e um hospital. Na praça central, uma quadra de vôlei improvisada.
O que começou há um ano e meio como um pequeno conjunto de cabanas hoje é uma comunidade organizada, em que cada grupo de 50 forma um quarteirão, com seu "prefeito". "Só sairemos daqui quando o governo garantir a nossa segurança", diz um morador.
***
Quem assistiu a Hotel Ruanda e/ou Abril Sangrento sabe que esse conflito originou-se do colonialismo belga, que invadiu Ruanda e escolheu a etnia tutsi, de pele mais clara, como quase-elite, em detrimento dos hutus, mais escuros. Quando o colonialismo acabou, os queridos europeus foram embora, deixaram as etnias lá em ebulição – aliás, eles nunca entenderam direito o que são etnias, visto que a maioria dos conflitos africanos perenes são por causa de misturas indevidas de culturas que o velho-mundistas achavam a mesma coisa – até que, em 1994, houve um atentado ao governo hutu, que reagiu massacrando mais de 800.000 tutsis – creio que os únicos sobreviventes foram os que se esconderam no hotel retratado no supracitado filme. E hoje temos esse revanchismo tutsi. E a culpa e, claro, do homem branco. Como disse Michael Moore em Stupid White Men, se eu vejo um branco se aproximando de mim, mudo de calçada na hora. Eles são um perigo.
E sabe por que os EUA e a ONU pouco ou nada fizeram para evitar o massacre? Simples: no Afeganistão, havia passagem de gás do Cáucaso; no Iraque, obviamente, petróleo; no Leste Europeu, branquinhos eslavos. Já Ruanda, ao contrário de países vizinhos (como o Congo), nem os chamados diamantes-de-sangue tem... lá só existem... pretos.
“...Quase todos pretos / Ou quase pretos / Ou quase brancos quase pretos de tão pobres / E pobres são como podres / E todos sabem como se tratam os pretos.” (Caetano Veloso & Gilberto Gil, Haiti)
Primeiramente, reproduzirei a matéria inteira que deu na Folha de domingo último.
São Paulo, domingo, 02 de novembro de 2008
Tensão no Congo reaviva espectro de Ruanda
Eclosão do atual conflito foi precedida pela chegada de levas de refugiados, piora da pobreza e violência étnica intermitente
Epicentro é Goma, cidade miserável no leste cercada por campos de deslocados; situação ecoa traumas do genocídio no país vizinho
FÁBIO ZANINI
EM GOMA
(REPÚBLICA DEMOCRÁTICA DO CONGO)
Muhindo, 28, tem marcas de queimadura pelo corpo; Joseph, 32, teve o irmão de 14 anos morto a machadadas; Hélène, 45, foi vítima de estupros.
No leste da República Democrática do Congo, cenas semelhantes às do genocídio da vizinha Ruanda, em 1994, continuam nos dias hoje.
Na última semana, um confronto de quase 15 anos, com alguns intervalos de calma, reacendeu-se de forma especialmente intensa numa região rica em minérios, disputada por vários grupos armados.
Dessa vez, o estopim foi o avanço do general rebelde congolês Laurent Nkunda, que controla 5.000 homens, sobre Goma, uma cidade miserável, já congestionada com refugiados de outras ondas de violência e semidestruída por lava vulcânica. É lá que se baseiam a ONU e várias ONGs.
Nkunda diz perseguir remanescentes da etnia hutu que se refugiaram na mata congolesa após comandarem o massacre de quase 1 milhão de pessoas, grande parte da minoria tutsi, durante o genocídio de Ruanda. Seu discurso é o de proteger os tutsi de mais uma matança -e suspeita-se que ele receba apoio do governo tutsi ruandês.
Nem o Exército do Congo, uma força desmoralizada e corrupta, nem os 17 mil soldados da ONU na região têm conseguido deter o avanço de Nkunda. Na semana passada, ele, unilateralmente, declarou um cessar-fogo às portas de Goma, definido como uma "chantagem política" pela ONU, provocando pânico na cidade.
O Alto Comissariado das Nações Unidas (Acnur) estima em 20 mil o número de refugiados internos procurando abrigo numa cidade que já abriga precariamente 100 mil pessoas.
"A situação é crítica. Nosso pessoal na região está impossibilitado de visitar os campos de refugiados para ajudar as pessoas", disse por telefone o vice-diretor do Acnur no Congo, o moçambicano Antônio José Canhandula.
Revolta latente
O último intervalo de paz já durava desde janeiro, quando foi assinada uma trégua entre as facções armadas. No final de maio, a Folha passou três dias em Goma e percebeu uma cidade sem violência, mas em ponto de ebulição. Uma dezena de campos de refugiados, muitos abrigando etnias rivais, rodeiam uma cidade de 600 mil habitantes que tem apenas uma avenida asfaltada, um punhado de lojas, praticamente nenhum serviço de saúde e desemprego de 90%.
Um destes campos é Mugunga 2, a 12 km do centro de Goma. São 9.000 pessoas morando em cabanas de madeira e palha, cobertas com a característica lona branca do Acnur.
O chão é de lava solidificada, herança das erupções do monte Nyiragongo, presença ameaçadora sobre a região. Por isso, caminhar é difícil, e o espaço para cultivo é limitado. Pequenas hortas de mandioca e feijão se espremem entre as cabanas.
Ao meio-dia, pequenas fogueiras começam a aparecer. Numa delas, uma mulher destampa a panela para mostrar uma pasta verde. É uma espécie de purê de mandioca, que, acompanhado de banana e farinha, será o almoço dos filhos.
Carne ou frango na refeição são raros. Crianças de menos de dez anos dobram o corpo para carregar nas costas vasilhames alaranjados com água. "Temos problemas de malária, infecção respiratória, doenças sexualmente transmissíveis e, no caso das crianças, má nutrição", diz Felix Mirindi, enfermeiro do posto de saúde local. Há um médico que passa duas vezes por semana.
Os refugiados de Mugunga 2 formam um panorama abrangente dos grupos que disputam o leste do Congo.
Ismail, 25, fugiu das FDLR (Forças Democráticas de Libertação de Ruanda), sigla que identifica os hutus ruandeses que escaparam após o genocídio, muitos procurados por participação ativa na matança.
Segundo a ONU, esse grupo se financia controlando o acesso a minas de ouro e cobalto. Calcula-se que tenha de 6.000 a 20 mil homens armados, um fator permanente de ameaça para o governo de Ruanda, que, por isso, estaria ajudando o general Nkunda.
"A FDLR invadiu minhas terras. Tive que fugir para não ser morto", diz Ismail, que caminhou os 300 km de sua cidade, Walikale, até Goma.
Nkunda, que teve um aliado indiciado pelo Tribunal Penal Internacional no início deste ano, também tem sua cota de atrocidades. "Eles castram os homens e estupram as mulheres", diz um morador do campo, exibindo marca de uma machadada que levou no pescoço.
Há ainda dezenas de grupo locais de autodefesa que surgiram também para resistir aos hutus, chamados genericamente de "mai-mai", mas que acabaram descambando para o banditismo. Seu tamanho real é desconhecido.
A ONU e o Exército do Congo estabeleceram como prioridade repatriar os hutus para Ruanda -por convencimento se possível, pela força das armas caso não seja. Na prática, não têm conseguido sucessos militares e tiveram de recuar de suas posições frente ao avanço dos rebeldes.
Enquanto o conflito se prolonga, os campos vão se tornando permanentes. Em Mugunga 2, já há uma escola primária, uma feira livre e um hospital. Na praça central, uma quadra de vôlei improvisada.
O que começou há um ano e meio como um pequeno conjunto de cabanas hoje é uma comunidade organizada, em que cada grupo de 50 forma um quarteirão, com seu "prefeito". "Só sairemos daqui quando o governo garantir a nossa segurança", diz um morador.
***
Quem assistiu a Hotel Ruanda e/ou Abril Sangrento sabe que esse conflito originou-se do colonialismo belga, que invadiu Ruanda e escolheu a etnia tutsi, de pele mais clara, como quase-elite, em detrimento dos hutus, mais escuros. Quando o colonialismo acabou, os queridos europeus foram embora, deixaram as etnias lá em ebulição – aliás, eles nunca entenderam direito o que são etnias, visto que a maioria dos conflitos africanos perenes são por causa de misturas indevidas de culturas que o velho-mundistas achavam a mesma coisa – até que, em 1994, houve um atentado ao governo hutu, que reagiu massacrando mais de 800.000 tutsis – creio que os únicos sobreviventes foram os que se esconderam no hotel retratado no supracitado filme. E hoje temos esse revanchismo tutsi. E a culpa e, claro, do homem branco. Como disse Michael Moore em Stupid White Men, se eu vejo um branco se aproximando de mim, mudo de calçada na hora. Eles são um perigo.
E sabe por que os EUA e a ONU pouco ou nada fizeram para evitar o massacre? Simples: no Afeganistão, havia passagem de gás do Cáucaso; no Iraque, obviamente, petróleo; no Leste Europeu, branquinhos eslavos. Já Ruanda, ao contrário de países vizinhos (como o Congo), nem os chamados diamantes-de-sangue tem... lá só existem... pretos.
“...Quase todos pretos / Ou quase pretos / Ou quase brancos quase pretos de tão pobres / E pobres são como podres / E todos sabem como se tratam os pretos.” (Caetano Veloso & Gilberto Gil, Haiti)
quinta-feira, 30 de outubro de 2008
¿O que pode essa língua?
Nunca disse “em mangas de camisa”, mas acho engraçado quando leio isso num livro – e é comum nos mais antigos. Acho xixi pior que mijo, e cocô, pior que merda. Gosto de dizer “quiçá” de brincadeira, é uma palavra legal, e uma vez, numa conversa num pub, eu e um amigo dissemo-na ao mesmo tempo – caso provavelmente único no mundo. Sou meio avesso a estrangeirismos, por isso costumo usá-los em itálico, ou mesmo evitá-los. Não perco uma chance de mesoclisar. Minha palavra preferida é laranjeira, mas também adoro azálea – é minha flor preferida e tem um nome que expressa bem sua beleza; não gosto quando a chamam de azaléia (mesmo que o dicionário já aceite). Gosto da palavra palavra, e eu sei que já disse isto, mas só custar-me-ão algumas palavras para repetir: ainda morro de palavra!
quarta-feira, 29 de outubro de 2008
Faça uma lista de grandes músicas sobre suicídio
A Day Without Me (U2)
Beyond The Realms Of Death (Judas Priest)
Exit (U2)
Fade To Black (Metallica)
Glemt (Enslaved)
In My Darkest Hour (Megadeth)
Lágrimas E Chuva (Kid Abelha)
Space-Dye Vest (Dream Theater)
Suicide Is Painless (M*A*S*H Soundtrack)
Suicide Veil (Anathema)
Viernes 3 AM (Charly García)
When All Else Fails (Skyclad)
[Percebe-se que no Brasil o suicídio é ainda mais tabu do que em outros lugares; exceto pela versão de Viernes 3 AM que Os Paralamas Do Sucesso fizeram, o tema segue inédito no pop-rock e mesmo no metal-sem-ser-splatter-porque-aí-não-vale, o que exclui também bobagens como o death metal Plunged In Blood, do Sarcófago. A músicas precisam ser dolorosas, realistas, não escatológicas.]
Beyond The Realms Of Death (Judas Priest)
Exit (U2)
Fade To Black (Metallica)
Glemt (Enslaved)
In My Darkest Hour (Megadeth)
Lágrimas E Chuva (Kid Abelha)
Space-Dye Vest (Dream Theater)
Suicide Is Painless (M*A*S*H Soundtrack)
Suicide Veil (Anathema)
Viernes 3 AM (Charly García)
When All Else Fails (Skyclad)
[Percebe-se que no Brasil o suicídio é ainda mais tabu do que em outros lugares; exceto pela versão de Viernes 3 AM que Os Paralamas Do Sucesso fizeram, o tema segue inédito no pop-rock e mesmo no metal-sem-ser-splatter-porque-aí-não-vale, o que exclui também bobagens como o death metal Plunged In Blood, do Sarcófago. A músicas precisam ser dolorosas, realistas, não escatológicas.]
segunda-feira, 27 de outubro de 2008
Sum burrus, sum ducor.
A burrice, como eu costumo dizer, é a coisa mais democrática que existe: está ao alcance de todos, sem discriminação de sexo, posição social, religião, nada. Tem pra todo mundo. E é isso que eu sinto quanto aos paulistanos após a vitória acachapante do Kassab sobre a Marta ontem.
Os cidadãos-de-bem, dos quais morro de medo, esse tipo de gente escrota, stupid white men, preferirão (re)eleger um LADRÃO – sim, digo isso com todas as letras porque o patrimônio dele triplicou quando ele era secretário do Pitta – em detrimento da competente e honestíssima Marta, porque ela é “antipatias”, traiu o marido”, é “perua”. Além disso usam-se arjumentos como os coqueiros da Faria Lima (das plantas que o Alckmin colocou no Tietê, ninguém falou nada), do dinheiro gasto no túnel da mesma avenida – dinheiro que, por contrato, só podia ser gasto lá – e das ínfimas taxas de luz e lixo, que pouca diferença fizeram ao eleitorado demo-tucano, gentalha leitora de Veja, que vê Jornal Nacional e, assim acha que está informada sobre tudo e pode até se achar formadora de opinião.
Marta fez CEUs, Bilhete Único, acabou com a máfia dos transportes (e renovou toda a frota, além de fazer os corredores exclusivos), deu um puta talento cabuloso no Centro, fez os telecentros, a Galeria Olido. Mas a tucanalha paulista prefere acreditar que chega remédio em casa pra todo mundo que precisa, que realmente há dois professores em sala de aula (e não que um deles, e nem em todas as escolas tem, não passa de um estudante de Letras). Lembram da Lei Cidade Limpa, que, com seu radicalismo, faliu uma porção de empresas que trabalhavam com esse tipo de mídia. Ninguém lembra de ele espancando um senhor no posto de saúde, nem ele fazendo piada sobre o buraco do metrô – sobre o qual o responsável direto, Alckmin, jamais se pronunciou, ele mesmo que disse ter acabado com o PCC e sumiu também quando a cidade foi dominada pelos criminosos.
Ninguém lembra, aliás, fingem não lembrar, de que ele é LADRÃO, LADRÃO, LADRÃO, e de que Democratas é a putaquepariu, essa merda é o PFL, que, por sua vez, é Arena, e, antes, UDN. Deixemos tudo bem claro aqui: o paulistano médio é um estúpido que compra a idéia do “rouba e finge que faz”. Sou paulista e já desisti, repito.
Os cidadãos-de-bem, dos quais morro de medo, esse tipo de gente escrota, stupid white men, preferirão (re)eleger um LADRÃO – sim, digo isso com todas as letras porque o patrimônio dele triplicou quando ele era secretário do Pitta – em detrimento da competente e honestíssima Marta, porque ela é “antipatias”, traiu o marido”, é “perua”. Além disso usam-se arjumentos como os coqueiros da Faria Lima (das plantas que o Alckmin colocou no Tietê, ninguém falou nada), do dinheiro gasto no túnel da mesma avenida – dinheiro que, por contrato, só podia ser gasto lá – e das ínfimas taxas de luz e lixo, que pouca diferença fizeram ao eleitorado demo-tucano, gentalha leitora de Veja, que vê Jornal Nacional e, assim acha que está informada sobre tudo e pode até se achar formadora de opinião.
Marta fez CEUs, Bilhete Único, acabou com a máfia dos transportes (e renovou toda a frota, além de fazer os corredores exclusivos), deu um puta talento cabuloso no Centro, fez os telecentros, a Galeria Olido. Mas a tucanalha paulista prefere acreditar que chega remédio em casa pra todo mundo que precisa, que realmente há dois professores em sala de aula (e não que um deles, e nem em todas as escolas tem, não passa de um estudante de Letras). Lembram da Lei Cidade Limpa, que, com seu radicalismo, faliu uma porção de empresas que trabalhavam com esse tipo de mídia. Ninguém lembra de ele espancando um senhor no posto de saúde, nem ele fazendo piada sobre o buraco do metrô – sobre o qual o responsável direto, Alckmin, jamais se pronunciou, ele mesmo que disse ter acabado com o PCC e sumiu também quando a cidade foi dominada pelos criminosos.
Ninguém lembra, aliás, fingem não lembrar, de que ele é LADRÃO, LADRÃO, LADRÃO, e de que Democratas é a putaquepariu, essa merda é o PFL, que, por sua vez, é Arena, e, antes, UDN. Deixemos tudo bem claro aqui: o paulistano médio é um estúpido que compra a idéia do “rouba e finge que faz”. Sou paulista e já desisti, repito.
segunda-feira, 20 de outubro de 2008
Hacked up for barbecue
[17h14min] Sabe, às vezes sinto vergonha de minha profissão, dá vontade de pedir pra cancelarem meu MTB. O que a imprensa brasileira (sim, sei que mundo afora é assim também, mas estou falando específica e empiricamente daqui) faz com cada tragédia é uma coisa revoltante. Sempre tem o João Hélio da vez. Depois do moleque, cujo espetáculo de grotesquidão teve direito a apresentadores à Datena pedindo pena de morte, redução da maioridade penal e o caralho e demais absurdos "jogando pra torcida" e até uma reconstituição do crime filmada ao vivo!, tivemos os mesmos desdobramentos inúteis no caso Isabela Nardoni. Qualquer não-fato novo-velho era devorado com sofreguidão pelos abutres-jornalistas. E nos últimos dias tivemos uma emocionante [/bocejo] não-evento: vários dias com as câmeras focalizando uma janela semi-aberta, enquanto pseudocomentaristas de boteco faziam análises psico-sociológicas sobre o seqüestro da Eloá e de sua amiga Nayara. Chegou-se ao cúmulo de hoje, após consumada a tragédia, a Globo anunciar uma matéria com a intenção de "orientar os pais sobre o namoro de adolescentes". Morri. Sabem, eu ainda acredito no biscoito fino para as massas, no melhor estiulo mariodeandradeano. Temos, sim, uma curiosidade mórbida para as coisas, devido à nossa confusões para lidas com questões de vida/morte – tememos nossa finitude –, mas a imprensa devias dar o exemplo e educar os espectadores com um material mais analítico e menos sensacionalista. Encarar os monstros sem temer tornar-se um deles. E, em casos como esses, a mídia faz de todos nós criaturas desprezíveis. [17h23min]
segunda-feira, 6 de outubro de 2008
Vai indo que eu não vou
Recuso-me a falar de eleições num pleito no qual o LADRÃO do Kassab venceu o primeiro turno para prefeito e o vereador mais votado foi o Gabriel Chalita. Esta cidade realmente merece o pior pela gentinha que tem.
sexta-feira, 3 de outubro de 2008
Faça uma lista de grandes músicas do Iron Maiden
Aces High
Genghis Khan
Infinite Dreams
Killers
Lord Of The Flies
No Prayer For The Dying
To Tame A Land
22 Acacia Avenue
2 Minutes To Midnight
Sea Of Madness
Genghis Khan
Infinite Dreams
Killers
Lord Of The Flies
No Prayer For The Dying
To Tame A Land
22 Acacia Avenue
2 Minutes To Midnight
Sea Of Madness
terça-feira, 30 de setembro de 2008
Reflexões matutinas
1. Primeiro turno é domingão; embora a Marta esteja na liderança, não estou animado porque dificilmente ela leva no segundo turno – kassabistas, alckmistas e malufistas são todos da mesma laia e unir-se-ão contra o PT, sem dúvida. E teremos mais quatro anos de atraso, descaso e roubalheira nesta malfadada cidade. E confesso que não fiz minha parte: talvez acomodado com a superioridade do plano de governo e das realizacões do governo anterior da Marta, pouco fiz para angariar votos e adiei minha filiação ao partido uma vez mais. Acho que desisti de São Paulo, na real. Pena que continuo nela.
2. O horário eleitoral gratuito, especialmente a apresentação dos vereadores, é involuntariamente engraçada até você se dar conta de que aquilo não é para ser divertido; aí, diante de semi-analfabetos, pseudocelebridades e toda sorte de pára-quedistas – de um Enéas Filho apócrifo ao filho do RR Soares, passando pelo Luiz Carlos do Raça Negra, o Kid Bengala e o Dinei –, bate um desãnimo profundo.
3. Odeio os jingles grudentos dos candidatos (nesse quesito, os do Kassab são imbatíveis, se bem que minha namorada fica cantando o da Marta, aqele do "carrega na catraca", toda hora nos meus ouvidos.
4. A campanha atingiu níveis de tosqueira populistas dignos (?) de feira-livre: "Pra passagem não aumentar, vote Kassab", "Vote Marta e tenha internet de graça, volte a carregar o bilhete único na catraca e tenha metrô na periferia", "Vote Maluf e tenha 779596 novas pistas nas marginais"... o que o Alckmin fala só me dá sono, portanto confesso que nem prestei atenção até agora.
5. Levy Fidélix e o aerotrem (copiado do monotrilho d'Os Simpsons), hein? Citei-o porque o tiozão de bigode pintado merece um tópico só pra ele.
2. O horário eleitoral gratuito, especialmente a apresentação dos vereadores, é involuntariamente engraçada até você se dar conta de que aquilo não é para ser divertido; aí, diante de semi-analfabetos, pseudocelebridades e toda sorte de pára-quedistas – de um Enéas Filho apócrifo ao filho do RR Soares, passando pelo Luiz Carlos do Raça Negra, o Kid Bengala e o Dinei –, bate um desãnimo profundo.
3. Odeio os jingles grudentos dos candidatos (nesse quesito, os do Kassab são imbatíveis, se bem que minha namorada fica cantando o da Marta, aqele do "carrega na catraca", toda hora nos meus ouvidos.
4. A campanha atingiu níveis de tosqueira populistas dignos (?) de feira-livre: "Pra passagem não aumentar, vote Kassab", "Vote Marta e tenha internet de graça, volte a carregar o bilhete único na catraca e tenha metrô na periferia", "Vote Maluf e tenha 779596 novas pistas nas marginais"... o que o Alckmin fala só me dá sono, portanto confesso que nem prestei atenção até agora.
5. Levy Fidélix e o aerotrem (copiado do monotrilho d'Os Simpsons), hein? Citei-o porque o tiozão de bigode pintado merece um tópico só pra ele.
segunda-feira, 22 de setembro de 2008
Perguntar ofende
Por que as pessoas ficam melindradas quando digo que o cinema brasileiro é o pior do mundo?
terça-feira, 16 de setembro de 2008
Olhos iguais aos seus
Quais são os limites da empatia?
Outro dia me peguei olhando as flores roxas de um ipê caindo sobre a calçada do outro lado da rua e pensei duas coisas:
1. se mais alguém estava percebendo aquilo;
2. se mais alguém estava percebendo aquilo daquela forma.
E não me refiro só à percepção da cor, da forma, mas sim do ato e tudo que ele representa ali, naquele momento, para mim, numa mini-epifania entre tantas que tenho, para o bem e para o mal, durante cada dia.
Como será viver a vida de outrem?
Outro dia me peguei olhando as flores roxas de um ipê caindo sobre a calçada do outro lado da rua e pensei duas coisas:
1. se mais alguém estava percebendo aquilo;
2. se mais alguém estava percebendo aquilo daquela forma.
E não me refiro só à percepção da cor, da forma, mas sim do ato e tudo que ele representa ali, naquele momento, para mim, numa mini-epifania entre tantas que tenho, para o bem e para o mal, durante cada dia.
Como será viver a vida de outrem?
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
E outros quase brancos tratados como pretos só pra mostrar aos outros quase pretos
Hoje, no bumba lotado (primeiro de dois) rumo ao trampo, pensei lá com meus botões: se ali meus olhos passavam por uma balada de playboy chamada Senzala – lugar onde ficavam os escravos, todos pretos –, e havia outro lugar badalado de nome Favela – lugar onde ficam os pobres, quase todos pretos – e ninguém acha de mau gosto, se eu abrisse um bar chamado Zyklon B, Auschwitz ou Mengele, acusar-me-iam de anti-semitismo?
segunda-feira, 8 de setembro de 2008
Nada mais me deixa chocado
Impressionante como quem mais reclama do trânsito caótico de São Paulo, cada vez pior, é a classe média, que compra carro adicional para ignorar o rodízio e circular todos os dias com todo o conforto, e as empresas de transporte de carga, que vêm trocando caminhões por vans, a fim de burlar as restricões para veículos de carga. Enquanto isso, quem anda de ônibus, trem e metrô, sem conforto, ar-condicionado, música ou dinheiro, já acostumado com tudo isso desde sempre, respira fundo o ar viciado do coletivo abarrotado para se acalmar em mais um dia expremido no ir-e-vir cotidiano da vida alienada.
Impressionante como todo mundo, exceto eu e minha namorada, fuma maconha. A coisa anda tão descarada por toda a parte que é até engraçado tudo isso. Dá-lhe financiamento do crime organizado, já que compram em vez de plantar.
Impressionante como aqueles clássicos velhos xavecadores, mesmo sem a menor chance ou intenção de pegar as menininhas, mandam ver nos vecos mais trash, a fim de talvez provar para eles mesmo que ainda são capazes, que não perderam o jeito para puxar conversa com jovens senhoras ou senhoritas.
Impressionante como os simulacros vêm aumentando de tal forma que até artistas que já vieram ao Brasil, e até sem tanto alarde, causam tanta celeuma e correria para compra de ingressos e destaque na mídia: a bola-da-vez é a Madonna, a qual veio nos 90s fazer playback, na mesma época do Michael Jackson (RIP), e ninguém nem ligou muito – nada como desta vez, assim como foi diferente o U2 '98 e o U2 '06. Don't believe the hype. E quem é fã mesmo se fode pra comprar ingresso e periga nem ver o show por causa dos curiosos de ocasião, massa-de-manobra do showbizz.
Impressionante como eu demoro tanto pra atualizar e escrevo um post ruim como este.
Impressionante como todo mundo, exceto eu e minha namorada, fuma maconha. A coisa anda tão descarada por toda a parte que é até engraçado tudo isso. Dá-lhe financiamento do crime organizado, já que compram em vez de plantar.
Impressionante como aqueles clássicos velhos xavecadores, mesmo sem a menor chance ou intenção de pegar as menininhas, mandam ver nos vecos mais trash, a fim de talvez provar para eles mesmo que ainda são capazes, que não perderam o jeito para puxar conversa com jovens senhoras ou senhoritas.
Impressionante como os simulacros vêm aumentando de tal forma que até artistas que já vieram ao Brasil, e até sem tanto alarde, causam tanta celeuma e correria para compra de ingressos e destaque na mídia: a bola-da-vez é a Madonna, a qual veio nos 90s fazer playback, na mesma época do Michael Jackson (RIP), e ninguém nem ligou muito – nada como desta vez, assim como foi diferente o U2 '98 e o U2 '06. Don't believe the hype. E quem é fã mesmo se fode pra comprar ingresso e periga nem ver o show por causa dos curiosos de ocasião, massa-de-manobra do showbizz.
Impressionante como eu demoro tanto pra atualizar e escrevo um post ruim como este.
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