Tuesday, February 09, 2010

Suicide is painless

O suicídio, especialmente para os homens, e isso é comprovado, é mais letal e ritualístico, menos impulsivo e desesperado. Enquanto mulheres normalmente se entopem de remédios, homens se enforcam, dão tiro na cabeça ou se jogam na frente do trem. E esse maior poder de decisão muitas vezes faz com que haja certa preparação, como um testamento, além do costumeiro bilhete de suicídio, e um ritual. Ian Curtis, por exemplo, bebeu uma garrafa de uísque, ouviu The Idiot, do Iggy Pop, assistiu a Stroszek, de Werner Herzog, para então se enforcar. E você, quando for cometer suicídio, que método irá usar, de quem irá se despedir, a quem deixará suas coisas, o que irá ver, ler ou ouvir pela última vez?

Monday, February 08, 2010

Nowhere, no-one, nothing

É difícil escrever algo quando você tem o sentimento de precisar dizer aquilo, mas está cansado, sem vontade, ou simplesmente não aparece nenhuma idéia boa. O texto que sai nesses casos é invariavelmente de pouca consistência, emoção demais, porém com pouco cuidado na forma. Já escrevi um livro inteiro assim há meia década, em condições físicas e mentais deploráveis, e o resultado não me agrada, nunca agradou. Embora haja lampejos bem criativos, em que a forma consegue dar luz ao conteúdo, e aí se criam imagens realmente de impacto, que trazem o leitor para o Inferno das palavras que ali estão, o resto é frágil, sem rumo, como um grito desesperado. E a arte sempre necessita de cuidado. Por isso às vezes o melhor é manter o silêncio, ou simplesmente condenar certas expressões de dor ao calabouço de uma gaveta qualquer.

Wednesday, February 03, 2010

Ficções do interlúdio

Não chorei, serei sempre insensível.
Digo palavras duras, sou insensível.
Já menti, jamais direi a verdade.
Já errei, jamais serei perdoado.

Monday, February 01, 2010

A inveja é companheira da glória.

Conversando com uma amiga no MSN, veio a pergunta: qual dos sete pecados capitais você mais comete. Além da óbvia ira, visto que não sou exatamente a pessoa mais paciente do mundo, veio à mente e à palavra algo de que eu já sabia, porém nunca havia admitido a ninguém: sou invejoso. E ela também admitiu o mesmo. Talvez todos sejamos. Mas não daquele tipo ruim, de querer arrancar o que a pessoa tem, de torcer contra (não que isso faça diferença na prática, visto que olho-gordo é bobagem), mas sim o desejo de também querer aquilo que outrem conseguiu e que você não tem por azar, incompetência ou qualquer outro motivo. Lembre-se: não existe sentimento bom ou ruim; cada um tem sua hora e seu lugar, todos são perfeitamente naturais. A diferença é que a inveja “benéfica” faz com que você deseje algo igual ao que o outro conseguiu, enquanto que a “maléfica” te leva a querer o próprio objeto de conquista da pessoa, seja qual for, arrancando-o dela. Em vez de se espelhar na vitória alheia, você quer tomar o lugar do vitorioso, sê-lo, vivê-lo. Essa é a diferença. Quem nunca desejou ser outro alguém, ter o que não tem? Ah, o resto é hipocrisia.

Thursday, January 28, 2010

Vemachiti et kol hayekum asher asiti me'al pney ha'adama.

Tá, sempre choveu em São Paulo, a cidade cresceu desordenadamente, invadindo encostas, e hoje temos uma metrópole impermeável de tanto concreto e asfalto. Assim como sempre teve terremoto em Tóquio.

O que os japoneses fizeram? Adaptaram a cidade para conviver com essa particularidade geológica. Já por aqui, nos desgovernos e nas desprefeituras demo-tucanas, nada se faz. É culpa da Mãe Natureza e pronto. Nós que reclamemos com ela, talvez chutando uma árvore ou deixando de fazer doações ao Greenpeace. E a única coisa boa que o Alckmin fez, o aprofundamento da calha do Tietê, foi abandonado e faz três anos que nosso belo rio não sofre uma limpeza.

Hoje faz 37 dias que chove direto em São Paulo e tudo que o Aquassab diz é que “tudo está sob controle” enquanto passeia de helicóptero sobre o pobre Jardim Romano, alagado direto desde o ano passado.

O que a população pode fazer além de xingar o Aquassab? Parar de votar no PSDB-DEMo e não jogar garrafa PET e sofá vermelho nos terrenos baldios, que entope as galerias pluviais e bueiros.

Saneamento na serve só pra lixo, serve pra políticos também.

Wednesday, January 27, 2010

Do egocentrismo, da megalomania e de outros desvios de caráter na internet.

Mais do que no “mundo real”, a internet é o verdadeiro Estige das subcelebridades, onde elas se mordem, se xingam e se debatem o tempo todo, em moto-contínuo. Polêmicas vazias, troca de farpas, autopromoção a todo custo e uma vontade desesperada de se fazer notar, de mostrar que “venceu na vida digital”. Vale usar script pra adicionar um monte de gente, aparecer em reality show, chamar a si mesmo de “empresário” porque ganha dinheiro com o blog, arrumar briga com a subcelebridade que usou script e foi ao reality show, receber jabaculê para fazer textos mequetrefes sobre viagens na vasca ou traquitanas moderninhas... as possibilidades infinitas. A glória dessa espécie internética é posar de “early-adopter” (sim, os malditos termos em inglês) com jeito blasê de quem usou Orkut/Facebook/Twitter/Blog quando não havia a “maldita inclusão digital”. É a orkutização do Facebook, a facebookização do Twitter, a twitterzação do blog. Medem a felicidade pelo número de seguidores ou comentários. Matam a mãe por uma conexão de 10Mb na Campus Party, mas, uma vez lá, dizem que “já foi melhor”, e que hoje “todo mundo posa de geek". Escrevem pouco, o conteúdo de seus blog é quase inteiro de press-releases, vídeos velhos do YouTube e imagens “kibadas” de outros sites. Enfim é a gentalha do cibermundo, daqueles que você só não chuta a bunda porque nunca saem da frente do computador.

Thursday, January 21, 2010

Sad wings of destiny

[17h40min] A tristeza é contagiante, empolga nossos inimigos. Contagiosa,e entristece junto as pessoas que nos amam. A tristeza é leal, jamais nos abandona e está conosco especialmente quando não precisamos dela, para dar aquele conforto tanto de quem sente falta da auto-indulgência quanto de quem não se contenta com o riso horrível do idiota. A tristeza é fiel, sempre retorna ao nosso lar, por vias direitas e avessas, retas e tortas, por nossa própria boca ou pela das outras pessoas. A tristeza é linguagem indizível. Indivisível. Mesmo assim há para todos, cada um com a sua, mas interagindo com a de outrem. A tristeza é democrática, não discrimina, muito embora trate com mínimo desdém quem finge que ela não existe, somente para se apossar da alma estúpida. Não é parasita, nós é que insistimos em habitar seus domínios pretendendo passar incólumes. A tristeza é acolhedora num abraço de engolir infinitos na escuridão à luz do dia. No início era o verbo, e esse era entristecer(-se). E viu Deus que a tristeza era maior. [17h49min]