segunda-feira, 13 de agosto de 2007
Eu quero aproximar o meu cantar vagabundo daqueles que velam pela alegria do mundo.
Será que os “cansados” se lembram disto?
Será que os “cansados” vão protestar? A casa caiu (literalmente) e continua caindo. E agora José?
segunda-feira, 23 de julho de 2007
Só sei que não vou por aí.
terça-feira, 17 de julho de 2007
Pálido ponto azul
O Mundo Assombrado Pelos Demônios. Dei-me este livro de presente no Natal de 2002. Tá, eu nem gosto dessas datas comemorativas, mas são ótimas desculpas para presentear pessoas queridas (isso me inclui – às vezes). Lembro-me de tê-lo comprado, acompanhado de uma amiga, na Saraiva do Shopping Paulista, junto com O Paraíso Perdido, de John Milton. Eu já namorava o livro do Carl Sagan (e mesmo sem conhecer tanto o autor, já nutria grande admiração por seu trabalho de divulgação científica) havia tempos, desde que fora lançado aqui, um pouco antes do meio da década de 1990. Recordo-me também de estar no último ano do Ensino Médio (na Federal significava o quarto ano), 1998, e uma amiga do primeiro ano (ensino “normal”) mostrá-lo como leitura obrigatória para nota, dada por um professor de Física. Mesmo sem não tê-lo lido até então, e mesmo com relativa pouca idade, me animou e estimulou o fato de que houvesse docentes preocupados não só com passar transparências, dar provas, fazer chamadas e ir logo tomar café na sala dos professores, mas sim em também formar cidadãos conscientes. Porém, não sei ao certo o motivo, só fui adquirir a obra (por conta própria, como já dito) quatro anos depois.
Lembro de começar a lê-lo num dia qualquer, chuvoso, meio de semana, rumo a Avenida Paulista, ao encontro com outra amiga. Caminho longo, a leitura começou a fluir.
À época, eu estava perdido entre o panteísmo e o deísmo e, mesmo tendo sempre gostado de Física e ciências em geral, não fazia idéia do quão fascinante aquilo podia ser e, mais que isso, prático e útil para nossa vida cotidiana e para a existência humana.
Este livro é tão revelador e educativo que deveria ser considerado leitura obrigatória para estudantes do Ensino Médio, como o tal professor (que nem conheço) fez com a turma da minha amiga da Federal.
Cristais, astrologia, profecias, santas que choram, abduções por extraterrestres, entortadores de colheres... enfim, todo tipo de charlatanismo é dizimado impiedosamente pelo autor ao longo do livro, numa defesa apaixonada e sincera da Ciência, da racionalidade, da coerência, enfim, de “deixar a cabeça aberta mas não a ponto de o cérebro cair pra fora dela” como modo de vida. Compreendi que o pensamento científico é uma filosofia de vida.
Carl Sagan dedicou a vida não só a divulgar a Ciência para os leigos, mas para defender ideais dos quais precisamos cada vez mais, como a democratização do conhecimento e a formação do pensamento crítico não só nos adultos, mas desde a infância. Tudo para que consigamos manter a Terra um lugar habitável. Nós, uma espécie de macaco absurdamente arrogante e pretensiosa num planetinha na periferia de uma galáxia na periferia do Universo, um pálido ponto azul. Afinal "ninguém virá dos céus para nos salvar de nós mesmos".
Quando a Ciência é mal divulgada e mal compreendida, é recebida como algo chato e abstrato. Aí o que acontece: as crendices, superstições e pseudociências tornam-se ainda mais populares.
Carl Sagan nos mostra a importância do senso crítico e da racionalidade para a construção de uma sociedade democrática, pois conhecimento significa liberdade.
Eis o release da obra:
“Este livro é uma defesa apaixonada e apaixonante da ciência e da racionalidade humana. Carl Sagan, que não tem poupado esforços para divulgar os conhecimentos científicos de forma correta e clara, ataca o vírus do analfabetismo científico que faz, por exemplo, com que a maioria dos americanos pense que os dinossauros conviveram com os seres humanos e que desapareceram no Dilúvio porque não cabiam na Arca de Noé. Ou que acredite em explicações pseudocientíficas e ficções, do monstro de Loch Ness às estátuas lacrimejantes da Virgem Maria, do Abominável Homem das Neves ao poder das pirâmides e dos cristais, do Santo Sudário a terapias de vidas passadas, de anjos e demônios a seres extraterrestres que seqüestram e estupram. Para o autor de Pálido Ponto Azul, longe de serem inócuas, essas crenças e modismos podem causar danos terríveis; nos Estados Unidos pais inocentes estão sendo condenados em decorrência de falsas lembranças de abuso sexual de seus filhos, induzidas por terapeutas incompetentes. Da mesma forma, ele mostra que a crença nos argumentos de autoridade e o declínio da compreensão dos métodos da ciência prejudicam a capacidade de escolha política e põem em risco os valores da democracia.
Como todos os livros de Sagan, O mundo assombrado pelos demônios está cheio de informações surpreendentes, transmitidas com humor e graça. Seus ataques muitas vezes divertidos à falsa ciência, às concepções excêntricas e aos irracionalismos do momento são acompanhados por lembranças felizes da infância, quando seus pais o colocaram em contato pela primeira vez com os dois modelos de pensamento centrais para o método científico: o ceticismo e a admiração.
Para aqueles que vivem bombardeados diariamente pelos fenômenos "fantásticos" da vida, este livro funciona como um tratamento de desintoxicação. Mais que uma vela bruxeleante, trata-se de um jato de luz destinado a varrer os demônios do obscurantismo que pairam sobre nosso tempo.”
É, Carl Sagan faz falta.
segunda-feira, 16 de julho de 2007
Miséria traz tristeza e vice-versa.
"Cine xadrez" aproxima presos rivais no Rio. [Detentos de delegacia de Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense, têm projeto com cinema, música, literatura e poesia. Diferenças entre membros de facções rivais têm diminuído; na delegacia também há jornal feito pelos presos e biblioteca.]
quarta-feira, 11 de julho de 2007
Mas pelo fato de ter sempre estado oculto quando terá sido o óbvio.
Pena de morte para trabalhador que não aceitou tapa na cara. Um PM é preso a cada 25 horas no Rio. Ator de Malhação é acusado de espancar travestis e roubar prostituta. Jovem é preso após atear fogo em prostituta. Rio: funcionário de limpeza é espancado na Barra. Babá espanca e mata criança de três anos no Rio. Especialistas vêem risco de trauma e doença [para jovens e crianças do complexo do Alemão].
quinta-feira, 28 de junho de 2007
Grandes (?) momentos do futéco
Flamengo 3 X 0 Velez Sarsfield – Supercopa de 1995
http://www.youtube.com/watch?v=lXnQwi--tHE
Diego sambando na pizza
São Paulo 3x2 Santos – Brasileirão de 2002
http://www.youtube.com/watch?v=vdxCw5aZjX8
Embaixadinhas do Edílson
Corinthians 3 x 0 palmeiras – Paulistão de 1999
http://www.youtube.com/watch?v=fo8BDn8atUI
Zidane nocauteando Materazzi
Itália 1 x 1 França – Copa de 2006 (Alemanha)
http://www.youtube.com/watch?v=7IE2JBaBSBk
Invasão corinthiana no Maracanã
Fluminense 1 x 1 Corinthians – Brasileirão de 1976
http://www.youtube.com/watch?v=FqfcNqa-TGc
Diego expulso na cobrança de pênaltis
Porto 0 x 0 Once Caldas – Mundial Interclubes 2004 (Tóquio)
http://www.youtube.com/watch?v=6wsdma8DL_A
Golaço contra do Oséas
Palmeiras 1 X 1 Corinthians – (Paulistão de 1998)
http://www.youtube.com/watch?v=wyunhU3Fcu8
Palermo perde três pênaltis na mesma partida
Côlombia 3 x 0 Argentina – Copa América de 1999 (Paraguai)
http://www.youtube.com/watch?v=UNg1L5LNIkg
Isso sim é fairplay (depois d’uma puta mancada)!
Ajax x ADO Den Haag (não achei mais dados)
http://www.youtube.com/watch?v=PstjMCBAMdU
Gol do juiz Aragão
Palmeiras 2 x 2 Santos – Paulistão de 1983
http://www.spiner.com.br/modules.php?name=News&file=article&sid=1005
http://www.museudosesportes.com.br/noticia.php?id=7119
Almir Pernambuquinho brigando contra todo o time do Bangu
Flamengo 0 x 3 Bangu – Cariocão de 1966
http://carrinhonoolho.blogspot.com/2004_02_01_archive.html#107785568176056211
http://www.museudosesportes.com.br/noticia.php?id=19284
http://www.gazetaesportiva.net/almanaque/futebol/almir/index.htm
Armando Marques errando a contagem dos pênaltis
Portuguesa 0 x 0 Santos – Paulistão de 1973
http://www.gazetaesportiva.net/album/1973/galeria.htm
terça-feira, 26 de junho de 2007
Stupid White Men
[ http://ponteaerearj.nominimo.com.br/?p=1542 ]
Cadê o cidadão de bem querendo justiça? Cadê as manchetes de jornal convocando ao linchamento? Cadê a indignação dos humanos direitos que defendem repressão policial e apartheid social? É culpa dos remédios? Da televisão? Cadê as passeatas pedindo paz, exigindo rigidez das autoridades? Cadê a mídia massacrando o espectador com detalhes sórdidos e discursos inflamados?
quarta-feira, 20 de junho de 2007
Caia na estrada e perigas ver.
Parada do orgulho desocupado. Parada do orgulho desonesto. A revista preferida dos reaças.
Relaxei, mas não gozei. Quem sabe de Aerotrem? Vai uma laranjada aí? Ou pelo menos um(a) vale docinha de volta...
quarta-feira, 13 de junho de 2007
O mais querido – Do Rio De Janeiro A Tóquio De Dezembro
Melhores momentos das primeiras fases
Final: Flamengo 3x2 Atlético Mineiro
[Taça Libertadores da América – 1981]
Time-base: Raul, Leandro, Figueiredo, Mozer e Júnior; Andrade, Adílio e Zico; Tita, Nunes e Lico (Técnico: Paulo César Carpeggiani).
Campanha: 14 jogos –9 vitórias, 4 empates e 1 derrota (28 gols pró e 13 contra).
Artilheiro da competição: Zico, com 11 gols.
[Primeira fase]
3/8 – Atlético Mineiro 2x2 Flamengo
14/8 – Flamengo 5x2 Cerro Porteño (PAR)
24/8 – Flamengo 1x1 Olimpia (PAR)
7/8 – Flamengo 2x2 Atlético Mineiro
11/8 – Cerro Porteño (PAR) 2x4 Flamengo
14/8 – Olimpia (PAR) 0x0 Flamengo
21/8 – Flamengo 0x0 Atlético Mineiro
[Segunda fase]
2/10 – Deportivo Cali (COL) 0x1 Flamengo
13/10 – Jorge Wilstermann (BOL) 1x2 Flamengo
23/10 – Flamengo 3x0 Deportivo Cali (COL)
30/10 – Flamengo 4x1 Jorge Wilstermann (BOL)
[Finais]
13/11 – Flamengo 2x1 Cobreloa
20/11 – Cobreloa 1x0 Flamengo
23/11 – Flamengo 2x0 Cobreloa
[Mundial Interclubes – 1981]
12/12 – Flamengo 3x0 Liverpool
[Bônus]
Flamengo 6x0 Botafogo (o jogo da vingança)
Flamengo 3x0Santos (final do Brasileirão de 1983, com 155.000 no Maracanã)
Esporte espetacular: 25 anos do Mundial
quinta-feira, 7 de junho de 2007
Souvenirs
Os motivos alegados, por ambas as partes, são os de sempre (e com a costumeira polidez): novos horizontes musicais, diferenças artísticas, vontade de mudar de ambiente, etc. Enquanto a moça já tem um novo projeto, a banda buscará outra vocalista e seguirá a carreira.
O que isso significa? Bem, pra música de massa no mundo todo e pro público médio consumidor de cultura pop, nada vai mudar. A banda tinha um estilo difícil de ser rotulado e não tinha grande base de fãs na maioria dos continentes. Mas, macrocosmo à parte, faz uma diferença desgraçada pra mim imaginar o mundo sem a combinação Anneke + The Gathering. Tá certo, ela não morreu, a banda não acabou, ambas as parte têm projetos e tudo seguirá com provável criatividade e qualidade. Além disso, as obras já concretizadas estão aí, por toda parte, prontas para serem ouvidas (eu mesmo tenho aqui todos os CDs, bootlegs e até um DVD duplo).
Mas é um pedaço de mim que fica para trás, sinal dos tempos, de que as coisas vão passando, mudando, acabando. A arte que abraçamos para que a vida nauseante e cheia de existência não nos destrua.
Nem parece que faz dez anos que ouvi Nighttime Birds pela primeira vez, num final de domingo, nas ondas da Brasil 2000 FM com o clássico Backstage (apresentado pelo gordo sem-graça Vitão Bonesso). Tempos em que a internet não servia pra quase nada e pra descobrir bandas novas só havia esse programa, as revistas (e os fanzines) especializados, os amigos lojistas da Galeria do Rock.
Lembro-me de, no sábado seguinte, ir a Galeria, pegar o CD e levá-lo assim que o mal-humorado lojista (mas gente-boa) colocou a primeira faixa pra tocar (On Most Surfaces).
Creio que há a possibilidade de eu ter ouvido Nighttime Birds numa coletânea da Century Media que veio como CD-bônus junto com o A Dead Poem, do Rotting Christ.
Talvez a música ouvida tenha sido Strange Machines (versão ao vivo). Mas não importa. Desde sempre era Anneke.
Importam as canções, o sentimento transcendental de abrir aquele encarte, com sua borboleta, seu tornado, suas folhas, pegar o CD cheio de constelações desenhadas e sair do corpo ao som de Kevin’s Telescope, minha predileta durante muito tempo, e cujo sabor especial se mantêm até hoje.
Valem – e muito – as vivências do final da adolescência que tiveram The Gathering como trilha sonora sentimental. Têm valor inestimável as pessoas relacionadas com as canções. E até a camiseta que mandei fazer com uma foto da Anneke. Tudo é válido.
The Gathering já existia antes dela (houve dois discos com vocal masculino, mais voltados ao doom-metal) e continuará daqui por diante (pelo menos o ótimo instrumental se manterá). Mas como imaginar outra pessoa cantando You Learn About It, Broken Glass ou In Motion #1?
Não era daquelas bandas pelas quais você faz campanha para que todas ouçam. Creio que não há como não gostar, mas, por outro lado, não consigo descrever o sentimento, o enlevo, às altitudes estelares a que as canções deles me levavam, levam e levarão.
Como toda relação, eu mudei, a banda mudou (de doom atmosférico até um rock alternativo psicodélico mas ainda doomy); estranhei a mudança, fiquei tempos sem ouvi-los, até compreendê-los. E carrego comigo a grande agonia de não tê-los visto ano passado aqui no Brasil, por falta de dinheiro.
Não pela vida ser como é, mas pelas coisas estarem como estão. Mas, em algum universo paralelo, eu fui ao show, e há um momento em que estou eternamente vendo-os e ouvindo-os ao vivo. A arte é perpétua, eterna, perene. Anneke, transcendental.
quarta-feira, 6 de junho de 2007
Mini-eternidades da semana
terça-feira, 5 de junho de 2007
No ar que se respira, nos gestos mais banais.
Enquanto até me perco no excesso de operações da Polícia Federal (Furacão, Navalha, Xeque-mate...) e ouço, dia e noite, em casa, nas ruas e na mídia, brados de ódio contra os políticos, penso no que eles diferem de nós, exceto quanto ao acesso às facilidades que o poder oferece. Dá a impressão que só ladrões se interessam pela carreira política, ou que algum vírus os contamina lá, coisa assim. Russomanos, Clodo_vis, Enéas (rest in Hell), Alans do Polegar, Cãezinhos dos Teclados e Agnaldos Timóteos vêm provavelmente de Marte, visto que ninguém nunca vota neles.
Homens honestos não entram pela política; preferem fraudar a previdência, adulterar combustível, comprar carta de motorista, jogar no Bicho, falsificar documentos (incluindo carteira de estudante), enganar tolos com seitas e livros de auto-ajuda, Burlar o rodízio de veículos, furtar material de escritório da empresa, adquirir muamba, ocupar o assento do idoso na condução, furar fila, jogar lixo no chão.
Não, não é o ser humano que naturalmente está corrompido pelo meio assim que traga pelas primeiras vezes os ares da nossa sociedade. Os políticos é que são o inferno.
quarta-feira, 30 de maio de 2007
Mini-reflexões vespertinas
terça-feira, 29 de maio de 2007
Reflexões vespertinas
02. Pena que a nossa espécie não está nesta nada honrosa lista.
03. Enquanto uns vendem a virgindade (da filha), outros pagam votos pagando boquete.
04. Olho por olho, dente por dente; ficaremos todos cegos e banguelas.
05. Até o Zé Dirceu entrou na campanha!
06. Serra e a crise da USP: nem a Folha agüenta mais o Super_Vampiro
07. Kassab e os factóides, apocalípticos e integrados
08. Não é só esgoto que fede no Tietê; a incompetência também.
09. Vergonha na cara?
10. O Brasil é o país do futuro, partes I e II
11. Esta moda podia pegar aqui.
12. Os maiores spamzeiros da galáxia.
13. Simulação com balas de verdade? Só no Brasil mesmo. Espero que não matem ninguém na reconstituição.
14. Esses teletubbies nunca me enganaram (nem aos poloneses). Resta aos gorduchos boiolas o refúgio e a vingança na Austrália.
15. Minas Gerais será a nova potência olímpica?
quarta-feira, 23 de maio de 2007
Tempo tempo tempo tempo
quarta-feira, 16 de maio de 2007
Reflexões vespertinas
Enquanto isso, o pessoal da USP tá só na mamata: um verdadeiro parque aquático com direito a tobogã e cachoeira, ambos indoor.
Já nossos pobres jornalistas estão sem água: banho, só de Lula. Ou de apuração. Ou de isenção. Ou de objetividade. Ou de honestidade. Ou de liberdade.
Mas o certo é que o trabalho enobrece o homem: quase 150 japoneses sendo demitidos da vida por karoshi nas empresas; é uma pratica profissional comum por lá. Afinal eles não são nem comunistas, nem terceiromundistas. Se ao menos eles fossem goleiros...
Já no Brasil o negócio é tratar bem a clientela: Xuxa já sabia disso desde os áureos tempos.
Mas bom de mídia mesmo é o Eduardo Suplicy: além de ter parido o Supla, ser corno-manso e mandar umas baladas, agora ataca com hip-hop. É vergonha alheia demais pr’uma pessoa só; vamos dividi-la com o Capitão Kirk.
segunda-feira, 14 de maio de 2007
Habemus Papam!
Núncio presenteia papa com CD independente e quase comete gafe religiosa. Ronaldo se diz emocionado com a visita do papa ao Brasil. "Fábrica de santos" mantém ritmo de João Paulo 2º. Centenas de jovens já estão no Pacaembu; "água benta" custa R$ 2. Cambistas vendem "convites" para ver o papa no Pacaembu por até R$ 160. Jovem chora e diz que Papa é 'fofinho'. Pérolas de Zé Simão. Frank Aguiar assiste à canonização de Frei Galvão. Jovens esperam papa com rock, olas e gritos de guerra. Seita ameaça fazer protesto contra o Papa no Pacaembu. Padre Marcelo Rossi é barrado no Campo de Marte. Kassab entrega chave da cidade ao Papa. ONG católica defende aborto e preservativo. Torcedor pede ao Papa para tirar Corinthians da miséria. Emoção, empurra-empurra e até assalto marcam vigílias no mosteiro. O peregrino e sua cruz. Nossa Senhora das Embaixadinhas. Espera e decepção marcam passagem do papa por Potim. Deus exigirá satisfações de traficantes, adverte o papa. Polícia detém manifestantes anticristo que esperam por papa na basílica. Falso bispo se infiltra em evento com o papa. Evangelização da América foi encontro, não imposição, diz papa. Coletânea de frases de Bento XVI no Brasil. Para 'La Nación', visita do papa ao Brasil foi fracasso de público. Escondam as gravatas. Caminhada seria o segredo da boa forma de Bento 16. Aposentos usados pelo papa em Aparecida serão expostos ao público. Ciclista leva 25 dias pedalando para chegar a Aparecida. Bispo d. Celso diz que palavras de Bento 16 "são como um beijo". Comitiva de Bento 16 "esquece" dom Cláudio Hummes em basílica de Aparecida. Papa terá vinhos e massas no cardápio da viagem de volta ao Vaticano. Bento 16 toma suco e elogia pianista em almoço no seminário Bom Jesus. Após saída do papa, mosteiro de São Bento sofre tentativa de "invasão".
quarta-feira, 9 de maio de 2007
Vicaris Filii Dei
All in all os neo-pós-pentecostais estão dominando tudo e o cash da igreja romana tá baixo; por isso nada melhor do que fazer uma visitinha aqui, e, por que não, canonizar um santo pra dar um up no catolicismo brasileiro.
Ser católico não é fácil; tem muita coisa pra seguir, tem que ir à missa obrigatoriamente uma vez por semana, não pode usar métodos anticoncepcionais “artificiais” tampouco ouvir rock (pra dizer o mínimo). Isso tudo soa anacrônico para o mundo moderno.
Por isso tantos migram para o espiritismo, que não exige nada e responde (pelo menos eles acham isso) a todas as questões, e para as igrejas-de-garagem-com-cadeira-de-praia, que permitem uma interação mais, digamos, catártica (com direito a encosto, línguas estranhas, choradeira e gritaria) e não exige muito além de dinheiro, com a promessa de prosperidade, poder, fama, etc.
Até entendo a inflexibilidade do papa: o terreno já está perdido; correr atrás dos pente[lho]costais é bobagem, vai parecer ridículo (alguém aí disse Renovação Carismática?) e, de mais a mais, se ele não afirmar a validade eterna de certos preceitos e a supremacia do catolicismo, quais seriam os motivos para alguém ser católico em vez de qualquer outra coisa mais atrativa? Bento 16 sabe das coisas: o negócio é segmentar o mercado, como já dizia seu ídolo Santo Agostinho (Cidade de Deus versus Cidade dos Homens).
De mais a mais ele não obriga ninguém a nada: não sou católico, nem ligo pro que ele pensa, por exemplo, em relação ao divórcio/ segundo casamento (segundo ele, uma “saúde e educação.
No mais, vai ser aquela punhetação na imprensa até domingo, quando ele vai embora, ou até surgir algo que renda mais notícias, como um desastre aéreo, o que vier primeiro. Talvez um desastre aéreo com o papa.
terça-feira, 8 de maio de 2007
Eternidades da semana
Bingos e caça-níqueis: não falei que não ia dar em nada, que era só perfumaria? Apesar de a Polícia Federal do Lulão estar mandando bem, esses bingos são todos de políticos, e vão sobreviver navegando nos nebulosos oceanos de liminares.
Quebra de patentes: dá neles Lulão!
Eleições na França: finalmente acabou essa encheção; não sei porque isso era tão importante pro Brasil a ponto de a imprensa falar tanto. Enfim... ao contrário da América Latina, cada vez mais “vermelha”, a Europa segue seu caminho à direita.
Itaú tem lucro de R$ 1,9 bi no trimestre: quanto você lucrou até agora? Só sei que tenho grande parte nesse lucro deles, de tanta taxa que me cobram.
segunda-feira, 7 de maio de 2007
No fim, todas as sociedades são julgadas por suas exceções e por seus extremos.
Por algum milagre sociológico, não termos uma guerra civil generalizada. Já temos, há tempos e cada vez mais, os ingredientes para o caos: extrema desigualdade social, dividindo a população com um abismo entre ricos e pobres; gente para colocar lenha na fogueira dos dois lados.
A favela é a nova senzala, correntes da velha tribo.
Do um lado temos uma geração no limbo, no imenso vácuo onde o Estado não atua, e em cujas deficiências se aloja o crime. Crime alimentado pelo rancor, pelo ódio de uma população que paga impostos (proporcionalmente o mesmo tanto que os ricos), mas não recebe benefícios; que é espancada e humilhada pela polícia e não tem direito a uma oportunidade de emprego, a uma escola decente, a um atendimento médico minimamente humano.
Rancor e ódio de quem freqüenta transporte ruim, posto de saúde ruim, leva geral da polícia na ida para o trabalho e na volta dele e, no momento de descanso, é bombardeado com anúncios do tipo “Compre já seu carro zero quilômetro por ‘apenas’ cinqüenta mil reais”. Para quem vive de bicos e/ ou salário mínimo, isso é, sem dúvida, uma afronta.
Lógico que nada justifica o uso da força, mas isso, quase sempre, pode ser explicado. Já não bastassem essas condições propícias ao florescimento das sementes da violência, ainda temos grupos de rap que glamourizam a violência que supostamente condenam, além de resumirem todo o problema numa pueril luta de playboys versus manos.
Só com estes primeiros ingredientes já podemos fazer alguns lanchinhos: arruaceiros contra PMs toscos e psicologicamente despreparados em show dos Racionais MCs; o inesquecível Sandro (sim, ele tinha um nome e uma história), do ônibus 174; as chacinas que há todos os dias e para as quais ninguém mais liga.
Ou nossos queridos governos do PSDB/ PFL (PD), que, após as rampas antimendigo, querem colocar para fora da Sé, quando da visita do papa, os moradores de rua que lá habitam. Quer mais absurdo exemplo de exclusão social do que negar até a rua como moradia para cidadãos?
[Vale mencionar que todo governo brasileiro (seja de esquerda, direita, de cima, de baixo) é relapso com essas questões “de pobre”; a intenção aqui não é politizar a questão, mas citei os desgovernos de Serra e Kassab porque expulsar mendigo da rua já é um tanto demais, não? Mas continuemos.]
Onde o Estado não age, ou age mal, sobra espaço para criminosos, para álcool e demais drogas, para o ócio dos maus pensamentos. Altas taxas de desemprego, nenhuma opção de lazer próxima e um monte de botecos rodeados por pontos de tráfico. Cenários perfeitos para chacinas ou planejamento de crimes.
E a sala é a nova cela, prisioneiros nas grades do vídeo.
Do outro lado, temos pasquins como a Veja e programas do tipo TV-crime (Datena e afins) dizendo que bandido bom é bandido morto, massacrando o público com o João Hélio da vez (desde que seja de classe média ou acima, claro) em todos os ângulos, um mais sórdido que o outro. Vale tudo: de passar uma “reportagem” com a reconstituição do crime (Globo e Record) até estampar na primeira página a fotos dos acusados e a manchete “O que eles merecem?” (Jornal do Brasil). Agora é só atropelar o plebiscito contra o desarmamento, blindar o carro e se juntar, em algum condomínio fechado, aos outros cidadãos de bem, que espumam de ódio tanto nas redações de jornal quanto nos bares da moda contra a relé que insiste em não se colocar no devido lugar (o mais longe de nossos olhos, de preferência).
Nosso sistema de ensino antiquado e falido; nossa cultura de ler pouco e ler mal; nosso hábito de ver muita televisão, com seus programas histéricos cheios de pseudojornalismo e falsa indignação; nossa herança de desgovernos e políticos reacionários e corruptos que fazem todos pensarem que a violência é um fenômeno sobrenatural, que vem de fora da sociedade, como klingons belicosos; tudo isso faz com que as classes privilegiadas achem que não têm responsabilidade (o que é diferente de culpa) nesse imbróglio todo.
[Sim: eu que tenho um computador para escrever e você que tem um para ler fazemos parte da elite, em termos de Brasil. Todos temos telhado de vidro porque não fazemos nada prático. Mas isso é assunto para outra postagem, minha teoria sobre as revoluções.]
Chegamos a um ponto (como me advertiram dois amigos que me contaram desta notícia e outro que apontou a gravidade, digamos, teórica, da situação) em que temos, além de povo contra governo ou povo contra polícia, povo contra povo.
Estamos cada vez mais irracionais, mais intolerantes. É o verdadeiro cu do mundo.
E quem é que vai pagar por isso?
E onde entra o tal do Champinha, citado como motivo inicial do post, nesta história toda?
Vamos pegar o gancho da irracionalidade. Não a do bandido, mas a da sociedade. O tal Champinha voltou à mídia nesses dias porque fugiu da Febem, talvez até facilitado por funcionários, decerto na esperança de que alguém aqui fora “apagasse” ele, naquelas “resistências à prisão" em que o meliante leva uns quarenta tiros, vai saber. Mas o bom filho à casa tornou.
Embora ele seja um caso à parte, visto que, além de uma vida sofrida (e ainda lhe exigem uma compaixão e uma civilidade que nunca lhe foi oferecida), ele tem claros problemas cerebrais, sendo portanto um caso muito mais psiquiátrico que criminal (não é caso de cadeia e sim de internação), os “cidadãos de bem” já vêm rosnando com palavras-de-ordem como “pena de morte” e “redução da maioridade penal”, isso quando não chegam a termos como “matar esse animal”, “torturá-lo lentamente”, etc. Para conferir isso, basta pesquisar no Google e procurar qualquer debate sobre o assunto. Logicamente, além de cidadãos ordeiros e educados, devem ser quase todos piedosos cristãos.
Essa cultura do ódio e da paranóia em que vivemos nos cerra a vista para a dimensão completa dos eventos. Pegam-se fatos isolados para que a realidade fique mais simples, mais P&B; fica mais fácil de “entender” e de se eximir de qualquer responsabilidade.
Porém somos nós mesmos que criamos e alimentamos as criaturas que nos devorem. Os Champinhas, os Sandros, os linchadores e linchados, chacinadores e chacinados, todos são nossos “parentes próximos”. E poderíamos, facilmente, ser um deles. Ao mesmo tempo em que não temos culpa, somos todos responsáveis.
As cartas estão na mesa, os ingredientes estão misturados na panela fervente. A hora da refeição se aproxima: quem vai experimentar primeiro essa iguaria indigesta?