sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Você nem sequer se lembra de ouvir a voz

Seria este mais um post tumular sobre enterro, tristeza, distância e “frialdade inorgânica da terra”, não fosse a Veridiana, sem saber, me demover disso. Então vou falar do meu tio vivo, não morto. Afinal, morto, não é mais ele. Tiozão topetudo, vermelho de goró, fanático por armas, daqueles que há em toda família: toma todas, faz piada sem graça nas reuniões de família e fica enchendo o saco dos moleques, pegando no pinto e falando E AÍ JÁ TÁ SOLTANDO PORRINHA?, além de contar lorotas e tocar viola caipira. Umbandista-católico (é, né), tinha uma maritaca que falava É O PAI, É O PAI quando ele chegava e cantava Fuscão Preto. Tinha a esposa com mais cara de TIA (no melhor sentido da palavra), filhos tosqueira que me ensinaram muita porcaria (ah, os primos mais velhos), matou os cisticercos do cérebro à base de cachaça (!), petrificando os bichinhos, e ainda gravou um disco, sob a alcunha LARGA BRASA, num LP épico que tinha ~ EU DIGO QUE SIM NINGUÉM DIZ QUE NÃO EU DIGO QUE OSASCO É A CIDADE-SENSAÇÃO ~. Preciso dizer mais? MITO!

[ Não esqueça de que o título lá em cima é sempre um link, olha lá. ]

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Vidahistóriaamor

[ 23h35min ] Quando nasci, minha primeira roupa foi um manto do Corinthians. Minha primeira memória é com a camisa do Corinthians. A primeira vez que chorei foi pelo Corinthians. Minha maior comemoração foi por causa do Corinthians. Tenho Corinthians tatuado no braço esquerdo. Se eu tivesse a chance de voltar no tempo, iria a Invasão Corinthiana. Corinthians, cem anos no Universo inteiro e infinito e eterno em minha vida. [ 21h37min ]

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

A inteligência americana era, naquela época, essencialmente, e completamente, maluca.

Livros-reportagem: jornalistas aprendem a lê-los (teoricamente) na faculdade, não sei como funciona com as pessoas normais. Eu conheci esse gênero literário no sexto semestre, acho, com o new journalism de Truman Capote e Gay Talese. Pra quem não sabe, em linhas gerais, é o uso de narrativa romanceada na descrição de fatos reais. Algo como toscamente o Gil Gomes faz no rádio.

Enfim aprendemos a coisa como uma literatura policial, investigativa, cheia de nuances escabrosas e de mistérios. Porém sabemos que a vida pode ser inusitadamente divertida, de tão bizarra. Em Corações Sujos, de Fernando Morais, começamos intrigados com a burrice dos japoneses que não aceitavam que a Segunda Guerra havia acabado. Depois, damos risada com a incompetência do “esquadrão da morte” feito para matar os “infiéis” que duvidavam da vitória nipônica.

É o que acontece neste Os Homens Que Encaravam Cabras, de Jon Ronston. Pra quem gosta de teorias de conspiração (e não acredita nelas, por favor!), é uma diversão só. Não vi ainda o filme baseado nele, portanto falarei apenas sobre o livro.

Aliás nem preciso falar muito. Este parágrafo define a coisa toda:

“Talvez a história seja esta: no final dos anos 70, Jim, traumatizado com a Guerra do Vietnã, buscou emergência no movimento do potencial humano da Califórnia. Ele trouxe suas idéias de volta os Exército, e eles sensibilizaram o alto comando, que jamais havia visto a si próprio como a Nova Era, mas, para quem, em seu desânimo pós-Vietnã, fazia sentido.”

Quem estiver familiarizado, então, com clássicos conspiratórios como MK-ULTRA, Terra-Oca, Controle Mental e afins, vai delirar com militares de alta patente tentando atravessas paredes de quartel e matar cabras com a fonte do pensamento.

Engraçado e perturbador, mostra que a maluquice humana é mesmo ilimitada.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Investigações filosóficas

(...)

Fábio Vanzo diz (17:24):
dor nas costas e aí?

Mariel Moura diz (17:25):
dor nas costas [2]

Fábio Vanzo diz (17:25):
comeu tatu?

Mariel Moura diz (17:25):
na terra tatu caminha

Fábio Vanzo diz (17:29):
jacaré no seco anda?

Mariel Moura diz (17:29):
veio a pouco de fora?

Fábio Vanzo diz (17:30):
tem posto aí atrás?

Mariel Moura diz (17:32):
gosta de banana ou só caqui?

Fábio Vanzo diz (17:32):
setembro chove?

Mariel Moura diz (17:34):
bate uma com mamão pra mim?

Fábio Vanzo diz (17:34):
quer levar uma cunhada minha no cinema?

Mariel Moura diz (17:35):
opinião é igual bunda, dá a sua?

Fábio Vanzo diz (17:36):
sabia que aprender uma piada é preciso cair? então segura aqui que você não cai.

Mariel Moura diz (17:37):
se eu cozinho todo mundo come.

Fábio Vanzo diz (17:37):
se eu cozinho eu não lavo

Mariel Moura diz (17:38):
desculpe as bolas fora.

Fábio Vanzo diz (17:39):
conhece a bua botelho pinto, esquina com a timelo rêgo? lá tem dois japas, seu kumiama e seu kumiké

Mariel Moura diz (17:39):
você corre ou soca a minha?

Fábio Vanzo diz (17:40):
sua mãe é puta do seu pai?

Mariel Moura diz (17:41):
sua mãe seu pai minha tia na cozinha.

(...)

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Eternidades da semana

01. São Paulo eliminado pela quinta vez seguida da Libertadores, Rogério Ceni dando piti e chorando.

02. Santos campeão da Copa do Brasil com o maior número de derrotas entre os vencedores da competição.

03. Palmeirenses, que, como os demais, desdenharam da vinda de Ronaldo para o Corinthians, agora querem o Ronaldinho Gaúcho.

04. Debate-palhaçada na Band, como sempre, e gente no Twitter levando a coisa como se fosse briga de torcida, como nunca.

05. Plínio, o Rinoceronte Cacareco desta eleição.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Agora já se paga os pecados com carnê mensal.

veri. diz (17:10):
Deus não trabalha às sextas

Fábio Vanzo diz (17:10):
Por que não?

veri. diz (17:11):
Pq não

veri. diz (17:11):
eu queria ser Deus para não trabalhar às sextas

Fábio Vanzo diz (17:12):
aliás deus não trabalha, né
é o chefe
tem todas as ordens angélicas pra trampar pra ele
anjos, arcanjos, querubins, serafins, dominações, tronos, potestades

veri. diz (17:13):
poisé

veri. diz (17:13):
nós somos meros servos

Fábio Vanzo diz (17:13):
e ainda empregou o filho... nepotismo
e ainda viola o estatuto deixando uma pomba no escritório

Fábio Vanzo diz (17:14):
não, nós somos os CRIENTES
a gente pede, paga e recebe (ou não)

Fábio Vanzo diz (17:14):
a bíblia é tipo o direito do consumidor

veri. diz (17:15):
HAHAHAHAHAHHAHAH

veri. diz (17:15):
mto bom!

veri. diz (17:15):
vamos chamar o IDEC

Fábio diz (17:17):
Acendi vela
Fui pra aparecida
paguei dízimo
ajoelhei no milho
num trepei na quaresma
açoitei minhas costas
e cadê minha BMW seu deus?
NÃO DESLIGUE, SUA ORAÇÃO É MUITO IMPORTANTE. AGUARDE.

Fábio diz (17:18):
aí toca a música de fundo
HOSAAAAANA HOSAAAAAANA HOSAAAAANA NAS ALTUUURAAAASSSSS

veri. diz (17:19):
ahahhahahahahahahhahaha

veri. diz (17:19):
mto bom!

Fábio diz (17:20):
Olha senhor, epa, o Senhor sou eu, lamento, mas já deu o toque das ave-marias, são 18h, retorne a rezar amanhã. Ah, e consta aqui no sistema que você tem pecados não confessados em pendência. cortaremos sua alma em 30 dias.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Sandinista!

Fábio Vanzo diz (15:51):
Audioslave >>> RATM

Diego diz (15:51):
AFF vou dar block

Diego diz (15:51):
vai começar...

Diego diz (15:52):
nem vc acredita nessa merda que tá falando

Fábio Vanzo diz (15:53):
ah vá RATM num tem nada demais além dois foin ion ion de guitarra do tom morello que o eddie van halen já fazia quando ele nem tinha pelo no saco

Diego diz (15:54):
tchau.

Fábio Vanzo diz (15:54):
levando block em 3, 2, 1


[ Diego bloqueia Fábio Vanzo ]


Diego diz (15:58):
vai parar?

Fábio Vanzo diz (15:59):
=X (glup!)

Diego diz (16:00):
HAUHEUAHEUAHUEHA

Fábio Vanzo diz (16:01):
detalhe que nunca ouvi um disco, mas beleza

Diego diz (16:01):
do RATM?

Fábio Vanzo diz (16:01):
é

Diego diz (16:01):
tá zuando, mano

Diego diz (16:01):
AFFF

Diego diz (16:01):
acho que vou bloquear nossa amizade pra sempre

Fábio Vanzo diz (16:02):
:'(
vai me discriminar? eu não tenho preconceito por você ser gay, aceito de boa

Diego diz (16:02):
UHAUEUAEAAEUAHAU

Diego diz (16:03):
respeita?

Fábio Vanzo diz (16:04):
você não
o RATM não me incomoda
exceto quando você tá esperando um show gratuito, tipo charles miller, aí aquela molecada de camisa do slipknot bêbada de 51 c/ dolly começa a pogar com killing in the name no som mecânico

Diego diz (16:04):
HUAEHUAUEAUHEA

Diego diz (16:04):
isso é ozzzz mesmo

Diego diz (16:04):
mas é muito louco

Diego diz (16:05):
as letras são as mais comunas possíveis

Diego diz (16:05):
e sem soar adolescente.

Fábio Vanzo diz (16:05):
vou baixar aqui
começo por qual?
(mas aviso que tem mó fila de coisas pra ouvir... monte de black metal, o solo do noel gallagher, etc.)

Diego diz (16:06):
o primeiro

Diego diz (16:06):
homônimo

Diego diz (16:06):
sério

Diego diz (16:06):
é muito bruto

Diego diz (16:06):
e escuta leendo as letras

Fábio Vanzo diz (16:06):
é o mayhem comunista?

Diego diz (16:06):
muito mais

Fábio Vanzo diz (16:08):
engraçado que no metal as bandas comunas são só as de grindcore
napalm death, agathocles, SOD, pungent stench...

Fábio Vanzo diz (16:09):
aliás qual é o primeiro disco 100% comuna?

Fábio Vanzo diz (16:09):
clash?

Diego diz (16:10):
coletânea d' A Internacional em 12 línguas editada na URSS

Diego diz (16:11):
só pros fera

Fábio Vanzo diz (16:11):
HAUAHAUAHUAHAUHAUHAUAHAUAHUAHAA

Diego diz (16:11):
mas tem uma banda de rock italiana que é super comuna e fazia um certo sucesso nos anos 70

Diego diz (16:11):
esqueci o nome

Fábio Vanzo diz (16:11):
o CD dos campeões?

Diego diz (16:11):
o CD da vitória

Fábio Vanzo diz (16:12):
vou montar a banda POL POT e seus Khmers

Diego diz (16:12):
Isso aí é teta

Diego diz (16:12):
Quero ver vc montar uma chamada Adolfo e a conta de gás

Fábio Vanzo diz (16:12):
AHUAHAUAHUAAHAHUAHAUAHUAAHAHUAHAUA

Fábio Vanzo diz (16:13):
tinha uma em brasília que era filhos de menguele

Fábio Vanzo diz (16:13):
pré-raimundos

Diego diz (16:13):
mas a melhor, sempre, será a DIDI SUBIU NO CRISTO

Diego diz (16:13):
caralho, mano

Diego diz (16:13):
uaheuaheuhahueahea

Fábio Vanzo diz (16:13):
inigualável

terça-feira, 27 de julho de 2010

Reflexões futebolísticas vespertinas

01. Por que santista reclama de tanto complô e comemora a convocação da seleção?

02. Por que palmeirense só acompanha a imprensa pra falar mal dela (complô 2)?

03. Por que os corneteiros nunca estão satisfeitos com nenhuma convocação?

04. Por que os corneteiros nunca estão satisfeitos com nenhuma escolha de técnico?

05. Por que o Corinthians é tão invejado e nunca deixa de ser assunto entre os rivais?

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Eternidades da semana

Bruno.

Polvo.

Mércia.

Serra.

Dilma.

Piritubão.

Dia Internacional Do Rock.

Pearl Jam tirou férias.

Bon Jovi e Rush vêm pro Brasil.

Sei lá, preguiça de pensar na décima.

terça-feira, 13 de julho de 2010

Relatividade geral | restrita

Conversando com Walter Hupsel pelo Twitter, me vi confrontado com um pensamento assustador: uma situação na qual não consigo escolher um lado, um certo/errado, tomar um partido. Coração e mente se dividem. No caso foi relativismo cultural versus absolutismo cultural. Por exemplo, burqa, mutilação genital, infanticídio... onde termina o respeito pela cultura de cada etnia e começa o respeito à vida em geral? É mais difícil do que parece. Quanto nossa percepção sobre o que é tão diferente? E o que pensam de nós? Entre o preto e o branco há tantos tons de cinza... nessas horas o cérebro dá pane, entra em pânico, e foge para outros pensamentos de quaisquer desventuras.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Que beleza!

01. Brasil fora.

02. Argentina fora.

03. Paraguai fora.

04. Uruguai fora.

05. E a Copa América vira Eurocopa.

06. Nome e camisa não ganham jogo.

07. No máximo um juiz ruim.

08. Alemanha, com sua Divisão Panzer, é favoritíssima.

09. Futebol conciso, coeso, correto, parece que o técnico Catota é revisor.

10. Cabô. É tetra.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Futebol é a inteligência em movimento.

01. Dunga é tosco, chucro, cabação, burro e patético.
02. Os maus jogadores o apoiaram porque sabiam que estava lá por bondade.
03. Os crentes fizeram panelinha e se mataram na punheta, aposto.
04. Ninguém reclamou porque estava isolado, só se fosse chiar por telepatia.
05. Time “competitivo” (retranqueiro) nem mostrou bom futebol, nem foi vitorioso.
06. Quem acha que Dunga é Brizola, anacrônico, porque azedou a Globo, morra.
07. Cadê os patriotas sazonais? Não vi nenhuma camisa canarinho...
08. Engraçado os crentes metidos a bons moços perderem a cabeça tão facilmente.
09. Prefiro perder jogando bem a perder jogando mal.
10. Vai Corinthians.

quinta-feira, 1 de julho de 2010

The gentle art of making enemies

Fábio Vanzo diz (16:05):
sobre a claudia leitte, ela está no topo da minha lista de pessoas que, se eu encontrar, chuto a canela

veri. diz (16:05):
eu tb

veri. diz (16:06):
se eu estiver de carro, eu passo por cima.

veri. diz (16:06):
chata da porra

Fábio Vanzo diz (16:06):
claudia leitte
luciano huck
eliana
maria lídia

veri. diz (16:06):
hahahaha

veri. diz (16:07):
a maria lídia tá tão velhinha, coitada

veri. diz (16:07):
eu passaria por cima da sandy

veri. diz (16:07):
do junior

veri. diz (16:07):
da wanessa camargo

Fábio Vanzo diz (16:07):
josé serra
kassab
tico santa cruz

veri. diz (16:07):
do zezé di camargo

veri. diz (16:07):
do luciano

veri. diz (16:07):
boa, tico santa cruz tb

Fábio Vanzo diz (16:07):
esse eu passava em cima, voltava e passava de novo

veri. diz (16:07):
da xuxa

veri. diz (16:07):
hahahahahahah

Fábio Vanzo diz (16:07):
xuxa! boa
da xaxa tb

veri. diz (16:08):
HAHAHAHAHAHHA

veri. diz (16:08):
só pra não restar nada da espécie

Fábio Vanzo diz (16:08):
jô soares
carlos vereza
reinaldo azevedo
seu jorge
dunga

veri. diz (16:09):
o que o carlos vereza fez?

veri. diz (16:09):
REGINA DUARTE!

veri. diz (16:09):
gugu liberato

veri. diz (16:09):
amaury jr.

Fábio Vanzo diz (16:09):
foi no jô e praticamente falou "eu dou a bundinha pro josé serra"

Fábio Vanzo diz (16:10):
pô, coitado do amaury

veri. diz (16:10):
hahahahhaha

veri. diz (16:10):
odeio ele

veri. diz (16:10):
bêbado escroto

Fábio Vanzo diz (16:10):
ó, pega leve, não é assim não, hein

veri. diz (16:10):
ah meu, o amaury é escroto

veri. diz (16:10):
GEISY ARRUDA

Fábio Vanzo diz (16:11):
luciano do valle
galvão bueno
datena
rezende
marcos hummel
ferreira gullar
joão ubaldo

veri. diz (16:11):
paulo coelhoooooooooooooo

veri. diz (16:11):
dan brown

Fábio Vanzo diz (16:12):
ah, eu acho ele inofensivo
ah, vale internacional?
tony scott
michael bay
todas as nêga loira e os negão de dente-de-ouro do R & B
aerosmith (com requintes de crueldade)

veri. diz (16:12):
as nega lora eu tb ia com força

veri. diz (16:13):
e nos negão tb

veri. diz (16:13):
rihanna

veri. diz (16:13):
chata da porra

veri. diz (16:13):
paris hilton

Fábio Vanzo diz (16:13):
boa

veri. diz (16:13):
lindsay lohan

veri. diz (16:14):
milley cirus

Fábio Vanzo diz (16:14):
berlusconi
pô, deixa a hannah montana (tem um episódio dos simpsons que aparece a "alaska nebraska" hahaha)

veri. diz (16:14):
hahahah

veri. diz (16:14):
odeio ela

veri. diz (16:15):
quércia

Fábio Vanzo diz (16:15):
quércia, boa

veri. diz (16:15):
michel temer

veri. diz (16:15):
maluf

Fábio Vanzo diz (16:15):
todos do CQC

veri. diz (16:15):
TODOS!

Fábio Vanzo diz (16:16):
a golpes de DVD do jota quest

veri. diz (16:16):
HAHAHAHAHAHAHAHAHHAAH

veri. diz (16:16):
CHICLETE COM BANANA

veri. diz (16:16):
esse seria na base da paulada

veri. diz (16:16):
asa de águia

Fábio Vanzo diz (16:16):
pô, dança da manivela

Fábio Vanzo diz (16:17):
eu dancei em 98 em porto seguro :$

veri. diz (16:17):
AFFEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEE

veri. diz (16:17):
:|

Fábio Vanzo diz (16:21):
:| veja bem, eu posso explicar

Fábio Vanzo diz (16:21):
era viagem de formatura, eu era da galera do metal, mas eu e mais três combinamos "mano, tamo aqui, num tem jeito, é só não deixar ninguém fotografar; o que acontece aqui, fica aqui"

Fábio Vanzo diz (16:22):
aí tava bombando carrinho de mão também
e vi show do tchan, do cheiro de amor e do então desconhecido nativus (eca, odeio reggae)

Fábio Vanzo diz (16:22):
aliás se tocar reggae eu volto e te assombro por toda a sua vida

Fábio Vanzo diz (16:23):
é a única unanimidade do bresser: todos abominam

veri. diz (16:25):
meu

veri. diz (16:25):
CARRINHO DE MÃO NÃO

veri. diz (16:25):
reggae nem fudendo

veri. diz (16:25):
morro de desgosto se tocar

Fábio Vanzo diz (16:26):
reggae eu volto da tumba só pra matar a golpes de enxada quem estiver tocando no meu enterro

veri. diz (16:26):
HAHAHAHAHAHAHAHAHA

veri. diz (16:26):
eu tb

veri. diz (16:26):
mato afogado na privada

Fábio Vanzo diz (16:27):
levanto, coloco o cara no caixão no meu lugar, mijo em cima e enterro.

veri. diz (16:27):
ahahahha, eu acho que afogo antes em alguma privada cagada

Fábio Vanzo diz (16:28):
depois desenterro só pra profanar o cadáver, empalo e deixo pros urubus

veri. diz (16:29):
ahahahahhaha

veri. diz (16:29):
manda pra bahia

veri. diz (16:29):
pra se decompor naquele calor da porra

Fábio Vanzo diz (16:29):
(posso colocar nossa lista de pessoas chutáveis no meu blog?)

Fábio Vanzo diz (16:30):
e colocar uma placa INRI em cima
Imbecil Néscio Ridículo Idiota

veri. diz (16:31):
HAHAHAHAHAHAHHAHA

veri. diz (16:31):
COLOCA!

veri. diz (16:31):
néscio é legal

veri. diz (16:31):
adoro

veri. diz (16:31):
acrescentando:

veri. diz (16:31):
portioli

Fábio Vanzo diz (16:31):
pô, mas ele apresentou o inefável XAVECO!

veri. diz (16:32):
AHAHAHHAHAHAHAHA

veri. diz (16:32):
NÃO DÁ

veri. diz (16:32):
marcelo augusto tb

veri. diz (16:32):
zschxeila carvalho

veri. diz (16:32):
zschxeila mello

Fábio Vanzo diz (16:33):
szcheila mello nada contra
alexandre pires merece duas bicas, um pedala e uma paulistinha por ter chorado no tólinho do bush

veri. diz (16:33):
AFFEEEEEEEEEE

veri. diz (16:33):
merece mtos

veri. diz (16:34):
dado dollabella

veri. diz (16:34):
deborah secca

Fábio Vanzo diz (16:35):
paulinho vilhena
miguel fallabella
tom cavalcante

veri. diz (16:35):
nossa, paulinho vilhena merece mto!

veri. diz (16:35):
marcos mion!

Fábio Vanzo diz (16:36):
a equipe do manhattan connection (dois viado e dois véio broxa) merece um tomahawk logo no estúdio

Fábio Vanzo diz (16:36):
arnaldo jabor

veri. diz (16:36):
tb acho!

veri. diz (16:36):
mulher melão

veri. diz (16:37):
mulher maçã

veri. diz (16:37):
mulher melancia

veri. diz (16:37):
mulher pqp

Fábio Vanzo diz (16:37):
mulher____________ (insira aqui sua fruta)

veri. diz (16:37):
isso

veri. diz (16:38):
adriana bombom

Fábio Vanzo diz (16:38):
todos os funkeiros, animadores de auditório, cobradores de ônibus, modelos & manequins, analistas de mídias sociais, probloggers
todos os jornalistas, economistas, advogados e médicos

veri. diz (16:39):


veri. diz (16:39):
jornalista não

veri. diz (16:39):
não sobra nem a gente

Fábio Vanzo diz (16:39):
;) a gente usa caneleira

veri. diz (16:40):
todos os ex-bbbs

veri. diz (16:40):
a fernanda young

Fábio Vanzo diz (16:40):
todos os atendentes de telemarketing, vendedores de calçado, quem trabalha com RH

Fábio Vanzo diz (16:40):
putz, fernanda young eu dava uma voadora double dragon

veri. diz (16:40):
AHAHAHAHA

veri. diz (16:41):
eu arrancaria cada fio de cabelo

Fábio Vanzo diz (16:41):
luis fernando guimarães, pedro cardoso, regina casé, álvaro pereira jr., andré forastieri, josé flávio jr. e toda a imprensa musical

Fábio Vanzo diz (16:43):
publicitários que fazem comercial de carro

veri. diz (16:44):
todo mundo da CET

Fábio Vanzo diz (16:45):
funcionário público em geral

veri. diz (16:45):
todos

Fábio Vanzo diz (16:46):
eu ia falar FHC, mas esse aí já morreu

veri. diz (16:46):
FHC merece

veri. diz (16:46):
collor tb

veri. diz (16:46):
mas acho que o collor saiu por muito menos

veri. diz (16:46):
hj a coisa é pior e não falam nada

veri. diz (16:46):
genoino

veri. diz (16:46):
palocci

veri. diz (16:46):
todos eles

Fábio Vanzo diz (16:47):
também acho
só a privataria e a compra de votos pra reeleição já merecia um guantânamo pro FHC

veri. diz (16:47):
total

veri. diz (16:47):
maitê proença

veri. diz (16:47):
ódio dessa mulher qdo alguma vez minha tv caía no saia justa

Fábio Vanzo diz (16:48):
pô coitada

Fábio Vanzo diz (16:48):
adriane galisteu
hebe camargo
dercy gonçalves eu desenterrava só pra chutar

veri. diz (16:48):
hahahaha

veri. diz (16:48):
a hebe não, tadinha

veri. diz (16:48):
ela já tá quase lá

veri. diz (16:48):
IVETE SANGALO

Fábio Vanzo diz (16:48):
haahhahaha

Fábio Vanzo diz (16:48):
nuossa, ivete

Fábio Vanzo diz (16:48):
surra de remo

veri. diz (16:48):
essa eu ia bater mto

veri. diz (16:49):
ahahahahahahahah

veri. diz (16:49):
mahahhahahahahahahahahahaha

veri. diz (16:49):
paulada

veri. diz (16:49):
bater a cabeça na parede

Fábio Vanzo diz (16:49):
fazer vivissecção

veri. diz (16:49):
muito

Fábio Vanzo diz (16:50):
ahmadinejad
todos os governantes de israel
todos que participam de ou fazem comédias românticas
quem gosta de kaiser

veri. diz (16:53):
hahahahhahaahhaha

veri. diz (16:53):
quem gosta de cerveja sem álcool

veri. diz (16:53):
quem trepa de meia

Fábio Vanzo diz (16:53):
trepar de meia é foda

Fábio Vanzo diz (16:53):
quem toma café descafeinado

veri. diz (16:53):
HAHAHAHAHAHA

veri. diz (17:00):
FAUSTÃO

Fábio Vanzo diz (17:00):
ah o faustão tem crédito pelo passado de glórias

veri. diz (17:01):
nem fudendo!

Fábio Vanzo diz (17:01):
pô, perdidos na noite!

veri. diz (17:02):
não, não tem salvação

veri. diz (17:02):
mara maravilha

Fábio Vanzo diz (17:02):
boa

Fábio Vanzo diz (17:06):
quem fica pedindo coisa pro cafeworld mafia wars colheita feliz e o caralho a 4 EU NÃO JOGO ESSAS PORRA!

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Em silêncio, por favor.

O futuro da música é o silêncio.

terça-feira, 29 de junho de 2010

Cancion por la unidad de Latino America

Fábio Vanzo diz (13:46):
mercosul >>>> primeiro mundo

m_moura diz (13:46):
copa sulamericana >>>>>>>> eliminatórias >>>>>>>>>>> champions league

Fábio Vanzo diz (13:47):
AL gozando na cara geral na copa

m_moura diz (13:47):
vai LATAM

Fábio Vanzo diz (13:49):
go simón bolívar, che, lamarca, picanha malpassada

m_moura diz (13:52):
go amazonia, escobar, kishners, generais, maldivas

Fábio Vanzo diz (14:00):
go farcs, bresser, lulão, maria-mole, juliana paes, maradona

m_moura diz (14:05):
go foro de sp, haxixe, neo-comunas, xuxa, anti-imperialistas, petróleo

Fábio Vanzo diz (14:06):
go mst, foz do iguaçu, soda stereo, gabriel garcía márquez, hugo chávez, allende eterno

m_moura diz (14:10):
go furnas, floripa, estatizações, charly garcia, olé, ponte da amizade, marreteiros

Fábio Vanzo diz (14:12):
go brunogoleiromatador, praia grande, patagônia, fito paez, suriname e guiana que não sevem pra nada mas beleza

m_moura diz (14:13):
caralho, bloga isso, uhauhaa

Fábio Vanzo diz (14:13):
hahahahahahaha boa idéia


***

Bonus round: Diego diz (14:07):
go peron, conaprole, acarajé, friendship bridge

quinta-feira, 24 de junho de 2010

É... Copa do Mundo, amigo.

A pior coisa desta Copa, depois das vuvuzelas e de Eslovênia X Argélia, dos ufanistas-de-ocasião, das pessoas que só acompanham futebol nesta época são revolucionários de internet quererem que todo mundo torça pelo Brasil e pelos países africanos e demais subdesenvolvidos. Futebol, dentro das quatro linhas, não é político. Esqueçam a cartolagem e os patrocinadores. É diversão, é paixão. Torço pra quem eu quiser, não pro mais coitadinho. Não me identifico com a Selecinha do Dungazedo, assim como acho que o futebol africano está um lixo. E não acho que futebol deva fazer justiça social. A África do Sul vai continuar sendo um país de preto pobre e branco rico, com o adendo de um monte de estádios que ninguém vai usar. Por isso, me deixem torcer pela Argentina, contra o Brasil e pra o que mais eu quiser.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Faça uma lista de discos que mudaram sua vida

Alívio Imediato (Engenheiros Do Hawaii)
Cosmotron (Skank)
Crestfallen (Anathema)
Goodbye Yellow Brick Road (Elton John)
In Utero (Nirvana)
Mondo Cane (Lulu Santos)
Revoluções Por Minuto (RPM)
The Best, The Rest And The Rare (Helloween)
Transa (Caetano Veloso)
Twilight Of The Gods (Bathory)

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Drug Me

Vira-e-mexe, entre uma Marcha Pela Maconha e outra, aparece uma discussão séria sobre a descriminalização das drogas ilegais. Porém os argumentos usados são sempre muito fracos. Como não pretendo fazer nenhum tratado sobre o assunto aqui, desejo apenas dar minha opinião sobre os ditos mais comuns.

1. A legalização vai acabar com o tráfico e, conseqüentemente, com o crime organizado. Furada total. Os bandidos apenas vão migrar para outros setores criminosos, diversificando os negócios, como seqüestro, assalto a bancos e pessoas, tráfico de armas, contrabando... ou você acha que, uma vez liberadas as drogas, o traficante vai assinar os sete dias grátis da Catho e procurar emprego?

2. O usuário poderá comprar droga de boa qualidade, com impostos inclusos e receita médica. Outra bobagem. Imagine, por exemplo, quanto vai custar um pacote de cocaína da Bayer. Você acha que não vai continuar havendo quem venda ilegalmente, assim como existem as lojas e existem os camelôs?

3. O consumo não vai aumentar, quem usa, usa de qualquer jeito. Talvez. Mas Amsterdã, da qual não possuo estatísticas sobre isso, virou uma Disneylândia Junkie, e isso é inegável. Imagine só nóias de toda a América Latina vindo curtir um barato aqui. Já temos a fama de mulheres fáceis, prostituição infantil, corrupção, vagabundagem, subdesenvolvimento... queremos mais esse rótulo?

4. Álcool e cigarro também são drogas e são liberadas. Sim, o álcool é, de longe, a droga que mais destrói famílias e o cigarro, o que mais onera a saúde pública. Porém não é porque você deixou cair um copo da bandeja que vai jogar tudo no chão de uma vez.

E deixo uma pergunta: por que o alucinógeno Santo Daime é permitido? Então os maconheiros podem se declarar devotos de Jah? Posso venerar a Nossa Senhora do Speedball?

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Death Proof

كلادية diz (11:16):
chocante foi o que a diarista me contou que está acontecendo no bairro dela

كلادية diz (11:17):
os caras deixam crianças costuradas, sem órgãos, com um saquinho com 800 reais dento, agradecendo a mãe e informando que a criança "não sofreu"


Não tem cara de lenda urbana? Que apuração essa pessoa fez pra dizer isso? Este é o mal: a credulidade; se alguém de confiança ou algo parecido disse, então é verdade. Não sei se é mal de jornalista querer fonte de tudo, mas isso me parece uma mentira das mais cabeludas, do naipe da agulha com aids no cinema ou do cara que acorda sem os rins. Como diz um amigo, EU QUERO É PROVA.

Om Hundrede Aar Er Alting Glemt (II)

Acordou morto? Morreu e não sabe mais como conviver com isso? Seus problemas acabaram!

Sites prometem ''vida digital'' após a morte

Empresas de internet oferecem serviços que vão do envio de e-mails de despedida à revelação de segredos que ficaram guardados por anos

A vida eterna existe. Pelo menos no mundo digital. Junto com a expansão da internet e das redes sociais, houve uma explosão de sites que se oferecem para, após a morte, manter seu perfil no Facebook, mandar uma mensagem de e-mail ou manter um site por 25 anos. Outros propõe um serviço de administração da vida digital após sua morte, borrando progressivamente sua existência.

O maior dos sites de relacionamento social, o Facebook, estima que 3% de seus usuários já morreram. No fim de 2009, a empresa anunciou serviços para manter o perfil dos mortos, mesmo que por anos. "Quando alguém parte, não ficam apenas em nossas memórias, mas também ficam em nossas redes sociais", diz o site em sua página de blogs. "Para refletir essa realidade, criamos um memorial de perfis, um lugar onde as pessoas podem salvar e compartilhar suas memórias sobre pessoas que morreram", explica.

Há duas opções para ter seu perfil nessa galeria. O usuário pode pedir ao Facebook ou família e amigos podem tomar a iniciativa. Para isso, o site pede uma prova de relacionamento com o morto ou mesmo um certificado de óbito. O site afirma que informações consideradas sensíveis são retiradas, como telefone e endereço. O perfil é congelado, para que ninguém possa modificá-lo.

Última palavra. Empresas na Europa e nos Estados Unidos administram a vida digital de mortos. No caso de executivos ou banqueiros, sites permitem que um código de uma conta ou programa não desapareça com a morte. O site manteria a informação protegida e, a cada mês, envia um e-mail ao detentor do segredo. Se no terceiro e-mail não houver resposta, o site considera que é hora de enviar a mensagem para a pessoa designada com o segredo. O site admite: em caso de um coma prolongado, o sistema não funciona.

No MyLastEmail.com, uma pessoa pode planejar um e-mail de despedida para depois de sua morte. Um amigo próximo daria o sinal verde para o envio. O pagamento anual varia entre US$ 50 e US$ 100.

Há ainda a possibilidade de programar para uma data futura o envio de um e-mail por parte do falecido. O serviço chega ao ponto de oferecer o envio de e-mails na data de aniversário de um familiar, anos depois da morte do dono da conta. Claro, quanto mais serviços encomendados e mais anos de duração, mais cara é a cobrança em vida.

"Superando a morte." Esse é o lema do site DeathSwitch.com. A empresa promete, por exemplo, ajudar o falecido a não levar segredos para a túmulo. "Não morra e leve consigo segredos", diz o site. A ideia é a de que, diante da morte do dono de uma conta de e-mail, a empresa envie uma mensagem em nome do morto revelando segredos guardados por anos.

Outro serviço é o do site GreatGoodbye.com, que oferece enviar a familiares e pessoas designadas de antemão como é que o falecido gostaria que seu funeral ocorresse.

A gestão da vida digital de um pessoa ainda é oferecida pela LegacyLocker.com, que promete bloquear todas as contas e e-mails do usuário morto, protegendo dados relevantes e evitando a atuação de hackers ou mesmo de organizações criminosas.


[ http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20100509/not_imp549166,0.php ]

quinta-feira, 22 de abril de 2010

All apologies

A todos que amei e fingir amar, minha desculpa. Enganei a todos por tanto tempo que até eu devo te acreditado. É a essência da mentira, não? Acreditar na mitomania. Apaixonei-me de mentira, fiz se apaixonarem-me por mim de verdade. Enganei pessoas escrevendo, trabalhando, vivendo como filho, irmão, namorado, amigo. Fui uma farsa constante. Um embuste elevado a estado de arte. O que eu deveria fazer? Quem eu deveria ser? Limpo o suor nas vestes e espero o veredito que já sei qual é: culpado! Mereço. Fiz tão mal a tanta gente, só me resta a morte. A todos que enganei, peguei as pedras e me dilapidem, por favor. Foi um legítimo adultério de confiança. Só não houve nenhum messias, nem haverá, para me salvar. Que venham as rochas que serão meu merecido túmulo sem piedade ou redenção. Que não tiver pecado, quem tiver um monte de falha, está todo mundo liberado para me apedrejar. Crucificar. Sem túmulo vazio.

sexta-feira, 19 de março de 2010

De susto, de bala ou vício

Vocês são tão frouxos, vamos, vamos logo, quais seriam seus últimos pedidos, quais seriam suas últimas atitudes, a sério, caso o mundo ou a vida fosse acabar hoje? Quero conduzir um estudo sobre o tema. Se você soubesse que, dentro em pouco, seu corpo seria devorado pelos vermes das moscas bicheiras enquanto sua alma ascendesse a NSJC, ou simplesmente deixasse de existir como se nunca tivesse havido. Ah, ignorem, jovens sempre acham que vão viver pra sempre. E os velhos fingem aceitar a Morte como algo corriqueiro como um convidado para o chá quando estão todos se mijando e cagando por mais alguns minutos de existência patética. Ei, me desculpem por delatá-los, mas é que foi engraçado. O vento frio da Velha Senhora fez pó de todas as suas convicções e sua alegada serenidade ante o fim. Que estudo, que nada, só quero rir da cara de vocês.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Reflexões vespertinas

Não gosto de inverno, faz muito frio.
Não gosto de verão, faz muito calor.
Não gosto de outono, o tempo é muito seco.
Não gosto de primavera, chove demais.

terça-feira, 9 de março de 2010

A fine day to die

_Maria, vem aqui, me dá um álcool pr’eu passar no peito, não estou me sentindo bem.

Ele era vidraceiro e morava nos fundos do mercadinho Nossa Senhora De Fátima. Palmeirense, cinéfilo, alcoólatra, levava o neto postiço pra soltar pipa onde antes era um campinho e hoje é uma merda de escola de samba. Morreu digno, sem resgate, oitenta e oito anos.

Descansa tranqüilo, velho Quim. A gente fica por aqui. Espera-nos aí.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Eternidades da semana

01. Kassab cassado? Ah, isso nem vai dar em nada, o processo vai se arrastar e, cajo ele seja mesmo condenado, o mandato terá se encerrado, tal como foi com Celso Pitta.

02. Antônio Rascista Carlos no Palmeiras, com a torcida protestando? Demonstração de civilidade de quem na mesma semana se matou na porrada contra a Independente? É, não dá pra esperar coerência de bandido.

03. Botafogo campeão de alguma coisa (mesmo que seja esse ridículo primeiro turno)? E com gol do Fábio Pinguço Ferreira? Esta foi uma semana realmente atípica para o futebol. E o Ricardo Gomes quase teve um AVC. Calma, moço, foi só um jogo.

04. Nada a ver o Elton John dizer que Jesus Cristo foi um "gay superinteligente" (pelas lições de tolerância, etc.), mas é lindo ver a direitalha carola esperneando.

05. A Libertadores começa quarta-feira e o Corinthians não está nem um pouco engrenado. E após 91, 96, 99, 00, 03 e 06 (em 77 eu não era nascido) meu pobre coração alvinegro não agüenta outra eliminação.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Suicide is painless

O suicídio, especialmente para os homens, e isso é comprovado, é mais letal e ritualístico, menos impulsivo e desesperado. Enquanto mulheres normalmente se entopem de remédios, homens se enforcam, dão tiro na cabeça ou se jogam na frente do trem. E esse maior poder de decisão muitas vezes faz com que haja certa preparação, como um testamento, além do costumeiro bilhete de suicídio, e um ritual. Ian Curtis, por exemplo, bebeu uma garrafa de uísque, ouviu The Idiot, do Iggy Pop, assistiu a Stroszek, de Werner Herzog, para então se enforcar. E você, quando for cometer suicídio, que método irá usar, de quem irá se despedir, a quem deixará suas coisas, o que irá ver, ler ou ouvir pela última vez?

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Nowhere, no-one, nothing

É difícil escrever algo quando você tem o sentimento de precisar dizer aquilo, mas está cansado, sem vontade, ou simplesmente não aparece nenhuma idéia boa. O texto que sai nesses casos é invariavelmente de pouca consistência, emoção demais, porém com pouco cuidado na forma. Já escrevi um livro inteiro assim há meia década, em condições físicas e mentais deploráveis, e o resultado não me agrada, nunca agradou. Embora haja lampejos bem criativos, em que a forma consegue dar luz ao conteúdo, e aí se criam imagens realmente de impacto, que trazem o leitor para o Inferno das palavras que ali estão, o resto é frágil, sem rumo, como um grito desesperado. E a arte sempre necessita de cuidado. Por isso às vezes o melhor é manter o silêncio, ou simplesmente condenar certas expressões de dor ao calabouço de uma gaveta qualquer.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Ficções do interlúdio

Não chorei, serei sempre insensível.
Digo palavras duras, sou insensível.
Já menti, jamais direi a verdade.
Já errei, jamais serei perdoado.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A inveja é companheira da glória.

Conversando com uma amiga no MSN, veio a pergunta: qual dos sete pecados capitais você mais comete. Além da óbvia ira, visto que não sou exatamente a pessoa mais paciente do mundo, veio à mente e à palavra algo de que eu já sabia, porém nunca havia admitido a ninguém: sou invejoso. E ela também admitiu o mesmo. Talvez todos sejamos. Mas não daquele tipo ruim, de querer arrancar o que a pessoa tem, de torcer contra (não que isso faça diferença na prática, visto que olho-gordo é bobagem), mas sim o desejo de também querer aquilo que outrem conseguiu e que você não tem por azar, incompetência ou qualquer outro motivo. Lembre-se: não existe sentimento bom ou ruim; cada um tem sua hora e seu lugar, todos são perfeitamente naturais. A diferença é que a inveja “benéfica” faz com que você deseje algo igual ao que o outro conseguiu, enquanto que a “maléfica” te leva a querer o próprio objeto de conquista da pessoa, seja qual for, arrancando-o dela. Em vez de se espelhar na vitória alheia, você quer tomar o lugar do vitorioso, sê-lo, vivê-lo. Essa é a diferença. Quem nunca desejou ser outro alguém, ter o que não tem? Ah, o resto é hipocrisia.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

Vemachiti et kol hayekum asher asiti me'al pney ha'adama.

Tá, sempre choveu em São Paulo, a cidade cresceu desordenadamente, invadindo encostas, e hoje temos uma metrópole impermeável de tanto concreto e asfalto. Assim como sempre teve terremoto em Tóquio.

O que os japoneses fizeram? Adaptaram a cidade para conviver com essa particularidade geológica. Já por aqui, nos desgovernos e nas desprefeituras demo-tucanas, nada se faz. É culpa da Mãe Natureza e pronto. Nós que reclamemos com ela, talvez chutando uma árvore ou deixando de fazer doações ao Greenpeace. E a única coisa boa que o Alckmin fez, o aprofundamento da calha do Tietê, foi abandonado e faz três anos que nosso belo rio não sofre uma limpeza.

Hoje faz 37 dias que chove direto em São Paulo e tudo que o Aquassab diz é que “tudo está sob controle” enquanto passeia de helicóptero sobre o pobre Jardim Romano, alagado direto desde o ano passado.

O que a população pode fazer além de xingar o Aquassab? Parar de votar no PSDB-DEMo e não jogar garrafa PET e sofá vermelho nos terrenos baldios, que entope as galerias pluviais e bueiros.

Saneamento na serve só pra lixo, serve pra políticos também.

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Do egocentrismo, da megalomania e de outros desvios de caráter na internet.

Mais do que no “mundo real”, a internet é o verdadeiro Estige das subcelebridades, onde elas se mordem, se xingam e se debatem o tempo todo, em moto-contínuo. Polêmicas vazias, troca de farpas, autopromoção a todo custo e uma vontade desesperada de se fazer notar, de mostrar que “venceu na vida digital”. Vale usar script pra adicionar um monte de gente, aparecer em reality show, chamar a si mesmo de “empresário” porque ganha dinheiro com o blog, arrumar briga com a subcelebridade que usou script e foi ao reality show, receber jabaculê para fazer textos mequetrefes sobre viagens na vasca ou traquitanas moderninhas... as possibilidades infinitas. A glória dessa espécie internética é posar de “early-adopter” (sim, os malditos termos em inglês) com jeito blasê de quem usou Orkut/Facebook/Twitter/Blog quando não havia a “maldita inclusão digital”. É a orkutização do Facebook, a facebookização do Twitter, a twitterzação do blog. Medem a felicidade pelo número de seguidores ou comentários. Matam a mãe por uma conexão de 10Mb na Campus Party, mas, uma vez lá, dizem que “já foi melhor”, e que hoje “todo mundo posa de geek". Escrevem pouco, o conteúdo de seus blog é quase inteiro de press-releases, vídeos velhos do YouTube e imagens “kibadas” de outros sites. Enfim é a gentalha do cibermundo, daqueles que você só não chuta a bunda porque nunca saem da frente do computador.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Sad wings of destiny

[17h40min] A tristeza é contagiante, empolga nossos inimigos. Contagiosa,e entristece junto as pessoas que nos amam. A tristeza é leal, jamais nos abandona e está conosco especialmente quando não precisamos dela, para dar aquele conforto tanto de quem sente falta da auto-indulgência quanto de quem não se contenta com o riso horrível do idiota. A tristeza é fiel, sempre retorna ao nosso lar, por vias direitas e avessas, retas e tortas, por nossa própria boca ou pela das outras pessoas. A tristeza é linguagem indizível. Indivisível. Mesmo assim há para todos, cada um com a sua, mas interagindo com a de outrem. A tristeza é democrática, não discrimina, muito embora trate com mínimo desdém quem finge que ela não existe, somente para se apossar da alma estúpida. Não é parasita, nós é que insistimos em habitar seus domínios pretendendo passar incólumes. A tristeza é acolhedora num abraço de engolir infinitos na escuridão à luz do dia. No início era o verbo, e esse era entristecer(-se). E viu Deus que a tristeza era maior. [17h49min]

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

A linguagem sempre foi meu último refúgio.

Um bom texto abre portas. Abre pernas. Abre o céu cheio de nuvens. O chão para que tudo desabe. Abre os olhos para a verdade, a boca para um beijo. Abre as mãos, abre até o coração. Um bom texto abre os braços para um abraço e caminhos para a vida.

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

O processo de criação vai de 10 até 100.000

[Sete de outubro de dois mil e nove]

Toloi diz (20:25):
ô senhor compositor, ve se tua aprova tua letra...
na sexta, eu mostro como ela ficou pra vcs

Toloi diz (20:26):
vc escreve rapido e eu componho melodias rapido , heeheheh, fiz essa em 1 hora

Fábio Vanzo diz (20:27):
nussa

Fábio Vanzo diz (20:27):
levo séculos hahaha

Toloi diz (20:29):
uma duvida na escrita do acorde: esse F#m/A qual dos dois que se refere a nota do baixo?

Toloi diz (20:29):
ta, quando vc abrir e ler me avisa

Toloi diz (20:31):
pensei em voce fazendo umas pitadas na guitarra a la dois rios do skank

Fábio Vanzo diz (20:31):
pensando no que seria um fá sustenido menor com baixo em lá

Fábio Vanzo diz (20:32):
acho que fazendo sem pestana dá

Fábio Vanzo diz (20:32):
corneta
1. não gostei do nome, muito direto. vou futucar.

Fábio Vanzo diz (20:33):
2. vou mudar umas coisas na letra, tem palavras que acho que num ficam legais em letra
3. coube tudo na metrica direitinho?

Toloi diz (20:37):
mas é isso mesmo, o A mantem só na baixo e entra o fa sustenido menor numa casa acima, antes de entrar no fa sustenido inteiro

Toloi diz (20:38):
fa sustenido menor

Toloi diz (20:39):
pensei de ultima hora, nao consegui pensar num nome melhor, ia fazer uma homenagem e colocar uma frase da muisca do dimmu borgir pra colocar de titulo, ja que eu que a citaçao era pra eles, mas achei as letras deles uma bosta, hahaha

Toloi diz (20:39):
coube tudo na metrica

Fábio Vanzo diz (20:39):
dimmu boga?

Fábio Vanzo diz (20:39):
as letras deles são uma merda

Toloi diz (20:40):
depois só me diz quais palavras, porque aí pode atrapalhar na metrica, assim como está, ficou perfeita cantando

Fábio Vanzo diz (20:41):
1. "nefando" acho que num rola
2. "Vestindo loucas e roupas escuras" esse "loucas" ficou esquisito
 
Toloi diz (20:42):
1 - o que é nefando? vem de nefasto? achei melhor nao tirar, hahaha

Toloi diz (20:43):
2 - então, ainda nao senti firmeza, queria fazer uma associaçao de que eles estivesse usando mulheres (se aproveitando de) e roupas escuras, sacou?

Toloi diz (20:43):
jogando com a frase, sabe

Fábio Vanzo diz (20:43):
1. é igual nefasto.
2. hmmmm

Fábio Vanzo diz (20:44):
"Despindo tuas roupas escuras"?

Toloi diz (20:48):
pode ser, mas aí hão de ter dois problemas
1 - vc ja usa a palavra despindo antes - se referindo ao pranto
2 - e principalmente, a letra deixa de ser um relato geral em 1 pessoa, como tava, pra ser referente a uma segunda pessoa, despindo as roupas escuras dela, tendeu?
COMUNIDADE DO ORKUT - ANALISANDO LETRAS: BRESSER
HAUAHUAHUAHUAA

Fábio Vanzo diz (20:51):
hahahahahahhahaha

Fábio Vanzo diz (20:51):
preciso ler essa buceta inteira, peraí

Toloi diz (20:52):
hahaha, ele escreve e nao lembra, heheh

Fábio Vanzo diz (20:53):
hahahahahaha
de um caminho tão PROFANO
rima até melhor

Toloi diz (20:54):
aprovado

Fábio Vanzo diz (20:54):
vejamos o outro verso

Fábio Vanzo diz (20:59):
Caído em outras desventuras OK
Corpos em roupas escuras ( ) sim ( ) não
Hoje, qual será meu gosto? OK
Quem me saberá o rosto? ( ) sim ( ) não

Toloi diz (21:01):
Caído em outras desventuras OK
Corpos em roupas escuras ( ) sim ( x ) não
Hoje, qual será meu gosto? OK
Quem me saberá o rosto? ( x ) sim ( ) não

Fábio Vanzo diz (21:01):
te mando à merda? ( x ) sim ( ) não

Toloi diz (21:03):
ninguem tem paciencia comigo sim ( ) não

Toloi diz (21:04):
que tal PROVANDO loucas e roupas escuras ?

Fábio Vanzo diz (21:06):
:/ o cara tá na butique gay? provando roupas loucas?

Toloi diz (21:06):
huauauhauahuaha

Fábio Vanzo diz (21:07):
trocando di bikini sem parar

Toloi diz (21:08):
PROVANDO LOUCAS EM RUAS ESCURAS

Fábio Vanzo diz (21:08):
:/ nhão
esse loucas aí que tá foda
como era o original que já nem lembro?

Toloi diz (21:09):
NUM LEMBRO, TEM Q PEGAR DO BLOG DE NOVO

Fábio Vanzo diz (21:10):
é velha ou nova essa poesia?

Toloi diz (21:18):
aparentemente nova, ta na sua pagina de mais recentes ainda

Toloi diz (21:18):
tu deve ter escrito esse mes ainda, seu lesado

Fábio Vanzo diz (21:19):
linka, caraio

Fábio Vanzo diz (21:20):
http://fabiovanzo.blogspot.com/2009/07/ingen-tarer-skal-fylle-dine-netter.html


Fábio Vanzo diz (21:22):
NAS MESMAS RUAS ESCURAS
fechô?

Toloi diz (21:25):
tá bom, nao ficou um primor, mas nao comprometeu, ficou uma rima BALBUENA

Fábio Vanzo diz (21:26):
o verso do dimmu boga significa "Não haverá fraqueza na tua alma "
como a gente pode usar no nome da música?

Fábio Vanzo diz (21:31):
ooou aumentando a influência, o título do post é sempre um link
no caso é http://www.fotolog.com.br/fvanzo/39112591 os versos são do bigode, olha

Toloi diz (21:37):
gostei da frase do bigode

Toloi diz (21:37):
mas qual seria o titulo da musica?

Fábio Vanzo diz (21:39):
"comum no seu tempo"?
"no seu tempo"?

Toloi diz (21:41):
COMUM NO SEU TEMPO , eu gostei bastante

Fábio Vanzo diz (21:41):
BigodeFeelings

Fábio Vanzo diz (21:42):
fechô?
vou guardar esta conversa como exemplo de Lennon & McCartney com absinto

Toloi diz (21:42):
fecho a balada

Toloi diz (21:42):
MARAVILHA

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

'Till Ten Years

Imagine um disco que tome todas as influências essenciais do black metal norueguês – a última coisa realmente nova que apareceu no metal, e faça um disco único, maravilhoso, transcendental, antes de embarcar numa viagem, altamente válida e recomendável, aliás, de sujeira das ruas. Um Travis Bickle de corpse-paint, por aí. Voltando ao disco, é uma mistura de Dark medieval Times, Vikingr Veldi, In The Nightside Eclipse e De Mysteriis Dom Sathanas. Resumindo, só coisa foda. Imagine. Sentimento nórdico, frio, gélido, com influências folk, teclados, linhas criativas de guitarra, produção OK. Pra quem gosta de boa música. http://www.myspace.com/decemberwolves

Meus is não têm ponto, eu não peço desculpa, escrevo deus com letra minúscula.

Não invento palavras. Não escrevo palavrão. Quase. Não sai senão de Deus o ovo de Satã. Não pretendo chocar gratuitamente, preciso ser pago. Trago o horror com um punhado de palavras comuns. Amor e morte, mil vezes. Azar e sorte. Sem invencionices, nem modismos. Além das críticas recalcadas e das incompreensões. A escrita é tensão, é tesão. Espírito feito arco retesado, quase a arrebentar. Pois sem mim o existir não há.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Vastas emoções e pensamentos imperfeitos

[14h34min] Os ursos estão cada vez mais canibais. O céu desaba como temia Abracurcix. Automóveis se amontoam, subindo até nas paredes, feito baratas saindo do esgoto e invadindo o ralo de casa. Ai, odeio baratas. E automóveis. Nessa ordem, eu acho. Vias nasais e marginais congestionadas. As mentiras transbordam feito a lama do Tietê, trazendo expelindo a miséria que a classe média finge não ver quando confirma o voto na urna eletrônica, coisa de Primeiro Mundo, aliás, até melhor. Que bom se pudéssemos ensiná-los a votar também. Mas estamos no mesmo barco poluído de idéias ruins e pensamentos imperfeitos. Canibais católicos pedem desculpas por terem comido o missionário. O temporal desaba ácido enquanto ecoam os gritos do Datena na televisão. Ele vibra, indignado, contra tudo e todos. A justiça que ninguém quer, mas todos aplaudem. E a chuva, ah, a chuva traz mais baratas. E ratos. Pensamentos também se amontoam e desabam feito barranco sobre os barracos e sonhos. O voto é nulo feito o meu existir. Desistir. Resistir. Preciso beber alguma coisa rapidamente. Na versão do Fagner, por favor. [14h38min]

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O futebol é uma Configuração-Dos-Lamentos de surpresas

Final atípica de campeonato. Quatro finais ao mesmo tempo, luta pela Libertadores, luta pra fugir do rebaixamento, resultados que iam mudando durante as partidas e fazendo com que os times se alternassem nas primeiras e últimas posições. Estádios lotados (exceto Engenhão e Morumbi, mas aí é normal, né), porrada no campo, porrada fora dele. Inter campeão, Flamengo campeão, Inter campeão, Flamengo campeão. Palmeiras fora-dentro-dentro-fora. Fora mesmo, até da Libertadores. São Paulo e Inter chorando, pra variar. E nós, corinthianos, só tirando sarro. Atlético Mineiro amargando uma posição medíocre, Cruzeiro chegando no final. Times cariocas a salvo, inclusive com o retorno do Vasco. Isso é ótimo para o futebol, e espero que venha um período de ausência de hegemonia paulista, a fim de que a coisa toda tenha mais graça do que nos últimos anos.

Ah, já ia me esquecendo do mais impressionante: Souza e Bill fizeram golaços.

Quem disse que pontos corridos não é pura emoção?

terça-feira, 27 de outubro de 2009

Só uma única servidão voluntária

O Amor é honesto, não diz as coisas pelas costas, não veste máscaras para agradar ninguém. O Amor é sincero, diz a verdade ainda que ela seja dolorosa, mas sempre oferecendo os braços abertos para o consolo de uma nova atitude da pessoa amada. Não existe imperdoável para o Amor: ele está sempre pronto para dar uma nova chance, pois acredita que as coisas podem sempre melhorar. O Amor se sacrifica, abdica das próprias vontades e esconde suas dores, às vezes se anula, só para cuidar da pessoa amada, ressurgindo com ainda mais fulgor em qualquer martírio.

O Amor sabe que não depende apenas de si, mas que sua existência está atrelada à pessoa amada, esteja esta próxima ou distante. O Amor tem início incerto, porém jamais acaba. O Amor luta as maiores batalhas sem nunca ser derrotado. O amor é caridoso, corajoso, altruísta, invejável, às vezes até ingênuo. Por mais maduro, sempre conserva a graça do primeiro encontro e dos sentimentos de uma nova primavera. O Amor nunca desiste, mas conhece o seu lugar. O Amor é intransitivo.

Enfim o amor é um idiota que só se fode.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Cinema transcendental

Desqualificar um adversário, sobretudo um que não pode ser desprezado com facilidade, por pura preguiça de ler a crítica ou por ser desafeto do crítico ou pelo objeto dessa ter sido algo de que você gosta, é um despreparo de quem se deixa levar demais pelo ego.

No caso estou falando de uma crítica que Caetano Veloso fez sobre Woody Allen.

Sou confesso idólatra do primeiro e acho o segundo um pé-no-saco.

Apesar da sabida veia provocadora, a qual, muito além de “só querer aparecer”, está intimamente ligada ao conceito tropicalista, a crítica é feita por alguém extremamente culto, conhecedor de cinema, e, veja só, fã de Woody Allen! Nada de não-ouvi-e-não-gostei: ele embasou muito bem suas opiniões (e estas são inalienáveis), e quem não concorde, que ignore ou mostre argumentos contra.

Porém tudo que as magoadetes fãs do cineasta fizeram foi tentar desqualificar o baiano com os batidos bordões “ele só quer chamar a atenção”, “Woody Allen nem sabe quem ele é”, “devia ter morrido em 1979”, “ele é gaydacu enrustido”, entre outros do mesmo nível abissal. Pouquíssima gente se deu ao trabalho de, a despeito de não gostar do Caetano, ler atentamente as críticas e tentar rebatê-las.

As pessoas se melindram por muito pouco. E assim o nível do debate cultural segue péssimo no país com o pior cinema do mundo.

quinta-feira, 17 de setembro de 2009

Gente esquisita, normalmente inconsistente

Em alguns lugares você é, digamos, obrigado a ser falso às vezes. No ambiente de trabalho, por exemplo. É questão de sobrevivência profissional. Ou num ambiente familiar, como numa festa, cumprimentar até parentes com quem você não simpatiza (para dizer o mínimo). Mas ser falso por opção deve ser quase um vício. E, como todo vício, acaba trazendo prejuízos. A pessoa acaba criando um panteão mitômano de falsos amigos, de idéias distorcidas, de ilusões desfeitas.

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

I owe a favor to a friend; my friends, they always come through for me.

[ “Onde foi que me perdi? Faria qualquer coisa para recuperar minha paixão pela vida, aquele fogo que me moveu e movia as pessoas na minha direção. A minha fúria era só um tempero naquela irresistível exuberância, não foi ela que afastou os outros de mim, mas a minha morte. Todos os dias me levanto, engulo uma xícara de café e vou para o túmulo. Estou me decompondo miseravelmente diante das pessoas.” ]

Na maioria das vezes as pessoas se machucam por pura fraqueza, por medo de elas mesmas se ferirem. Falta empatia, sobra temor. Porém não devemos deixar que isso - e é um caramujo convicto que está aos poucos aprendendo a sair da casca – nos endureça tanto a ponto de a gente não perceber nem dar valor às pessoas que, perto ou longe, nos querem realmente bem, fazem de tudo por nós. Sim, há gente com coragem, gente que não está interessada só em parasitismo, gente com sorriso sincero e brilho nos olhos. É por elas (e elas sabem quem são e conhecem a importância que têm na minha vida) que eu dedico esta postagem. Obrigado por estarem na minha vida e por me fazerem ainda crer em “gente, espelho da vida, doce mistério”.


[ "If you could only live my life | You could see the difference you make to me." ]

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Só vão te dar algum caixão sem alças

Nada mais triste que a fila do pronto-socorro. O pronto atendimento no Brasil é uma piada. Não existe, é só acaso, descaso, desentendimento. É feito amor de ilusão, de má retribuição, que nunca existiu. Mau atendimento pelo funcionário cujo salário é pago com seus impostos, não é nada de favor. Se você não estrebucha, não espirra sangue, na tem direito a exame, sequer ao olhar exangue do “doutor”. Não lhe cabe o leito apertado no velho quarto, mesmo que a dor que nem a de um parto. Então só lhe resta o peito apertado, sem jeito, com os olhos fundos e vazios da espera sem fim. Há um fim?

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A solidão agora é sólida

É complicado conviver com outras pessoas. Às vezes desejamos viver a vida inteira sozinhos, sem interferências, outras, imploramos por alguém que ouça nossas histórias. O homem não é um ser social, como diziam os livros do Ginásio, e sim um ser solitário, cheio e traumas e neuroses, com os quais não sabe lidar. Por isso busca unir sua solidão com a dos outros, não por empatia, não por amor ou paixão, mas só para poder comparar um sofrimento que não pode ser medido. Sou pior que esse, melhor que aquele, igual àquele outro. E adoramos despejar nossas angústias sobre os outros, que parecem culpados por não nos fazer mais felizes. Clamamos aos pais, amigos, deuses, amigos, qualquer coisa, e tudo permanece igual. No final estamos sós, como sempre estivemos. Não quer dizer que isso seja bom ou ruim, simplesmente é. Porque é. Duro de aceitar / difícil de engolir? Paciência. Todo o resto é wishful thinking.

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Não acredita no que vê, não daquela maneira.

Joãozinho acorda de manhã bem cedo
Com as costelas tremendo de frio e medo
E vai até a porta de seu barraco de madeira
Olha com desdém onde jaz ali à beira
Seu padrasto desmaiado de aguardente
Naquela cena tão comum e deprimente
E vai olhar o sol se levantar dos destroços
Pedindo com os olhos a companhia dos moços
Que saem logo bem cedo para trabalhar
Em obras, lixões, em balcões de bar.

A luz da manhã lhe arde os olhos pequenos
Com o cheiro do esgoto e seus tantos venenos
Ratos passando pelo chão batido de terra
Todos animais, vivendo na mesma guerra
Não tem nada para comer ou beber na mesa
Não há nada senão confiar na mesma reza
Que a mãe faz para as coisas melhorarem na vida
Para que a desventura resolva dar partida
Na carroça de miséria que puxa aquelas almas
Para tão longe de onde vem a calma.

Longe do grande estereótipo de preto
Mais longe ainda do caminho mais correto
Ele é seguido pela sombra criminosa
A saída, creia em mim, mais honrosa
Do que passar fome ou esperar ajuda
Do que ouvir o ronco da barriga muda
Que grita sozinha por uma intervenção
Da política que jamais traz solução
E das propagandas que anunciam promoções
Que requerem dinheiro aos borbotões.

Joãozinho fecha os olhos, imaginando
Outro mundo se lhe desvendando
Com a mesa posta, a família unida
Seus quatorze irmãos e muita comida
Seu pai fora da cadeia, com ele no colo
Verdes plantas nascendo num fértil solo
O perfume das flores, brinquedos de verdade
Nada de imaginar mais mortes e maldade
Mas os olhos se abrem, cheio de lágrima
E o livro da sua vida ainda está na mesma página.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Goodbye... and it's emotional.

Momento corneta: faz uns dez minutos que recebi a notícia de que André Santos (que já estava a fim de sair desde o meio do ano passado), lateral titular da seleção de Dunga, e o gladiador e mata-bambi Cristian, foram negociados com o pífio Fenerbahçe, da Turquia.

O mais legal é comprar o inútil do Morais por R$ 6 milhões, pagar R$ 175 mensais ao Souza, e, enquanto isso, vender dois jogadorzaços e ainda menosprezar Herrera, que custaria módicos R$ 2 milhões.

Não é à toa que Andres Sanchez, a despeito de ter mandado muitíssimo bem ao contratar Mano Menezes, não nega seu passado incompetente de vice- do nefasto Dualibi e quer fazer dinheiro vendendo jogador bom e comprando cabeça-de-bagre.

Agora é ver como o Mano vai repor essas duas importantíssimas peças. E, no mais, valeu André Seleção, valeu Cristian Gladiador.

quarta-feira, 15 de julho de 2009

Wake up: time to die!

Uma das poucas coisas nas quais Sartre e Freud concordavam era sobre o fato de as relações humanas serem impossíveis, pois, cada um ao seu modo, os sexos idealizavam a si mesmos. Ainda que mais do que a outrem que os completassem, e, por isso, nada se acertava jamais. Estaríamos todos fadados ao fracasso pelo instintivo egoísmo de procurar-nos outros nós mesmos, e não o que nos completasse.

Vou falar sobre suicídio, Sísifo à parte, que é um tema caro (vendido barato) a toda nossa sociedade ocidental. Todo mundo tem medo, receio, tabu justamente por ser um ato que de nunca que as pessoas fazem apostas indevidas umas sobre as outras, e se decepcionam e carregam pessoas inexistentes quando tudo falha. O inferno é a monotonia, por isso todos se arriscam pateticamente em empreitadas fracassadas, como pusessem pular as chamas eternas e justas da condenação. Abismo que atrai sempre outro abismo.

Investimos nas pessoas e elas se matam, como assim? Que fracasso, que ingratidão!

Dói-nos saber e todo o esforço em enquadrar tais pessoas na sociedade fracassou. Por isso transformamos tudo em tabu: quem abdica da própria existência é proscrito, maldito, desdito tampouco merece menção em qualquer sufrágio; aos suicidas, um círculo infernal terrível, sem esperança de redenção, muito menos reabilitação em terra com os pertences e valores deixados. Matar-se e covardia, derrota, desterro. O certo é saber que o certo é certo.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Eternidades da semana

Como naquele infame verso do último disco do Frejat, “dar um photoshop na realidade” é o que a imprensa resolveu fazer. É o New New Journalism: sob a desculpa de que “sabia que ia desafiar as convenções do jornalismo“, o repórter ignorou, isso sim, a ética, a vergonha na cara e o bom senso, no afã de querer “dar furo” numa época em que a internet engole os impressos na questão da velocidade. Que tal os assinantes ganharem um aplicativo NoticeYourself!, com temas-chave, daqueles “de gaveta” e umas fotos para serem editadas no PaintBrush?

Eu queria morar numa favela: Serra e Kassab, sempre antenados com as incríveis políticas sociais do PSDB/DEMo, não satisfeitos com as rampas antimendigo, o extermínio de moradores de rua por policiais (lembram?), o sucateamento dos albergues, agora os moradores de rua são expulsos da cracolândia original, sob a pretensa revitalização da região, apenas para instalarem suas carcaças umas quadras acima, com os mesmos problemas. Com a direita brasileira, e a bela classe média que a elege, é assim: se não estou vendo, não é mais problema meu. E o Haiti não é só aqui: todo reduto de viaduto tem um muito de campo de concentração. Ser notícia velha embrulhada no jornal.

No Brasil, 11,5% das crianças são analfabetas. E o pessoal preocupado em legalizar a maconha.

Júlio de Mesquita Filho, o mesmo do infame editorial “Basta!”, anti-Jango e pró-ditadura, é celebrado como modelo de caráter.

Vendo televisão, descobri que a dignidade vale uns R$ 200 para fingir que namora alguém, que você dá dinheiro ao pastor, e, num passe de mágica, fica com mais dinheiro, e que a felicidade é uma mão de tinta numa parede descascada. Ah, e que todas as operadoras de telefonia funcionam direito, os diretores de arte das agências são extremamente criativos nos conceitos, que, com dinheiro, uma cópia barata vira uma cópia cara.

terça-feira, 30 de junho de 2009

Pra fazer sucesso, pra vender disco de protesto, todo mundo tem que reclamar

Escrito com Shepones

Não interessa contra o que ou contra quem. Com razão ou sem razão, sabendo do que se fala ou não, o negócio é reclamar geral. Eis as melhores músicas de protesto já feitas:

Até Quando Esperar? (Plebe Rude)
Capitulo 4, Versículo 3 (Racionais MCs)
How Many Tears (Helloween)
Like A Song (U2)
Masters Of War (Bob Dylan)
Perfeição (Legião Urbana)
Redemption Song (Bob Marley)
Selvagem? (Os Paralamas Do Sucesso)
Todas do Rage Against The Machine
War Pigs (Black Sabbath)

Não gostou? Protesta, ué.

quinta-feira, 18 de junho de 2009

I was looking for a job and then I found a job and Heaven knows I'm miserable now.

Onze sugestões de empreendimento para os recém-desprofissionalizados jornalistas

Escrito com Shepones

01. Vender Avon
02. Fazer malabares no semáforo
03. Agenciar prostituição infantil no Ceasa
04. Plantar maconha no litoral da Bahia
05. Ser porteiro de bordel na Augusta
06. Revender tele-sena vencida
07. Ser homem-sanduíche de "Compro Ouro" no Centrão
08. Vender pomada da banha do peixe-boi da amazônia no trem
09. Fingir-se de mudo e vender adesivo do Piu-Piu no bumba
10. Oferecer-se como cobaia para teste de novos medicamentos
11. Preparar tapiocas no Centro De Tradições Nordestinas (CTN)

terça-feira, 16 de junho de 2009

No fim da tarde, a sensação da missão cumprida

Engraçado como as pessoas se interessam mais pelas eleições do Irã do que pelas do Brasil. Vide os escroques que temos elegido, especialmente em São Paulo.

Lembrou-me 1999, no primeiro ano da faculdade, quando uma mina me abordou no corredor pedindo uma doação para os refugiados de Kosovo. Respondi: ah, legal, mas por que antes vocês não arrecadam alguns mantimentos para aquelas famílias que moram no viaduto que fica a 100 metros daqui?

Exceto quando se trata da África (porque aí ninguém liga mesmo) as pessoas parecem ficar com a consciência mais tranqüila quando “ajudam” sem se envolver.

E vale notar que esses supostos interesses vão e vêm ao sabor da mídia. Cada semana é uma comoção diferente que assola essa “gente honesta, boa e comovida”. Aposto um picolé de limão que os persas serão esquecidos, em prol de um novo assunto (seja um moleque arrastado pelas ruas ou uma cantora gorda internada por estresse) mais rapidamente do que você consegue dizer “Mahmoud Ahmadinejad”.

Ah, vou doar roupas velhas pra Santa Catarina, adotar financeiramente um moleque da LBV que nunca precisarei ver na vida e colocar no Orkut um avatar “Free Palestina” (mesmo que eu sequer saiba apontá-la no mapa).

Porém, quando o pivete da esquina aparece, fecho o vidro. Quando vejo o mendigo dormindo sob uma marquise, viro o rosto.

Dou minhas ofertas na igreja, mas não sei amar o próximo. Só o distante.

segunda-feira, 8 de junho de 2009

The dark side of the meal

Manual De (Má) Conduta Para Funcionários do Mc Habob's

01. Tire esse sorriso do rosto já! Um funcionário do Mc Habob’s jamais sorri. Ele não tem motivos para isso.

02. Treine olhares impassíveis, cheios de blasê, para atender os clientes.

03. Não preste muita atenção nos pedidos: faz parte do charme do lugar receber lanches errados, e, ao reclamar, ouvir algo como “tenho certeza de que você pediu isso”.

04. Treine uma cara de hiena faminta para quando o cliente ameaçar não pagar os 10%, ainda que seu atendimento seja do nível de Auschwitz.

05. Quando alguém reclamar que o pedido está errado, como um refri com pedras de gelo o qual o cliente alega ter pedido sem elas, insista silenciosa e obstinadamente empurrando o copo para ele. Mostre sua força de vontade.

06. Treine lutinha com esfirras na cozinha, acertando os outros funcionários (acintosamente, pra que os clientes vejam) e arremesso de beirute com ovo gosmento no prato do freguês, de modo que o lanche dê uma dropada tipo half-pipe nas bordas.

07. Use o tratamento “senhor” a cada três palavras, ainda que não faça sentido, só para irritar o cliente e fazê-lo se sentir um número sem importância.

08. Desconte sua insatisfação com o trabalho escravo e o salário de fome despejando fluidos corporais nos lanches e nunca lavando as mãos após coçar a bunda.

09. A primeira regra do Mc Habob’s é que você não sabe do que é feita a carne do Mc Habob’s.

10. O queijo eu te conto: é feito do mesmo material da caixinha em que vêm os lanches.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Quem vê caramujo, não vê coração.

Uma noite com o caramujinho guitarrista (II)


Após o ensaio de sábado à noite, o caramujinho foi convidado pelos outros integrantes, as lesmas, para curtir uma balada. Gastrópode que é, tem preguiça de ficar fora do casulo a noite toda. Mas insistiram tanto que acabou aceitando. Foram a um pico que, diziam, teria open-bar.

_Open-bar? Por que não disseram antes, vamos, suas lesmas!

Tá certo que esse termo é sinônimo de roubada, visto que espanta as caramujinhas, atrai caracóis bêbados e só contêm bebidas que nem um visigodo que levou fora da concumbina aceitaria.

Mas aquilo era demais pro caramujinho.

O interior parecia que havia pegado fogo, sido atingido por um aerólito e depredado por hordas de ETs belicosos.

O banheiro era o círculo infernal ao qual Virgílio não teve coragem de levar Dante, com medo de perder a amizade. Devia haver ali cepas de todas as doenças mais mortíferas, de varíola a ebola, passando por peste negra e gripe espanhola.

O open-bar era composto de bebidas altamente nocivas, certamente aparentadas do zyklon-B, do BHC e do ácido muriático. Achou que o bar só estava open porque o Conselho de Segurança da ONU não teve coragem de ir até lá verificar as armas de destruição em massa.

Desejou que aquelas lesmas secassem num cimentado em dia de sol.

No palco, em meio a um calor que deixava o ar mefítico irrespirável com seus miasmas, uma banda cover assassinava Stone Temple Pilots com solos fora de escala e vocal fraquinho embromando no ingrêis.

_Vou embora.

(Leia com sotaque bêbado)

_Vai nada, caramujinho, fica aí, vai ter mais bandas, tem bebida de graça.

_Suas lesmas, eu não vou beber esses venenos. Tô indo, é sério.

Foi embora.

Tinha um caracol em coma alcoólico, tentando ser reanimado pelos amigos. Outro vomitado na escada, perto da porta.

E não era nem uma da madrugada.

Diga-me o que comes, e eu te direi que estás fudido.

As piores coisas que já passaram pelo meu combalido estômago:

05. Dogão do Sesc Itaquera: no geral os rangos do Sesc são bons e baratos, mas o hot-morte dessa unidade é feito com o pão que o Diabo amassou e salsicha de pneu e gato atropelado. E ainda deu dor de barriga no dia seguinte.

04. “Cerveja” Liber no Pacaembu: embora nos arredores você possa comer um incrível e tradicional sanduba de pernil, um suspeito sanduga de lingüiça feita com algum animal ainda não registrado pelo Ibama, e tomar de cerveja a rabo-de-galo, dentro do estádio a hipocrisia reina: vendem-se hambúrgueres horríveis, sorvetes semiderretidos, refrigerantes genéricos do tipo Carrefour-Cola (vendida como “Pepsi”) e a temível Liber, que tem gosto de pão velho molhado. Pior que isso só o Corinthians de 2006-2007.

03. Hambúrguer do Lulu: para um domingão frio e aziago no Pacaembu, durante um (ótimo) show mal divulgado do Lulu Santos, um hambúrguer frio e aziago, saboroso como o isopor no qual estava acondicionado.

02. Coxinha do Oldboy: devia estar sem sal. Deve ter sido de propósito, coisa de funcionário que pretende ferrar a imagem da empresa. O salgado ingerido na Uno & Due da Galeria Gemini, antes da sessão de Oldboy, foi como mastigar um saco de cimentcola.

01. Dogão do U2: não foi um dia fácil. Para ver a melhor banda do mundo pela segunda vez, enfrentei trampo o dia todo, maratona num puta calor até o Morumbi, grandes filas para entrar e sair, chuva na hora de ir embora e uma lotação cheirando a hiena velha. Mas nada supera do cachorro-quente deglutido na porta de entrada: uma salsicha feita provavelmente com garrafas PET recicladas num um pão ázimo que sobrou da Santa Ceia. E custou caro.

Quem disse que caramujo não tem coração?

As aventuras do caramujinho jornalista (I)

Era uma vez um caramujinho que fazia frilas.

Um dia uma borboletinha, aconselhada por outra borboleta, ligou para o caramujo e lhe ofereceu um freelance que ela não conseguiria fazer a tempo.

_Olá caramujinho, tudo bem?

_Tudo bem, borboletinha, e você?

E, numa cordial conversa, os termos do trabalho ficaram acertados, com todos os contatos e todas as coordenadas.

Faltava falar com o cliente, o besouro rola-bosta.

_Olá rola-bosta, tudo bem?

_Tudo bem, caramujinho, e você?

O besouro explicou que era um trabalho insano, muita coisa em pouco tempo. “Pelo menos poderei cobrar bastante”, pensou o ressabiado caramujinho.

No dia seguinte o caramujinho, mesmo tendo acordado com uma forte dor de barriga, vômito e enxaqueca, decidiu cumprir seus compromissos. Deslizou até o médico, onde tinha consulta marcada havia tempos. Sendo um molusco pobre, com casca de segunda mão, que utiliza o SUS, ficou esperando um tempão, mesmo com hora marcada. De lá, escorregou até o terminal de ônibus, onde engoliu a segunda pior coxinha de sua vida (fez até uma nota mental de listar depois os piores rangos que já comera), e seguiu para o longínquo cliente.

E o caramujinho foi. E foi. E foi. O lugar parecia nunca chegar. Que jardim distante! De terminal em terminal, de ônibus em ônibus, o pequeno molusco morria de calor dentro de sua carapaça que ardia sob o sol daquela tarde abafada. Desceu já atrasado, às pressas, quando viu que o enésimo ônibus que pegara não chegaria onde deveria. E o caramujinho andou. Andou. Andou. Mal havia muco suficiente para se arrastar por aquele caminho imenso, desconhecido, cheio de perigos. Resolveu perguntar a todos que apareciam

_Olá centopéia, onde fica este endereço?

_Não sei, caramujinho. Por que não pergunta àqueles cupins?

_Olá cupins, onde fica este endereço?

_Não sabemos, caramujinho. Por que não pergunta àquele louva-a-deus?

_Olá louva-a-deus, onde fica este endereço?

_Não sei, caramujinho. Por que não pergunta àquela aranha?

O caramujinho se sentiu perdido num imenso formigueiro, sem saber aonde ir. Por sorte sua joaninha-madrinha lhe telefonou, procurou o endereço na internet e corrigiu a rota do pequeno caramujo, já tão cansado e apreensivo.

_Olá caramujinho, você já andou tanto, mas agora nem está tão longe. Continue à direita, naqueles arbustos.

_Obrigado fada-joaninha. Serei eternamente grato.

Mas o pior estava pior vir: quando chegou à esquina do jardim, viu um imenso vale que deveria atravessar. Era tão colossal, e o caramujinho já estava tão cansado e atrasado, que só conseguiu pensar no Ice Blue, dos Racionais MCs, falando, em A Vítima:

“MANO, FOI UM ARREGAÇO!...”

E o caramujinho desceu o vale infindável.

Desceu.

Desceu.

Desceu.

No ponto mais fundo, sentiu o ar faltando como se estivesse no fundo do oceano.

Subiu.

Subiu.

Subiu.

O vento quente lhe ardia nos pulmões, o suor deixava seu corpo ainda mais escorregadio dentro do casco. Achou que ia infartar, de tanto que o coração palpitava.

Chegou ao local, com saudade de um banho relaxante em seu cogumelo, na companhia de sua caramujinha.

Suou de derramar cascatas enquanto esperava o cliente, sob os olhares enviesados da secretária taturana.

Quando finalmente foi atendido, naquele ambiente impessoal de grande fábrica, e foi formalmente apresentado pelo rola-bosta ao décimo terceiro trabalho de Hércules, aquele que ele recusou porque não ia dar tempo.

_Quanto você cobra por isso?

_Dez flores murchas.

_Tudo isso? Só posso pagar três.

_Esse preço é ridículo.

_O outro caramujo fez por duas flores. E nem estavam murchas.

_É, e o trabalho ficou uma merda.

_Ah, faz um desconto, vai. Quatro flores, ta bom?

O caramujinho pensou em torturar aquele ganancioso rola-bosta e todos os seus familiares. Mas havia viajado tanto até ali, o dia havia sido tão cansativo, que acabou aceitando.

Na saída, tentando minimizar seu prejuízo pessoal, inquiriu o besouro pão-duro:

_Pô seu rola-bosta, você me ensinou o caminho errado, não é possível. Tive que deslizar tanto que até me faltou muco pra voltar agora. Atravessei um longo jardim, canteiros estranhos e um vale gigantesco... e ontem você disse que era pertinho!...

_Ah, você veio de ônibus? O caminho era pra vir de carro! De ônibus tem um ponto ali pertinho, na esquina.

¬¬

Sentindo-se um caramujo prostituído, passou num boteco para comprar uma cerveja e dar uma conferida no final da Champions League.

Achou um velho com uma camisa do Corinthians na esquina. Perguntou a ele se o ônibus desejado passava ali, para então emendar:

_Hoje tem Coringão, hein? Dois a zero no Vasquinho?

_Opa, hoje a gente ganha fácil.

Ele jamais havia puxado conversa com um estranho, em toda a sua lenta vida. Alguma coisa havia mudado naquela tarde baça, e era a expressão estóica de um caramujinho que acreditava mais em si.

E a noite chegou como um manto alvinegro, pousando suavemente sobre aquele coração exausto.

terça-feira, 26 de maio de 2009

Tr00 be or no tr00 be (II)

Após o sucesso da minha franquia profana e blasfema da loja tr00, aguardem o lançamento da minha plataforma tr00 para o microbblogin’ e a comunicação entre os reais guerreiros pagãos satânicos misantrópicos niilistas: o Tr00witter.

Em vez daquele passarinho boiola e cristão que remete ao Espírito Santo, teremos um corvo de Odin (ainda não decidi entre Hugin ou Munin) envolto nas chamas e sob a escuridão das planícies desoladas do Hades.

As funções:

[Tomb] Porque tr00 não tem “Home”, e sim perambula pelos cemitérios a fim de misantropicar e tirar fotos posando entre as cruzes.

[Artefato] porque twitt é um som nada tr00; um blackmettaler manda artefatos contra os fracos cristãos e poseurs que infestam a cena.

[Hail] guerreiros de Lúcifer saúdam outros guerreiros, não dão “reply”.

[FanzineMimeografado] RT não, pô. Tr00 que é tr00 só passa som via fanzines tranqueira que só ele e o primo lêem.

[Quest] É mais épico que “Search”, combinando mais com as buscas solitárias dos guerreiros pelas vast paganlands.

[TrendTopics] Você não é nada kvlt, hein? Preciso citar Behemoth (encarte do Grom): “Black metal is not a trend, it's a cult”. E o fato de eles mesmo terem migrado para o death metal no disco seguinte não vem ao caso.

[Stalking_Me] Porque reais da cena profana não seguem ninguém, são misantrópicos e individualistas, esqueceu?

[Hatred tr00wits] Tr00 não favorita, porra!

[Direct scourges] Tr00 vai direto ao ponto, dando tiro na cabeça e facada nas costas. Sem frescura.

A pergunta será: What are you profanating?

Exemplo de possíveis postagens:

@ImpalerSodomizer #follow @SatanicLust666

@Euronymous #unfollow @VargVikernes

@ChristCrusher: alguém aí tem dicas para um bom corpse-paint? hipoglós ou minâncora?

“This account no longer exists (tr00wittercídio)”: vale para @Dead @JonNödtveidt @Cernunnos @Grim

@Sventevith: hail warriors! Quem vai ao #TOC (tr00witteiro on cimita) hoje?

@Hellhammer_90: Tô indo pro Inner Circle. #beijosmeempala

Venha destruir a civilização judaico-cristã em 140 caracteres você também!

segunda-feira, 25 de maio de 2009

And thus, we shall cheat Deah.

Ontem passou no Domingo Legal (OK, não riam) uma matéria sobre corpos incorruptos, múmias e igrejas ossudas, com catacumbas repletas de ossadas que formam desenhos lúgubres. Tem uma matéria que a Globo fez sei lá quando, e colocou ontem no site do Fantástico porque, provavelmente, ficou incomodada com a audiência do concorrente. Por ele, dá para ter uma idéia. À parte da morbidez fascinante das múmias, que mostram nossa impermanência, jogando-a em nossa cara da forma mais rude. Mas o que chamou a atenção é que, nesse espetáculo mortuário que a Igreja fez desse montante de cadáveres, num gigantesco memento mori, é que o sentido original daquelas mumificações foi subvertido. À parte dos corpos de santos, que entram numa questão de fé versus ciência do qual não pretendo falar no momento, pois configuram outro aspecto do necrocristianismo, chama a atenção que todas aquelas ex-pessoas pretendiam se perpetuar por meio da mumificação, e hoje são justamente prova do contrário: a de que seremos inevitavelmente esquecidos. Hoje ninguém mais conhece aquelas pessoas, nenhum contemporâneo existe mais, estão todos igualmente mortos. Ninguém engana a existência, tão pouco o limite dela. Carpe noctem.

quinta-feira, 14 de maio de 2009

E sei que a poesia está para a prosa assim como o amor está para a amizade, e quem há de negar que esta lhe é superior?

Poesia é mais fácil que prosa: tem, ao mesmo tempo, mais e menos regras. Comporta mais formatos, permitem-se imagens livres, deixa livre qualquer interpretação. Escrevo versos como quem vive, como quem se cura de uma loucura qualquer. Já a prosa é doida, doída, densa, tensa. Ainda que possam se confundir, se tocar, se lamber e se beijar, numa cópula incestuosa, visto que são irmãs. Versificar me faz bem, prosear me faz mal. No entanto acendo velas a ambos, deus e diabo, numa comunhão profana do mesmo altar literário. Versos brancos, negros, livres, cativos; sonetos, odes, elegias, rondós. Tudo cabe na imensidão da poesia. Todas as imagens (im)possíveis já estão (d)escritas nas entrelinhas das estrelas em cada rima. A prosa já exige uma exposição maior, não permite a insinuação da poesia, desnuda logo, à vestes rasgadas com sofreguidão, o corpo envergonhado dos desejos inconfessáveis. Ainda não esqueci a promessa horrível. Sabia que a música é a entrega que mais se aproxima da literatura? Você poetiza nas canções e proseia nos interstícios. Agride a língua, como numa mordida léxica que arranca sangue dos significados, enquanto arranha as cordas em sons inexistentes. Êxtase blasfemo: quem possui a arte não precisa de nenhum deus. Quem é possuído por ela, torna-se o próprio demônio. A Queda se renova em cada criação.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Under Jolly Roger

Tentei vender minh’alma
Mas Deus não quis comprar
Já estava pirateada
Era só downloadear

Meus sonhos de toda a vida
À venda no camelô
Nos iPods, sem saída
Nem sei mais onde estou

Confesso que foi vacilo
O Diabo já ia comprar
Mas, bem fiel ao meu estilo
Demorei pra entregar

Quem sabe no eBay
Eu consiga um bom preço
Se bem que até já sei
O pouquinho que mereço

Pois ninguém vai dar dinheiro
Por uma alma na metade
Pelo que já está inteiro
Em qualquer canto da cidade.

quarta-feira, 15 de abril de 2009

¿Where do they all belong?

Corredor do posto de saúde: atendimento atrasado em algumas dezenas de minutos, vaivém de pacientes e impacientes, todos misturados em doenças e especialidades médicas, entre portas fechadas e cadeiras desconfortáveis para a espera. Uma senhora de sessenta e tantos anos, vestido marrom, cabelos brancos e mau cheiro que denunciava a falta de banho havia alguns dias, adentrou o ambiente. Nervosa, transtornada, perturbada, disse à recepcionista, com ânsia, que precisava falar com a psiquiatra. Indicaram-na um banco para esperar, junto à porta de Saúde Mental. Quando a sala ficou aberta, mal o paciente que lá estava saiu e a senhora entrou falando que o marido havia morrido no dia anterior, o neto havia roubado seu carro, o banco, cancelado sua conta, e não dormia ou comia desde o enterro. Com um papel que, segundo ela, era a certidão de óbito do marido, pediu à médica algo que não consegui entender, dada a confusão da fala da senhora. A psiquiatra, consternada, indicou-a a assistente social, que, supostamente, ajudá-la-ia. Antes disso, contou a mesma história meio sem nexo a um senhor que esperava atendimento, acrescentando, entre outros aparentes devaneios, que não saía de casa com medo de a roubarem, e que havia perdido um brinco quando se inclinou no caixão à cova. Ao entrar na sala da assistente social, que pedia à psiquiatra que prescrevesse algum calmante para aquele caso, a mulher cujo odor já ocupava todo o posto virou-se para mim e disse: “Você vê? A vida tem dessas coisas”.

quinta-feira, 19 de março de 2009

Vamos Tesouro, não se misture com essa gentalha.

Síndrome de indie é uma coisa que enche o saco. Antes se restringia à música, com os filhotes de Álvaro Pereira Júnior se regozijando em proclamar como salvação do rock a mais recente banda do interior da Islândia, para, meses depois, com falso blasê, mostrar desinteresse só porque não é mais só ele e seus dois amigos nerds rancorosos que ouvem o que ele mesmo divulgou.

Como agora, devido à mp3, fica muito mais fácil para todos ouvirem de tudo, sem a necessidade de gurus, o câncer de indie melindrado se arrastou para a internet: as redes sociais têm, freqüentemente, chororô dos chamados early adopters (nome frufru para nerds/geeks) ante a popularização do Orkut, do Facebook, do MySpace, do Twitter, etc., não sem completar a mensagem com os bordões “isto aqui era melhor há dois anos, quando não havia muitos brasileiros” e “maldita inclusão digital”.

Cada vez que a empregada sai do quartinho dela e passa em frente à sala de estar dos patrões, é um chilique, um incômodo, uma coceira que revela todos os preconceitos dos caboclos que desejam ser ingleses, para usar mais ou menos um termo do Cazuza.

A vocação de jeca que acompanha a classe média brasileira não decepciona jamais.

terça-feira, 10 de março de 2009

Eternidades da semana

1. O arcebispo de Olinda foi estúpido em externar à imprensa as convicções da religião que representa e escroto em tentar levar o caso à Justiça. Mas foi coerente com os preceitos do catolicismo. Os católicos, ou os que se dizem assim, é que definitivamente precisam rever seus conceitos ante à modernidade. A Igreja não.

2. O nível do futebol atual está tão baixo que um moleque de 20 anos, um gorducho baladeiro e um encrenqueiro que joga partida sim, partida não são os destaques do esporte nacional. Definitivamente o Brasil não dá mais conta de exportar craques. Série A na Itália e Espanha, série B na Alemanha e Rússia, série C aqui. Desafio Ao Galo no Qatar.

3. O brasileiro se identifica com Ronaldo porque ele é batalhador, meio burrinho, gente-boa, humilde, faz umas merdas com dinheiro na mão mas não perde a sensibilidade. Eu mesmo havia decretado seu fim antes da Copa de 2002, estava cético com esta volta aos campos no meu time, mas, com a bola no pé, ele é fenomenal.

4. Otávio Frias Filho, apesar do falso mea culpa quanto ao termo ditabranda, insiste em comparar ditaduras com base no número de vítimas do regime. É a velha tática direitista da contagem de corpos. Mais ridículo que isso, só a cobertura insípida do próprio jornal quanto ao protesto em frente a Folha. Um quarto de página perto do ombundsman, bem ali onde ninguém lê, embaixo de outras notícias irrelevantes.

5. As matérias da grande mídia sobre os fenômenos da internet são constrangedoras. Sempre com enorme atraso, sempre entrevistando as mesmas pessoas que não sabem nada, sempre com aquele jeito Folhateen de falar coisas óbvias sem se aprofundar em nada, e sem jamais compreender realmente o objeto das matérias. Os cadernos de informática dos jornais, por exemplo, deviam parar de encher as páginas de matérias pagas e releases e contratar jornalistas antenados que corram atrás das novidades antes que estas morram de velhice.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Half a person

Esta semana, por ter ido à balada com o Femônemo, da qual este voltou para a concentração bêbado, atrasado e chiliquento, o diretor técnico do Timão, o ex-jogador Antônio Carlos Zago não agüentou a pressão e pediu demissão. Dei graças a Zeus, afinal nunca quis que esse racista filho-da-puta pusesse os pés no glorioso Parque São Jorge, muito menos dirigisse alguma coisa no meu Sport Club Corinthians Paulista de Glórias Mil.

Assim que a imprensa deixou de achar interessante divulgar o racismo do Antônio Carlos, isso perdeu a importância. Quando ele veio trabalhar no Timão, ano passado, ninguém na imprensa comentou sobre sua procedência, algo imperdoável, ainda mais num meio no qual o racismo vem crescendo.

Não posso esquecer seu passado negro (ops) por, além de isso não ter feito tanto tempo assim (foi em 2006), ele nem pagou pelo crime fora do âmbito futebolístico (pegou apenas 60 dias de suspensão), nem demonstrou arrependimento. Pior: em vez de um mea culpa, veio com o aquele papinho de “vocês me interpretaram mal”. Cazzo, não é mais digno dizer “fiz merda, estava de cabeça quente, foi mal”? Só se desculpou quando acuado pelo Ministério Público.

Enquanto isso, aposto que meio mundo releva tudo isso com base no pensamento popular que cria um dualismo entre o pessoal e o profissional. Sabe aquele lance de “ah, ele é um chefe cuzão, mas como pessoa ele é legal”? Não, ‘tá errado! Se ele é torpe 8h/dia, não pode ser boa pessoa. O caráter de alguém é posto à prova o tempo todo, não só em determinadas circunstâncias. Valores não podem ser relativos (“Vamos ver, sou ser gente-boa com meus amigos e um carrasco com minha família.”). Isso é um afrouxamento estúpido, uma permissão que a sociedade se dá para poder gostar de gente que não presta e poder dormir sem peso na consciência.

Mas o pior de tudo isso é quando dizem “Mas fulano, enquanto pessoa”... ah, e enquanto latinha de cerveja, enquanto mula-sem-cabeça, enquanto batata-doce, ele é o quê? Quando ele deixa de ser uma pessoa?

Hmmm... talvez quando seja racista, né.

Gone

Comenta-se hoje aqui no meu bairro que um conhecido senhor da rua de cima, de 95 anos, inclusive amigo do meu pai, daqueles vovôs bonachões, de bem com a vida, de grande família e muitos amigos, foi informado esses dias pelo médico de que estava com um câncer na próstata em estágio terminal. Recebeu a notícia placidamente, chegou em casa, colocou algumas roupas em uma bolsa, redigiu um bilhete dizendo que não queria dar trabalho a ninguém, deixando-o à mesa junto com os cartões de crédito e o do banco (com R$ 2.000 na conta) e saiu. Mesmo com os cartazes nos postes de toda a região estampando sua foto e pedindo informações, ainda não se sabe o paradeiro dele.

segunda-feira, 2 de março de 2009

To live is to die

Nunca perdi ninguém realmente próximo e querido. Já perdi colegas, parentes, animais de estimação, já vi gente morrendo tragicamente na minha frente, já escapei eu mesmo da morte rente aos calcanhares, mas não sei o que é a morte. A morte de verdade, não a nossa própria. Porque, como disse Epicuro, essa não vale, porque só chega depois que a gente vai embora, não há um encontro. Ou, como disse Schopenhauer, é o mesmo que antes de termos nascido; simplesmente um grande nada com o qual não precisamos nos preocupar. Mas nenhum filósofo lidou decentemente com o luto: morrer de verdade é senti-la enquanto ainda estamos vivos. É o imponderável de a pessoa amada definhar e morrer sem que possamos fazer nada. Quando se ama a dor do outro é muito pior que a nossa própria. A pior dor é perder algo/alguém e ter a certeza de aquilo ser para sempre. Mas agüenta-se, e, cedo ou tarde, percebemos que a vida continuou sem que percebêssemos. Suportamos toda dor, menos a última. Até lá, é carregar a pedra.