quinta-feira, 29 de setembro de 2011

É o que parecia: que as coisas conversam coisas surpreendentes, fatalmente erram, acham solução.

As redes sociais fazem com que a pessoa se sinta na obrigação de dar palpite sobre tudo, de mostrar conhecimento em qualquer assunto, pra não parecer desinformado ou alienado, pra não se sentir excluído das conversas.

Antes a coisa se limitava aos fóruns de discussão, fechados e reduzidos a especialistas, ou pelo menos gente que se interessava a fundo pelo tema dos tópicos. N’Orkut, com suas comunidades, idem.

Mas o curtir/compartilhar do Facebook e os comentários (anônimos, muitas vezes) nos sites de notícias faz com que pessoas às vezes insuspeitas cometam os maiores absurdos no afã, recheado de babaquice, de mandar um parecer polêmico, definitivo e inesquecível sobre os temas mais complexos, a fim de parecer cabeça-feita, combativo, militante de sei lá o quê.

E tudo piorou no Twitter: aborto, questão palestina, convocações do Mano, mecânica quântica, embargo norte-americano a Cuba, tudo morre em aforismos de até 140 caracteres. É o academicismo do slogan, com notas de Wikipédia no rodapé.

De repente ficou feio dizer “não sei”, “não tenho certeza”, “eu acho que” ou “não tenho opinião formada”... mudar de opinião, então, nem pensar! Não há mais debates, mas tão-somente palestras. Ninguém quer saber de discutir, aprender, etc.; é só descer dos céus feito avatar hindu e derramar sabedoria sobre os bárbaros.

Isso me lembra Dilbert para o Chefe De Cabelos Pontudos: O conhecimento em pequenas quantidades é mesmo uma coisa ridícula”.

Um comentário:

Mariel Moura disse...

ufa! alguém engrossando o coro

http://marielmoura.blogspot.com/2011/08/juizo-de-valor.html