Preto pode lutar pelos seus direitos. Homossexual também pode. Desempregado, subempregado, sem-terra, sem-teto, idem. Crente, ateu, todo mundo pode e deve lutar por seus direitos. O índio pode. Estudante, clásse média sofrida, qualquer fucking minoria (ou maioria) pode subir no caixote de maçã e bater bumbo. Até cigano pode reclamar do Houaiss. Todo mundo tem voz.
Porém, quando é a vez da mulher, sempre há uma má vontade, um escárnio excessivo, como se “ah, vocês já num votam, tomam pílula, trabalham, podem até se desquitar!, querem mais o quê?”.
Até as mulheres têm receio da data, afinal ninguém quer parecer uma balzaquiana com um ouriço em cada sovaco, um buço maior que o do Olívio Dutra e roupas mais feias que a da Simone de Beauvoir.
Nenhuma outra militância é tão estereotipada quanto a feminista. Ah, é só comércio. São mal amadas. Mulheres é que são machistas.
Agora imagina só uma mulher-preto, mulher-índio, mulher-crente.
Pois é.
O Dia Internacional da Mulher existe para a gente não esqueça de que ainda falta muito para que ele possa deixar de existir.
Thursday, March 08, 2012
Tuesday, January 24, 2012
A verdade passa ao largo, como se não existisse.
Tem clichê que funciona tão bem que é inevitável.
Nossa esquerdíssima vive reclamando do PIG, da polarização PT vs. PSDB, da falta de mobilização da sociedade, etc. Daí, quando a dita oposição tem a chance, via internet, de se sobrepor à mídia tradicional, age do mesmo jeito que a Veja: mente, distorce, engana, manipula.
Depois do Bope vs. Índios de Belo Monte e do Churrascurumim, barrigas dignas de quadrigêmeos em Taubaté, vem o “massacre” no Pinheirinho.
Bom, primeiro que o caso já é grave por si só – nosso Gerente Chuchu expulsando a pauladas o pessoal das terras do Naji Nahas pra cobrar sua parte da massa falida, passando por cima da lei –; segundo, que tudo agora é “massacre”, né, seja no Pinheirinho, no Piauí ou na Cracolândia – como qualquer autoritário é nazista.
Essas generalizações banalizam a indignação e causam o tédio na sociedade, que acaba pensando “ah é tudo a mesma coisa isso aí” e não percebe as particularidades de cada problema.
Só no domingo, quando houve de fato a derrubada das moradias pela polícia, já houve “dezenas de mortos”, incluindo “uma grávida”, além da “prisão” de Ivan Valente e Eduardo Suplicy (que nem lá estavam).
É pra isso que vocês querem tanto a mídia e o poder? Pra fazer igual, só que com o sinal trocado? Espalhando "gatos-bonsai" feito uma tia-avó encaminhando hoax?
A má-fé é mal disfarçada por “argumentos” como “você duvida [de] que isso possa acontecer/ter acontecido?”, “você vai defender os policiais/madeireiros/tucanos/insira-aqui-seu-vilão/?”
Sério, esse é o tipo de coisa que sou obrigado a ouvir quando reclamo da irresponsabilidade que é fazer esse tipo de coisa. Se não prezam pela verdade, se não tão nem aí pra ética, que sejam ao menos pragmáticos e pensem que é um puta tiro no pé, visto que tira a credibilidade da coisa – e se esses partidos de oposição da posição, contra-tudo-que-tá-aí (PSOL, PSTU, PCO), não vão nunca governar nada mesmo, que ao menos joguem limpo, a imagem é o que lhes resta. Por enquanto.
Nossa esquerdíssima vive reclamando do PIG, da polarização PT vs. PSDB, da falta de mobilização da sociedade, etc. Daí, quando a dita oposição tem a chance, via internet, de se sobrepor à mídia tradicional, age do mesmo jeito que a Veja: mente, distorce, engana, manipula.
Depois do Bope vs. Índios de Belo Monte e do Churrascurumim, barrigas dignas de quadrigêmeos em Taubaté, vem o “massacre” no Pinheirinho.
Bom, primeiro que o caso já é grave por si só – nosso Gerente Chuchu expulsando a pauladas o pessoal das terras do Naji Nahas pra cobrar sua parte da massa falida, passando por cima da lei –; segundo, que tudo agora é “massacre”, né, seja no Pinheirinho, no Piauí ou na Cracolândia – como qualquer autoritário é nazista.
Essas generalizações banalizam a indignação e causam o tédio na sociedade, que acaba pensando “ah é tudo a mesma coisa isso aí” e não percebe as particularidades de cada problema.
Só no domingo, quando houve de fato a derrubada das moradias pela polícia, já houve “dezenas de mortos”, incluindo “uma grávida”, além da “prisão” de Ivan Valente e Eduardo Suplicy (que nem lá estavam).
É pra isso que vocês querem tanto a mídia e o poder? Pra fazer igual, só que com o sinal trocado? Espalhando "gatos-bonsai" feito uma tia-avó encaminhando hoax?
A má-fé é mal disfarçada por “argumentos” como “você duvida [de] que isso possa acontecer/ter acontecido?”, “você vai defender os policiais/madeireiros/tucanos/insira-aqui-seu-vilão/?”
Sério, esse é o tipo de coisa que sou obrigado a ouvir quando reclamo da irresponsabilidade que é fazer esse tipo de coisa. Se não prezam pela verdade, se não tão nem aí pra ética, que sejam ao menos pragmáticos e pensem que é um puta tiro no pé, visto que tira a credibilidade da coisa – e se esses partidos de oposição da posição, contra-tudo-que-tá-aí (PSOL, PSTU, PCO), não vão nunca governar nada mesmo, que ao menos joguem limpo, a imagem é o que lhes resta. Por enquanto.
Monday, December 19, 2011
Nós estamos criando falsos grandes times
Assim começava uma espécie de editorial de José Silvério, que “invadia” o espaço do programa Na Geral, naquela quinta-feira após o título da Copa do Brasil de 2009, que Corinthians conquistara sobre o Inter-RS, ganhando na bola e no pau, sem tomar conhecimento do adversário.
Em seu depoimento, o Pai do Gol fazia um mea culpa, em nome da imprensa esportiva, sobre essa necessidade de inventar “o melhor elenco do país” a cada ano. Ele citava caso do próprio Internacional: fizera mais de 100 gols no Gauchão daquele ano, mas contra quem? Uma coisa é pegar os coitados do Brasil de Pelotas, que havia perdido jogadores importantes num acidente de trânsito, e enfiar 8 a 0. Outra é pegar o SCCP, que vinha invicto no muito mais difícil Paulistão (aquele Corinthians com certeza era o melhor time do país). Deu no que deu: aos 20min do primeiro tempo da segunda partida a fatura já estava liquidada.
E assim, faz quase dez anos que Inter e Cruzeiro já começam favoritos qualquer campeonato, mesmo com vexames como tomar coco do Mazembe e do lixão do Peñarol (em casa, de virada), ou perder uma Libertadores, também de virada e também em casa, para o fraco Estudiantes.
Com o Santos foi a mesma coisa: ganhou o Paulista mais chato de todos os tempos, em que 20 equipes se arrastaram por cinco meses, para então se classificarem oito, depois quatro, e aí a tediosa final com um Corinthians desanimado pós-Tolima, sem confiança, e ainda em restruturação. Mesmo assim, o gol do Neymar só saiu com um frangaço de Júlio Cesar.
Depois veio a Libertadores mais fácil desde 1981 (aquela em que houve boicote dos argentinos e Atlético-MG operado pelo “flapito”, culminando com Flamengo jogando mata-matas contra Jorge Wilstermann, Deportivo Táchira e Cobreloa), sem nenhum brasileiro e com os argentinos na maior crise há história. Tem culpa o Santos? Nenhuma. Enfrentou quem veio e venceu. Só que, após quase nem passar da primeira fase, o muricybol apresentado contra adversários fraco, incluindo mexicanos de má vontade, deu a falsa impressão de “melhor time da América”.
Desde então o time entrou numa redoma, respaldado pela mesma lambeção de saco midiática que alça qualquer pivete a ídolo da seleção, a mesma que os protege, passa a mão na cabeça, condescendente até nos maiores vexames canarinho. São popstars, comem todas, bebem todas, têm iates, vão a mil baladas, são garotos-propaganda. E o futebol vai ficando em segundo, terceiro plano.
O problema é que na Europa não é assim. Veja Messi: sua humildade é reforçada por ele não ser incensado como Neymar é aqui, por exemplo. É cobrado tanto no Barcelona quanto na Argentina. Talvez por questão cultural, talvez por haver tantos craques por lá.
O fato é que, enquanto o Barça continuou treinando, se aperfeiçoando, buscando reforços, jogando Espanhol Copa do Rei e Champions League, o Santos deitou-se na fama e abiu mão do dificílimo Brasileirão, sob a desculpa de se preparar para o Mundial.
Claro que deixá-lo de lado durante as finais da Libertadores era essencial; mas houve o ano inteiro depois, senão para tentar o título, manter o time “ligado”. Disputar, durante mais de meio ano, contra times forte como São Paulo, Corinthians, Vasco, Flamengo e Fluminense, mais do que deixar o time cansado, deixá-lo-ia preparado minimamente para a pedreira que viria; haveria tempo para testar jogadores e esquemas táticos. Mais do que isso: as dificuldades mostrariam que as facilidades do primeiro semestre eram enganosas, o Santos não era tão melhor que o resto (discuto até se é o melhor time do Brasil mesmo, mas enfim).
Ficou óbvio que Muricy não preparou ninguém para o que viria. Parece que sequer estudou o adversário. Houve cinco meses para preparar o time, e ele me vem com três zagueiros. Só. A grande mudança, após meio ano de suposta preparação, foram três fucking zagueiros. Já os jogadores parecem ter acreditado na imprensa esportiva daqui, que, salvo pouquíssimas exceções, coisa de dois ou três mais lúcidos, diziam que o melhor time do país e do continente tinha chances de vencer sim, de jogar de igual pra igual, e que Neymar ia mostrar ao mundo, no duelo com Messi, que era o melhor.
Veio o jogo e as expressões de pânico de Danilo, Dracena e Durval, o DDD, mostravam a realidade: os "Meninos da Vila”, que são é um bando de véios refugados e outras equipes, caíram no conto da mídia e acharam que Puyol era grosso, era só marcar o Messi e Piqué nem era tudo isso. Veio o massacre catalão e os caiçaras pareciam esperar que Neymar resolvesse sozinho. Borges ficou isolado, Arouca não foi visto durante o jogo e Ganso foi displicente, pensando mais no dinheiro que na bola.
Pano rápido. A mesma imprensa agora ressaltava que o Santos era “só um time” (ué, seria o quê?) e o Barcelona, coisa de outro mundo, desrespeitando todo o trabalho de base do clube e toda a insistência de Guardiola em montar aquele esquema de carrossel. A vitória ficou parecendo um acaso, pra quem via o jogo no Brasil. “Ah, não tinha o que fazer”. Emprego fácil esse o de comentarista esportivo, não requer a menor coerência.
O fato é que qualquer time de ponta do Brasil, o Corinthians, por exemplo, com mais poder de marcação E VONTADE DE VENCER teria dado mais jogo. Provavelmente também seria goleado, mas não ficaria assistindo ao jogo entre o terror e a reverência.
Fica a lição pro jornalismo esportivo: estudem, meus caros, pois quase todo o elenco do Barça é montado na base, não é só questão de grana, é seriedade, é trabalho. Parem de iludir o menino Neymar, que ontem viu o bem que fez em ficar no Brasil dando rolinho nos coitados do Santo André. E chega de ficar passando a mão na cabeça dos jogadores, como se fossem pré-adolescentes. Futebol é jogo de homem.
As desculpas foram deprimentes: Muricy, cheio de marra, disse que a derrota não tinha nenhum peso. Edu Dracena, “nós demos nosso melhor”. Porra, você fica cinco meses se preparando (em tese) pra tomar dois gols em 20min, sem nem tocar na bola, e tá tudo bem?
Neymar, que havia poucos meses falara que o Santos tinha “encantado a América” (não, você é que tinha, seu time foi uma retranca feia de doer, que esperava sua resolução mágica) teve o choque de realidade de quem aprendeu o que era encanto de verdade.
Sim foi vexame. Não pelo placar, mas pela postura. Do time e da imprensa. Menos mal que a torcida, que eu saiba, não embarcou nesse oba-oba em nenhum momento. Que mude essa cultura de que atletas e técnicos vencedores são intocáveis e jamais erram, jamais podem ser cobrados. E viva o Barça, provável melhor time de todos os tempos.
Em seu depoimento, o Pai do Gol fazia um mea culpa, em nome da imprensa esportiva, sobre essa necessidade de inventar “o melhor elenco do país” a cada ano. Ele citava caso do próprio Internacional: fizera mais de 100 gols no Gauchão daquele ano, mas contra quem? Uma coisa é pegar os coitados do Brasil de Pelotas, que havia perdido jogadores importantes num acidente de trânsito, e enfiar 8 a 0. Outra é pegar o SCCP, que vinha invicto no muito mais difícil Paulistão (aquele Corinthians com certeza era o melhor time do país). Deu no que deu: aos 20min do primeiro tempo da segunda partida a fatura já estava liquidada.
E assim, faz quase dez anos que Inter e Cruzeiro já começam favoritos qualquer campeonato, mesmo com vexames como tomar coco do Mazembe e do lixão do Peñarol (em casa, de virada), ou perder uma Libertadores, também de virada e também em casa, para o fraco Estudiantes.
Com o Santos foi a mesma coisa: ganhou o Paulista mais chato de todos os tempos, em que 20 equipes se arrastaram por cinco meses, para então se classificarem oito, depois quatro, e aí a tediosa final com um Corinthians desanimado pós-Tolima, sem confiança, e ainda em restruturação. Mesmo assim, o gol do Neymar só saiu com um frangaço de Júlio Cesar.
Depois veio a Libertadores mais fácil desde 1981 (aquela em que houve boicote dos argentinos e Atlético-MG operado pelo “flapito”, culminando com Flamengo jogando mata-matas contra Jorge Wilstermann, Deportivo Táchira e Cobreloa), sem nenhum brasileiro e com os argentinos na maior crise há história. Tem culpa o Santos? Nenhuma. Enfrentou quem veio e venceu. Só que, após quase nem passar da primeira fase, o muricybol apresentado contra adversários fraco, incluindo mexicanos de má vontade, deu a falsa impressão de “melhor time da América”.
Desde então o time entrou numa redoma, respaldado pela mesma lambeção de saco midiática que alça qualquer pivete a ídolo da seleção, a mesma que os protege, passa a mão na cabeça, condescendente até nos maiores vexames canarinho. São popstars, comem todas, bebem todas, têm iates, vão a mil baladas, são garotos-propaganda. E o futebol vai ficando em segundo, terceiro plano.
O problema é que na Europa não é assim. Veja Messi: sua humildade é reforçada por ele não ser incensado como Neymar é aqui, por exemplo. É cobrado tanto no Barcelona quanto na Argentina. Talvez por questão cultural, talvez por haver tantos craques por lá.
O fato é que, enquanto o Barça continuou treinando, se aperfeiçoando, buscando reforços, jogando Espanhol Copa do Rei e Champions League, o Santos deitou-se na fama e abiu mão do dificílimo Brasileirão, sob a desculpa de se preparar para o Mundial.
Claro que deixá-lo de lado durante as finais da Libertadores era essencial; mas houve o ano inteiro depois, senão para tentar o título, manter o time “ligado”. Disputar, durante mais de meio ano, contra times forte como São Paulo, Corinthians, Vasco, Flamengo e Fluminense, mais do que deixar o time cansado, deixá-lo-ia preparado minimamente para a pedreira que viria; haveria tempo para testar jogadores e esquemas táticos. Mais do que isso: as dificuldades mostrariam que as facilidades do primeiro semestre eram enganosas, o Santos não era tão melhor que o resto (discuto até se é o melhor time do Brasil mesmo, mas enfim).
Ficou óbvio que Muricy não preparou ninguém para o que viria. Parece que sequer estudou o adversário. Houve cinco meses para preparar o time, e ele me vem com três zagueiros. Só. A grande mudança, após meio ano de suposta preparação, foram três fucking zagueiros. Já os jogadores parecem ter acreditado na imprensa esportiva daqui, que, salvo pouquíssimas exceções, coisa de dois ou três mais lúcidos, diziam que o melhor time do país e do continente tinha chances de vencer sim, de jogar de igual pra igual, e que Neymar ia mostrar ao mundo, no duelo com Messi, que era o melhor.
Veio o jogo e as expressões de pânico de Danilo, Dracena e Durval, o DDD, mostravam a realidade: os "Meninos da Vila”, que são é um bando de véios refugados e outras equipes, caíram no conto da mídia e acharam que Puyol era grosso, era só marcar o Messi e Piqué nem era tudo isso. Veio o massacre catalão e os caiçaras pareciam esperar que Neymar resolvesse sozinho. Borges ficou isolado, Arouca não foi visto durante o jogo e Ganso foi displicente, pensando mais no dinheiro que na bola.
Pano rápido. A mesma imprensa agora ressaltava que o Santos era “só um time” (ué, seria o quê?) e o Barcelona, coisa de outro mundo, desrespeitando todo o trabalho de base do clube e toda a insistência de Guardiola em montar aquele esquema de carrossel. A vitória ficou parecendo um acaso, pra quem via o jogo no Brasil. “Ah, não tinha o que fazer”. Emprego fácil esse o de comentarista esportivo, não requer a menor coerência.
O fato é que qualquer time de ponta do Brasil, o Corinthians, por exemplo, com mais poder de marcação E VONTADE DE VENCER teria dado mais jogo. Provavelmente também seria goleado, mas não ficaria assistindo ao jogo entre o terror e a reverência.
Fica a lição pro jornalismo esportivo: estudem, meus caros, pois quase todo o elenco do Barça é montado na base, não é só questão de grana, é seriedade, é trabalho. Parem de iludir o menino Neymar, que ontem viu o bem que fez em ficar no Brasil dando rolinho nos coitados do Santo André. E chega de ficar passando a mão na cabeça dos jogadores, como se fossem pré-adolescentes. Futebol é jogo de homem.
As desculpas foram deprimentes: Muricy, cheio de marra, disse que a derrota não tinha nenhum peso. Edu Dracena, “nós demos nosso melhor”. Porra, você fica cinco meses se preparando (em tese) pra tomar dois gols em 20min, sem nem tocar na bola, e tá tudo bem?
Neymar, que havia poucos meses falara que o Santos tinha “encantado a América” (não, você é que tinha, seu time foi uma retranca feia de doer, que esperava sua resolução mágica) teve o choque de realidade de quem aprendeu o que era encanto de verdade.
Sim foi vexame. Não pelo placar, mas pela postura. Do time e da imprensa. Menos mal que a torcida, que eu saiba, não embarcou nesse oba-oba em nenhum momento. Que mude essa cultura de que atletas e técnicos vencedores são intocáveis e jamais erram, jamais podem ser cobrados. E viva o Barça, provável melhor time de todos os tempos.
Wednesday, November 30, 2011
Deaf and dumb with the lights on
Você já deve ter visto o compartilhamento indignado, no Facebook, da foto do índio sendo estrangulado pelos impiedosos policiais armados, em clima de guerra, expulsando-os da região de Belo Monte, etc., etc.
Bom bem: esta foto circula na net pelo menos desde 2008.
Só isso já configura mentira: a manipulação do contexto da imagem. "Ei, mas pelo menos ela é verdadeira, houve violência bla bla bla".
Vejamos.
1. A perna do índio que está bem mais longe da câmera está se sobrepondo à perna do policial que está bem mais a frente dele.
2. O policial da esquerda foi literalmente recortado e posto ali.
3. Tanto o índio como o policial à direita estão com aquele “sharpen forçado” típico de perda de resolução quando você aumenta a imagem.
4. Sem falar que o índio está com a cara meio achatada, e com uma cor diferente do resto da composição, como se estivesse exposto a outra iluminação.
5. Veja os recortes estranhíssimos da mão que segura a arma e da lateral do índio.
Confira na outra foto, a premiada, que o Choque do Amazonas usa o típico camuflado cinza, não esse uniforme à la Bope, sem identificação nenhuma.
O tal “Luiz Vasconcelos” (em uma referência está como “Luiz Gonzaga de Vasconcelos”) só aparece referenciado em:
1. notícias da premiação da outra foto (a primeira da matéria linkada no começo do post);
2. fotos amenas de Manaus (no tal jornal "A Crítica").
Portanto não custa nada dar aquela pesquisada básica antes de sair compartilhando por aí. Mesmo que a foto fosse vredadeira (e não é) seria de outro contexto). Assim como aquela foto do Raoni chorando (verdadeira, porém de outra ocasião nada a ver com Belo Monte), esta é uma baita enganação de grupos interessados na empulhação em vez do debate. Cuidado até com a grande mídia, que engoliu essa barriga já em 2008, por descuido ou má-fé.
[Ah, aquele choro do Raoni foi quando da morte do amigo Orlando Villas Bôas, também em 2008.]
Bom bem: esta foto circula na net pelo menos desde 2008.
Só isso já configura mentira: a manipulação do contexto da imagem. "Ei, mas pelo menos ela é verdadeira, houve violência bla bla bla".
Vejamos.
1. A perna do índio que está bem mais longe da câmera está se sobrepondo à perna do policial que está bem mais a frente dele.
2. O policial da esquerda foi literalmente recortado e posto ali.
3. Tanto o índio como o policial à direita estão com aquele “sharpen forçado” típico de perda de resolução quando você aumenta a imagem.
4. Sem falar que o índio está com a cara meio achatada, e com uma cor diferente do resto da composição, como se estivesse exposto a outra iluminação.
5. Veja os recortes estranhíssimos da mão que segura a arma e da lateral do índio.
Confira na outra foto, a premiada, que o Choque do Amazonas usa o típico camuflado cinza, não esse uniforme à la Bope, sem identificação nenhuma.
O tal “Luiz Vasconcelos” (em uma referência está como “Luiz Gonzaga de Vasconcelos”) só aparece referenciado em:
1. notícias da premiação da outra foto (a primeira da matéria linkada no começo do post);
2. fotos amenas de Manaus (no tal jornal "A Crítica").
Portanto não custa nada dar aquela pesquisada básica antes de sair compartilhando por aí. Mesmo que a foto fosse vredadeira (e não é) seria de outro contexto). Assim como aquela foto do Raoni chorando (verdadeira, porém de outra ocasião nada a ver com Belo Monte), esta é uma baita enganação de grupos interessados na empulhação em vez do debate. Cuidado até com a grande mídia, que engoliu essa barriga já em 2008, por descuido ou má-fé.
[Ah, aquele choro do Raoni foi quando da morte do amigo Orlando Villas Bôas, também em 2008.]
Friday, November 25, 2011
Os homens e os deuses são a mesma aposta.
[Finalzinho de 2010.]
[18h26min] Eu acordava de um sonho e ia comer batatas cozidas com atum, tipo aquelas saladas frias, enquanto esperava uma carne fritar. Enquanto isso lembrava de um sonho dentro de um sonho, no qual eu sonhava³ com uma Morte solene feito a d’O Sétimo Selo, com a aparência de uma carta de tarô, dizendo que ela era puríssima e verdadeira, e o homem mera imitação porque Deus nos fez simulacro dele mesmo, e mais, do Adão, do ser primordial. [18h27min]
[18h26min] Eu acordava de um sonho e ia comer batatas cozidas com atum, tipo aquelas saladas frias, enquanto esperava uma carne fritar. Enquanto isso lembrava de um sonho dentro de um sonho, no qual eu sonhava³ com uma Morte solene feito a d’O Sétimo Selo, com a aparência de uma carta de tarô, dizendo que ela era puríssima e verdadeira, e o homem mera imitação porque Deus nos fez simulacro dele mesmo, e mais, do Adão, do ser primordial. [18h27min]
Só sei que, ao redor, tudo era silêncio e treva.
[Final de 2010]
Sonhei que estava num terreno baldio bem extenso, com mais uma pessoa, quando começamos a ouvir uma voz sombria repetir inexoravelmente “qualquer dia é sexta-feira, qualquer hora é meia-noite”, quando veio correndo, do horizonte para a nossa direção, uma criatura monstruosa, quimérica, com partes de lobo, demônio e outros bichos. Começamos a correr em fuga, pulando arbustos, muretas e arames, até que essa pessoa que estava comigo e foi apanhada. Eu, covarde, para não morrer, comecei a entoar o coro maldito também. Apareceram então os caras da minha banda e mais uns amigos, e íamos fazer um show, acho. Um dos caras falava muito sobre nós, quando chegamos numa parte do terreno em que havia uma espécie de muro de vidro, com vários negros e três mulheres com roupas africanas, fossem de uma tribo ou dançarinas típicas. Elas pegaram nas minhas mãos, ficaram esfregando os dedos nos meus enquanto me faziam girar numa ciranda ao som de outro cântico estranho, com um nome que parecia ser de dança tribal. Deixei-me levar e enlevar, até perceber que meus dedos estavam inchadíssimos, grudados, queimados e grudados. Doíam demais! – e como eu iria fazer o tal show? Um dos meus amigos foi procurar ajuda no que parecia ser a praça central da cidade, mas eu só pensava em um bebedouro para molhar aquelas queimaduras. Então lavei aquelas mãos deformadas e desci escadas obscuras para não sei onde.
Sonhei que estava num terreno baldio bem extenso, com mais uma pessoa, quando começamos a ouvir uma voz sombria repetir inexoravelmente “qualquer dia é sexta-feira, qualquer hora é meia-noite”, quando veio correndo, do horizonte para a nossa direção, uma criatura monstruosa, quimérica, com partes de lobo, demônio e outros bichos. Começamos a correr em fuga, pulando arbustos, muretas e arames, até que essa pessoa que estava comigo e foi apanhada. Eu, covarde, para não morrer, comecei a entoar o coro maldito também. Apareceram então os caras da minha banda e mais uns amigos, e íamos fazer um show, acho. Um dos caras falava muito sobre nós, quando chegamos numa parte do terreno em que havia uma espécie de muro de vidro, com vários negros e três mulheres com roupas africanas, fossem de uma tribo ou dançarinas típicas. Elas pegaram nas minhas mãos, ficaram esfregando os dedos nos meus enquanto me faziam girar numa ciranda ao som de outro cântico estranho, com um nome que parecia ser de dança tribal. Deixei-me levar e enlevar, até perceber que meus dedos estavam inchadíssimos, grudados, queimados e grudados. Doíam demais! – e como eu iria fazer o tal show? Um dos meus amigos foi procurar ajuda no que parecia ser a praça central da cidade, mas eu só pensava em um bebedouro para molhar aquelas queimaduras. Então lavei aquelas mãos deformadas e desci escadas obscuras para não sei onde.
.Ph’nglui mglw’nafh Cthulhu R’lyeh wgah’nagl fhtagn.
[Últimos dias de dezembro de 2010]
Sonhei que estava num cenário típico das histórias de HP Lovecraft, mais precisamente Sombras Perdidas No Tempo. Aquelas coisas gigantescas, descomunais, em arquiteturas de pesadelo, ciclópicas e gotejantes, de pavor e aflição cósmica, criptografias monstruosas anunciando o inevitável despertar dos Grandes Antigos. E quer saber? Foi mais divertido, bem mais, do que aqueles sonhos em que você tenta resolver coisas do período de vigília… e também não consegue.
Sonhei que estava num cenário típico das histórias de HP Lovecraft, mais precisamente Sombras Perdidas No Tempo. Aquelas coisas gigantescas, descomunais, em arquiteturas de pesadelo, ciclópicas e gotejantes, de pavor e aflição cósmica, criptografias monstruosas anunciando o inevitável despertar dos Grandes Antigos. E quer saber? Foi mais divertido, bem mais, do que aqueles sonhos em que você tenta resolver coisas do período de vigília… e também não consegue.
And in confusing anger, they fall so low.
[Último trimestre de 2010.]
[14h53min] Uma noite dessas sonhei que estava em uma estação de trem, uma que eu costumava freqüentar, quando, ao amanhecer, o sistema de som anunciou que havia um maníaco atacando mulheres em outra linha. Eu ficava te esperando, você não aparecia, eu me preocupava, até que você chegava e sentava, em silêncio, ao meu lado no trem. O vagão, que estava cheio de seres obscuros e indefinidos, feito aquele bicho preto do trem que a Chihiro pega no final do filme (a parte mais intrigantemente bela), parava em uma estação, as portas abriam e assim permaneciam por tempo suficiente para que eu pudesse ver, nos trilhos, uma criança deformada, com vestidinho de menina e cabeça virada feito a Linda Blair possuída, mas com um sorriso demente, perverso, diabólico, andando enviesada pela via permanente e batendo a cabeça deliberadamente nos dormentes, repetidamente. Então ela raspava as mãos nos pedregulhos até que os dedos virassem uma pasta sanguinolenta, e assim também infinitas vezes. A porta se fechava, começava uma briga entre os seres indefinidos. Eu olhava sua bolsa, dela escorria uma meleca: era o sumo de frutos apodrecidos que você carregava. A briga então me tomava: eu era atingido em cheio por um extintor de incêndio, que fazia jorrar meu sangue ao abrir meu crânio e fazer pender meu maxilar. Antes que o pesadelo acabasse eu ainda permanecia uns instantes, desfigurado, tentando entender tudo aquilo. [14h58min]
[14h53min] Uma noite dessas sonhei que estava em uma estação de trem, uma que eu costumava freqüentar, quando, ao amanhecer, o sistema de som anunciou que havia um maníaco atacando mulheres em outra linha. Eu ficava te esperando, você não aparecia, eu me preocupava, até que você chegava e sentava, em silêncio, ao meu lado no trem. O vagão, que estava cheio de seres obscuros e indefinidos, feito aquele bicho preto do trem que a Chihiro pega no final do filme (a parte mais intrigantemente bela), parava em uma estação, as portas abriam e assim permaneciam por tempo suficiente para que eu pudesse ver, nos trilhos, uma criança deformada, com vestidinho de menina e cabeça virada feito a Linda Blair possuída, mas com um sorriso demente, perverso, diabólico, andando enviesada pela via permanente e batendo a cabeça deliberadamente nos dormentes, repetidamente. Então ela raspava as mãos nos pedregulhos até que os dedos virassem uma pasta sanguinolenta, e assim também infinitas vezes. A porta se fechava, começava uma briga entre os seres indefinidos. Eu olhava sua bolsa, dela escorria uma meleca: era o sumo de frutos apodrecidos que você carregava. A briga então me tomava: eu era atingido em cheio por um extintor de incêndio, que fazia jorrar meu sangue ao abrir meu crânio e fazer pender meu maxilar. Antes que o pesadelo acabasse eu ainda permanecia uns instantes, desfigurado, tentando entender tudo aquilo. [14h58min]
Friday, November 18, 2011
Fascistas de direita, fascistas de esquerda
O bom/ruim das redes sociais é que um assunto se desgasta tanto, mas TANTO, em poucos dias, com o turbilhão de programas alternativos no YouTube, blogueiros ~formadores de opinião~, escrevinhadores de notas no Facebook e guerrilheiros de Twitter é tamanha que poupa este blog (e seu saco) de muito palpite meu.
Eu ia falar da USP, depois da maconha, depois da PM, mas em dois ou três dias eu já não aguentava mais a irracionalidade dos dois lados nem a profusão de vídeos e textos com A VERDADE SOBRE ___________ (complete com a polêmica de sua preferência).
É aluno, professor, político, policial, todo mundo desesperado pra se mostrar cabeça-feita, “Ei, eu tenho uma opinião, não sou manipulado!”. E, até que a imprensa, a mesma que todos amam odiar, consiga apurar fatos (após desviar das pedras reais e virtuais) e apurar as coisas até com certo atraso (em termos de internet), porém com embasamento e FATOS (basta notar a diferença entre este e este texto em relação ao resto), fica esse rebosteio todo.
Não vou chutar cachorro morto – no caso, quem clamou por Lula no SUS, Bope no Congresso, simples remoção de mendigos e viciados pra PQP, ROTA na FFLCH. O negócio aqui são as nuances, sempre mais perigosas.
Disso, ficam alguns postulados lamentáveis:
1. A esquerda exige uma venda casada.
Você precisa necessariamente abraçar umas porras de bandeiras que sei lá quem decidiu que são obrigatórias para a obtenção do diploma esquerdista: tem que apoiar maconha, movimento estudantil, feminismo, Cuba, etc., caso contrário (não pode nem questionar, hein), você vira “direitão enrustido”.
2. O preconceito são os outros.
Não pode fala que maconheiro financia o tráfico, que feministas são intransigentes ou que o movimento estudantil é coisa de vagabundo; mas falar que PM é tudo cuzão, que os antidroga são moralistas ou que os detratores da USP têm inveja é OK.
3. A imprensa é sempre reduzida ao absurdo.
Tal como a PM, a imprensa é evocada quando ELES querem: “Durante essa ação, a moradia estudantil (CRUSP) foi sitiada com o uso de gás lacrimogêneo e um enorme aparato policial. Paralelamente, as tropas da polícia levaram a cabo a desocupação do prédio da reitoria, impedindo que a imprensa acompanhasse os momentos decisivos da operação.”.
Ué, a imprensa foi | é | será hostilizada por eles, em quaisquer manifestações. Tudo é reduzido a Globo e Veja. Então fiquem com a incrível cobertura dos próprios estudantes. E pensar que, de longe, os melhores textos foram da Carta Capital e da Época, ou seja, jornalistas.
Essa baderna, essa desunião e esse despreparo mostram porque, no fim, é sempre a Direita que acaba mandando nos destinos do país. Eles sempre estão unidos pelo bem comum (deles), o poder, enquanto o resto fica nesse macartismo de sinal trocado. A witch! A witch!
Eu ia falar da USP, depois da maconha, depois da PM, mas em dois ou três dias eu já não aguentava mais a irracionalidade dos dois lados nem a profusão de vídeos e textos com A VERDADE SOBRE ___________ (complete com a polêmica de sua preferência).
É aluno, professor, político, policial, todo mundo desesperado pra se mostrar cabeça-feita, “Ei, eu tenho uma opinião, não sou manipulado!”. E, até que a imprensa, a mesma que todos amam odiar, consiga apurar fatos (após desviar das pedras reais e virtuais) e apurar as coisas até com certo atraso (em termos de internet), porém com embasamento e FATOS (basta notar a diferença entre este e este texto em relação ao resto), fica esse rebosteio todo.
Não vou chutar cachorro morto – no caso, quem clamou por Lula no SUS, Bope no Congresso, simples remoção de mendigos e viciados pra PQP, ROTA na FFLCH. O negócio aqui são as nuances, sempre mais perigosas.
Disso, ficam alguns postulados lamentáveis:
1. A esquerda exige uma venda casada.
Você precisa necessariamente abraçar umas porras de bandeiras que sei lá quem decidiu que são obrigatórias para a obtenção do diploma esquerdista: tem que apoiar maconha, movimento estudantil, feminismo, Cuba, etc., caso contrário (não pode nem questionar, hein), você vira “direitão enrustido”.
2. O preconceito são os outros.
Não pode fala que maconheiro financia o tráfico, que feministas são intransigentes ou que o movimento estudantil é coisa de vagabundo; mas falar que PM é tudo cuzão, que os antidroga são moralistas ou que os detratores da USP têm inveja é OK.
3. A imprensa é sempre reduzida ao absurdo.
Tal como a PM, a imprensa é evocada quando ELES querem: “Durante essa ação, a moradia estudantil (CRUSP) foi sitiada com o uso de gás lacrimogêneo e um enorme aparato policial. Paralelamente, as tropas da polícia levaram a cabo a desocupação do prédio da reitoria, impedindo que a imprensa acompanhasse os momentos decisivos da operação.”.
Ué, a imprensa foi | é | será hostilizada por eles, em quaisquer manifestações. Tudo é reduzido a Globo e Veja. Então fiquem com a incrível cobertura dos próprios estudantes. E pensar que, de longe, os melhores textos foram da Carta Capital e da Época, ou seja, jornalistas.
Essa baderna, essa desunião e esse despreparo mostram porque, no fim, é sempre a Direita que acaba mandando nos destinos do país. Eles sempre estão unidos pelo bem comum (deles), o poder, enquanto o resto fica nesse macartismo de sinal trocado. A witch! A witch!
Thursday, November 10, 2011
Crepúsculo dos ídolos
Parece que artistas não sabem mesmo usar a internet; nisso estão no mesmo nível dos jogadores de futebol. Talvez porque ambos sempre tenham vivido uma relação distante com os fãs (e detratores), uma coisa eles-lá-e-eu-aqui.
Enquanto no futebol os boleiros-tuiteiros falam bobagens diárias, e depois precisam apagar os posts (rezando pra que ninguém tenha dado printscreen), dar desculpas esfarrapadas ou ficar se explicando pelo resto da carreira, os artistas, de quem, geralmente, se espera um pouco mais de esclarecimento e visão, estão na mesma toada – dir-se-ia pior, já que esses deveriam estar muito mais acostumados a todas as mídias.
Pois a coisa vem degringolando com as redes sociais. Se antes o que havia era artista consagrado como o Scott Ian, do Anthrax (que devia dar graças à net por alguém ainda lembrar-se dele), reclamando dos downloads “ilegais” ou gente ingrata que fez carreira na web e agora fala mal dela, como a Lilly Allen, agora a onda é queimar o próprio filme geral, mostrar que é realmente um babaca quando não está no palco ou na tevê (tá, alguns são babacas também lá, mas você entendeu).
Temos as categorias:
– palpiteiro (Marcelo Tas, Edu Falaschi, Luiz Ceará, Tico Santa Cruz): esse artista-jornalista-apresentador-whatever acha que o mundo não pode girar em paz sem seus opúsculos virtuais de sabedoria, geralmente repletos de ressentimento tolo e pouca educação; pouco importa se ele é jornalista de esportes, via comentar até sobre o colisor de hádrons na coluna dele.
– malcriado (Luana Piovani, Roger Moreira, Marcos Kleine [quem?]): esse se adaptou mal, muito mal, à era em que qualquer pessoa pode criticá-lo diretamente, ou mesmo fazer um chiste. Claro que, se o cara é ofendido com @ e tudo, tem todo o direito de se ofender e se defender. Porém esses supracitados não só reclamam e “dão carteirada” (“eu faço sucesso”, “faz melhor“, “pelo menos já cheguei lá [err, aonde]?”), como às vezes xingam mesmo a qualquer menção a ele, por um narcisista pero inseguro search com o próprio nome ativado no TweetDeck.
– jurássico (90% dos artistas): esse se limita a retuitar mídias em que ele aparece, ou dizer “indo pro show” e “a estreia foi legal”. Zero de interesse geral ou interação com os fãs (ou com a realidade); não sei que parte de “social” ele não entendeu.
A impressão que se tem é que, contaminados pelos mimos de puxa-sacos, empresários/patrões desde sempre, além da pouca opção de mídia de outrora (sem net ou TV a cabo), eles estão perdendo o bonde, enquanto artistas mais espertos estão evoluindo e adaptando suas carreiras a essa realidade inevitável em que o artistas precisa entender melhor sua figura pública, seus fãs e sua relevância.
Enquanto no futebol os boleiros-tuiteiros falam bobagens diárias, e depois precisam apagar os posts (rezando pra que ninguém tenha dado printscreen), dar desculpas esfarrapadas ou ficar se explicando pelo resto da carreira, os artistas, de quem, geralmente, se espera um pouco mais de esclarecimento e visão, estão na mesma toada – dir-se-ia pior, já que esses deveriam estar muito mais acostumados a todas as mídias.
Pois a coisa vem degringolando com as redes sociais. Se antes o que havia era artista consagrado como o Scott Ian, do Anthrax (que devia dar graças à net por alguém ainda lembrar-se dele), reclamando dos downloads “ilegais” ou gente ingrata que fez carreira na web e agora fala mal dela, como a Lilly Allen, agora a onda é queimar o próprio filme geral, mostrar que é realmente um babaca quando não está no palco ou na tevê (tá, alguns são babacas também lá, mas você entendeu).
Temos as categorias:
– palpiteiro (Marcelo Tas, Edu Falaschi, Luiz Ceará, Tico Santa Cruz): esse artista-jornalista-apresentador-whatever acha que o mundo não pode girar em paz sem seus opúsculos virtuais de sabedoria, geralmente repletos de ressentimento tolo e pouca educação; pouco importa se ele é jornalista de esportes, via comentar até sobre o colisor de hádrons na coluna dele.
– malcriado (Luana Piovani, Roger Moreira, Marcos Kleine [quem?]): esse se adaptou mal, muito mal, à era em que qualquer pessoa pode criticá-lo diretamente, ou mesmo fazer um chiste. Claro que, se o cara é ofendido com @ e tudo, tem todo o direito de se ofender e se defender. Porém esses supracitados não só reclamam e “dão carteirada” (“eu faço sucesso”, “faz melhor“, “pelo menos já cheguei lá [err, aonde]?”), como às vezes xingam mesmo a qualquer menção a ele, por um narcisista pero inseguro search com o próprio nome ativado no TweetDeck.
– jurássico (90% dos artistas): esse se limita a retuitar mídias em que ele aparece, ou dizer “indo pro show” e “a estreia foi legal”. Zero de interesse geral ou interação com os fãs (ou com a realidade); não sei que parte de “social” ele não entendeu.
A impressão que se tem é que, contaminados pelos mimos de puxa-sacos, empresários/patrões desde sempre, além da pouca opção de mídia de outrora (sem net ou TV a cabo), eles estão perdendo o bonde, enquanto artistas mais espertos estão evoluindo e adaptando suas carreiras a essa realidade inevitável em que o artistas precisa entender melhor sua figura pública, seus fãs e sua relevância.
Subscribe to:
Posts (Atom)